Contos dos Caçadores de Sombras - O Ciclo
1 A Transformação de Luke, parte 1:
Notas iniciais
Nada Senão A Morte
Para onde ires, eu irei.
Onde morreres, eu morrerei, e lá serei enterrado.
O Anjo o fez para mim, mas também
Nada senão a morte partirá a mim e a ti.
– Juramento Parabatai
Idris, 2009
Para Luke era impossível não se emocionar com a visão de Clary e Simon, de frente um para o outro, recitando o juramento parabatai.
– Nada senão a morte partirá a mim e a ti – disseram Clary e Simon ao mesmo tempo.
O GARD estava cheio, enquanto Jia entregava uma estela para Clary, mal contendo sua alegria, marcar seu futuro parabatai.
•
Todos estavam escolhendo suas mesas no Salão dos Acordos. Mesmo depois de sua Ascensão, Simon continuava adimirado com a beleza do Salão. Parou para contemplar a estátua do Anjo, quando viu Clary se afastando de Luke, irritada.
– O que deu na Clary? – perguntou Simon, preocupado.
Luke soltou o ar que não sabia que estava prendendo e disse:
– Valentim...
Simon sabia que esse era o pai de Clary, mas não lembrava o que ele tinha a ver com o estado de Luke. Na verdade, isso de não lembrar muito das coisas o estava deixando nervoso.
– Sente-se – disse Luke – vou lhe contar uma história de lealdade e traição.
***
O outono já estava no fim e os primeiros flocos de neve já formavam uma fina camada na Planície de Brocelind. O Ciclo se dirigia à praça do Anjo, quando Valentim ergueu a voz e disse:
– Caros Nephilim, o Ciclo está formado.
– Sim, isso já sabemos – disse Stephen Herondale
– E em dois dias começaremos nossa campanha – falou Valentim, ignorando o comentário do amigo.
– Quem serão os primeiros coitados? – perguntou Stephen, sendo ignorado por todos, menos por Amatis, que não conteve um sorriso.
– Contra quem? – era a primeira vez que Lucian falava naquela reunião.
– Os Filhos da Lua – disse Valentim, orgulhando-se de si mesmo.
Robert Lightwood e Michael Wayland se entreolharam e compartilharam um risinho comum a todo parabatai.
– Se preparem, pois a batalha será longa e talvez nem todos voltem. – após ver a expressão dos outros, sorriu e acrescentou: — Não se preocupem, somos o Ciclo. O Ciclo de Valentim Morgenstern.
***
– Jace realmente tem a quem puxar... – disse Simon, olhando de soslaio para Jace, que com certeza tinha feito alguma de suas piadas sobre as roupas de Alec, fazendo Isabelle gargalhar e Magnus parecer irritado. Até a própria Clary, que até então não tinha dado um mísero sorriso, não resistiu as piadas do namorado.
– Infelizmente, as aparências enganam. – comentou Luke, cabisbaixo.
***
Após dois dias, a neve já cobrira Idris por inteira, e mais uma vez o Ciclo se reunira diante da reconfortante lareira no escritório da mansão Morgenstern.
– Hoje começaremos nossa batalha em honra ao nome e sangue do Anjo – disse Valentim, com um sorriso torto nos lábios – Parabatais, marquem-se! Pois não há marca mais forte do que uma feita pelo seu irmão em alma.
Enquanto Valentim marcava Lucian com a runa de força, este comenta: — estou confiante para esta batalha. – ao longe, fixou o olhar em Jocelyn, que incrivelmente ficava ainda mais bonita em seu traje de combate, deixando seus cabelos ruivos ainda mais vivos, como o fogo.
– Quem seria páreo para o Ciclo de Valentim? – responde Valentim, com uma tapinha, mal se permitindo demonstrar que percebeu os olhares do parabatai para a esposa.
Depois de aplicadas as marcas, dirigiram-se à Planície Brocelind, enquanto caminhavam, Valentim que estava ao lado de Lucian, diz: — Erchomai¹, Filhos da Lua.
A planície estava estranhamente silenciosa e o único som audível era a marcha do ciclo em diração a floresta. Valentim, desconfiado, deixou seus amigos tomarem a dianteira enquanto adentravam mais profundamente a floresta. Escuta-se o som de um galho quebrando.
– Cadê os cachorrinhos? – disse Stephen, com os braços abertos – nunca pensei que a licantropia deixasse as pessoas covardes a tal ponto.
De repente, um rosnado alto corta o silêncio. Um lobo enorme de pelo grafite salta de trás das árvores, com as garras e dentes àmostra.
Tão rápido quanto um leopardo, o lobo pula em cima de Stephen, porém um arco de luz branco-prateado degola a cabeça do canino, que cai imóvel sobre a neve, espirrando sangue no rosto de Stephen.
– Veni ² — disse Valentim, oferecendo a mão para levantar o outro.
– Antes tarde do que nunca – disse Stephen, rindo – mas espero que sangue de lobo faça bem à pele.
Com o primeiro lobo morto, o restante do bando atacou ensandecida e furiosamente, o Ciclo. A batalha se desenvolvia manchando o cenário branco de sangue nephilim, mas principalmente licantrope.
Robert, com a precisão de seu arco, atacava arduamente. Lucian e Valentim lutavam costa a costa.
– Barachiel – gritava Lucian, quando sua lâmina ganhava tons dourados, desferindo um golpe certeiro no lobo que pretendia atacar seu parabatai. Enquanto Phaesphoros, manchada de um tom escarlate, pingava o sangue de um lobo recem abatido, Lucian olha de soslaio para Jocelyn. Seu coração quase parou quando percebeu que um lobisomem estava prestes a atacá-la. Correu tão rápido quanto um vulto e atacou com destreza, partindo o lobo ao meio. Não sabia Lucian, que de modo sorrateiro, vinha outro licantrope atacá-lo.
– Atrás de você, Lucian!!! – disse Valentim, se virando e correndo para defender seu melhor amigo. Mas, no exato momento em que Lucian era mordido, uma dor lascerante tomou conta de seu braço, bem onde ficava a runa parabatai.
***
Simon mal pôde conter um gritinho de surpresa.
– Como você se sentiu? O que aconteceu depois? E Valentim?
– Calma! Se você se calar, posso contar o restante da história. – disse Luke, com um sorriso cansado.
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