Contos de um velho caderno
12 Faces pálidas
Eu a vi escorada na parede da loja de discos da esquina, em um dia frio e cinzento de outono, usando um suéter lilás. Havia algo caloroso e enigmático em seus olhos castanhos, e um sorriso travesso brincava em seus lábios.
Atravessei a rua indo em sua direção. O café que eu segurava deixava o ar vaporoso à minha volta, e o seu rosto em meio à fumaça parecia flutuar. Você lentamente desencostou-se da parede e foi até a porta da loja, seus passos descontraídos, seu balanço atingindo-me como uma melodia, ou como a suave brisa do mar.
Eu a alcancei e abri a porta para que entrasse. A atmosfera do lugar era acolhedora, eu puxei assunto e você respondeu. Logo estávamos conversando, e eu me perguntando que segredos escondiam aqueles olhos que me encaravam tão profundamente. Quando enfim você perguntou por que entre tantas garotas você chamara minha atenção, eu dei de ombros e respondi: “Dentre todos aqueles rostos pálidos e tristes, você foi o único que sorriu”.
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