Control War

2 001: A Profecia da Alma


Notas iniciais
Aqui está o primeiro capítulo. Se tiver algum problema de escrita, por favor me avise.

Tóquio, Japão.

Atualidade. 3h45 da manhã.

Um supermercado grande, situado na periferia.

Uma pessoa com um simples vestido branco até os joelhos e um chapéu preto no topo da cabeça. Ela também usava um casaco preto com mangas e gola felpudas e uma bota curta preta; naquela época, ainda mais na madrugada, o frio não perdoava. Ela andava com um carrinho grande por entre as seções, e o mercado estava vazio, devido ao horário. Mas ela gostava disto. Parou na comprida seção de massas, ao lado da prateleira de lámen. Esticou seu fino braço e empurrou meia dúzia de lámen sabor galinha e sabor bacon direto para o carrinho. Fez a mesma coisa na seção de doces. Sorriu. Nada saudável.

Colocou o pé esquerdo sobre a proteção da rodinha azul do carrinho, pegou impulso com o outro pé e o carrinho saiu a toda velocidade com a menina segurando-se desleixadamente nele. As comidas nada saudáveis balançavam em seu interior a medida que o carrinho ia rodando por entre as fileiras de comida e tranqueiras. Com a rapidez de um felino, a menina esgueirou-se para dentro do carrinho, agora perdendo a direção do mesmo.

O ‘veículo’ ia agora em direção a uma enorme pirâmide de papel higiênico. Não ligando pra isso e não tentando evitar a colisão, a menina sorriu novamente, erguendo os braços como se estivesse numa montanha-russa. Um impacto. Pela pressão de ter colidido com o carrinho, papel higiênico voou para todas as direções. O carrinho agora ia lentamente parando com a garota e as porcarias dentro. Ela deu um riso baixo, que foi transformando-se numa gargalhada. Saiu do carrinho e bateu nas próprias roupas como se estivesse tirando o pó.

Tóquio, Japão.

Alguns meses atrás, talvez quase um ano. 4h36 da tarde.

Dentro de um sobrado razoavelmente grande, uma menina de cabelos castanhos claros estava deitada desleixadamente numa poltrona de veludo vermelho, no meio de uma sala bem espaçosa e decorada, cochilando com um livro no colo. Teoria da evolução, dizia o título da obra. De repente, a porta da sala se escancarou, exaltando a menina deitada.

“Cheguei!”, anunciou, cantarolante, uma garota mais velha, alta, morena e de olhos azuis tão claros quanto a água pura.

Várias sacolas de muitas marcas famosas de grifes jaziam em seus braços.

“Irina! Gastando um monte em porcaria de novo?” disse a garota menor, depois de quase ter um infarto.

“Ah, vamos, Mel” disse Irina, largando as sacolas no tapete e jogando-se no sofá para tirar os sapatos de salto fino. “Não tem problema gastar um pouco de vez em quanto. Você sabe o quanto eu trabalho duro” disse, sorrindo.

“E é por isso mesmo que eu não gosto que fique gastando seu precioso dinheiro nesse tipo de lixo!” apreendeu a menina menor, que fora apelidada de Mel. No fim disto, ela apenas suspirou, apanhou as sacolas e se dirigiu às escadas que levavam para cima, porém no meio do caminho ela parou.

“Quer que eu guarde no armário ou só em cima da cama está bom?”, perguntou ela, arqueando uma sombrancelha.

“Deixe apenas em cima da cama”, disse Irina, bem humorada.

Então, Amelie Clearwater subiu as escadas, adentrando no sótão da casa.

“Por que será que Irina insiste em fazer do sótão seu quarto? Há mais três quartos além do que eu uso.”, divagou ela. “Será que é porque é maior?”

Chegando no aposento, contemplou o local. Grande. Enorme. Um guarda roupa grande o suficiente para ser usado por duas pessoas, uma enorme cama de casal e uma escrivaninha recostada na parede, com pilhas de papéis e um painel com lembretes e anotações suspenso na parede. Irina é diplomata. Todo o ambiente era de certa forma agradável, silencioso, exceto por um detalhe: era escuro. Havia uma ou duas lâmpadas, daquelas do tipo compridas fluorescentes que se usam nas salas de aula, no meio do teto.

Embora a luz estivesse ali, talvez pela falta de janelas, o ambiente parecia estranhamente obscuro. Por causa disso, Amelie procurava passar o menor tempo possível naquele lugar. Desde a morte dos pais de Irina e Amelie, as duas viviam sozinhas numa mansão no Japão, comprada com a vasta fortuna deixada de herança por seus pais. Elas só tinham uma a outra, agora.

Tóquio, Japão.

4h07 da manhã.

Droga, droga, droga. Picuinhas no trabalho, brigas constantes com seu noivo, Joseph, e uma terrível depressão que corrói o fundo de sua alma. Irina está desgastada, e a única maneira que ela encontra de extravasar suas emoções são as frequentes e exageradas compras que ela faz, muitas vezes gastando mais do que ganha. Ela não usa um tostão da herancá de seus pais em sua compulsão, porém mesmo assim a conta no final do mês está ficando apertada. Apenas para emergências. Esse dinheiro deveria ser guardado para o caso de acontecer… alguma coisa com ela. Sua irmã ainda é menor de idade, dependente dela.

“Ugh!” penando, Irina se preparou para escrever mais um relatório, enquanto pensava na mais recente briga com Joseph.

Em certo ponto do trabalho, ela largou a caneta; estava suando. Passando mal, mais especificamente.

“Droga… esqueci… de tomar…” arrastou sua mão até uma caixa de remédios tarja preta.

Abriu a embalagem e pegou um dos comprimidos azuis, tomando com um pouco de água fresca que havia em uma garrafa plástica em sua mesa. Ficou alguns minutos se permitindo suar frio e pensar em como sua vida estava indo, com as mãos na cabeça abaixada na mesa, puxando seus próprios cabelos, sem força.

“Eu… não aguento mais. Não aguento mais. Por que tem que ser assim?”, murmurou.

Começou a pensar em seu único refúgio de sanidade, sua irmã mais nova. Conseguiu esboçar um sorriso sofrido enquanto pressionava a cabeça contra a mesa, olhando para a embalagem do remédio.

“Não quero ser um fardo… para as pessoas que amo… me desculpe, Mel. Me desculpe, Joe.” Pensou ela. “Por que tem que ser assim? Eu queria não existir. Queria não ter que passar por isso. Queria não sentir mais dor.”

Queria morrer.

Tóquio, Japão.

10h28 da manhã do mesmo dia.

Amelie tinha acabado de acordar. Não havia pão fresco para o café da manhã, nem chá, nem café. Resmungou coisas inaudíveis como “não tem nada de nada nessa casa”, e adiantou-se para a base da escada que levava ao sótão.

“Irina!”, berrou. “Vai querer café da manhã?! Tá faltando umas coisas, então vou ali do lado comprar e já volto!”

Não ouvindo resposta da irmã, presumiu que a mesma estivesse dormindo. Pegou sua bolsa e saiu de casa, certificando-se de trancar a porta. Chegou em casa com duas sacolas, o dobro do que achava que ia comprar. Não era sua culpa. Os doces tinham acabado de ser feitos. O dono da padaria, já a conhecendo, fez um belo desconto para ela.

“Irina!”, gritou novamente. Não obteve resposta. “Mas que preguiçosa…” resmungou, preparando um café. “Talvez com isso ela acorde.”, e pingou algumas gotas de adoçante.

Subindo as escadas, tomou cuidado para não derramar o líquido fervente que trazia na xícara. Chegando à porta do local, entrou sem mesmo anunciar.

“Irina? Fiz um café, coloquei o tanto de gotas que você gost”

A xícara caiu no chão, espatifando-se e derramando o líquido escuro.

“Irina? Irina?”

Amelie, sem crer no que via, sacudiu sua irmã, que estava no chão, claramente após cair da cadeira. A expressão de Irina era vazia, assim como a de sua irmã mais nova, incrédula.

Morta. Irina estava morta.

Em cima da escrivaninha, a embalagem de remédio estava no canto, e no meio da mesa estavam espalhados os papéis do relatório. Um em especial, que estava borrado com manchas de maquiagem, tinha um detalhe singular: na última linha do manuscrito, fugindo totalmente do contexto do relatório, havia uma singela frase.

“Obrigada. Me desculpem”

Lágrimas caíram dos olhos claríssimos de Amelie enquanto os investigadores da polícia examinavam o corpo. Ela tinha sorrateiramente apanhado o relatório em questão e escondido-o dentro de suas vestes. Aparentemente, tinha sido um ataque cardíaco devido ao atraso na ingestão do remédio de tarja preta. Mas Amelie simplesmente… sabia que não havia sido isso. Suicídio. Sua irmã cometera suicídio.

Deus, como a vida é frágil.

制御戦争:「魂の予言。」

Atenas, Grécia.

Celestia Procopides estava num quarto escuro. Pisca. Pisca. Apita. Dentro do quarto, haviam muitos materiais de arsenal, ferramentas, e também computadores. Muitas telas de computador conectadas a vários teclados e CPUs superpotentes.

Ela era uma hacker de perigo mundial, forjadora de armas e criadora prodígio de bombas. Enquanto seu irmão era a força bruta, o Guardião do Portão, ela era a inteligência. A Máquina da Profecia.

Cada membro da família Procopides, uma famosa e bem-sucedida família de Exorcistas, tinha um título identificador nas missões, de acordo com Apita. suas habilidades ou personalidade. Celestia achava esse sistema fútil e inútil, visto que se alguém grampeasse suas comunicações queria dizer que a missão estaria em risco, e seria pausada até segunda ordem.

A bomba que ela Pisca. Pisca. Apita. estava programando era simples aos olhos dela. De tamanho diminuto e explosão muito mais devastadora do que o tamanho sugeria. Ela estava programando o protótipo para o Governo da Grécia, que ultimamente tinha investido muito mais em armamento bélico do que nos últimos séculos. O motivo Apita. disso era a Quarta Grande Guerra que estava iminente. As nações que não investissem nela estariam perdidos quando esta chegasse.

Pegou um alicate; cortou um fio. Estava aprendendo a desarmá-la. Logicamente, Pisca. seu criador deveria ser a primeira pessoa a saber como fazer isso. Ela pegou uma chave de fenda e afrouxou um parafuso. Tirou uma placa que recobria outra gama de fios. Pegou um fio azul, cortou. Esperou três Apita. Pisca. segundos. Pegou um fio vermelho, cortou. O contador regressivo parou, e foi apagando lentamente. Ela conseguiu. Pegou fios novos, encapou-os, e começou a trabalhar na reconstrução da bomba. Sem mais Apita., nem Pisca.

Uma das telas de seu computador subitamente tomou a cor vermelha. Logo depois, foi seguida por todas as outras telas. Algo havia invadido sua central. Havia uma mensagem criptografada. Celestia fitou indiferentemente os computadores por alguns segundos. Sentou-se na cadeira com encosto revestido em couro e começou a digitar comandos tão freneticamente, que seus dedos pareciam controlados por uma força maior. A rapidez com que digitava deixava clara sua vasta experiência. Digitava com a mão direita em um teclado e a esquerda em outro, revezando.

Passou cinco minutos assim, martelando os teclados, até que uma curta mensagem escrita em azul apareceu numa tela em branco.

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Bagnara

A garota suspirou. Gente excêntrica. Bastava mandar um e-mail ao seu pai, o chefe da família. Não precisavam invadir um sistema de computadores com uma das melhores seguranças do planeta para mandar uma curta mensagem, e ainda por cima criptografada. Mas era uma boa notícia. Serviços significava uma missão. Missão significava testar seus novos armamentos. Celestia se permitiu um momento de prazer pensando em como deveria aniquilar os inimigos, mesmo que tivesse disposição de apenas um canivete-borboleta.

Control War: A Profecia da Alma;

Fim.

Notas finais
Próximo capítulo; 002: Três Mil Mundos (14/01/2015)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.