Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Hoje o dia foi beeem complicado, mas aqui estamos com mais um capítulo. Eu quero agradecer demais ao carinho que recebi nos comentários do capítulo passado da Mari e da VacuumCleaner. Espero de verdade que gostem desse capítulo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO IX – CONTRATO DE SETEMBRO

CAPÍTULO VIII – CONDIÇÕES

A vida é um verdadeiro ciclo onde pessoas entram em saem de nossas vidas sem que tenhamos controle. Desde a infância, conhecemos pessoas diferentes que ao longo dos anos se tornam apenas parte de nossas memórias mais doces ou amargas. Outras simplesmente passam por nós e se perdem em algum lugar profundo de nossos corações. E algumas poucas se tornam partes importantes de nossas vidas até o fim de nossas vidas como é o caso de Rick, Michonne, Glenn e Kyle para mim.

Eu conheci Kyle Puckett no momento mais difícil da minha vida. Eu tinha acabado de ser traído e abandonado pela minha noiva Claire Lonsdale, que fugiu com um de meus melhores amigos, deixando uma dívida milionária como sua última lembrança. Assim, de coração partido e a conta bancária praticamente vazia, eu passava meus dias me afundando cada vez mais em autopiedade e amargura.

E então Kyle surgiu, propondo uma sociedade. Naquele momento, pensei que fosse alguma espécie de piada sem graça e que aquele homem que eu nem mesmo conhecia era maluco. Eu não o conhecia e minha empresa estava praticamente falida. Ainda assim, Kyle insistiu e me garantiu que se investisse em sua empresa, eu não me arrependeria.

Eu tentei e muito recusar sua proposta. Foram dias fugindo de seus argumentos e projetos detalhados do que planejava fazer para que a pequena empresa de alimentos enlatados crescesse em cinco anos, mas Kyle era teimoso e desistir era uma palavra que não existia em seu vocabulário. Eu acabei cedendo pelo cansaço. Vendi a minha empresa e investi todo o meu dinheiro na pequena fábrica alimentícia Puckett, tornando-me o maior sócio quotista do que veio a se tornar as Corporações Puckett.

Além de um retorno triplicado do valor investido, essa sociedade me deu um amigo gentil e confiável, que me entendia melhor do que qualquer pessoa desse mundo. A morte inesperada de Kyle foi como um golpe para mim. Eu não conseguia acreditar nos resultados da perícia da polícia. Aquele homem cheio de vida jamais tiraria a própria vida. Eu o conhecia o bastante para saber que nada do que Hugh e a polícia dizia fazia sentido.

E enquanto eu dirigia em direção a casa da garota sentada ao meu lado, escrevendo freneticamente em seu celular, eu ainda tentava digerir todos os acontecimentos narrados por Beth. Por mais absurda que fosse sua história, de alguma forma, suas informações completavam as lacunas em branco que me incomodavam desde a morte de Kyle, como Sam ter sido internada e sua localização ter sido mantida em sigilo, a calma e prepotência de Hugh para assumir a presidência e a mudança de comportamento de Beth em relação ao tio e a sua determinação para conseguir o contrato com os Grimes, ainda que isso signifique se casar com alguém que não ama.

Encaro Beth pelo canto do olho e acabo suspirando discretamente. Mesmo agora, depois de anos observando-a de longe, ela continuava a ser uma incógnita para mim. Ainda me lembro da primeira vez que nos encontramos. Com sua aparência delicada, olhos verdes que exibiam um brilho inocente e voz suave que transmitiam uma genuína pureza, em minha mente, Beth era apenas uma menina doce e frágil que poderia se machucar no mais ínfimo toque.

Mas eu não poderia estar mais enganado. Beth ainda era uma menina, mas ela estava longe de ser delicada. Por detrás da carinha de anjo, a garota possuía um espírito aventureiro e indomável. Assim como Kyle, Beth também não parece conhecer a palavra desistir e desde que conversamos pela primeira vez, a garota parece frequentemente estar testando meus limites físicos e mentais.

Fosse por sorrisos, comentários ou olhares maliciosos, era difícil ignorar suas investidas. Nossa diferença de idade e a minha amizade com Kyle nunca pareceram ser um obstáculo ou incomodo para Beth. Por outro lado, mesmo tendo idade para ser seu pai, eu me sentia intimidado e um pouco apavorado por sua determinação. Temia decepcionar Kyle e mais ainda machucar meu coração, que havia sido bastante massacrado em meu último relacionamento.

Beth era jovem, extrovertida, linda e sabia muito bem usar seu charme a seu favor. E foi exatamente por isso que eu sempre busquei manter distância da garota, colocando sempre um alerta vermelho em minha mente de que nada de bom sairia se acabássemos nos envolvendo.

Agora, quase dez anos depois de ter prometido a mim mesmo que não me envolveria com a loira, aqui estou eu, dirigindo-me a sua casa para criarmos um contrato de casamento com prazo de validade apenas para conseguir meu visto permanente e a ajudar a impedir que seu tio assumisse os negócios da família.

— Pronto! – Exclama Beth, animada. – Eu já convoquei todos os meus primos para me ajudar a organizar o casamento. Amanhã mesmo iremos nos reunir para começar a acertar todos os detalhes. Eu também já estou reunindo todas as informações que precisamos para nos preparar para a entrevista que teremos com a embaixada americana para conseguir o seu Green Card.

— O que disse aos seus primos? – Pergunto com cautela.

— Que eu vou me casar com a pessoa com quem tenho flertado há quase dez anos e que precisava da ajuda deles, já que eu tinha apenas algumas semanas para fazer o casamento. – Responde, dando de ombros. Ela se vira para mim e sorri.

— E eles simplesmente aceitaram essa desculpa esfarrapada?

— Não é desculpa esfarrapada. É a verdade. Eu vou realmente me casar e tenho dado em cima de você desde que nos conhecemos, ainda que você continue a se fazer de sonso. Nós dois estamos com pressa, então estou pensando em marcar o casamento para a primeira semana de setembro. – Responde e sinto meu corpo ficar tenso. Novamente sou pressionado contra a parede por sua sinceridade e sua impulsividade.

— Isso é daqui duas semanas. – Comento e ela me encara como se não estivesse vendo problema algum nisso. – Como conseguiremos organizar um casamento em duas semanas, Beth? Isso é impossível.

— Por acaso você se esqueceu de que você irá se casar com uma Barton? Não existe essa de impossível para nós. – Retruca Beth com um sorriso convencido. – É como tio Clint sempre fala. Seja teimosa e inteligente como uma Barton e você será capaz de encontrar a solução. Além disso, teremos a ajuda de meus primos. Com Nancy de volta à cidade para passar as férias com os irmãos e Elena e Damon já estão organizando o casamento dos pais deles mesmo, temos mão de obra e experiência o suficiente para conseguir organizar tudo há tempo. Agora eu só preciso saber como anunciar isso para a mídia sem que eles desconfiem de que nosso casamento é uma farsa.

— Mídia? Por que quer anunciar isso a mídia, Beth? – Questiono, preocupado.

— Porque precisamos de testemunhas e porque eu sou uma das herdeiras de uma das maiores corporações alimentícias do mundo, enquanto você é era sócio do meu pai. Uma hora ou outra, essa história acabará caindo na boca do povo. O consulado americano já vai ficar em cima de você por ter escondido seu suposto noivado. Se eles ao menos desconfiarem que estamos mentindo, nós dois responderemos judicialmente. Então, precisamos usar a mídia a nosso favor para fazer parecer que somos um casal de apaixonados, disposto a superar todas as nossas diferenças em nome do amor. – Explica Beth, voltando a encarar seu celular, provavelmente respondendo alguma mensagem de seus primos.

— Você é louca. – Resmungo, finalmente estacionando de frente a sua casa. – Chegamos. Vamos logo criar nossas regras, antes que você decida fazer mais alguma loucura que faça eu me arrepender de ter aceitado essa proposta insana.

— Não seja tão dramático. Tudo o que eu estou fazendo é para o nosso próprio bem. – Responde a loira, desfivelando o cinto de segurança. Ela sorri e passa a alça de sua bolsa pelo seu ombro, antes de descer do carro. Suspiro e sigo a garota para sua casa. Beth abre a porta e dá espaço para que eu entrasse. A loira joga as chaves sobre o aparador da entrada do hall da casa e se vira para mim. – Espere um pouco. Eu vou pegar o notebook para começarmos a fazer o nosso contrato.

— Contrato? – Questiono, fechando a porta.

— Sim. Contrato. Eu sou advogada e já que iremos tratar esse casamento como um negócio, eu prefiro que as regras que iremos criar sejam escritas em um contrato com assinatura de ambas as partes. – Responde Beth, dando de ombros. – Fique à vontade. Eu já volto.

E sem esperar por uma resposta de minha parte, Beth sobe as escadas para ir em direção ao seu quarto. Sento-me no sofá da sala e observo o painel, onde antes ficava a televisão que eu levei para o quarto da garota, pensando em cada condição que eu iria estipular para seguir em frente com essa loucura de casamento por contrato.

Suspiro e olho em volta. Os quadros espalhados com as fotos de família, faziam meu coração se apertar ao imaginar como devia ser difícil para Beth ficar sozinha nessa casa com tantas lembranças de seu pai e irmã mais nova, que agora estava internada contra a vontade dela em um hospital psiquiátrico em outro país.

— Voltei. – Anuncia a garota, trazendo seu notebook e uma garrafa de água em mãos. Ela se aproxima de mim e se senta ao meu lado. Ao notar que eu a encarava com intensidade, ela estende a garrafa de água e me encara incerta. – Quer água?

— Não. Obrigado. – Recuso e ela assente, abrindo a garrafa, enquanto seu notebook ligava. – Quando você foi na cozinha? Eu não vi você passando.

Meu comentário faz Beth parar de beber sua água e me encarar inexpressiva por alguns instantes. O caminho que leva a cozinha da casa ficava ao lado da sala, então era inevitável ir para o cômodo sem que a pessoa que estivesse na sala de estar não visse.

— Eu não fui. Essa garrafa estava no frigobar do meu quarto. Eu não vou na cozinha desde que encontrei meu pai morto. – Responde Beth, desviando o olhar para a tela do computador. Posso ver seu corpo ficar tenso e a respiração mais pesada. – Eu... não consigo ir lá, então tenho feito minhas refeições na rua e só volto para casa na hora de dormir. Ficar nessa casa tem sido bem... complicado.

Beth foi a primeira pessoa a encontrar Kyle morto na mesa da cozinha da casa, então não era tão estranho assim ela ter dificuldades para entrar no cômodo. Ela respira fundo e dá um fraco sorriso, com os olhos verdes brilhando com tristeza. Isso faz meu coração se apertar, imaginando o quanto essa jovem garota vem sofrendo nesses últimos dias.

— Eu odeio ficar sozinha e essa casa me traz lembranças que um dia me transmitiam felicidade e hoje são sinônimos de dias que jamais voltarão. Eu jamais verei meu pai novamente e eu não fui capaz de proteger Sam. – Confessa Beth, suspirando.

— Beth... – Sussurro, comovido pela dor presente em suas palavras.

— De qualquer forma, vamos voltar nossa atenção para o que realmente importa. – Beth muda de assunto, voltando a beber um pouco mais de água. Ela respira fundo, colocando a garrafa sobre a mesa de centro da sala, e começa a mexer em seu notebook. – Eu andei fazendo uma rápida pesquisa pela internet e encontrei alguns modelos nos quais podemos nos basear para fazer o nosso contrato. Pensei em colocar em primeiro lugar um prazo de validade para a nossa união. O que acha de nove meses?

— Por que nove meses? – Questiono, confuso. – Não precisamos estar casados por pelo menos seis meses?

— Sim. Mas não acha que seria muita coincidência nosso casamento finalizar justamente quando você consegue o prazo que precisa para tirar o seu Green Card? O consulado não é idiota. Você não é o primeiro e nem será o último a tentar burlar o sistema para conseguir o visto de permanência no país através do casamento. – Explica Beth e eu acabo grunhindo ao relembrar que eu estava cometendo um crime.

— Vivi quarenta e oito anos tentando cumprir com a lei e agora estou indo contra ela. Droga! – Resmungo e ela ri, balançando a cabeça, parecendo se divertir com a minha indignação.

— Você vai sobreviver. Eu garanto. – Afirma Beth, voltando a prestar atenção em seu notebook. – Mas, como eu estava dizendo, precisamos ser cuidadosos. Apesar de ser um casamento por contrato, as pessoas precisam acreditar que é real, então vamos estipular um prazo maior apenas para garantir que não seremos presos.

— Tudo bem. Então nosso contrato termina em nove meses. – Suspiro, dando-me por vencido. Eu já estava na lama mesmo. Então tudo o que posso fazer é aceitar a minha situação da melhor maneira possível.

— Então, o contrato terá validade de nove meses. – Fala Beth, escrevendo rapidamente em seu notebook. – Irei colocar também o objetivo de cada parte. Eu tenho que te ajudar a conseguir seu Green Card e você me ajudará a conseguir a presidência das Corporações Puckett.

— Eu realmente não sei como fazer isso. – Confesso e ela me encara por alguns instantes. – Ainda que diga que eu deva te ajudar a conseguir a presidência, eu sou apenas um sócio quotista. Não tenho poder de decidir nada na empresa. E apesar de ser um amigo de longa data de Rick e Michonne, eles são bastante profissionais e sabem separar bem a vida pessoal da profissional.

— Não se preocupe. Eu só preciso que fique do meu lado, me dando apoio. Eu cuido de todo o resto. – Responde a loira, dando de ombros. – Eu basicamente estarei usando a sua imagem e presença para fazer os investidores acreditar que alguém finalmente vai conseguir me “domar”. Enquanto Michonne e Rick, eles confiam em você. Isso deve ser o bastante para ao menos fazê-los pensar com mais carinho sobre as minhas propostas. Então não se prenda muito a esse assunto. Apenas confie em mim e me dê liberdade para usar você.

— Sinto que vou me arrepender disso, mas tudo bem. – Concordo e ela ri, voltando a escrever em seu notebook. – Agora vamos falar sobre as minhas condições.

— Certo. Quais são as suas condições? – Questiona Beth, encarando-me com atenção.

— Por mais estúpido e óbvio que seja, a primeira regra que quero que coloque é “não podemos nos apaixonar um pelo outro.” – Começo e ela me encara como se eu tivesse duas cabeças em meu pescoço. – Eu estou falando sério.

— Como pode estipular algo tão subjetivo quanto controlar os sentimentos? Ainda que diga para não nos apaixonarmos, não dá para mandar no coração. – Resmunga a garota, cruzando os braços, inconformada.

— Regra número dois: não iremos nos envolver com outras pessoas até o contrato terminar. Apesar de ser um casamento falso, eu preso bastante pela fidelidade e já que teremos a mídia envolvida nessa história, eu quero evitar ao máximo me envolver em escândalos. – Continuo e ela suspira, escrevendo em seu notebook.

— Tudo bem. Acho que essa regra é mesmo importante. Eu não quero sair como a corna do ano. E você tem razão. Se a mídia descobrir uma possível traição, nós não teremos paz. – Concorda Beth, voltando sua atenção para mim. – Mais alguma coisa?

— Regra número três: nada de beijos ou sexo entre nós. – Digo, um pouco envergonhado por ter que ditar algo tão íntimo para a garota, que me encara ainda mais surpresa.

— O quê? Está me dizendo para ficar nove meses em abstinência? – Questiona Beth, desesperada. – Eu já estou há dois meses sem transar e já tem sido bem estressante. Como pode me pedir para ficar mais nove meses sem transar?

— Eu tenho certeza de que você consegue. – Resmungo, ainda mais envergonhado pela sinceridade da garota.

— Daryl! – Ela choraminga, desesperada. – Vamos lá! Eu sei que podemos nos ajudar. Não precisa ser com frequência, mas...

— Continuando. – Corto a garota, sabendo que não gostaria de sua sugestão. – Regra número quatro: nada de mentiras e nem segredos entre nós. A partir de agora, devemos ser sinceros um com o outro. Por mais difícil que seja a verdade, precisamos contar.

— Eu concordo. – Responde, mas suspira em seguida. – Nove meses sem sexo, Daryl? É sério...

— E por último. A regra número cinco é que não importa o que aconteça, continuaremos amigos. – Interrompo Beth novamente, encarando-a com intensidade. – Mesmo com o fim do contrato, ainda podemos continuar confiando um no outro para o que quer que aconteça. Estamos de acordo?

Ela suspira e sorri com doçura, assentindo. Estendo minha mão e Beth me encara por alguns instantes, antes de se dar por vencida, apertando-a para fechar o acordo de ambas as partes.

— Sim. Ainda quero questionar sobre a regra da abstinência, mas concordo com as outras regras. – Responde a garota e eu reviro os olhos, mas acabo rindo. Ela também ri e me abraça, surpreendendo-me. – Obrigada, Daryl. Eu sabia que podia confiar em você.

E completamente rendido a doçura repentina de Beth, correspondo ao abraço. Eu não sabia o que estava para acontecer, mas confiava que onde Kyle estivesse, ele pudesse nos ajudar a enfrentar todas as dificuldades e desafios que estão por vir.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara