Contrato de Setembro
27 Desejo
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO IX – CONTRATO DE SETEMBRO
CAPÍTULO XXVI — DESEJO
Desde que minha esposa avisou que entraria no apartamento, depois de constatar que havia alguém dentro de casa, eu parei de ouvir sua voz do outro lado da linha. Eu tentei ligar mais vezes, mas Beth não atendia as minhas ligações, por mais que eu tentasse falar com ela. Isso foi o bastante para que o desespero me atingisse e minha mente passasse a criar inúmeras teorias do que poderia ter acontecido.
Tomado pelo medo do que poderia ter acontecido com Beth, nem mesmo espero para me despedir e explicar para a Madre Abigail o que havia acontecido, antes de sair do orfanato cantando o pneu do carro. No trânsito, a minha imprudência não foi menor. Deslizo por entre os outros veículos, ignorando as buzinadas e xingamentos dos motoristas e pedestres. Eu apenas queria chegar em casa o mais rápido possível e garantir que minha esposa estaria bem.
Durante o trajeto, tento ligar mais algumas vezes para Beth, mas novamente não sou atendido. Decido mudar a estratégia e acionar a polícia, ou mais especificamente, Glenn e Maggie. Eu sei que Beth é forte. Eu a vi em ação quando enfrentamos os homens de Hugh. Ela foi incrível e conseguiu acabar com quatro homens como se não fosse nada demais. Ainda assim, o medo de que ela se ferisse ou de ficar com ela falava mais alto. Assim, eu esperava que Glenn conseguisse enviar uma equipe para prender o bandido e como essa pessoa invadiu a minha casa.
— Ei! Eu estava pensando agora mesmo em te ligar para ver como...
— Não temos tempo para isso, Glenn. Beth pode estar em um enorme perigo nesse exato momento. Preciso que envie uma equipe para o meu apartamento agora mesmo. – Interrompo meu melhor amigo, virando bruscamente uma rua, ignorando o sinal vermelho. Recebo mais buzinadas e xingamentos em resposta. Eu já tinha perdido as contas de quantas regras de trânsito eu já tinha quebrado desde que entrei como um louco em meu carro.
— O que aconteceu? – Pergunta Glenn, surpreso.
— Eu não sei ao certo. Nós estávamos conversando pelo telefone, enquanto ela ia para casa. Ela encontrou a porta de casa aberta e disse ter ouvido barulhos vindos do apartamento. Beth disse que entraria e mesmo eu implorando para que ela fosse embora, eu tenho quase certeza de que ela me ignorou completamente e entrou. Desde então, ela não me respondeu e nem atendeu as minhas chamadas. – Conto, deixando evidente para o agente do FBI o motivo de meu desespero.
— O quê? Ela não seria louca de...
— Sim, Glenn, ela seria. Você não conhece a Beth. Ela não tem qualquer filtro ou controle. Beth é a pessoa mais teimosa e imprevisível que eu conheço. Não tenha dúvidas de que ela seria capaz de fazer uma loucura dessa. – Respondo e Glenn suspira, incomodado. – Eu estou a caminho de casa, mas eu temo que a pessoa que invadiu seja um bandido perigoso e...
— Não se preocupe. Eu e a minha equipe iremos agora mesmo para o seu apartamento.— Responde Glenn, antes que eu externalizasse meus receios. – Vai ficar tudo bem. Eu tenho certeza disso. Além do mais, Maggie e você disseram que ela conseguiu nocautear quatro homens perigosos com facilidade. Beth é forte. Ela vai ficar bem.
— Espero que esteja certo. – Desejo, sentindo meu corpo tenso só de pensar no que poderia acontecer. – Eu preciso desligar.
— Tudo bem. Nós nos encontramos no seu apartamento. — Despede-se Glenn, encerrando a chamada em seguida.
Acelero ainda mais o carro e sigo pelas pistas movimentadas de Hawkins, irritado com a demora para chegar ao meu destino. Tento ligar para Beth mais uma vez e como nas outras trinta vezes que tentei, ela não me atendeu. Eu torcia para ela estar bem, porque eu definitivamente teria que colocar um pouco de juízo na cabeça louca de minha esposa.
Quando enfim chego ao meu condomínio, estaciono o carro na minha vaga de qualquer jeito e com a demora do elevador, resolvo subir os vinte andares de meu prédio pela escada mesmo de tão ansioso que eu me sentia. O meu desespero era tão intenso que eu nem mesmo parei para respirar, enquanto subia os incontáveis lances de escada.
Assim que alcanço o andar do meu apartamento, eu já estava sem fôlego e completamente suado. Meu coração parecia que sairia pela minha boca a qualquer momento e minhas pernas tremiam, bambas pelo cansaço de correr vinte andares de escada. No entanto, eu não tinha tempo para me recuperar. Beth precisava de mim.
Reunindo o restante das forças que ainda me restavam, corram até o meu apartamento, que assim como Beth havia o encontrado, estava com a porta aberta. Sem pensar duas vezes, entro e pego o guarda-chuva que estava no hall de entrada. Cauteloso e atento a qualquer movimento suspeito, consigo ouvir duas vozes vindas da cozinha, mas ainda era difícil entender sobre o que conversavam. Aproximo-me mais, tentando não fazer barulho. Precisava entender a situação e a melhor forma de agir era tendo certeza de que minhas ações não colocariam Beth em perigo.
— Está me chantageando? – A voz de Beth é a primeira que ouço. Apesar de manter o tom firme e brando, eu conseguia sentir a sua insatisfação e preocupação. Suas palavras me faziam crer que a pessoa que invadiu o apartamento era algum conhecido. – Lamento, mas eu não tenho medo de você e nem pretendo ceder a suas ameaças.
— É mesmo? Mas no seu lugar, eu teria muito medo de mim, cunhada. Porque eu posso ser bastante... persuasivo. – Arfo ao reconhecer a voz do maldito que havia ousado invadir o meu apartamento. – Eu sou um homem persistente, sabe? Eu não aceito não como resposta e faço o que for preciso para conseguir o que eu quero. E nesse momento, o que eu quero é uma pequena contribuição sua. Vamos ser sinceros. O que é um milhão de dólares perto da fortuna que você e sua família tem no banco? Você também se casou com o meu detestável irmão. Possui direito na metade das riquezas dele. Esse dinheiro não vai fazer falta a você. Além disso, as informações que eu preciso não vão ser um problema para você conseguir, afinal, você é uma Barton.
— Você é engraçado, cunhado. – Ironiza Beth e posso ouvir os sempre presentes saltos batendo contra o piso, parecendo se aproximar de Merle. – Por que não me conta como é ser a sombra de seu irmão mais novo? Estou curiosa para saber como é olhar para o espelho e ver que não importa o que aconteça, você sempre será alguém medíocre que...
De repente, o som de tapa ecoa para sala e posso ouvir Beth indo ao chão. A fúria toma conta de mim e imediatamente corro até minha esposa, que estava com a marca da mão de Merle em seu rosto. Ajudo-a a se recompor e vejo seus olhos brilhando com intensidade e preocupação. Acaricio seu rosto, procurando qualquer sinal de ferimento.
— Você está bem? – Sussurro para a loira e ela sorri com doçura, assentindo. Viro-me para Merle, sentindo meu sangue ferver. Ameaço ir contra ele, mas Beth me para, puxando meu pulso.
— Eu estou bem. Não se preocupe. – Afirma Beth, encostando a testa na minha. Suspiro aliviado e me afasto para encarar meu irmão mais velho, que bebia uma das minhas garrafas de whisky. Seu olhar recai sobre mim e o vejo exibir aquele mesmo maldito sorriso que sempre me apavorava quando criança. Era como um aviso de que ele me machucaria de alguma forma tão dolorosa quanto a de nosso pai. – Não caia nas provocações dele. Isso seria benéfico apenas para ele.
— E o protagonista da história finalmente apareceu. Estávamos esperando por você, irmãozinho. – Merle bebe mais um gole de whisky e coloca a garrafa sobre a mesa. – Você arranjou uma esposa com uma língua bastante afiada. No entanto, pela aparência dela, consigo entender o motivo de tê-la escolhido. Até que ela é uma vadia bem gostosa. Dá para...
— Lave sua boca para falar da minha esposa, Merle. – Exijo, ajudando Beth a se levantar. – Eu não sei o que está fazendo aqui e nem como conseguiu sair da prisão e voltar para os Estados Unidos, mas saia imediatamente da minha casa. Você não é bem-vindo aqui e nem na minha vida.
— Olha só para você agora. Todo forte e imponente. Nem mesmo parece o mesmo merdinha que vivia chorando pelos cantos igual uma bichinha e não conseguia nem mesmo olhar nos olhos das pessoas. Ainda me lembro do dia em que eu te fiz molhar as calças na frente da garota que você gostava. Foi hilário. – Comenta Merle, relembrando de um dos dias mais humilhantes de minha vida.
Respiro mais profundamente e sinto a delicada mão de Beth apertar a minha, dando todo o apoio que eu precisava naquele momento. Suspiro e ergo meu rosto, mostrando a meu irmão mais velho que eu não era mais uma criança e que suas provocações não surtiriam mais efeito sobre mim. Merle ergue a sobrancelha e posso ver a insatisfação em seus olhos.
— Eu vim aqui para falar de negócios. – Continua meu irmão, bebendo mais um pouco de whisky. Ele pega a cartela de cigarro e um isqueiro de dentro de seu casaco. Encaro-me, ele coloca o cigarro na boca e o acende. Quando coloca a cartela e o isqueiro sobre a mesa da cozinha, Merle fuma por alguns instantes, soltando a fumaça lentamente. – Eu tenho informações e vocês têm dinheiro e os dados que eu preciso. Me dê o que eu quero e vocês podem continuar vivendo a vida de conto de fadas de vocês, como se eu nunca tivesse existido. Simples assim.
— O que você quer, Merle? – Questiono, sentindo meu corpo tenso.
— Como eu contei para a sua esposa, eu tenho alguns arquivos bem interessantes que o governo americano ficaria muito feliz em receber, mostrando seu interesse em se casar com Beth Greene para conseguir o visto americano. Eu tenho certeza de que você não quer que sua querida esposa seja presa e que sua ridícula tentativa de criar uma ONG patética tenha fim, não é mesmo?
Merle sorri e retira o cigarro da boca, andando calmamente pela cozinha. Ele pega a garrafa de whisky e se dirige até a janela da sala com a vista para a cidade. Eu podia ver que ele já estava começando a ficar bêbado, mas o que mais me apavora é ver o cabo da arma que ele tinha em sua cintura. Trago Beth para perto de mim. Como caçador, mesmo bêbado, a pontaria de Merle era sempre certeira e perigosa. Eu não podia arriscar a vida dela.
— Eu quero um milhão de dólares e algumas informações sobre Clint Barton. Apenas isso. – Meu irmão nos encara e sorri, voltando a fumar.
— Por que você quer informações do tio Clint? – Pergunta Beth, dando um passo a frente. — O que você está planejando fazer?
— Eu? Eu nada. Na verdade, eu não me importo nenhum pouco com o ricaço excêntrico. Por mim, ele poderia explodir e desaparecer, que eu não me importaria. Mas um amigo deseja acertar alguns assuntos do passado com ele que nunca foram resolvidos. Como o bom amigo que eu sou, eu prontamente aceitei ajudá-lo. Eu também recebi algumas dicas de um outro amigo que conhece você muito bem e disse que você saberia responder as minhas perguntas.
— Aaron Moon. – Deduzo e Merle parece surpreso com a minha constatação. Sua forma de agir é o bastante para eu saber que estava certo sobre a minha desconfiança. – Ele disse que você conseguiria as informações que precisa com Beth. É por isso que ele encarava encava Beth com tanta intensidade durante a apresentação de patinação.
— Aaron? – Repete Beth, parecendo incomodada. – Como você conheceu Aaron, Merle?
— Isso não importa. Tudo o que você precisa saber é que ele me contou que como a Barton mais velha dos primos, havia algumas informações que Clint compartilhou somente com você. – Responde Merle, apagando o cigarro na minha janela.
Estremeço, irritado com a falta de noção de meu irmão. A droga do cinzeiro estava sobre a mesa de centro da sala. Por que ele tinha que marcar a janela com a merda do cigarro? Ele sorri, parecendo saber que sua ação havia me afetado e joga a bituca de cigarro no chão.
— Aaron sabia tanto quanto eu sobre tio Clint. Então sinto muito, mas não há nada que eu possa fazer por...
— E o que me diz sobre o soro Mirakuru? – Merle interrompe Beth e ela paralisa ao meu lado. Seus músculos se tornam tensos e ela respira pesado, visivelmente desconfortável. – Parece que Aaron estava certo, não é mesmo, Beth Greene Dixon? Agora, que tal começar a falar?
— Eu não tenho nada a dizer. – Declara Beth, determinada.
— É mesmo? Que pena. Eu achei que não precisaria ir tão longe, mas parece que você não me deu escolhas. – Fala Merle, aproximando-se após beber mais um gole da bebida na garrafa que segurava. Vejo-o então mover a mão em direção a arma em sua cintura e rapidamente empurro Beth, antes de me jogar contra meu irmão.
Como eu esperava, ele saca sua arma, mas consigo ser rápido o bastante para levantar seu braço e iniciar uma luta para ver quem assumiria o controle da arma.
— Maldito! – Grita Merle, tentando manter o equilíbrio. A garrafa de whisky vai ao chão e se estilhaça. Ele tenta puxar o próprio braço, mas eu era mais forte que ele. – Me... larga!
— Nunca! – Respondo, enquanto damos alguns passos pela sala. Vejo a mesa de centro e resolvo usá-la a meu favor.
Giro nossos corpos e aproveitando a embriaguez de meu irmão, empurro seu corpo com toda a minha força. Merle se desequilibra e cai sobre a pequena mesa de vidro no centro da sala, quebrando-a por completo. Com o impacto, a arma de Merle voa para perto de Beth, que a pega imediatamente e aponta para o homem no chão. No entanto, o que eu não esperava era que Merle envolvesse suas pernas na minha e me derrubasse, fazendo com que eu batesse a cabeça.
Demoro alguns segundos para recuperar os sentidos. Mas mais uma vez, Merle me surpreende ao mostrar que ainda tinha forças para se levantar e vir para cima de mim, desferindo diversos socos contra meu corpo. Ele se senta sobre mim e parece enfurecido, exatamente como acontecia quando éramos crianças e ele me espancava para descontar a raiva descomedida dele. Por algum motivo, Merle sempre me culpou pela vida que levava e pelo abandono que sofremos de nossa mãe.
Com os braços em torno de meu rosto, eu tentava me defender de seus poderosos socos, mas o impacto da minha cabeça contra o chão havia tirado boa parte da minha capacidade de pensar naquele momento. Mesmo bêbado, Merle ainda era forte e sabia exatamente como me mobilizar e impedir que eu o atacasse.
— Solta o meu marido! – Grita Beth, dando uma coronhada em Merle, que cai com as mãos na cabeça, urrando de dor. Ela joga a arma no sofá e estende a mão para me ajudar a levantar. Aceito e a abraço, inspirando seu perfume envolvente. A loira me afasta e me encara com preocupação, segurando meu queixo, analisando meu rosto. – Você está bem?
— Sim... Cuidado. – Afasto Beth no momento em Merle pega um caco de vidro maior da mesa e avança contra a loira.
Cego pela raiva, desfiro um soco no rosto de meu irmão e ele cai sobre os cacos de vidro mais uma vez, cortando-se em várias partes do corpo. Não permitindo que ele tivesse chance de revidar, faço o mesmo que ele fez comigo e passo a socá-lo com todas as minhas forças. Ele se debate e tenta se afastar, mas eu estava tão irado e tão forte naquele momento que isso só me deu ainda mais energia para desfigurar o rosto daquele que me causou tantos traumas e problemas.
Não faço ideia de quanto tempo permaneço descontando toda a raiva que guardei de meu irmão mais velho durante todos esses anos, mas foi preciso que dois homens conseguissem me tirar de cima de Merle. Ainda me debato por algum tempo, até conseguir ouvir a voz de Glenn e Beth, avisando que estava acabado.
Meio distante da realidade, sinto o corpo de minha esposa me abraçando com intensidade, enquanto os agentes do FBI algemavam Merle, que estava praticamente irreconhecível. Noto minhas mãos cobertas de sangue e acabo deixando cair as lágrimas que eu vinha guardando dentro de mim há mais de trinta anos. Naquele momento, eu me permiti chorar e aceitar todas as mágoas e feridas de minha infância.
Correspondo ao abraço de Beth e afundo minha cabeça na curvatura de seu pescoço. Ela me aperta e acaricia minhas costas, dando todo o apoio que eu precisava naquele momento.
[...]
Após Beth e eu darmos nossos depoimentos a Glenn, meu melhor amigo vai embora com a equipe do FBI. Depois de receber o tratamento no hospital, Merle seria interrogado tanto pelo FBI quanto pela CIA, já que aparentemente, assim como Hugh, meu irmão mais velho também está envolvido com a HYDRA e seus perigosos esquemas.
Finalmente sozinhos, Beth se joga no sofá e joga os sapatos para longe, suspirando cansada. Observo-a por alguns instantes. A loira dá um sorriso fraco e volta a se levantar. Sem dizer nada, ela pega os sapatos que jogou e sua bolsa e segue pelo corredor, provavelmente indo para o quarto. Tento alertá-la para não andar descalça por causa do perigo de se cortar, mas desisto ao ver que ela estava longe demais para me ouvir. Suspiro e vou atrás de uma vassoura e pá para limpar a bagunça que o apartamento se tornou depois de minha briga com Merle.
Assim como a sala que estava repleta de cacos de vidro, minha mente estava um completo caos. Meu rosto doía pelos socos trocados com Merle e eu me sentia esgotado. O choque emocional de lidar com meu irmão mais velho e enfrentar todas as dolorosas lembranças que guardei no fundo de meu coração desde que me mudei de Montreal para Hawkins.
— Daryl... – O chamado doce de Beth me faz desviar o olhar dos cacos de vidro no chão para encarar a mulher que estava na entrada da sala. Surpreendo-me ao vê-la usando uma lingerie e um robe de renda praticamente transparente pretos. Ela também usava uma cinta-liga com meias pretas junto a um sapato de salto alto preto. Noto que ela carregava alguns papéis em mãos. – Esse é o nosso contrato pré-nupcial. O meu e o seu contrato. Acho que já está na hora de desfazermos esse acordo e iniciarmos a nossa promessa de casamento eterno.
— Beth...? – Engasgo, sentindo meu corpo reagir a visão erótica da loira, que exibia um sorriso malicioso. Solto a vassoura e a pá que usava e dou dois passos para frente, encantado com a beleza da loira.
Beth então anda até a cozinha e pega a lata de lixo e o isqueiro de Merle. Com os olhos fixos no meu, a loira acende o isqueiro, queimando a ponta dos dois contratos. Quando nota que os papéis começaram a pegar fogo, Beth os joga dentro da lata de lixo e observa as chamas se alastrarem por alguns instantes, antes de se voltar para mim.
— Eu disse que iríamos comemorar hoje e depois de tudo o que aconteceu, eu acho que merecemos um prêmio. – Responde minha esposa, desfazendo o laço de seu robe, encarando-me com intensidade. Ela se aproxima de mim e suas mãos se enroscam em meus cabelos. – O que acha que irmos para o quarto?
Como resposta, trago seus lábios de encontro aos meus, em um beijo lento e envolvente. Aperto-a contra mim e seus suspiros são o bastante para que qualquer preocupação ou sentimento negativo do dia se esvaísse. Ela morde meu lábio e sorri travessa, antes de voltar a me beijar com mais intensidade, sugando toda a minha sanidade com toda a paixão e ternura presente a cada carícia.
Minha mão desliza pelo corpo de Beth e ela se contorce, apertando o tecido de minha camisa. Ansiando por experimentar mais de minha esposa, para provar de cada parte de seu corpo e me livrar de uma vez por todas da sua bonita e sensual lingerie, ergo-a e ela prontamente enrosca as pernas em minha cintura, sem encerrar o beijo.
Guiado pelos meus instintos, sigo para o quarto com Beth em meu colo. Assim que chegamos ao cômodo, jogo seu corpo contra a cama. Retiro meus sapatos, meias e minha camisa sobre o olhar repleto de desejo de minha esposa. Ela então me puxa pela mão e me derruba na cama. Beth sobe sobre mim e se desfaz do robe de renda. O sorriso de luxúria, enquanto desliza as unhas pelo meu tórax faz meu corpo se arrepiar.
Sua pele quente causava tantas sensações únicas. Ela volta a me beijar e a rebolar em meu colo, despertando ainda mais o meu desejo e me levando a loucura. Impaciente, troco nossas posições e mordisco seu queixo, dedilhando cada parte de seu corpo, decorando em minha mente a sua silhueta. E quando retiro seu sutiã, saboreio cada pedaço de pele, deliciando-me com seus suspiros e gemidos de prazer.
Em meio a um beijo feroz, sinto suas mãos no cós de minha calça, desesperada para se livrar da peça de roupa. Afasto-me para me desfazer da minha calça e cueca, voltando a pressionar nossos corpos. Beijo-a, faminto por mais de Beth. A nuvem turva da luxúria assume controle de minha mente. Como um animal, eu queria mais daquela linda mulher, completamente entregue.
E é por isso que sem qualquer delicadeza, retiro sua calcinha e beijo sua intimidade. Beth arfa e puxa meus cabelos. Ela se contorcia e gemia alto, exigindo mais agilidade de minha boca, implorando por mais contato de nossos corpos.
— Eu quero... eu quero... – Soluça Beth em tom de súplica.
Nossos olhos se encontram, naquela conexão única que nós tínhamos. Seu rosto estava corado, contorcido pelo prazer. Sua respiração falhada, lábios inchados e vermelhos, cabelos bagunçados. Eu nunca a vi tão linda e encantadora como naquele momento.
— O que você quer, Beth? – Pergunto com a voz rouca, dominado pelo desejo. Ela sorri e entrelaça nossas mãos. Beth então traz minha mão direita aos lábios e beija os ferimentos dos socos dados em Merle. Prendo minha respiração diante da visão libidinosa da mulher.
— Eu quero você. Por inteiro. Quero sentir você. Quero que me possua e se vicie em mim. – Sussurra Beth com os olhos escurecidos. Estremeço, sentindo inúmeros impulsos elétricos atingirem meu corpo.
Beth arqueia o quadril de encontro ao meu e quando nossos corpos se unem, é como se eu tivesse no paraíso. Perdido em seus olhos e a expressão de deleite no rosto de Beth, começo a me mover, lento e profundamente. Algo maior que o prazer carnal estava acontecendo ali. O prazer físico se misturava aos nossos sentimentos. Era insano, intenso e viciante. Eu desejava por mais.
Minha esposa gemia alto, apertando os lençóis da cama. Deslizo uma de minhas mãos até a dela. Seus olhos exibem um brilho quente, como brasas fulgentes e profundas, que me convidavam a entrar e ver sua alma e tudo o que se passava dentro dela. E então sinto seu corpo tremer e suas pernas ficarem fracas. Seus suspiros se tornam mais sôfregos e longos. Em uma estocada mais forte, Beth extravasa todo o seu prazer em um grito rouco.
Seu corpo se retrai e não demora muito para que meu corpo também buscasse alívio, explodindo dentro de Beth. As milhares de emoções em mim se expandem dentro de mim, obrigando-me a urrar, completamente dominado pelo prazer.
Deixo minha cabeça tombar e meu corpo cair sobre o de Beth, enterrando-me em seu pescoço. Respirávamos com dificuldade, ainda com os dedos entrelaçados. Um pouco mais calmo, viro-me para o lado e ela se acomoda em meu peito, sorrindo letárgica. Correspondo ao sorriso e puxo o lençol amassado para cobrir nossos corpos. Em um silêncio confortável, deslizo minha mão pelo braço desnudo de Beth.
— Eu te amo. – Ela sussurra, sonolenta.
— Eu também te amo. – Declaro, deixando um beijo demorado em sua testa. Beth suspira e me encara, lutando contra o sono. Sorrio e beijo seus lábios com ternura. Observo-a se entregar ao sono. Suspiro e a aperto mais contra mim. – Eu realmente sou incapaz de viver sem você.
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