Contos de um velho caderno
7 A espera
Naquela tarde fria de inverno, eu esperava você voltar. Enquanto andava pela casa, segurando uma caneca de chá quente que eu tentava beber aos poucos para manter-me calma, a velha vitrola num canto da sala rodava um disco, espalhando pelo ar algumas lentas e apaixonadas canções de Elvis. O trem chegaria às sete. O relógio-cuco na parede marcava três. Regularmente eu ia até a janela embaçada pela neblina e esperava avistar o trem ao longe. Mas ainda havia um bom tempo para esperar.
Há quatro meses você estava longe.
Há quatro meses a agonia da guerra nos separava.
Mas agora, minha espera fora reduzida a quatro horas. Horas que pareciam séculos, que aumentavam meu desespero por vê-lo. Eu rezava e alimentava a esperança de que você estaria exatamente como no dia em que o vi partir na plataforma da estação. Mas um terror crescia dentro de mim a medida que os minutos lentamente se arrastavam. Eu pensava nos combates, nas bombas, nos feridos, e torcia para que você não estivesse entre eles.
Naquele dia, você me entregara uma margarida e me dera um beijo de despedida antes de embarcar no trem. A flor, eu ainda mantinha dentro de um copo de vidro, mas a vida nela há tempo se esvaíra.
Então, depois do que pareceu uma eternidade, o cuco marcava quinze para as sete. Vesti um casaco e um par de luvas, me agarrei às minhas esperanças e meus temores, e marchei à estação de trem.
O tempo parecia não mais passar. Outras jovens esperavam na plataforma, algumas carregando crianças. Mulheres mais velhas esperavam os filhos, retorcendo as mãos e olhando constantemente para o relógio. Irmãs e irmãos mais novos, todos silenciosamente compartilhando da mesma agonia.
Enfim, o apito do trem ao longe quebrou o silêncio. Cada vez mais próximo, o som aumentava à medida que o trem apontava na curva. Mal parou na estação, as portas dos vagões se abriram e vários soldados saíram, estampando sorrisos, os rostos iluminados ao verem os familiares e correrem para seus abraços.
Em meio à multidão, eu me esticava, procurando-o, sem conseguir encontrá-lo. Minha aflição crescia a cada minuto em que eu via os soldados se dispersarem, e não encontrava o seu rosto. Então, um som veio de trás de mim, chamando minha atenção, chamando meu nome.
Sua voz.
Virei-me e o vi. O rosto iluminado, aquele seu sorriso aberto e os olhos claros. Corri em sua direção, e você me abraçou com força e me ergueu no ar. Ali, agora sim, eu tinha a certeza de que o tempo parara. Mas enquanto eu estivesse olhando dentro dos seus olhos, eu não precisaria que ele corresse.
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