Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E entramos na reta final da história. Em cinco capítulos, daremos adeus a CS. Vocês estão prontos para isso? Porque eu não estou. Eu espero de verdade que vocês estejam gostando da história. Eu quero agradecer demais ao carinho que recebi nos comentários do capítulo passado da VacuumCleaner, Mari e AndreaNeves. Obrigada mesmo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO IX – CONTRATO DE SETEMBRO

CAPÍTULO XXIII — MEDO

E o dia finalmente havia chegado. O dia em que Hugh finalmente seria preso e pagaria por todos os crimes que cometeu. O dia em que minha irmã e eu nos veríamos livres do homem que tanto tem nos infernizado e sugado todas as nossas energias. Assim como o dia em que Ben e Mal competiriam no United States Figure Skating Championships.

Eu estava uma pilha de nervos desde que amanheceu. Atolada de contratos da empresa e o plano de apresentação da minha proposta à Michonne para revisar, eu nem mesmo pude perceber a hora passar. Se não fosse por Daryl batendo em minha porta, informando que estava na hora de irmos para o esconderijo de Sam e Freddie, eu provavelmente passaria a tarde inteira trancada em minha sala.

O caminho até o prédio que ficava em uma região mais calma da cidade foi bastante silencioso. Desde que fomos ao hospital para visitar Barry e Cait, o clima tem estado um pouco desconfortável entre nós. O fato de estarmos sempre ocupados e envolvidos com nossos projetos não nos deu a oportunidade de conversarmos nesses dois dias.

Sendo sincera, eu não estava preparada para ouvir uma rejeição de Daryl. Depois de encontrar com sua ex-noiva e ver sua reação, ficou claro para mim que Daryl ainda não era capaz de corresponder aos meus sentimentos e que Claire ainda mexia e muito com ele. No entanto, eu estava disposta a lutar por ele. Principalmente depois do que aconteceu no cemitério.

Eu não sabia dizer se Daryl foi levado apenas pelo calor do momento ou se meus sentimentos foram capazes de o atingir em meio àquele beijo necessitado. O fato é que eu senti que pela primeira vez desde que nos metemos nessa loucura que ele estava disposto a ir até o fim, ainda que isso significasse transar em uma capela no meio de um cemitério.

E era por estar me agarrando a essa faísca de esperança, que eu tentava manter as esperanças e não deixar o ciúme falar mais alto. Ainda assim, era difícil ignorar a expressão chocada de Daryl e a forma como ele pareceu não se incomodar em ter Claire tão próxima de si, quando sempre foi difícil para ele lidar com a invasão de seu espaço pessoal. Eu temia que ele acabasse com nosso casamento por ainda amar Claire e a querer de volta.

Para o bem da minha mente, que começava a me pregar peças perigosas que despertavam a minha insegurança, não demoramos a chegar ao nosso destino. Daryl e eu caminhamos em silêncio pelo prédio e entramos com a senha de acesso no portão de entrada que tia Tasha havia me passado junto com a localização do prédio.

Assim que chegamos ao apartamento informado pela agente da CIA, toco a campainha e ouço uma movimentação vindo do outro lado da porta. Daryl e eu nos encaramos por alguns instantes. Não estávamos brigados, mas ainda havia aquele sentimento de que havia um assunto inacabado entre nós, que precisávamos resolver de uma vez por todas.

Suspiro e desvio o olhar para encarar a porta. Por mais que eu quisesse, não dava para continuar fugindo dessa conversa para sempre. Ainda que doesse, nós precisávamos nos acertar e acabar com essas incertezas.

— Acho que nós precisamos conversar. – Aviso e posso sentir o corpo de Daryl ficar tenso. – Quando tudo isso acabar e tivermos certeza de que Hugh não irá mais nos incomodar, creio que precisamos conversar sobre nós.

— Tudo bem. – Ele concorda, mas parecia estar tão animado quanto eu para que isso acontecesse.

No mesmo instante a porta é destrancada. Respiro fundo para afastar qualquer traço de preocupação ou desanimo. Não era o momento para pensar em meus problemas. Minha irmã precisava da minha ajuda e eu tinha que ser o apoio dela. Assim, quando Freddie abre a porta, sorrio e o abraço apertado, sendo prontamente correspondida.

— Oi Freddie. – Cumprimento o rapaz, afastando-me dele.

— Oi Beth. Sam está no quarto. É só seguir pelo corredor e virar na segunda porta a direita. – Orienta Freddie, dando um rápido abraço em Daryl.

— Obrigada. Com licença, então. – Agradeço, entrando no apartamento. – Eu vou ajudar a Sam a se arrumar.

— Fique à vontade. – Responde Freddie, fechando a porta. Assinto e sigo pelo caminho que ele indicou.

O apartamento era pequeno. Pelo pouco que eu pude perceber, só havia uma sala com cozinha conjugada, um banheiro e um quarto. Por estar no quinto andar, ainda era possível ver um pouco da cidade, mesmo grande parte da paisagem sendo prejudicada pelos gigantescos arranha-céus da cidade. Ainda assim, os móveis e a decoração davam um ar caseiro e aconchegante ao ambiente.

— Samy? – Chamo, batendo na porta que Freddie havia informado onde Sam estaria.

— Pode entrar. – Ela grita e assim que abro a porta, vejo a garota em uma luta ferrenha contra o pente em seu cabelo cacheado. Isso me trazia lembranças de nossa infância. Minha irmã nunca teve muita paciência e menos ainda quando se referia a arrumar o cabelo, que era fino e bem mais cacheado do que o meu.

— Ei! Vai estragar o seu cabelo. – Repreendo a garota, voltando a fechar a porta. Ela bufa e abandona o pente sobre a penteadeira onde estava sentada. Sorrio e me aproximo. – Deixa que eu cuido disso.

— Obrigada. – Sam agradece, estendendo o pente para mim. Pego-o e me coloco atrás dela, começando a pentear com cuidado as mechas loiras. – O que aconteceu?

— Ah, desculpa o atraso. Eu fiquei tão concentrada nos processos da empresa que eu estou analisando, que nem mesmo vi o tempo passar. – Lamento, vendo pelo relógio digital sobre a penteadeira que eu estava trinta minutos atrasada.

— Não é sobre isso que eu estou falando. – Responde minha irmã e eu a encaro confusa. – Eu te conheço desde... bem, desde sempre. Esse seu sorriso fingido não me engana. Eu sei que aconteceu alguma coisa que está te incomodando e você não sabe como resolver.

— Ah... – Sussurro, sem saber o que dizer. Na verdade, eu não estava surpresa por Sam ter notado que eu não estava bem. Nós nos conhecíamos melhor do que qualquer outra pessoa no mundo. Quase como almas gêmeas. Um simples olhar e ela parecia saber exatamente o que havia de errado comigo. – Eu acho que... terei o meu coração quebrado pela primeira vez. Você estava certa. Se apaixonar é complicado demais.

— Aconteceu alguma coisa entre você e o Daryl? Quer dizer, além do noivado repentino e que não faz sentido algum para mim? – Questiona minha irmã mais nova, encarando-me pelo reflexo do espelho.

Paro de pentear seu cabelo por alguns instantes e suspiro, sentando-me na cama de casal do quarto. Sam se vira para mim e me observa com um olhar analítico, como se tentasse ler o que se passava em minha mente. Ela então se levanta e se senta ao meu lado, pegando em minha mão.

— Quando você me ligou, contando que estava em um manicômio em Paris e que Hugh havia assassinado nosso pai, eu me desesperei. Sem ter notícias suas e sem poder confiar em ninguém, eu tentei de todas as formas a presidência da empresa, mas você sabe como são aqueles velhos. Machistas e babacas, eles não queriam dar o braço a torcer e admitir que eu era a melhor escolha naquele momento.

“Foi então que eu descobri que Daryl estava com problemas para renovar o visto de permanência. O irmão dele aprontou e isso respingou em suas chances de conseguir o Green Card. Como ele está planejando iniciar um projeto social para ajudar crianças que foram vítimas de violência doméstica além da mudança na direção da Corporação Puckett, ele não podia voltar para Montreal.

Jimmy conseguiu convencer os velhos a me passarem a presidência da empresa se eu conseguisse uma parceria com as Indústrias Grimes, que coincidentemente são amigos de Daryl. Em resumo, Michonne e Rick Grimes geralmente só fecham parcerias com empresas comandadas familiares comandada por casais. Então, eu propus um casamento por contrato a Daryl para conseguir a presidência da empresa e ele o visto permanente por casamento, já que essa era a única opção dele.

Ele concordou, mas com algumas condições. A primeira regra era não se apaixonar. A segunda era não nos envolvermos com outras pessoas até o fim do contrato. A terceira regra era que não haveriam beijos e nem sexo. A quarta regra era sem mentiras e segredos entre nós. E a última regra era que não importava o que acontecesse, nós continuaríamos amigos. E então, nos casamos três dias atrás. Eu revelei meus sentimentos durante os votos. Disse a ele como me sentia e me apaixonei ainda mais por Daryl quando ele leu seus votos. Ele disse que me amava e eu acho que meu coração nunca bateu tão forte como naquele momento.” – Conto, sorrindo ao lembrar da cerimônia de casamento.

— Um casamento por contrato. Isso é bem a sua cara. Mas estou surpresa de Daryl ter concordado com isso. Ele fugia de você mais do que o Diabo foge da cruz. E é ainda mais surpreendente ele ter estipulado essas regras. – Comenta Sam com um sorriso divertido. – E em quantas horas você conseguiu quebrar a regra número três?

— Ei! Eu sei seguir regras. – Resmungo e Sam ri, empurrando o ombro contra o meu. – É sério. Nós viemos nos beijar pela primeira vez apenas no nosso casamento. Eu não vou ser hipócrita e dizer que eu não quis beijar antes. Foram diversos momentos em que eu quis me jogar nele. Mas, com o Daryl eu tinha que ir mais devagar. Ele tem muitos traumas de infância e toques agressivos despertam momentos ruins nele.

— Eu só não estou entendendo uma coisa. Se você finalmente se apaixonou, confessou seus sentimentos durante os votos e Daryl os dele, por que você parece tão decepcionada? – Questiona Sam, encarando-me com uma expressão confusa.

— Bom, acontece que a primeira regra que eu quebrei foi a número quatro. Eu menti para ele e isso causou uma grande bola de neve. – Conto e Sam me encara ainda mais confusa e surpresa. – Hugh apareceu durante a festa de casamento e me chantageou. Eu já vinha escondendo de Daryl as ameaças e o ataque que sofri de Hugh no dia em que o mandado de prisão dele foi emitido. No entanto, daquela noite foi como uma bomba relógio que explodiu. Eu não podia contar o que tinha acontecido, porque temia colocar a vida de Daryl em risco, ao mesmo tempo, ele não aceitou o trato que nós temos na nossa família de não forçar as pessoas a falarem. Por estar muito nervosa e com dor, acabei sendo grossa e o afastei.

“Quando ele me perguntou se meus votos eram uma mentira, eu me calei e ele entendeu que tudo não passou de encenação. Recebi sua indiferença como resposta e não aguentei. Depois que nós nos encontramos no cemitério e você teve que voltar, eu contei toda a verdade a ele e me confessei de maneira apropriada.

Temendo ser rejeitada, eu o beijei e eu tenho certeza de que teríamos feito amor se Ben não tivesse me ligado informando que Barry e Cait sofreram um grave acidente. Eu fiquei desesperada e fomos correndo para o hospital. Como se a vida já não tivesse complicada o bastante, a ex-noiva do Daryl apareceu. Você tinha que ver como ele reagiu, Samy. Parecia que estava diante de uma miragem. Ele nem mesmo se importou que ela estava o abraçando. Seus olhos brilharam ao reconhecê-la.” – Respondo, jogando meu corpo para trás e passo a encarar o teto. Levo minhas mãos ao rosto e choramingo, perdida. – Desde então, tudo o que eu tenho pensado é que seus votos de casamento foi uma atuação para convencer o entrevistador do consulado americano que estava no casamento, verificando se a cerimônia era uma farsa. E agora estou com medo de acabar sendo rejeitada, exatamente como uma garotinha diante de seu primeiro amor.

— Uau. Eu nem sei como reagir a tanta informação. Primeiro que eu nunca soube que Daryl teve uma noiva. Segundo que eu nunca imaginei que ouviria você falando que faria amor. Nem mesmo parece a minha irmã tarada. – Dou um tapa no braço de Sam, que ri, divertindo-se com a minha careta frustrada.

— Eu não sou tarada. Apenas gosto de sexo como qualquer outra pessoa comum e não tenho vergonha de falar sobre o assunto. É algo comum que as pessoas não deveriam ter tanta dificuldade. – Defendo-me e Sam ri, assentindo em concordância.

— Olha, eu sei que está assustada. Você querendo ou não, Daryl é o seu primeiro amor. Eu acompanhei você suspirar e morrer de amores por Daryl durante dez anos. E sinceramente, eu acho que essa reação dele que você viu pode ser apenas exagero da sua mente apaixonada e insegura. Nós duas sabemos que Daryl não é o tipo de pessoa que falaria “eu te amo” apenas por atuação. – Afirma Sam, puxando meu braço para que eu me levantasse. – Então tenha mais confiança em você e em seus sentimentos. Se eu fui capaz de encontrar e viver o amor em meio a um manicômio e inúmeras perseguições, você também pode viver o seu romance mesmo com todas essas dificuldades.

— Eu espero que você esteja certa. – Resmungo, cansada. Suspiro e me levanto, estendendo a mão para a loira. – Agora vamos terminar de arrumar seu cabelo. Temos um tio maléfico para destruir e nos vingar.

— Eu mal posso esperar por isso. – Responde minha irmã, sorrindo animada, enquanto pega a minha mão e me deixa guia-la de volta a penteadeira. Ainda tínhamos muito o que preparar.

[...]

Assim que chegamos ao Bankers Life Fieldhouse, observamos a grande movimentação no ginásio. O público parecia ansioso para a competição que ocorreria em breve. Sam e Freddie iam na frente, sussurrando sobre o plano e fazendo os últimos ajustes do que estava para acontecer. Daryl e eu andávamos de mãos dadas, tensos e atentos aos homens que nos seguiam de longe, monitorando nossos movimentos.

Eles haviam nos seguido de maneira discreta desde o prédio de Sam. Como eu imaginava, eles estavam esperando o momento certo para agir, além de provavelmente preverem que estávamos aprontando alguma coisa. Por isso, preferiam esperar para ver o que estávamos para fazer ou se dávamos alguma pista do que iria acontecer.

— Você está pronto? – Questiono Daryl, notando que nos aproximávamos do portão de entrada do ginásio.

— Provavelmente não. Ainda não me agrada em nada esse plano arriscado de vocês. – Responde de volta e eu suspiro.

— Nós vamos conseguir. Confie em mim. – Peço e ele me encara inconformado.

— Eu confio em você. Eu não confio é no maldito do Hugh. Não sabemos do que ele é capaz de fazer. – Retruca, voltando a encarar os homens que nos seguiam.

Na tentativa de diminuir a sua tensão e ter seus pensamentos presos em mim, puxo o rosto de Daryl e deixo um beijo no canto de sua boca. Ele me encara surpreso e eu apenas sorrio, apertando com mais força a sua mão. Essa era a minha forma de garantir que tudo acabaria bem, ainda que eu não estivesse tão confiante assim.

Meu celular vibra no bolso da minha calça e eu o pego, vendo que era mensagem de Damon, questionando se já estávamos chegando. Aproveito para enviar uma mensagem no grupo de nossos primos, informando que Sam estaria indo conosco e que precisavam ser discretos. E não demorou muito para que inúmeras mensagens aparecessem, todos ansiosos para reencontrar com a garota que estava há mais de um mês desaparecida.

Volto minha atenção para a minha irmã. Ela usava óculos de sol, uma jaqueta preta com as mangas branca, calça jeans escura e tênis preto. Eu havia escovado seu cabelo e o prendido em um rabo de cavalo e colocado um boné para que ela não fosse reconhecida no meio da multidão. Freddie também usava boné, calça jeans escura, blusa de manga curta preta e óculos de sol para esconder o rosto.

Respiro fundo e passo meu braço pelos de Daryl, puxando-o para nos aproximar do casal que já trocava algumas carícias adoráveis. Encaro Daryl por alguns instantes, buscando me acalmar e ele suspira, acariciando meu rosto com doçura. É inevitável não me sentir mais energizada.

— Nossos primos já estão esperando. – Aviso, assim que alcanço o casal. – Eu mandei mensagem para todos, informando que não deveriam fazer perguntas, serem discretos e agir naturalmente.

— E como vocês esperavam, nós fomos seguidos. – Fala Daryl, encarando Sam e Freddie com preocupação. – Acho que o celular de Beth está mesmo grampeado. Então tomem cuidado a partir de agora.

— Não se preocupe. Hugh não é burro. Ele não vai agir agora, quando teríamos muitas testemunhas. – Responde Sam, com confiança. – No entanto, não deve demorar muito para que os capangas dele apareçam para nos vigiar e nos sigam ao término da competição. Então é bom ficarmos atentos. Felizmente, tia Tasha não perderia uma competição nossa e acho que teremos outros agentes da CIA por aqui, então em caso de algum problema, eles estarão por perto e poderão nos dar apoio.

— Certo. É melhor nós irmos. – Afirma Freddie, dando um sorriso nervoso. Nós nos encaramos, compartilhando do mesmo sentimento e assentimos, indo em direção ao portão de entrada da arquibancada.

No meio do caminho, Sam ainda obrigou o namorado a comprar um balde enorme de pipoca e um grande refrigerante. Era engraçado ver a interação dos dois que pareciam não ter mudado tanto desde a infância. Mas quando finalmente chegamos ao local onde estavam Oliver, Felicity, Thea, Roy, Damon e Elena, todo o pedido de sermos discretos desaparece por completo.

Elena sai dos braços do namorado e se levanta de uma vez, correndo em direção a Sam e Freddie, que por muito pouco não derruba o balde de pipoca e o refrigerante que ele segurava para a minha irmã.

— Eu não acredito que vocês estão aqui! – Comemora Elena, afastando-se um enorme sorriso no rosto.

— Qual parte de ser discreta e agir naturalmente você não entendeu, Elena? – Brinco, encarando minha prima com ironia. Apesar de tudo, eu entendia perfeitamente a ansiedade da garota.

— Desculpa. É que eu não vejo Freddie pessoalmente já tem uns cinco anos. Eu estava morrendo de saudades dele. E ele também não responde as minhas mensagens já tem dias. – Explica Elena, dando um sorriso envergonhado. Ela então volta a encarar o casal com preocupação. Sorrio e me aproximo mais de Daryl, sentindo um pouco de nervosismo me atingir. – Vocês estão bem?

— Estamos sim. Não se preocupe. – Responde Freddie, dando um peteleco na testa da prima mais velha, que resmunga, mas logo abre um sorriso nostálgico. – Eu senti saudades também, Leninha.

— Você cresceu bastante, Freddie. Nem parece aquele garotinho magrelo de antes. – Comenta Damon, aproximando-se da namorada. – Ficou bonitão.

— Já está me trocando, Damon? – Questiona Oliver em um falso tom de mágoa, enquanto segurava um Tony adormecido em seus braços. Freddie ri, parecendo se divertir com as loucuras do grupo. – Depois de tudo que a gente viveu, você vai virar as costas para o nosso amor e se entregar ao primeiro homem bonito que aparece?

— Jamais. Nosso amor é mais forte que tudo e todos. Ele é eterno. – Responde Damon, estendendo a mão para Oliver, que a segura, fazendo uma expressão exagerada de emoção. Elena revira os olhos, segurando o riso.

— Como é que a gente aguenta esses dois, Felicity? – Questiona Elena, encarando a pediatra que assistia a tudo com um sorriso irônico.

— Eu me faço essa mesma pergunta todos os dias. – Afirma Felicity rindo, fazendo com que Thea e Roy a acompanhasse.

— Não reclamem. E eu que lido com isso há anos? Não sei como eu ainda não expulsei o Oliver e o Damon lá de casa. – Comenta Thea, sem conseguir controlar o sorriso divertido em seus lábios.

— Você nos ama demais para isso, irmãzinha. – Retruca Oliver, bagunçando o cabelo da garota, que resmunga irritada.

— É bom saber que a idiotice de vocês não mudou enquanto eu estive fora. – Comenta minha irmã com um sorriso nostálgico, aproximando-se de Freddie. Nós nos encaramos, entendendo aquele sentimento confortável e aconchegante que compartilhamos somente quando estamos reunidos. – Como vocês sabem, esse é Freddie Benson, meu namorado. Como você já conhece meus primos, vou apresentar os membros novos da família. Essa é a Felicity Smoak, namorada de Oliver e mãe do pequeno Tony, que por mais surpreendente que seja, é filho do Oliver.

— Eu sei. Meu filho é lindo. – Oliver se gaba, dando um sorriso orgulhoso.

— Felizmente puxou a mãe. – Retruca Sam, fazendo Felicity ri e Oliver revirar os olhos, fingindo estar chateado. Freddie ri e entrega o balde de pipoca a Daryl, enquanto me passa o refrigerante a Beth para conseguir cumprimentar as pessoas.

— Prazer em te conhecer, Felicity. – Freddie cumprimenta a mulher com um aperto de mão.

— Seja bem-vindo a essa família maluca, Freddie. – Responde Felicity e Freddie ri, parecendo compartilhar da mesma ideia.

— Continuando, esse é o Roy Harper, namorado da nossa pequena e fofa Thea. – Sam aponta para o homem, que se levanta e também cumprimenta Freddie com um aperto de mão.

— Agora que todos nós nos apresentamos, vamos nos sentar. Não deve demorar para que a competição comece. – Aviso, vendo o placar no telão, informando que algumas duplas de patinação já haviam se apresentado. Balanço a cabeça, indicando os lugares onde deveríamos nos sentar e Daryl e eu entregamos o lanche de Sam à Freddie. – Vocês chegaram tem muito tempo?

— Tem uma hora mais ou menos. Nós ficamos com medo de não conseguir vaga por perto. – Conta Thea, comendo um pouco de pipoca.

— Também precisávamos guardar o lugar para todos, já que são muitas pessoas. – Explica Roy, rindo brevemente.

— Ficamos assistindo as outras apresentações. É incrível como eles conseguem fazer saltos em cima do gelo com tanta perfeição. – Comenta Elena, aconchegando-se contra o peito de Damon.

— Com certeza exige muito treino e talento. – Respondo, pegando o celular em meu bolso para verificar as horas. – Acho que eu não conseguiria. Eu sou desengonçada demais para isso. Prefiro deixar esse tipo de atividade para o Ben.

— Será que eles vão conseguir se apresentar depois de tudo o que aconteceu? — Questiona Felicity, preocupada.

— O que aconteceu? — Questiona Sam com curiosidade, colocando mais pipoca do que dava conta de mastigar na boca. Freddie suspira incomodado e entrega o copo de refrigerante a ela.

— Come devagar. A comida não vai fugir. – Freddie repreende minha irmã, que simplesmente dá de ombros e bebe o refrigerante.

— Enfim, o que foi que aconteceu que nós não estamos sabendo? — Pergunta Daryl com preocupação.

— Bom, a Mal foi sequestrada por aquele ex-namorado dela traficante. Se não fosse pela tia Tasha, ele teria fugido do país com a recompensa de dez mil dólares que ele exigiu de Ben pelo resgate dela. Parece que o Ben quase levou um tiro. — Conta Damon e eu automaticamente volto minha atenção para os meus primos.

— E quando isso aconteceu que eu só fiquei sabendo disso agora? – Questiono, voltando a guarda meu celular no bolso.

— Hoje de manhã. — Responde Felicity, dando um sorriso aflito. Arfo, pensando como eles deveriam estar fragilizados.

— Hoje de manhã? Uau! Eles devem estar bastante traumatizados. – Comenta Sam, surpresa com a história.

— Eu ainda não consigo acreditar que eles vão competir. — Comenta Elena, sorrindo nervosa. — Espero que eles se saiam bem.

— Não se preocupe. Ben é um membro da família Barton. Seja teimoso e inteligente como um Barton. Ele jamais competiria se não soubesse que eles são capazes de ganhar. – Afirma Oliver, dando um sorriso tranquilizador. Elena assente, parecendo um pouco mais confiante.

— Eu recebi uma mensagem de Austin, perguntando onde nós estamos. Acho que ele e Ally chegaram. — Avisa Thea, encarando o celular. — Vocês conseguem ver os dois em meio a essa multidão?

— Não... — Fala Roy, olhando em volta. Em determinado momento, o rapaz para sua atenção em alguém. — Aquele por acaso é o Aaron?

— O quê? – Questiona Oliver com o tom de voz irritado. — É ele mesmo. O que esse maldito está fazendo aqui?

— Parece que ele e Brooke retornaram para Hawkins depois que ele foi acusado de envolvimento em alguma coisa grande. — Comenta Elena, tensa. — Brooke está na casa da tia Mimi e Aaron deveria estar na delegacia prestando depoimentos.

— De qualquer forma, vamos ignorá-lo por hora. Ele está acompanhado de um dos conhecidos de tia Tasha. – Afirma Damon, ainda encarando Aaron, que permanece com uma expressão imparcial. — Deve haver algum bom motivo por trás dessa presença desagradável.

— Vamos nos concentrar em Ben e Mal. Eles realmente precisam de nosso apoio. – Sugere Thea com seriedade. — Além disso, ele parece estar algemado. Então acho que está tudo bem.

— Oi pessoal! — Cumprimenta Barry, surgindo de repente com Austin, Cait e Ally. Encaro os dois casais, surpresa com a aparição repentina.

Suspiro ao ver que o ombro e braço direito imobilizados, a testa enfaixada e o rosto machucado de Cait. Barry se apoiava em muletas de forma desengonçada para ficar de pé, evitando colocar a perna quebrada no chão. O nariz inchado e vários cortes no rosto mostravam que o acidente havia sido muito recente. Felizmente, mesmo com o carro ficando completamente destruído, Cait e Barry não tiveram ferimentos graves.

— Barry? O que você está fazendo aqui? Você e Cait não deveriam estar no hospital? – Pergunta Oliver, encarando o primo surpreso.

— Achou mesmo que perderíamos a competição do Ben e da Mal? — Questiona Barry, sorrindo daquele jeito traquina.

— Ally! Era para você ter garantido que eles ficariam quietos! — Repreende Elena, levantando-se do banco com Damon, Elena, Thea e Roy. — Sentem logo vocês dois!

— Acha que eu não tentei? — Resmunga Ally, olhando feio para Austin e Barry. — Esses dois são incrivelmente teimosos.

— Esse é nosso dom. — Afirma Austin, dando um beijo na testa da garota, que o empurra.

— Não me olhe assim. Eu fui obrigada a vir. — Defende-se Cait, levantando o braço livre em sinal de redenção ao ter o olhar intimidador de Elena sobre si, que suspira, acabando por se dar por vencida.

— Vocês não tinham se envolvido em um acidente de carro e estavam em estado grave no hospital antes de ontem? – Pergunta Freddie, encarando o casal se sentar com dificuldade nos bancos do ginásio.

— É, mas isso já ficou no passado. Agora nós estamos bem. – Afirma Barry, dando de ombros.

— Tia Echo sabe que vocês estão aqui? — Questiona Damon, sorrindo divertido.

— É claro que não. — Responde Cait, rindo.

— E é claro que ela não precisa ficar sabendo disso. — Resmunga Barry, olhando feio para cada um de nós. — Se ela souber, eu ficarei muito encrencado.

— E eu também. — Afirma Austin, parecendo preocupado.

— Eu vou pensar no caso de vocês. — Provoca Thea, dando um sorriso diabólico.

— E essa família só continua a ficar mais estranha. – Comenta Freddie, encarando Daryl. Sam ri e o encara com ironia.

— Eu te avisei. – Afirma minha irmã, pegando mais pipoca para comer.

— Essa família tem uma tendência estranha de se envolver em perigo. — Comenta Daryl, suspirando em frustração.

— E de alguma forma nós acabamos nos envolvendo também. – Completa Freddie. Felicity, Cait, Ally, Roy e Daryl assentem, concordando.

— Não sei do que vocês estão falando. – Comenta Oliver, recebendo um olhar confuso da namorada. — Vocês também fazem parte da família Barton.

— E deveriam se sentir gratos por isso. — Afirma Damon, voltando a passar o braço por cima do ombro de Elena, que ri e concorda.

— Eu não me lembro de em momento algum ter concordado em sofrer da síndrome de se meter em confusão que vocês compartilham. — Brinca Felicity, ajeitando a blusa que cobria o filho.

— Seja teimoso e inteligente como um Barton. — Relembra Elena, aconchegando-se nos braços do namorado. — Esse lema não está apenas de enfeite em nossa família. Vocês já deveriam saber que não somos pessoas comuns. É claro que vocês acabariam envolvidos em nossas loucuras.

— E que eu me lembre, o pequeno Tony também tem uma certa tendência a se envolver em problemas. — Conta Austin, dando um sorriso convencido.

— Ele puxou ao pai. – Oliver se gaba mais uma vez, fazendo Felicity revira os olhos e leva a mão ao peito em uma falsa tristeza.

— Uma mini cópia sua, você quis dizer. — Comenta Thea, rindo ao encarar o sobrinho.

— Infelizmente. — Concorda Felicity, rindo.

— Pobre Felicity. Carrega a criança nove meses para ela nascer parecida com o pai. Eu entendo a sua dor, amiga. – Brinco e todas as garotas riem, concordando.

De repente, Sam dá um tapa em minha perna e faz sinal para a entrada da arquibancada do ginásio. Haviam três homens, pareciam estar armados, encarando-nos com intensidade. Trocamos sorrisos e eu respiro fundo, ansiosa por saber que o plano estava dando certo.

De repente, as luzes das arquibancadas se apagam e o apresentador do campeonato anuncia que era vez do último casal da noite se apresentar. Todos voltam sua atenção para o casal que entram na pista de gelo sobre a ovação do público. O show estava para começar.

Notas finais
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