Contrato de Setembro
28 Churrasco
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO IX – CONTRATO DE SETEMBRO
CAPÍTULO XXVII — CHURRASCO
O dia estava ensolarado e quente. Perfeito para o churrasco que Maggie e Glenn marcaram para reunir todos os amigos e a família, algo que planejávamos há algum tempo. Maggie até mesmo incluiu meus primos da família Barton e a família de Michonne e Rick na reunião e por causa disso, o quintal de sua casa estava bastante movimentado e barulhento.
Eu podia ver as crianças correndo para todo lado, pulando na piscina. Os adolescentes tiravam fotos e brincavam na água, gerando ainda mais gritaria e risos. Rick, Daryl e Glenn estavam em volta da churrasqueira, assando carne, bebendo e conversando aos risos sobre histórias do passado ou lembranças divertidas sobre os filhos e sobrinhos.
Mesmo sem os ver, conseguia ouvir os gritos de Oliver, Damon, Jonathan e Freddie vindo da sala da casa, jogando eufóricos algum jogo de vídeo game. Vez ou outra RJ, Hershel e Tony apareciam, pedindo para jogar também, mas logo se cansavam da infantilidade dos adultos e voltavam a brincar na piscina com Carl, André, Judith, Ben, Mal, Austin e Ally, que jogavam uma espécie de vôlei aquático. Cait e Barry estavam sentados próximos da borda assistindo a tudo com sorrisos divertidos nos rostos, já que o rapaz continuava com o gesso na perna e não podia entrar na água.
— Beth, acho que já está bom. Todo mundo vai se empanturrar de carne mesmo. – Comenta Elena, pegando a vasilha ao meu lado com os legumes que eu cortei para assar junto com a carne. – Eu vou levar esses aqui para os rapazes assarem.
— Certo. Obrigada. – Agradeço, levando a tábua e a faca para a pia da cozinha.
Ao olhar em volta, vejo Maggie fritava algumas batatas fritas para as crianças, Sam e Thea enfeitavam um bolo que insistiram em fazer, Felicity e Nancy cortavam algumas frutas. A última contava para as outras garotas sobre suas aventuras em Chicago e os planos para o ano seguinte. Sem ter mais o que fazer, vou para o quintal da casa e encontro Michonne sentada na sombra com uma taça de vinho, observando os filhos brincarem na água.
— Posso te acompanhar? – Pergunto, aproximando-me da mulher. Ela desvia o olhar da piscina e me encara com um grande sorriso.
— É claro. Vinho? – Oferece, erguendo a garrafa de vinho que estava ao seu lado.
— Por favor. – Respondo, pegando uma taça que estava sobre a pequena mesa a nossa frente que também tinha alguns aperitivos. Ela enche a taça e coloca a garrafa sobre a mesa. – Obrigada.
— Eu pensei que a minha família era grande, mas a sua me superou. – Comenta Michonne, bem-humorada.
— Isso é porque ainda estão faltando alguns membros. – Conto e ela ri, surpresa. – Eu tenho mais um irmão por parte de pai que mora em Londres com a esposa e os três filhos, os dois irmãos mais novos de Nancy e a namorada do irmão dela, que é minha prima, mas que nunca tive muito contato. Também não vieram a prima de Mal e o namorado dela, que é como um irmão para mim. E outros dois primos e os nossos tios.
— Uau! – Michonne bebe um pouco de vinho e ri, pegando um pedaço de queijo. – Imagino que deva ser divertido reunir todos na Ação de Graças.
— É sempre uma loucura, mas eu não consigo me ver sem esses malucos. – Comento, observando meus primos espalhados pelo quintal com um sorriso nostálgico no rosto.
Permanecemos em um silêncio confortável por algum tempo. Elena, Maggie, Sam, Thea e Nancy aparecem no quintal, colocando os pratos que faltavam sobre a mesa que arrumaram ao lado da churrasqueira. Sorrio ao ver as cinco provocando os adolescentes na piscina e causando ainda mais euforia no lugar.
— Rick me contou sobre o ataque que você e Daryl sofreram de Merle. – Comenta Michonne, quebrando o silêncio entre nós. Encaro a mulher e noto seu olhar preocupado sobre mim. – Você está bem?
— Não se preocupe. Já passei por situações mais perigosas. – Afirmo com um sorriso divertido, ainda que o que eu dissesse fosse verdade. – Você conhecia Merle?
— Infelizmente. O completo oposto de Daryl, devo dizer. Eu não o suportava e ele menos ainda a mim. Era um completo babaca. Não foram poucas as vezes que quis dar uma surra nele por causa do racismo e machismo dele. – Confessa Michonne, surpreendendo-me. – Ele era um dos seres mais desprezíveis que eu já tive o desprazer de conhecer.
— Sinto muito por isso. – Lamento, bebendo um pouco de vinho. – Felizmente, depois do que aconteceu, ele deve mofar na prisão. Minha tia está cuidando pessoalmente do caso dele e garanto que Natasha Romanoff é perita em acabar com o ego masculino e estraçalhar a alma de babacas.
— É bom saber disso. – Responde Michonne, rindo. Pego um pouco dos aperitivos, saboreando-os com o vinho. – Mas o que Merle queria com vocês? Por mais idiota que ele fosse, não acho que ele seria estúpido assim para se arriscar tanto como voltar para o país de maneira ilegal depois de ter escapado da prisão canadense e ainda ir na casa do irmão mais novo. Ainda que fosse por dinheiro, ele teria que estar muito desesperado para se arriscar tanto assim.
Pondero sobre a colocação de Michonne. Bebo mais um pouco de vinho e suspiro, observando meu marido rindo de alguma coisa que Glenn lhe disse. Ao notar meu olhar, ele me lança uma piscadela e volta a prestar atenção na conversa com os amigos.
— Ele não queria dinheiro. Quer dizer, Merle disse que queria dinheiro, mas ele parecia muito mais disposta a me convencer de que estava mais interessado no dinheiro no que ele realmente foi fazer em nossa casa. – Respondo, deslizando o dedo pela boca de minha taça. Sinto o olhar atento de Michonne, analisando-me com intensidade. – Ele queria informações sobre tio Clint e tenho quase certeza que ele também estava tentando prejudicar Daryl, tentando fazer com que parecesse que ele estava envolvido na volta de Merle aos Estados Unidos.
— Tio Clint? – Repete Michonne, confusa. Sorrio e assinto, relembrando com carinho do homem que era como um pai para mim.
— Clint Barton. É possível que você o conheça. Apesar de estar sempre evitando a mídia, ele é conhecido pelos trabalhos filantrópicos que ele participa pelo mundo. – Respondo e a mulher parece se lembrar de quem eu estava falando.
— Ah, claro. O excêntrico Clint. Eu o conheci na Etiópia. Ele tinha um cheio estranho que cativava as pessoas e estava sempre carregava um arco e flechas para onde quer que fosse. Nós o chamávamos de k’esiti ch’ilifīti, que em amárico seria algo semelhante a Gavião Arqueiro. – Conta Michonne com um sorriso nostálgico. – Ele salvou a vida de muitas pessoas naquela região. Mesmo sendo absurdamente rico, ele era ainda mais nobre de espírito. A genialidade dele era impressionante. Acho que nunca conheci ninguém como ele. E agora, parando para pensar, sua personalidade é bastante parecida com a dele. Não é de se estranhar que ele seja seu tio. Eu me lembro dele dizer alguma coisa sobre a família Barton. Você por acaso também faz parte dessa família?
— Sim. Eu sou a sobrinha mais velha. A primeira a fazer parte dos membros da segunda geração da família. – Digo, observando o bonito céu de Hawkins. Um pensamento passa pela minha cabeça e sinto um arrepio subir minha espinha. – Acho que tio Clint pode estar em perigo.
— Por que diz isso? – Michonne me encara com curiosidade, enquanto eu tentava organizar meus pensamentos.
— Você está certa. Não faz sentido Merle ter escapado da prisão e ter se arriscado tanto apenas para ganhar um milhão de reais e algumas informações confidenciais de tio Clint. Eu pensei que ele tivesse voltado, porque queria prejudicar o processo de visto de Daryl, mas parando para pensar agora, ele está envolvido na mesma organização criminosa que Hugh e Aaron. Tio Clint sempre teve muitos amigos e ainda mais inimigos. Eu não me surpreenderia se Merle tivesse sendo obrigado a encontrar alguma forma de encontrar alguma fraqueza de tio Clint. – Respondo, pensativa.
— Eu não me preocuparia tanto com isso se fosse você. Pelo pouco que eu conheci de Clint, ele é o tipo de homem que sempre tem uma carta na manga. – Garante Michonne, colocando a mão sobre meu ombro. – Eu tenho certeza de que ele vai ficar bem. Ele é Clint Barton! Como uma Barton, aposto que sabe melhor do que eu que Clint é osso duro de roer. Ele não vai deixar ninguém machucar ele e nem a sua família.
— Você tem razão. Obrigada, Michonne. – Agradeço, sentindo-me um pouco mais calma.
Ela sorri e nega, encostando sua taça na minha, em um pequeno brinde. Respiro fundo e sinto a culpa me consumir. Mesmo que Daryl e eu tenhamos nos acertado e que nosso casamento agora seja verdadeiro, eu me sentia mal por ter esconder de Michonne que nosso relacionamento se iniciou por um contrato, porque eu queria impressioná-la para provar aos velhos da empresa que eu era capaz de assumir a presidência da Corporação Puckett e porque Daryl precisava de um casamento para conseguir o seu visto de permanência.
— Michonne... – Chamo a atenção da mulher, que me encara com curiosidade. Ela estuda meu rosto e parece notar que eu queria contar algo de importante para ela. – Eu te devo desculpas.
— Pelo quê? – Pergunta Michonne, bebendo mais de seu vinho com toda a elegância que somente a empresária parecia ter.
— Eu menti para você e não me orgulho disso. – Começo e a mulher me encara com curiosidade. – Naquele dia em que Daryl e eu fomos almoçar em sua casa, nós... não estávamos noivos. Na verdade, nem mesmo namorávamos.
Um pouco preocupada com sua reação, encaro minhas mãos por algum um tempo. Ao notar que nenhuma resposta veio, o medo se torna ainda maior. Cautelosa, levanto meu rosto e a encaro, mas ao contrário do que eu imaginava, Michonne permanecia calma, como se eu tivesse acabado de comentar sobre o clima. Ela até mesmo tinha um sorriso discreto em seu rosto, como se estivesse se divertindo com a situação.
— Você já sabia... – Deduzo, suspirando.
— Eu desconfiava. – Confessa, rindo. – Mas você se saiu muito bem. Eu diria que o problema foi o Daryl. Ele é um péssimo mentiroso e como todo homem, demora um certo tempo para conseguir entender o que nós mulheres queremos que eles digam. E tinha o fato de que ele jamais esconderia um relacionamento. Eu o conheço há quinze anos. Mesmo estando longe, nas raras vezes em que ele se envolveu com alguém, meu marido e eu éramos uns dos primeiros a saber. Então é claro que a história de que vocês viviam um relacionamento ioiô simplesmente não fazia sentido. Daryl não é paciente o suficiente para isso.
— Você não ficou brava? – Pergunto, preocupada com a resposta.
— Na verdade, eu fiquei curiosa para saber até onde vocês iriam e até quando conseguiriam sustentar a farsa. No entanto, quando eu ouvi seus votos de casamento, eu soube que ainda que vocês estivessem começando a vida de vocês de maneira nada ortodoxa, vocês ficariam bem. Era evidente o quanto você o amava. Quanto a Daryl, aquela foi a primeira vez que eu o ouvi dizer que amava alguém. Foi surpreendente e emocionante. – Responde, encarando-me com doçura. – Mas, obrigada por me contar a verdade. Eu sabia que poderia confiar em você desde a primeira vez que eu te vi.
— Mesmo? – Questiono, surpresa com seu comentário. Ela assente, concordando. – Mesmo eu tendo mentindo para você?
— Meus instintos nunca falham. Quando eu te vi pela primeira vez, acalmando RJ com tanta facilidade, eu soube que você era uma boa pessoa. A forma como você trata e olha para as pessoas também diz muito sobre quem você é. – Michonne sorri e deixa a taça de vinho sobre a mesa. Repito seu gesto. Ela então pega em minhas mãos e sinto aquele olhar maternal que fazia anos que eu não recebia. – Mas confesso que estou curiosa para saber o que te levou a inventar um noivado e se casar com Daryl tão repentinamente. Isso foi perigoso, Beth. Felizmente, Daryl é uma boa pessoa. Mas o mundo está cheio de homens como Merle, prontos para machucar mulheres fortes como você e eu.
— Eu sei, mas... eu não tive muitas escolhas. – Confesso, dando um fraco sorriso. Como uma mãe disposta a ouvir a filha, Michonne se aproxima mais de mim e ergue meu rosto, dando um sorriso encorajador. – Como você sabe, meu pai morreu no início do mês passado. Meu tio, que era o vice-presidente da empresa, foi o responsável por mandar assassinar meu pai. Minha irmã mais nova descobriu tudo no dia do enterro dele e Hugh a enviou para um manicômio em Paris.
— Espera. O quê...? – Balbucia Michonne, tentando absorver as informações.
— Com meu pai e Sam fora de seu caminho, Hugh automaticamente se tornava o favorito para assumir o cargo da presidência da empresa. Felizmente, Sam encontrou Freddie trabalhando como enfermeiro no manicômio em que ela estava e conseguiu me ligar no dia da reunião para decidir o sucessor de meu pai. Ela resumiu tudo o que aconteceu e me pediu para impedir que Hugh se tornasse o presidente da Corporação Puckett. – Suspiro e Michonne continuava a ouvir tudo com uma expressão surpresa em sua face. – Eu anunciei o meu desejo de assumir a presidência e que tinha voltado atrás de minha palavra, quando tinha concordado anteriormente que Hugh poderia cuidar da empresa. Eu nunca me interessei em ser a presidência. Sam sempre foi a pessoa certa para isso e eu sabia que jamais poderia ocupar seu lugar, mas nas condições em que estávamos, eu não tinha muitas escolhas.
— Tudo isso aconteceu no início do mês passado? – Pergunta Michonne, surpresa. Assinto, concordando. – Ah, querida, eu sinto muito. Deve ter sido muito difícil para você ter que lidar com o luto, descobrir que o assassino do seu pai era seu tio, estar longe de sua irmã e ainda ter que assumir a presidência da empresa.
— Bom, foi ainda pior do que você imagina. – Respondo, dando uma risada amargurada. A mulher aperta mais nossas mãos e vejo o brilho de preocupação presente em seus bonitos olhos castanhos. – Ao contrário de Sam, que conseguia dar medo nos investidores da empresa, era recatada sobre sua vida amorosa e ainda havia se mostrado ser bastante lucrativa para eles no tempo em que esteve no cargo de diretora de vendas, os velhos babacas me odiavam. Eu nunca abaixei minha cabeça para os comentários machistas e preconceituosos deles. E eles não sabiam lidar com uma mulher solteira, independente e com uma vida sexual ativa. Para aqueles velhos de mente fechada e Hugh, eu era a vergonha da minha família e que eu precisava ser controlada ou acabaria causando problemas para meu pai e para a empresa, já que eu era responsável apenas pela parte jurídica da corporação e trabalhava mais para casos externos.
— Ah, eu já até imagino como deve ter sido estressante lidar com eles. É claro que eles iriam preferir o homem que compartilhava das mesmas opiniões do que dar o braço a torcer e admitir que você era a pessoa certa para o cargo. – Conclui Michonne, estralando a língua, insatisfeita.
— Você não poderia estar mais certa. – Concordo, dando um riso anasalado. – Daryl e as poucas pessoas que gostavam de mim, como os outros dois sócios quotistas da empresa, não poderiam interferir muito. Eles não tinham poder de decisão e ainda que dissessem não estar de acordo com Hugh assumindo o cargo, era tudo em vão. Foi então que eu tentei falar sobre a possibilidade de fechar uma parceria com as Indústrias Grimes. Eles obviamente riram e debocharam de minhas ideias, sem nem mesmo me ouvir. Na época eu já queria propor que a empresa investisse no projeto de Cait e Barry. E então, o diretor financeiro da empresa, e um dos poucos que ainda acreditavam na minha capacidade, fez uma proposta aos investidores e diretores.
— Que tipo de proposta? – Pergunta a empresária, cautelosa.
— Se eu conseguisse fechar uma parceria com você e Rick, eles me aceitariam como presidente da empresa sem qualquer objeção. Confiantes de que eu nunca seria capaz de disso, eles concordaram, mas estipularam o prazo de dois meses para conseguir o contrato com vocês assinado. – Respondo, suspirando. – Eu sabia que vocês eram amigos de Daryl, então eu meio que o usei para me aproximar de vocês. Ele ouviu a minha história e concordou em me ajudar.
— Então a proposta de casamento veio, porque você sabia da minha preferência por fechar negócio com casais de empresas familiares. – Deduz Michonne, parecendo insatisfeita.
— Não somente isso. Claro. Isso definitivamente iria me ajudar. Também iria calar a boca dos investidores e me ajudaria a assumir o cargo da empresa mais rápido, já que todos sempre admiraram Daryl e esperavam que ele fosse capaz de me “adestrar”. – Encaro meu marido, observando sua risada e a forma como ele parecia à vontade. – Daryl também precisava do casamento. Era a sua única chance de conseguir o visto permanente americano, já que por culpa de Merle, ele acabou sendo recusado em sua renovação.
“Desde que nos conhecemos, dez anos atrás, Daryl sempre despertou a minha atenção, mas por causa da nossa diferença de idade e por saber meu interesse nele, ele sempre manteve uma enorme distância entre nós. E tinha o fato de que ele saído recentemente de seu relacionamento com Claire quando fomos apresentados, então não estava pronto para se envolver com ninguém.
Por mais insano que fosse sugerir um casamento assim, de uma hora para outra, essa era a minha chance de me aproximar dele. Tudo era para ser apenas um casamento de contrato com prazo de validade. Nós até mesmo tínhamos regras ridículas apenas para garantir que nenhum de nós acabássemos nos machucando quando tudo chegasse ao fim.
O que eu não esperava era que eu realmente acabasse me apaixonando por ele. Quer dizer, eu sempre fui apaixonada, mas eu só fui capaz de admitir isso para mim mesmo quando passei a conhecer mais sobre sua personalidade gentil e seu coração gigantesco. E antes que eu percebesse, lá estava eu, lutando incansavelmente para chegar ao seu coração. Eu queria curar suas feridas, ajudá-lo a superar seus traumas. Eu queria que ele também me amasse. Mas era como se o universo estivesse sempre trabalhando para nos atrapalhar a ficar juntos.” – Conto e acabo rindo ao pensar sobre o assunto. Noto o olhar compadecido de Michonne. Sorrio e a encaro com confiança, tentando mostrar que tudo havia sido superado. – Não precisa me olhar assim. Está tudo bem. Nós estamos bem e completamente apaixonados um pelo outro. Daryl vai finalmente começar a ONG dele, minha irmã voltou para casa e mês que vem assume a presidência da Corporação Puckett, Maggie e eu finalmente começamos a nos entender, fiz amigos maravilhosos e minha família está bem. A única coisa que falta no momento para que minha vida esteja completa é a certeza de que Daryl poderá permanecer nos Estados Unidos. A entrevista dele será semana que vem e irá decidir o nosso futuro. Mas eu estou confiante. Eu me sinto feliz e completamente realizada.
— Você é uma mulher incrivelmente forte, Beth. Nunca duvide disso. – Afirma Michonne, abraçando-me com carinho. Seu tom de voz era choroso. Ela parecia tão emocionada quanto eu. Correspondo ao abraço com igual intensidade, sentindo as lágrimas de gratidão e alívio se formarem em meus olhos.
— Tia Beth! Tia Beth! Tia Beth! – O grito de três crianças chega aos nossos ouvidos, fazendo com que nós duas nos afastássemos aos risos.
— Oi meus amores. – Respondo, vendo RJ, Tony e Hershel me alcançarem.
— Brinca com a gente, tia Beth. – Pede Hershel com seus olhinhos miúdos brilhando em expectativa.
— É, tia Beth. Vem brincar com a gente. – Insiste RJ, puxando minha mão com força.
— Filho! Você vai machucar a tia Beth desse jeito. – Michonne repreende o filho, que apenas ignora e continua a me puxar com ansiedade.
— Vamos, tia Beth! Vamos brincar na piscina. – Pede Tony com aqueles olhos pidões de cachorro abandonado que ele sabia que conquistava a todos.
Os três garotos continuam a insistir e ao longe podia ouvir os pedidos dos adolescentes e de Judith, também pedindo para que eu entrasse na piscina. Apesar de ser uma das mais velhas, eu também era aquela que sempre acabava entrando na brincadeira.
— Calma! Eu tenho que trocar de roupa primeiro. Eu não estou com roupa de banho e...
— E quem disse que você precisa de roupa de banho? – Ouço a voz de Oliver, soando daquela forma perigosa que eu sabia que ele iria aprontar alguma coisa. Ao seu lado, Damon também sorria da mesma forma diabólica.
— Vocês não ousariam. – Digo, pronta para correr para longe.
— Ah, eu não teria tanta certeza disso. – Ameaça Damon, avançando de maneira perigosa.
Sabendo que aqueles idiotas não pensariam duas vezes antes de me jogar na piscina só pelo prazer de me ver furiosa, corro em direção a Daryl, esperando que ele pudesse socorrer de meus primos. É claro que os dois monstrinhos e as três crianças tinham que correr atrás de mim, ainda tendo o apoio dos outros membros da família, torcendo para que eles me pegassem.
Sorrio satisfeita assim que consigo alcançar Daryl e me escondo atrás dele, abraçando sua cintura com força. Damon e Oliver param de correr junto com as crianças e me encaram decepcionados. Isso só amplia ainda mais o meu sorriso. E de maneira infantil, dou língua para os cinco e rio, não perdendo a chance de provocar.
— Agora vocês não são tão fortes assim, não é mesmo? Haha! Bem-feito para vocês. Felizmente, eu tenho meu marido lindo ao meu lado que jamais concordaria com uma barbarida... Daryl?! O que você está fazendo? – Pergunto assustada, quando Daryl exibe um sorriso traquina e me pega no colo com uma facilidade absurda. Tenho que confessar que não tinha do que reclamar quanto ao ser pega no colo. Eu gosto de sentir os músculos de seus braços e peitoral definidos. Mas eu prefiro muito mais que ele faça isso para me levar para cama e me possuir de força selvagem do que caminhar em direção a piscina, como ele fazia nesse momento. – Não! Como você pôde? Eu confiei em você!
— Ah, eu sei que você está louca para entrar na piscina. – Responde Daryl, dando-me uma piscadela. E sem qualquer compaixão, sentindo-me o próprio Júlio Cesar sendo traído por Brutus, Daryl me joga na piscina com roupa e sapato ao som dos gritos animados de meus primos e amigos.
— Eu quero o divórcio! – Grito, assim que emerjo da água. Daryl e todos a nossa volta gargalhavam, divertindo-se com o meu drama. – Você me traiu! Como pôde ficar do lado deles? Isso não tem perdão!
— Não se preocupe, tia Beth. Eu vou me vingar de você! – Responde Judith, correndo até Daryl que estava na borda da piscina. E exatamente como ele fez comigo, a garotinha de nove anos empurra Daryl sem piedade para dentro da piscina.
— Isso, garota! Girls Power! – Comemoro, pegando-a, quando ela pula na piscina. Encho o rosto de Judith de beijos e ela gargalha, sentindo minhas mãos fazerem cócegas em sua barriga.
— Ah, então é divertido me jogar na piscina? – Questiona Daryl, aparecendo de repente atrás de nós. Judith e eu gritamos, tentando escapar de meu marido, mas ele é mais rápido e consegue nos pegar. – Agora vocês vão ver.
— Foge, Judith. Salve sua vida! – Dramatizo, empurrando a garota para longe. Daryl me aperta mais contra si e prende o riso, divertindo-se com o teatro exagerado quando Judith estende o braço, tentando me alcançar para me puxar para longe de Daryl. – Eu vou ficar bem.
— Não machuca a tia Beth, monstro do mar. – Grita RJ, pulando na piscina para cima de Daryl.
— Vamos salvar a tia Beth! – Comanda Tony, também pulando na piscina.
— Deixa a tia Beth em paz, monstro! – Grita Hershel, saltando na água para vir ao meu resgate.
— Não! Ela é minha! – Brinca Daryl, afastando facilmente as três crianças, enquanto me segurava com apenas um braço. – Eu vou devorar ela!
— Fique à vontade. Sou uma refeição deliciosa. – Sussurro em seu ouvido e ele estremece, encarando-me com divertimento.
— Você é terrível. – Sussurra Daryl, beijando-me com aquela doçura e delicadeza, que me arrancava suspiros.
— Eca! – Rimos em meio ao beijo ao ouvir os gritos das crianças, enojadas com o que viam.
Daryl e eu nos separamos, voltando a brincar com as crianças com risos bobos nos rostos. Não demorou muito para minhas irmãs, cunhados e primos entrarem na brincadeira e tudo virar uma grande confusão divertida, que arrancava muitos risos e gritos. Eu não poderia desejar ter uma vida melhor.
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