Contos de um velho caderno
5 Uma moto, uma velha mochila, e minha garota
Naquele fim de tarde, enquanto olhávamos o sol se pôr por trás da cidade, sentados no terraço, eu propus uma aventura.
“Vamos sair daqui”, eu falei. “Ir para qualquer lugar novo, sem destino, e só voltar quando tivermos vontade”. Você concordou na hora, e no dia seguinte eu te peguei na porta da sua casa bem cedo, com o céu ainda em gradativos tons de azul, cada vez ficando mais claro, até que a última estrela desaparecesse por completo.
Você subiu na minha moto, com apenas uma mochila velha nas costas e aquela roupa que eu tanto gostava, e logo já estávamos longe dali. O som do vento nos ouvidos, aquelas paisagens inesquecíveis e o aperto dos seus braços na minha cintura me faziam querer nunca mais tirar aquela moto da estrada.
Por fim, encontramos um lugar. Pacato, distante, secreto. De todos os belos lugares por que passamos, aquele ali parecia inexplicavelmente aconchegante, especial.
Quando o dia foi se acabando, assistimos ao pôr do sol. Era incrível pensar que, vinte e quatro horas atrás, estávamos naquele terraço, em nossa cidade. Porém, não importava o quão longe de casa estivesse, eu encontraria um lar desde que tivesse você ao meu lado.
O sol se foi, e o ar ficou mais frio. Eu te dei minha camisa, que ficou enorme em você. “Poderíamos viver assim”, pensei, e enquanto eu divagava, você me tomou pela mão e me levou a um gramado onde deitamos para olhar o céu. E ali, longe de tudo e de todos, sem as luzes da cidade, a noite acendeu as estrelas.
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