Contos de um velho caderno
15 Quatro de Julho
A banda marchava, os risos estavam estáticos e as pessoas pareciam congeladas no tempo.
Tudo que havia naquele momento era você e eu, correndo, abrindo caminho entre a multidão.
Eu a puxava pela mão, e você se divertia, tentando afastar os fios de cabelo que insistiam em lhe cair sobre o rosto. Seu sorriso, aberto e despreocupado, era o mais lindo que eu já vira.
Nós corríamos por entre faíscas acesas, todos os sons abafados, todos os movimentos que pareciam esperar um minuto para que passássemos, e as luzes da cidade que entravam e saíam de foco diante dos olhos.
Enfim, chegamos ao fim da avenida e subimos aquela pequena colina, que parecia ter reservado um lugar especial para dois. Sentamos ali, meus braços em volta do seu corpo, nossas respirações ofegantes, e seu sorriso, tão largo e tão vívido que eu poderia emoldurar e colocar numa parede.
E então, os fogos subiram ao céu, lançando suas cores sobre nós, apagando por um instante as luzes das estrelas, e enchendo seus olhos ainda mais de brilho.
Fale com o autor