Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Antes de mais nada, quero me desculpar pelo tamanho do capítulo. Eu fiquei tão empolgada escrevendo que acabei exagerando. Espero que não se importem. E aqui continuamos com a nossa contagem regressiva para o fim de CS, faltando apenas quatro capítulos para o final. Eu quero agradecer demais a Mari e a AndreaNeves pelos comentários inspiradores no capítulo passado. Obrigada mesmo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO IX – CONTRATO DE SETEMBRO

CAPÍTULO XXIV — SURPRESAS

Após a apresentação impressionante e encantadora de Ben e Mal, o casal conquistou o primeiro lugar da competição e quebrou alguns recordes de pontuação. Não era para menos. Eles conseguiram elaborar uma coreografia de tirar o fôlego até de alguém que não entendia desse universo como eu. A família Barton parecia não se caber de orgulho. Com Beth sentada ao meu lado, eu podia ver seu o sorriso emocionado e orgulhoso. Essa era a primeira vez que ela esboçava seu sorriso genuíno desde que fomos interrompidos no cemitério.

Desde que deixamos o hospital no dia anterior, após confirmar que Barry e Cait não corriam risco de vida, eu não conseguia parar de pensar que não deveria ter dado ouvidos a razão e insistido que ela atendesse o celular. Se ela não tivesse atendido, teríamos ido até o fim e eu não teria me encontrado com Claire. Meu coração não estaria tão cheio de incertezas e nós não estaríamos nessa situação frustrante de não sabermos como deveríamos conversar.

— Eles foram incríveis! – Comenta Austin, assim que Ben e a namorada de cabelos roxos terminam de receber suas medalhas. – Eu sabia que eles iriam se sair bem, mas jamais imaginei que Ben conseguiria fazer patinação artística em um prazo tão curto e ainda fazer movimentos tão incríveis como o que ele e a Mal fizeram.

— Ele é nosso melhor amigo. É claro que ele iria conseguir se superar. – Barry responde, sorrindo orgulhoso.

— Eu arrepiei com o último salto. – Comenta Elena, exibindo o braço. – Eu achei que eles iriam cair. Foi impressionante.

— Eu sabia que a Mal era talentosa, mas foi uma surpresa ver como Ben também é habilidoso. E o mais surpreendente disso é pensar que eles fizeram tudo isso depois de passarem por uma situação tão caótica quanto um sequestro. – Felicity observa o casal com um sorriso de alívio em seus lábios, após lembrar o que Ben e Mal haviam passado mais cedo.

Apesar da animação dos primos comentando sobre o orgulho que sentiam, como se emocionaram e ficaram apreensivos com os movimentos arriscados de Ben e Mal, nem tudo estava realmente bem. Pelo menos, não para Beth, Sam, Freddie e eu, que sabíamos sobre o perigo que nos rodeava. Ainda tínhamos um plano para executar e os homens de Hugh se mantiveram próximos das saídas, como predadores, esperando o momento certo para nos atacar.

— E então? Para onde nós vamos para comemorar? – Questiona Damon, atraindo a atenção do grupo. – Depois de tudo o que passaram, eles merecem uma comemoração digna.

— E eu também quero comer alguma coisa que não seja comida de hospital. – Comenta Cait, fazendo careta e estremecendo ao lembrar da comida do hospital.

— Não se esqueçam que vocês precisam voltar para o hospital para tomar a última medicação do dia. – Relembra Ally, encarando Cait e Barry com preocupação. Ela parecia ser a única preocupada de fato com o casal.

— Nós vamos voltar a tempo. Só precisamos decidir o lugar para irmos. – Afirma Barry, sorrindo para Ally, que assente ainda um pouco contrariada.

— Eu diria para a gente ir para o Hawkeye, mas eles devem estar cansados, então é melhor um lugar mais calmo. – Comenta Elena, pensativa.

— E a Thea ainda não pode entrar. Ela tem só dez anos. – Provoca Austin, que recebe um olhar repreendedor de Thea.

— Cala a boca. Eu já tenho dezoito anos. – Resmunga a mais nova, cruzando os braços. Ela se vira para o irmão mais velho e acaricia o cabelo de Tony, que dormia tranquilamente no colo do pai. – Mas de qualquer forma, nós não podemos ir. O Tony está com a gente e deve estar com fome. É melhor irmos para o Sense’s.

— Não gosto do Sense’s. Ele me traz memórias ruins. – Resmunga Oliver e Felicity, Damon, Elena e Thea riem. Eu não fazia ideia do que eles pensaram, mas era evidente que compartilhavam uma história do restaurante.

— Mas foi no estacionamento do Sense’s que a gente começou a namorar. – Responde Felicity, deixando um beijo na bochecha do namorado.

— É verdade. – Concorda Oliver, abrindo um sorriso apaixonado.

— Então está decidido. Nós iremos para o Sense’s. – Declara Damon, levantando-se da arquibancada. Ele então se vira para Sam e Freddie e os lança um sorriso esperançoso. – E vocês? Vão vir com a gente ou ainda precisam manter a pose?

— Estamos sob a proteção da CIA, então não podemos ir com vocês. – Responde Freddie, dando um sorriso sem graça. Todos parecem ficar desanimados com a notícia. Era nítido o quanto sentiram falta de Sam e queria comemorar a vitória de Ben e Mal juntos.

— Prometo que compensamos na próxima vez que a gente se ver. – Afirma Sam, sorrindo com confiança.

— E vocês, Beth e Daryl? – Questiona Elena, fazendo todos os primos nos encararem. – A gente também precisa comemorar o casamento de vocês, já que com essa loucura, não tivemos tempo.

Beth troca olhares com a irmã mais nova e se vira para mim, parecendo esperar que eu tomasse a decisão. Apesar de estar preocupado com Freddie e Sam, eu sabia que o melhor era acompanhar os primos de Beth e esperar por notícias. Então, assinto, concordando que deveríamos ir.

— Vamos sim. Mas podem ir na frente. Eu quero ficar mais um tempinho com Sammy antes dela voltar para o esconderijo com Freddie. – Responde Beth, dando um sorriso amável.

— Então é melhor nós irmos. Tenho certeza de que vamos pegar um trânsito terrível. – Comenta Thea, levantando-se com Roy. – Qualquer coisa é só nos ligar, Beth.

— Claro. Vejo vocês lá. – Concorda Beth, sorrindo docemente.

Aos poucos, todos se despedem de Sam e Freddie com abraços apertados e promessas de reencontro depois que tudo acabasse. Quando nos vemos sozinhos, suspiro nervoso e volto a me sentar com Beth na arquibancada. Observo Sam acenar para alguém na arquibancada e vejo Natasha Romanoff nos encarando de longe junto a uma agente da CIA e mais dois homens, sendo um deles o bilionário Tony Stark.

Desvio minha atenção para Beth e ela apertava os punhos com intensidade e os abria, como se tentasse retirar a tensão que sentia. Por impulso, coloco minha mão sobre a dela e observo-a dá um leve pulo, surpresa com minha reação repentina. Seus olhos se fixam nos meus e eu sinto toda aquela eletricidade percorrer meu corpo com a impetuosidade com a qual ela me encarava.

Sam se remexe mais bruscamente e isso desperta Beth, que encara a irmã e a observa com preocupação. O medo de estar colocando a caçula em perigo começava se fazer presente. Afasto-me de Beth e ela entrelaça a mão na de Sam. Encaro Freddie e ele mexia freneticamente em seu celular. O ginásio começava a esvaziar e as chances de sermos surpreendidos nas arquibancadas aumentavam.

— E agora? – Questiono, preocupado com a situação.

— Os homens de Hugh estão posicionados em todas as saídas do ginásio. – Comenta Freddie, exibindo a tela do celular. – Eles começaram a se comunicar. Provavelmente estão esperando as ordens de Hugh. Acho que nós devemos sair agora para não deixar tão evidente que estamos esperando por eles.

— Freddie tem razão. Se começarmos a esperar demais, eles vão acabar desconfiando. – Responde Sam, levantando-me da arquibancada.

— O que será que está acontecendo ali? – Sussurra Beth, olhando para trás. Viro-me para descobrir sobre o que ela falava e vejo Aaron exibindo um sorriso satisfeito, que eu tinha quase certeza de que era enviado diretamente para Beth. Um dos agentes, que parecia bastante desconfortável, puxa Aaron para ir embora, mas era nítido que o olhar dele permanecia em Beth.

— Se Aaron está tão confortável com a situação, enquanto continua algemado, suponho que nada de bom esteja acontecendo. – Afirma Sam, voltando a nos encarar. – Agora vocês precisam ir. Freddie, você já passou as informações para o celular de Daryl?

— Sim. Se você acessar aquele aplicativo que eu te mostrei, poderá ver nossa localização e ouvirá as nossas conversas. O aplicativo também irá emitir um sinal de alerta, caso o rastreador ou o microfone seja tirado de nós a força, fique danificado ou entre em algum local onde não seja possível de enviar mais a nossa localização. Isso vai ajudar vocês a saberem onde nós conseguimos contato pela última vez. – Explica Freddie, passando o celular para mim de forma discreta.

— Tudo bem. Ficaremos de olho em vocês. Por favor, tomem muito cuidado. – Peço, guardando o celular no bolso de meu casaco. Eu estava com um mau pressentimento e por isso, sentia meus instintos me alertarem que tínhamos que sair do ginásio o mais rápido possível. – Nós temos que ir.

— Eu sei. É só que... – Beth respira fundo e aperta as mãos da irmã mais nova. – Eu sei que eu dei a ideia, mas estou começando a me arrepender. É arriscado demais, Sammy. E se...

— Nós vamos ficar bem. – Garante Sam, encostando a testa na de Beth. – Precisa confiar em mim.

— Eu confio em você. Eu não confio é no babaca que matou o nosso pai e estar nos perseguindo desde então. – Sussurra Beth, acariciando o rosto da mais nova. – Você não pode morrer. Eu não aguentaria perder mais alguém que eu amo e você sabe disso. Não pode me deixar sozinha, Sammy. Eu te proíbo.

— Eu não vou te deixar de novo. Eu prometo. – As duas se abraçam com intensidade com Beth escondendo o rosto na curvatura do pescoço de Sam. A caçula dos Puckett me encara e eu correspondo ao olhar, tentando transmitir a ela que faria o que fosse necessário para garantir a segurança de Beth. – E você não está sozinha. Nunca esteve e nunca estará, Beth. Você tem a mim, a família Barton e agora tem o Daryl.

— Não é bem assim. Estamos envolvidos por interesse mútuo. Ele vai embora assim que o contrato acabar. – O sussurro carregado de tristeza de Beth me pega de surpresa. Ela se afasta da irmã e acaricia seu rosto. – Dá uma surra nele por mim.

— Pode deixar. Eu terei certeza de fazer com que ele não se esqueça dessa surra. – Responde Sam, dando um sorriso confiante.

— Vamos. – Beth me encara brevemente antes de se virar para Freddie. – Não permita que nada de ruim aconteça com ela.

— Vamos ficar bem. – Afirma Freddie, sorrindo. Ele então me encara com intensidade. – E você cuide bem dela.

— Tudo bem. – Concordo, dando um sorriso discreto, tentando disfarçar o meu incomodo pelas palavras de Beth. A garota provavelmente nem imaginava que eu havia escutado sua resposta.

Como combinamos com Freddie e Sam antes de deixarmos o apartamento onde eles estavam escondidos, Beth e eu sairíamos do ginásio primeiro e eles esperariam mais alguns minutos antes de saírem. Natasha e os agentes da CIA também ficariam a postos, prontos para interferir se fosse necessário, caso os capangas de Hugh resolvessem atacar de forma diferente do que esperávamos.

— Eu odeio essa sensação de algo terrível está para acontecer. – Sussurra Beth, assim que deixamos a área da arquibancada, seguindo em direção a saída contrária a que Sam e Freddie iriam. Ela andava uma pouco mais a frente, abraçando o próprio corpo. O ginásio ainda possuía algumas poucas pessoas que saíam, comentando sobre todas as apresentações da noite. – Eu deveria ter pensado melhor sobre isso e...

— Ela vai ficar bem. Sam é a única pessoa que eu conheço que consegue derrubar um homem do triplo do peso dela com uma meia de manteiga. Eu tenho certeza de que se tentarem ataca-la, ela vai espancar a pessoa até ela chamar pela mãe, assim como ela fez com o ex-namorado. – Respondo e Beth me encara surpresa por alguns instantes, mas logo começa a gargalhar intensamente.

— Tem razão. A Sam é mesmo a única pessoa no mundo que carrega uma meia com manteiga para qualquer lugar que vá e ainda consegue transformar isso em algo letal. – Comenta Beth, limpando os cantos dos olhos, ainda rindo um pouco. Ela então suspira e se espreguiça, encarando-me por cima do ombro com os olhos brilhando intensamente. – Obrigada.

— Pelo quê? – Questiono, confuso.

Beth para de andar e se vira para mim. A expressão de gratidão presente em sua linda face me desorienta por alguns instantes. Era incrível como olhar para seus brilhantes e intensos olhos verdes era o bastante para me fazer esquecer o mundo e todos os traumas que ainda permanecem tatuados em minha mente e em meu coração.

— Por me acalmar e me apoiar, mesmo não concordando com as minhas ideias. Eu sei que sou complicada e que tenho tendência a me envolver em problemas. Então, obrigada por ter ficado ao meu lado quando meu mundo estava desabado e permanecer comigo, mesmo tendo motivos para ir embora. – Responde, sorrindo com doçura. – Independente do que aconteça de agora em diante, eu quero que saiba que eu sou e sempre serei eternamente grata a você. Ainda que você decida ir...

Com os sentimentos à flor da pele e o coração batendo descontrolado em meu peito, avanço contra Beth e a puxo pela cintura com uma mão, enquanto a outra traz seu rosto contra o meu, chocando nossas bocas com voracidade. Ela arfa e demora alguns segundos para entender o que acontecia, antes de passar os braços em volta de meu pescoço e aconchegar seu corpo contra o meu, aprofundando o beijo.

Eu não sabia dizer o que eu estava fazendo. Essa era a primeira vez que eu tomava a iniciativa e saía da minha zona de conforto com Beth. Era a primeira vez que eu decidia ignorar todas as minhas inseguranças e alertas sobre me envolver com a filha de meu falecido sócio por conta própria, dando voz aos meus sentimentos.

A adrenalina percorria minhas veias e eu nunca me senti tão vivo como naquele momento. Com Beth em meus braços, saboreando de seu sabor e me embriagando com seu aroma de jasmim, eu não precisava de mais nada. Beth conseguiu invadir meu coração e preencher todas as lacunas frágeis de meu passado que continuavam a me atormentar até permitir que ela entrasse em meu mundo.

Assim que nos separamos, Beth me encara com os olhos arregalados e a boca levemente aberta. Ela parecia não acreditar que eu realmente havia a beijado. Sorrio, conseguindo sentir as batidas eufóricas de seu coração. Deslizo a mão de sua nuca para a face delicada com as bochechas coradas pelo meu movimento inesperado.

— O quê...? – Balbucia Beth, ainda atordoada. Ela suspira e ri, parecendo não saber o que dizer.

— Eu nunca tive motivos para ir embora. – Afirmo, encarando-a com firmeza. – Pelo contrário, tudo o que vejo são razões para ficar ao seu lado. Eu não sou bom em falar sobre meus sentimentos, mas você sempre parece saber do que eu preciso. Você é a mulher mais inteligente, imprevisível, linda e divertida que eu conheço. A sua sinceridade, compaixão e sensibilidade me fazem te admirar cada vez mais. Eu me apaixonei por você, Beth. Sem qualquer aviso ou possibilidade de escapar, eu não consigo mais me imaginar sem você. Porque você é a pessoa que eu não sabia que precisava ter em minha vida até você aparecer e virar meu mundo de pernas para o ar. Você é como um anjo que surgiu diante de mim quando eu mais precisava. Você me deu o amor quando eu era incapaz de me amar e coloriu o meu mundo que era completamente acinzentado.

— Mas e a Claire? – Questiona a loira, encarando-me atônita.

— O que tem ela? – Indago, sem entender o motivo da garota estar citando minha ex-noiva justamente no momento em que eu finalmente reunir coragem para me declarar para ela.

— Ela voltou. Eu vi como você ficou balançado com a presença dela. A forma como você olhou para ela, como se estivesse diante de uma miragem. – Beth tenta me explicar, mas isso só me deixa ainda mais confuso.

— Bom, eu não a via há dez anos. Ela fugiu com o meu ex-sócio, deixando para trás inúmeras dívidas e meu coração partido. Como eu poderia não ficar surpreso por encontrá-la no hospital? Mas não passou disso. Inclusive, encontrar-me com Claire só serviu para que eu finalmente colocasse um ponto final em nossa história e me dar o empurrão que eu precisava para seguir em frente. – Respondo, dando uma breve risada anasalada ao ver o quão surpresa ela parecia.

— Então... você não sente mais nada por ela? Você não sentiu vontade de voltar para ela quando a viu? Quer dizer, ela é uma mulher linda. Muito mais atraente do que eu sequer um dia serei. – Comenta Beth, parecendo uma criança insegura. Rio e aperto seus ombros, abaixando-me para que meus olhos ficassem na altura dos dela.

— Eu te amo, Beth Greene Puckett. Todos os dias eu me apaixono mais por você. Seu sorriso é como a luz que ilumina a escuridão do meu coração e seus olhos são valiosas esmeraldas, que me hipnotizam e fazem eu me sentir completamente entregue a você. E é por isso que peço de maneira egoísta que fique ao meu lado, mesmo quando eu me tornar um velho rabugento. Que reconsidere nosso contrato e faça que nossa relação não tenha mais um prazo de validade, porque eu não pretendo viver menos do que a eternidade ao seu lado. – Declaro e vejo seus olhos se encherem de lágrimas, enquanto abre um grande sorriso.

— Mas você já é um velho rabugento. – Brinca Beth, rindo chorosa. Ela passa os braços por cima de meus ombros e encosta a testa na minha. Nossos olhos se encontram. Há aquela ligação e atração que torna aquele simples gesto muito mais especial e significativo do que ele deveria ser. Estar com ela sempre me fazia sentir como se eu estivesse em um mundo mágico e único. – Não sabe quantos anos esperei para que você dissesse essas três palavras. Eu também te amo, Daryl Dixon, e nenhum lugar no mundo vale a pena eu ir se não tiver você.

Sorrio e abraço sua cintura, pronto para acabar mais uma vez com aquela pequena, mas incômoda distância que havia entre nós. No entanto, como sempre acontecia quando estávamos prestes a nos resolver por completo, alguém tinha que aparecer para atrapalhar nosso momento.

— Ei, vocês! – Suspiro ao ouvir a voz autoritária de alguém próximo a nós.

— Ah, só pode ser brincadeira. – Resmunga Beth, afastando-se de mim. Ao nos virarmos para descobrir quem nos incomodava, somos surpreendidos por ver quatro homens se aproximarem de nós com tacos de baseball e sorrisos perigosos em seus lábios. Pela forma como nos encaravam, eu não tinha dúvida de que eram capangas de Hugh. – O que vocês querem?

— Nós queremos que você venha com a gente, princesa. Seu tio não ficou nada feliz em saber que você teve uma reunião de família e não o convidou. – Responde um dos capangas, que tinha uma cicatriz estranha no rosto.

— Mas será possível que eu não posso ter um momento de paz? Qual é o seu maldito problema comigo, universo? – Beth bufa e encara o céu estrelado do lado de fora do ginásio.

— Ela não vai a lugar algum com vocês. – Respondo o homem, puxando Beth para ficar atrás de mim.

— Eu sugiro que você deixe a garota vir com a gente de forma civilizada, irmão, ou você pode acabar se arrependendo amargamente. Porque ela vai vir com a gente por bem ou por mal. E acredite em mim. Você não vai querer experimentar o nosso método de convencimento. – Afirma um segundo homem, que tinha uma tatuagem de dragão no braço direito e batia o bastão de baseball contra sua mão, aproximando-se com passos perigosos de nós.

— Eu quero ver vocês tentarem. – Digo, preparando-me para fazer o que fosse preciso para manter Beth protegida.

— Com todo prazer. – O terceiro capanga de Hugh troca sorrisos cúmplices com seus amigos e apressam os passos em nossa direção.

— Foge daqui, Beth. Eu vou cuidar deles. Corre o mais rápido que você conseguir e se esconda até que eu... – Começo a dizer, empurrando a garota para que ela escapasse dos quatro capangas de Hugh. Mas como Beth parece estar sempre desafiando qualquer lógica de comportamento, a garota simplesmente desce do salto alto que usava e corre na direção dos quatro homens com os saltos em mãos.

— Eu já estou cansada disso! – Grita Beth, furiosa. Sua ação repentina faz os homens pararem de avançar e a encarar surpresos. Ela então acerta um de seus sapatos no rosto do capanga de Hugh com a tatuagem. O homem solta o bastão que segurava e leva as mãos ao olho, que acabou sendo atingindo pelo salto. – Primeiro, Hugh mata o meu pai e manda minha irmã para um manicômio na França.

Os outros três homens avançam contra Beth, mas ela usa o bastão do tatuado que caiu no chão para bloquear os golpes de dois dos três capangas de Hugh. Com agilidade, ela chuta a intimidade de um do homem com a cicatriz estranha no rosto e empurra ele contra o terceiro que tentava alcançá-la. Ela então se afasta do capanga que usava uma toca.

— Então ele resolve interferir na minha tentativa de me tornar presidente da empresa. Como se já não tivesse feito o bastante, o maldito invade o meu casamento, me chantageia e ainda me esfaqueia. – A cada fala dita por Beth mais furiosa ela parecia estar.

— Beth... – Ameaço me aproximar para lidar com os homens que a encaravam com receio.

— Não vem! – Exige Beth, lançando um olhar tão mortal para mim, que eu acabo paralisando. Meu celular começa a vibrar intensamente no bolso, mas nem mesmo arrisco me mexer. Eu sentia que com a aura assassina que minha esposa emanava naquele momento, era capaz dela jogar o bastão contra mim se eu ousasse desafiá-la.

Os quatro homens também se encolhem, diante da baixinha com um sapato preto de salto fino em uma mão e um bastão de baseball na outra. Ela sorri diabólica e posso ver seu corpo tremer em fúria. Beth corre em direção ao homem de cicatriz e desvia do golpe com o bastão ao se abaixar e para o lado. O capanga ainda tenta se mover, mas Beth acerta o bastão com brutalidade em sua cabeça, fazendo com que ele caísse inconsciente.

— Depois, quando eu finalmente criei coragem para me declarar para o homem que tenho amado insistentemente por dez anos e iria acabar com a minha maldita abstinência de sexo, Ben me interrompe, avisando que Barry e Cait tinham sofrido um maldito acidente. – Beth vocifera.

O homem com a tatuagem estranha no braço, e que agora estava com o olho esquerdo fechado por ter recebido o golpe de salto alto, corre e tenta dar um soco em Beth. Mais uma vez, ela desvia sem grandes dificuldades e acerta o salto novamente no homem, mas dessa vez no olho direito. O homem urra de dor e é acertado no pescoço pelo bastão, indo imediatamente ao chão. Os dois homens que estavam de pé se afastam um pouco, assustado com a brutalidade de Beth.

Ela apoia o bastão no chão e ri daquela forma assustadora, encarando os homens com intensidade. Eu nunca imaginei que aquela garota de um metro e sessenta, que parecia tão frágil e delicada poderia ser tão ou até mesmo mais mortal que Sam.

O rosto de Beth estava vermelho e seu bastão com alguns respingos de sangue deixavam sua aparência ainda mais assustadora para os homens que pareciam ter quase dois metros de altura. Beth se aproxima vagarosamente, arrastando o bastão pelo chão, enquanto os homens se afastavam aos poucos.

— Vocês sabem o quão cansada de me masturbar sozinha eu estava? Tem noção do quanto eu desejava saciar minha fome sexual? Era a chance perfeita! Ele finalmente tinha aceitado que eu avançasse meus toques. – Continua Beth, conversando com os homens, que provavelmente começavam a achar que aquela mulher de rosto angelical na verdade se tratava de um demônio.

— Você...

— E então apareceu a maldita da ex-noiva dele para completar o circo. Como se já não estivesse ruim o bastante para mim. – Continua Beth, interrompendo o homem de toca. Ela aponta o bastão para ele e bufa. – Você acredita que ela teve coragem de se jogar para o meu marido bem na minha frente e ignorar completamente a minha existência?

— Você precisa vir com a gente... – O homem de toca tenta falar mais uma vez erguendo o bastão para atacar Beth, mas ela bate o bastão que segurava nas costelas dele e outras duas vezes na cabeça do homem, nocauteando-o por completo.

— Cala a boca! Não está vendo que eu estou colocando a minha raiva para fora? – Grita Beth para o homem desmaiado aos seus pés. Ela então se vira para o último capanga de Hugh que ainda continuava de pé. Beth abre um sorriso doce, enquanto limpa o sangue havia respingado em seu rosto. Ele se assusta e dá dois passos para trás. – Onde eu estava mesmo? Ah, sim. Como eu ia dizendo, a maldita além de se jogar para o meu marido, ainda era incrivelmente bonita e alta. Parecia uma modelo da Victoria's Secret. Eu me senti um lixo desde então, sabe? Porque eu achei que Daryl ainda a amava e que iria me abandonar.

— Eu... eu... hã... – O homem balbucia, quando Beth levanta seu bastão e ele se vê encurralado contra a parede, depois de dar dois passos para trás a cada passo de Beth se aproximando dele.

— Como é o seu nome mesmo? – Pergunta Beth e ele abre a boca para dizer, mas ela empurra o bastão contra o peito dele, negando. – Quer saber? Não importa. Eu vou te chamar de Jeremy. Você tem cara de Jeremy.

— Mas... – O homem parece querer corrigir Beth, mas ela pressiona o bastão contra o pescoço dele, fazendo com que ele prendesse a respiração e arregalasse os olhos, desesperado. Nem mesmo parecia o capanga confiante de Hugh que nos abordou.

— O caso é que eu tenho sofrido de paixão aguda e desejo reprimido por esse homem tem dez anos, Jeremy, e depois de tudo isso, quando ele finalmente diz que está apaixonado por mim com direito a declaração de me fazer chorar, você e seus amigos aparecem para atrapalhar meu momento. Você tem noção do quão furiosa eu estou? – Pergunta Beth, aumentando o tom de voz. O homem permanece calado e encolhido com o bastão pressionando seu pescoço. – Hein, Jeremy? Você tem noção disso?

— Sim... – Sussurra o homem apelidado de Jeremy, quando Beth se aproxima mais dele, encarando-o de forma intimidadora. Ela parecia ainda mais furiosa com a resposta, mas para a minha surpresa, ela respira fundo e solta o capanga de Hugh, que tenta correr para longe.

— Aonde você pensa que vai, Jeremy? Nossa conversa ainda não terminou. Você ainda precisa se desculpar por ter atrapalhado o meu momento. – Grita Beth, correndo atrás do capanga em uma velocidade impressionante para alguém que tinha pernas tão curtas.

— Me perdoa! Me perdoa! – Grita o tal Jeremy tentando escapar de uma Beth que corria com o bastão em mãos.

Para a minha surpresa, enquanto corria olhando para trás, o “Jeremy” acaba batendo contra o portão de entrada do ginásio. Como resultado, ele é jogado para trás e cai inconsciente no chão. Beth para de correr e bufa, frustrada. Ela ainda mexe com o bastão no corpo desmaiado do capanga de Hugh, como se conferisse se ele estava vivo, mas suspira ao ver que ele provavelmente não acordaria tão cedo.

Eu assistia a tudo, perplexo demais para ter qualquer reação. Minha mente ainda tentava assimilar tudo o que meus olhos haviam capturados, mas parecia surreal demais que Beth tinha nocauteado quatro homens bons centímetros maiores do que ela e pelo menos com o dobro de seu peso como se eles não fossem nada demais.

— Como...? – Balbucio, assim que ela me alcança.

— O quê? – Questiona a loira, jogando o bastão de baseball no chão. Ela se alonga e suspira, vendo que eu continuava sem reação. – Você está falando sobre ter acabado com esses idiotas?

— Sim. Como você conseguiu fazer isso? – Pergunto, atordoado. Ela ri, parecendo se divertir.

— Esqueceu que eu fui treinada por Clint Barton e Natasha Romanoff? Esses paspalhos não são nada comparados aos desafios que eu enfrentei quando criança e adolescente nos acampamentos de tio Clint. Além disso, eu sou muito boa no baseball. – Comenta Beth, dando uma piscadela.

Antes que eu a respondesse, o som de passos apressados se faz presente. Encaro Beth com preocupação e me coloco em posição de luta, esperando ser mais homens de Hugh, no entanto, para a minha surpresa, Maggie aparece com o colete à prova de bala e arma em mãos acompanhada de mais uns cinco ou seis agentes do FBI.

— Vocês estão bem? – Pergunta a mulher, olhando em volta. Ela parece surpresa ao ver que os quatro capangas estavam desmaiados no chão. – Caramba, Daryl. Eu sabia que você é bom de luta, mas você foi mais rápido do que eu imaginava. Não faz nem dez minutos que sai da sala de monitoração do ginásio e você já acabou com todos esses homens?

— Na verdade, a responsável por isso é a Beth. – Confesso, observando os homens de Maggie algemarem os capangas de Hugh.

— Uau. – Sussurra a agente, encarando a irmã com admiração. – Você fez isso? Como conseguiu?

— Eu tive bons professores. – Resume Beth, dando de ombros. – E o que você está fazendo aqui?

— Trabalhando nessa operação maluca que você e sua irmã mais nova se envolveram para prender Hugh. – Explica Maggie, guardando a arma no coldre que estava em sua perna. – Enquanto a agente Romanoff e a CIA ficaram responsáveis por seguir Samantha e Fredward, eu e a minha equipe do FBI precisávamos garantir que Hugh não atacaria vocês. Os agentes que estavam seguindo vocês tiveram que cuidar dos reforços desses quatro, por isso demoramos para aparecer.

— Está tudo bem. – Responde Beth, dando de ombros. Ela respira fundo e encara a irmã mais velha com ansiedade. – Alguma notícia de Sam?

— Sim. – Afirma Maggie com seriedade. Beth e eu nos colamos em alerta. A expressão no rosto da agente não era nada animadora. – A CIA perdeu o contato com eles e um sinal foi emitido para informar a última localização deles. Felizmente, eles conseguiram localizar o esconderijo para onde Samantha e Fredward foram levados. A agente Romanoff entrou em ação com mais alguns agentes e invadiram o lugar. Aparentemente, Hugh está no local, então é só questão de tempo até que ele seja preso.

— Isso é sério? – Pergunta a loira, abrindo um esperançoso sorriso. Maggie ri e assente, concordando. Imediatamente, Beth se joga nos braços da irmã e a abraça com força. – Eu não acredito! Finalmente livre de Hugh e suas malditas chantagens! Obrigada!

Maggie me encara com os olhos arregalados, sem acreditar que Beth a abraçava com tanta felicidade e animação. Rio e faço sinal para que ela correspondesse ao gesto e aproveitasse o momento. Essa era a primeira vez que Beth parecia tão relaxada e feliz com a irmã que ela havia evitado por tantos anos.

— Não me agradeça. O mérito é todo seu e de Samantha. – Garante Maggie, sorrindo aliviada. Ela corresponde ao abraço com intensidade e quando as duas se afastam, posso ver o brilho orgulhoso nos olhos da agente. – Eu estou orgulhosa de você, Beth. Parabéns. Você e sua irmã foram as principais responsáveis por prender uma das nossas mais valiosas testemunhas da maior organização criminosa do mundo, a HYDRA.

— Obrigada. – Beth agradece, parecendo envergonhada.

— Agora eu preciso voltar ao trabalho. – Avisa Maggie, afastando-se de nós com um aceno rápido. Ela dá as costas para ir embora, mas para no meio do caminho e volta a nos encarar. – Almoço em família na minha casa domingo? Você pode levar Samantha e o namorado dela.

— Claro. Estaremos lá. – Concorda Beth, surpreendendo-me ao ver o sorriso sincero no rosto da loira.

— Certo. Então até domingo. – Fala Maggie, sorrindo como uma criança enquanto se afasta de nós.

Sorrio e me viro para minha esposa, orgulhoso de sua força e de como ela estava se esforçando para se dar bem com Maggie. A loira parece notar o meu olhar e passa a me encarar com a sobrancelha erguida, como se tentasse descobrir o que se passava em minha mente.

— O que foi? – Pergunta finalmente, sem esconder a sua curiosidade.

— Nada. Eu apenas estava me perguntando se podíamos voltar aonde estávamos antes de sermos interrompidos. – Respondo e ela abre um sorriso malicioso, aproximando-se com passos sensuais.

— Com todo o prazer. – Afirma Beth, passando os braços em volta de meu pescoço. Abraço-a e não demora muito para que o beijo que tantos esperávamos acontecesse.

Notas finais
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