Contos de um velho caderno
14 Balada do coração partido
Notas iniciais
Ela tentava desviar os pensamentos
Sentada em cafés, lendo livros de comédia ou ficção científica
Porém sua mente estava em outra estância
E sua boca já não mais sorria.
Ele fugia das memórias que o assombravam
De madrugada, quando só ele via
O rosto daquela que amara
Agora tinha os olhos vagos e a expressão fria.
Ela andava pelas ruas taciturna
Cabeça baixa, vagando perdida
Envolvida num som que só ela ouvia.
Balada do coração partido.
Ele andava pelos parques à deriva
Mãos nos bolsos, chutando as folhas caídas
Preso numa imensidão vazia.
Balada do coração partido.
Numa tarde qualquer no fim do outono
Ambos tristes, o mesmo caminho seguiam
Em um encontro por acaso, ela ergueu os olhos e ele, sorriu
Naquele instante de encanto, eles jamais imaginariam
Que seus corpos partilhavam da mesma sintonia
Mergulhados no balanço
Da balada do coração partido.
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