Contos de um velho caderno
6 Uma moto, uma velha mochila, e minha garota – Parte II
Você estava escorada em um muro no estacionamento de um antigo restaurante de beira de estrada. De bermuda e botas, usando óculos ray-ban redondo e mordendo os lábios vermelhos. Eu te observava de longe; enquanto pagava pela gasolina no pequeno posto que ficava ali próximo, você me esperava do lado de fora. Aquele momento, aquela imagem, parecia congelada em minha mente. Andei em sua direção silenciosamente, me aproximando sem que você percebesse, e sussurrei em seu ouvido:
– Está tentando me provocar?
Vi o canto da sua boca curvar-se em um sorriso, sem ao menos virar o rosto na minha direção. Depois de um momento de silêncio, você tirou os óculos e respondeu:
– Talvez.
Abracei-a pela cintura, puxando-a para perto de mim. Mais uma vez, o tempo pareceu congelar. Você abriu seus olhos verdes depois de um beijo, olhando dentro dos meus. Seu olhar era tão intenso que eu podia ver meu rosto refletido nele. Mais que isso; enigmático, voraz. Do tipo que faria me perder em seus olhos e, ao mesmo tempo, ser guiado por eles.
Depois daquele momento, subimos novamente na moto. Era hora de voltar. À medida em que avançávamos na estrada, a paisagem natural ia se modificando, e sabíamos que estávamos voltando à cidade. A vegetação era tomada por construções, mais e mais frequentes, até que atingimos o centro da civilização. Parei em frente ao seu prédio, e você me disse para entrar. Enquanto o pôr do sol coloria a cozinha de laranja, você preparava um chá. Um sorriso bobo enfeitava seus lábios e, só fui perceber mais tarde, os meus também. Depois de um tempo, você quebrou o silêncio:
– Me promete que faremos isso novamente?
Levantei do sofá e fui à sua direção, abraçando-a de surpresa:
– Um dia ainda vamos viver assim. – Sussurrei. – Viajando por aí. Cruzando estradas. Dormindo sob as estrelas. Apenas você e eu.
Você sorriu abertamente, e eu fiquei me perguntando quando isso aconteceria. Talvez, num futuro próximo, isso se tornasse nossa rotina diária, nossa vida. E eu esperava que esse futuro chegasse logo. Eu aguardava, ansiosamente, o dia em que eu sentiria novamente o aperto dos seus braços em volta da minha cintura.
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