Naquela noite chuvosa de março, eu escrevi uma carta.

E repassei em minha mente as imagens vívidas do que fizemos.

Como a primeira vez em que o vi, encostado perto da porta, naquela velha lanchonete da cidade, cantarolando blues, com as mãos sujas de graxa.

Dos vários passeios sentada no banco do passageiro do seu Mustang vermelho, sentindo o vento desgrenhar os cabelos e vendo o jeito que você sorria quando eu perguntava “Para onde estamos indo?” e você apenas devolvia a pergunta, dizendo: “Precisamos de um destino?”.

Lembro-me das noites em volta da fogueira, você tocava violão e eu dançava sob as estrelas.

E quando as pessoas da cidade nos avistavam, e cochichavam e me falavam que você era má influência, você me abraçava pela cintura e sussurrava “My little Scarlett Letter”, e sorria perversamente, um sorriso que eu poderia olhar por horas e horas.

Mas nessa noite chuvosa de março, eu não vejo seu sorriso. E não sinto seu abraço. O crepitar da lareira não acompanha acordes de violão e o céu está sem estrelas.

E enquanto eu corro os olhos pelas palavras recém-escritas, você corre para longe daqui, com seu Mustang vermelho, provavelmente sem destino, mas com um objetivo: me deixar para trás.