— Escovas e pasta de dentes, pente, pijama, sutiãs, calcinhas, calças, blusas, agasalho, roupa térmica, botas de neve, livros para ler na viagem...mais alguma coisa pássaro? – ele se virou para meu bonsai. – Ah! Claro! Como vou fazer com o bonsai? A árvore de sakuras (vulga cerejeira) precisa ser regada pelo menos de dois em dois dias no inverno, como faz? – perguntei ao pássaro.

Ele voou para a cozinha e sumiu no “quartinho de bagunça”. Após um minuto voltou com uma caixa em forma de cubo com arestas medindo 15 cm (sim, era bem maior que o animal a caixa, até agora pergunto-me como ele consegui carregá-la), cuja faces estavam com escritos em letras garrafais “Regador automático”

— Nooossa! Tinha esquecido complemente disso! Domo (uma maneira de dizer obrigada em japonês) – aquilo havia sido um presente de meus pais. Agora que estava morando sozinha e passava o dia inteiro estudando era difícil regar sempre o bonsai. Entretanto eu sempre dera um jeito de regá-lo, nem que fosse as 5:30 da manhã. Porém agora viria a precisar daquele esquecido presente.

— Nada como a tecnologia – disse após instalara o regador no bonsai de sakura.

Certifiquei-me de que todas as janelas e cortinas estavam fechadas, tudo nas malas, todas as chaves comigo, celular, anel. Ah sim, e as passagens (é bom eu revisar as coisas, tenho o costume de esquecer-me facilmente de tudo >.<´). Agora sim, peguei minhas malas: uma grande de rodinhas em cores amarela e laranja e uma de costas, índigo com preto, com acessórios básicos (revistas, livros, celular, um coisinha que é mil vezes melhor que Ipod, comidas e remédios – caso viesse a precisar), e fui-me embora, se olhar para trás. Não sabia, não tinha a menor noção de quanto tempo ficaria fora de casa, mas a ideia de passar seja lá quanto tempo no Japão não me era desagradável.

------------------------------------------------ E o tempo passa -----------------------------------------------------

Meu alívio ao desembarcar do avião foi tamanho! Quase tão bom quanto tomar um banho após semanas sem tomar, ou tão aliviante quanto encontrar um banheiro após ficar horas “apertada”, ou achar aquela bala de semanas atrás no bolso quando se está morto de fome.

Além do alívio outras emoções tomaram conta de mim: a alegria de ver que eu entendia a maioria dos kanjis das placas de avisos (o/ as aulas não foram em vão!); a sensação de estar descolada, afinal, eu era uma loira de olhos esverdeados em meio um mar de japoneses; e o “maravilhamento” de estar no lugar que sempre admirara, sempre amara, mas nunca vira com olhos nus. Eu estava no Japão!

Fui até a esteira rolante para pegar minha bagagem e, OMG! Como japonês é um povo educado! (Nada de empurra empurra como quando fui para o Brasil a passeio, aquele aeroporto de São Paulo da até medo de tanta zona!) Avistei minha mala, o que não era muito difícil, uma vez que não se viam muitos malas amarelas e laranjas por ai.

Sairia do aeroporto como uma criança retardada, correndo e pulando, na ansiedade de ver o Japão logo. Entretanto fui impedida. Um homem alto, de terno e gravata, camisa laranja com cabelos pratas e arrepiados me impediu. Melhor, eu me impedira ao esbarrar nele. Em minha ânsia não o vi e bati com tudo nele, voando poucos metros para trás, até cair de bunda no chão.

— Iteee! – falei eu assim que senti o impacto

— Oh, sumimasen – disse o moço que devia ter uns 30 e poucos anos.

— Gomenasai- disse eu abrindo os olhos.

— Ahh!! É você! – o senhor disse com um certo alívio no voz e um sorriso radiante nos lábios.

— Hãm? Eu? – WTF is going on here?? o.õ

— Por algum acaso a senhorita é Gokudera Ran? – perguntou estendendo-me a mão, oferecendo ajuda para levantar-me.

— Ha-hai... co-como o senhor sabe? – perguntei hesitante, como ele sabia???

-Yoooshii!! Achei! Ran-san – apontou ele para mim – você virá comigo! – falou ele. Mlehor, gritou ele.

— O-O – eu já de pé.

— Ahh, sim, esqueci de me apresentar. Eu sou Sasagawa Ryohei! Gokugen!!!

— O.O, desculpe-me, ah, Sasagawa-san, mas...era pra eu conhecer o senhor? – neste momento estava mais perdida que cego em tiroteio.

— Não :D – e ele era drogado ¬¬

— En-então...

— Mas o seu tio me conhece :D – ele era mesmo drogado! “¬¬

— Qual tio? – até onde eu saiba nem meu pai nem minha mãe tinham irmãos. Será que até no Japão eu não escaparia dos seqüestradores?

— Seu tio de segundo grau, Gokudera Hayato, o tako head.

— Tako o quê?? – já sei! Deve ser cola de sapateiro estragada!

— Cabeça de polvo :D.

— Ah. Entendi...Primo do meu pai, isso?... Peraí! Como assim??

— Bem, mas vamos indo, que lhe explicarei no caminho. – disse ele virando-se e andando em direção a porta de saída. Ei! Ele pegou minha mala??

— Opa! Peraí. Isso é meu! – disse eu correndinho e segurando com força minha bagagem amarela – Eu não disse que vou com o senhor e, com todo o respeito Sasagawa-san, o senhor pode até conhecer meu tio — que por sinal eu não sabia que existia até este momento — mas não quer dizer que seja de confiança.

— Aiaii. Eu tenho tanta cara de sequestrador assim? – perguntou ele com certa decepção na voz.

— Nem tanto, mas melhor não arriscar.

— Tudo bem – suspirou ele – mas se você não vier comigo, vão querer me matar, principalmente o Tako head.

— E eu me importo – disse com deboche.

— Realmente, puxou o tio mesmo >.< ... – disse como se estivesse falando sozinho – só não sei como tem atributo da Sol e não da Tempestade...

— Hãm? Atributo?? – WTF is that?

— No caminho eu te explico – disse pegando novamente minha bagagem amarela.

— Ei! Mas eu dis.. – ia protestar de novo, dizendo que não iria com ele, mas não pude terminar minha frase, uma vez que Sasagawa-san pegou-me e colocou minha barriga em seu ombro, fazendo com que minha cabeça batesse levemente em suas costas – Itte! Aahhh!! Me soltee!!

— Se não vai por bem, vai por mal – disse com certa empolgação na voz.

— Seu sequetrador maldito! Me soltee!!!! – eu berrava enquanto batia com os pulsos fechados em suas costas, e o aeroporto inteiro me olhava.

— Pegar a nova Guardiã do Sol no aeroporto, completo! Agora, ao QG, GOKUGEN!!! – e saiu pela porta gritando eufórico, carregando a mim e a minha mala.

Colocou-me no carro, entrou do outro lado e disse:

— Agora sim, a família do 11º Vongola está completa.