Contos de um velho caderno
4 Aquela música
Era por volta de meia noite quando a banda que animava o local fez uma pausa. As pessoas que dançavam pareceram momentaneamente perdidas, algumas se dirigindo às mesas para sentar-se. Então, logo em seguida, o vocalista anunciou que a banda tocaria algumas músicas lentas.
Reconheci a canção de imediato, assim que as primeiras palavras foram cantadas:
“I got sunshine, on a cloudy day…”
Distraí-me, olhando os casais dançarem no centro do salão. Voltei o olhar para frente, e sua mão estava estendida na minha direção. Hesitei, mas por fim deixei que me guiasse até a pista de dança.
Você me olhava entorpecido, e enquanto nos embalávamos naquela melodia, você disse, em meio a um suspiro:
“Baby, there’s no such thing as your eyes”.
Sorri, reconhecendo aquilo. Aqueles pequenos elogios falados em inglês, para que só eu pudesse ouvir. Balancei cabeça, encarando-o, e lhe disse em resposta:
“Oh, darling, you have me so easily”.
Por um segundo, aquilo foi tudo. Permanecemos em um silêncio confortável, preenchido pela música. Então, no momento seguinte, você me puxou para mais perto. E naquele instante, eu desejei que pudesse parar o tempo e viver aquilo pelo resto da eternidade.
Porque, naquele instante, não havia mais casais dançando. Não havia conversação. Não havia nenhum obstáculo ou distância que pudesse nos separar. Havia apenas eu, você, e aquela música.
Fale com o autor