A cama no chão está desarrumada.

O sol deixa suas marcas nas paredes brancas,

Luzes tênues e oscilantes.

Sobre a bancada perto da janela, uma infinita bagunça de lápis e papéis.

Além dela, eu vejo a cidade.

Seus braços em volta do meu corpo me acalmam.

Sua respiração quente repousa em meu ombro.

Seus lábios úmidos que como plumas roçam meu pescoço.

No ar, o cheiro do café esperando para ser bebido.

E a brisa fresca que entra pela janela e deixa meu rosto rosado.

Minha bolsa está na cadeira junto à porta, ao lado do seu casaco, ambos na espera do início de mais um dia.

Que ao final nos encontrará novamente à janela, observando as luzes da cidade, diante de uma fumegante xícara de chá.

Uma cena que, em minha mente, parece tão enevoada quanto maravilhosa.

Certamente não é uma memória, pois não representa o passado.

Ah, esta imagem tem as cores suaves e um brilho excessivo.

E os contornos são tão incertos quanto o próprio futuro.