Contos sem Fadas

1 Sorte ou Desespero


Nevava intensamente naquela tarde de inverno, mas ainda assim eu suava. Estava toda molhada graças à neve que em mim havia derretido, porém já não me importava em ficar doente ou com o machucado em meu joelho que sangrava compulsivamente, escorrendo e manchando minha meia, fruto de diversos escorregões e tropeções que acumulei enquanto corria.

É engraçado pensar em como mudei, de uma garota ingênua e egocêntrica, para alguém que não pensa em si mesma. Hoje em dia, tudo o que importa para mim é a felicidade daquela pessoa, a mesma que agora deve estar me odiando, a mesma que agora corro para pedir perdão, apesar de não saber do que devo me desculpar.

De repente, eu o avistei, sentado em um banco de praça com a cabeça apoiada nas mãos e os cotovelos nos joelhos. Atordoada com a nostalgia daquela cena, tropecei em meus próprios pés e caí. Só então ele percebeu a minha presença, parecia assustado com o barulho que minha queda emitiu. Levantou-se rapidamente e nós nos fitamos paralisados. Eu caída no chão, toda suja, e ele lindo como sempre em pé ao lado do banco.

Já não podia mais me segurar, levantei-me rápida, porém atrapalhadamente e corri para seus braços cambaleante com lágrimas nos alhos. Ele continuava paralisado com a situação, quando o abracei e passei a soluçar em seu peito parecia indeciso entre chorar comigo ou me consolar.

O calor que seu corpo emitia era extremamente reconfortante e para minha sorte ou desespero ele me abraçou, apoiando sua cabeça sobre a minha. A... Como desejei aquele momento, quantos dias avoados e noites em claro passei sonhando com ele. Senti-me plena e realizada, nesta troca mútua de palavras não ditas, porém subentendidas finalmente compreendi meus sentimento.

Notas finais
Curtinho :3