Contos Românticos
4 Don't touch me please
Notas iniciais
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Mary — Adelaide Kane
Jake — Chris Wood
‘Como uma simples doença pode nos fazer ficar presos aqui?’
‘O que eu to fazendo aqui?’
‘E por que eu tinha que encontrar ela aqui?’
Respirei fundo, virei meu corpo para o lado no colchonete que o hospital tinha nos fornecido e vi que todos estavam dormindo, menos eu.
Fazia três semanas que estávamos presos no hospital, em quarentena, enquanto a OMS tentava dizer que tudo estava bem para o população presa, eles também não faziam ideia do que estava acontecendo. Fazia três semanas que fiz minha última missão, trazer um paciente para o hospital analisar, fazia três semanas que eu a havia conhecido.
Mary, cabelos castanhos, olhos cor de mel, corpo magro e sempre com um sorriso no rosto. Não sei como ela está aguentando, eu estou ficando louco. Mary é estudante de medicina e veio para assistir um plantão com seu professor e descobriu que não voltaria mais para casa, assim como eu.
Ao pensar, novamente, que ainda faltava dias para eu voltar para casa, a raiva que sentia sobre Alex fez meu sangue subir, minha cabeça doeu e eu tinha que levantar da cama. Bufei, joguei as pernas para fora de cama e fui para o chuveiro esfriar a cabeça.
Tirei minha farda — a única roupa que tinha ali — sorri levemente ao lembrar que Mary pegou a roupa de todos e lavou, falando que estávamos fedendo. Liguei o chuveiro e deixei a água cair. Como estava em um hospital, nos deram o banheiro dos funcionários, três chuveiros compartilhados, só uma cortina de plástico branco separando cada uma.
Ao sentir a água gelada cair no meu corpo,respirei fundo, deixei que todos os meus pensamentos fossem embora com a água indo para o ralo. “Você é melhor do que isso.” Mary me disse quando desabafei. “Você acha que seu amigo realmente te colocou aqui de propósito?” Não, não acho, mas eu tinha que descontar minha raiva em alguém.
Ao bufar novamente senti a cortina nas minhas costas, não, uma mão estava me tocando e a cortina nos separava.
Não tive que me virar para saber quem era.
Mary passava a mão por toda as minhas costas, como uma criança descobrindo o mundo, e eu deixei, eu queria aquilo, para ser sincero. Eu queria muito mais.
Me virei lentamente, e logo procurei sua mão com a minha, senti o plástico molhado da cortina. Porém, eu também podia sentir seus dedos, tive a impressão de ser macios, queria poder arrancar aquela cortina no meio.
Nós nos acariciávamos inteiramente com a cortina entre os dois. O desejo e o medo de ficar doente ou de adoecer o outro se misturavam enquanto nossas mãos dançavam pelo corpo do outro.
Toquei seu rosto, ela não se mexeu, apesar da cortina atrapalhar sua respiração, ela não reclamou. Nosso desejo ultrapassou o medo e eu a beijei, com a cortina no meio. Ela retribuiu, se afastando alguns segundos para respirar. Nossas mãos voltavam a brincar pelo corpo do outro e, apesar do plástico ser extremamente fino, eu queria poder tocá-la de verdade.
Mas não posso, não nessa quarentena, não nesse hospital.
— Um de cada vez no banheiro! — O Senhor Fernando gritou do quarto. Velho chato.
— Eu vou sair. — Ela sussurrou, pude sentir seu hálito quente.
— Vamos superar isso. — Falei sem pensar, sem ao menos perceber, Mary estava sendo a minha força naquele hospital.
Ela concordou, beijou-me mais uma vez e seu toque saiu de mim completamente. Não consegui disfarçar, ou ao menos querer demorar mais no banho e sai. Fernando me julgava enquanto saia do banheiro sacudindo o cabelo, o ignorei e olhei para Mary.
Ela ainda estava acordada, tentava fazer uma criança dormir. Ela me olhou e sorriu, meu coração disparou. Sempre me pegava imaginando nossas vidas fora desse hospital. Deite-me em meu colchão e esperei ela ir para o dela, a observando. Finalmente a criança dormiu e ela se deitou virada para mim.
Nossas camas estavam de 1 a 2 metros de distância — como o hospital mandou — mas eu pude sentir que nossos corações estavam tão juntos que podiam estar usando o mesmo espaço.
— Eu nunca beijei com uma cortina no meio. — Ela sussurrou rindo, envergonhada. Pude ver suas bochechas ficando vermelhas.
— Eu também não. — Falei baixo, também rindo.
— Jake. — Ela falou séria. — Tenho medo de quando sairmos daqui nossa ligação não seja a mesma. — Seu sussurro foi mais baixo do que o primeiro, coloquei luvas nas mãos e peguei nas dela, que já estavam de cobertas.
— Não seja boba. Por que fala isso?
— Não sei. — Ela riu nervosa. — Você é bonito, policial, mais velho. O sonho de toda garota.
— Eu sou seu sonho? — Quis quebrar o clima, não gostava daquele tipo de conversa, mesmo deixando claro para Mary meus sentimentos. Ela riu, mais nervosa ainda e levantou a mão, querendo me dar um tapa.
— Você sabe o que eu quis dizer. — Ela respondeu, eu respirei fundo.
— Sei, mas quando falei pra você no corredor que não vejo mais meu futuro sem você, eu falei de verdade. Você acha que eu vou fugir. — Ela não expressou sentimentos enquanto falava. — E se estamos nos confessando, eu até poderia, mas antes. Eu sou um novo Jake aqui, eu mudei, você me fez mudar.
Mary ficou calada, pensativa, olhava para nossas mãos com luvas entrelaçadas.
— Posso confiar nesse novo Jake?
— Inteiramente — Respondi, eu queria beijá-la, confortá-la, mas a proteção e o medo contra essa nova doença mortal sempre falava mais alto.
Esperei Mary soltar minha mão pelo sono profundo, por ter insônia e por sentir que deveria protegê-la. Naquela noite, quando finalmente consegui dormir, sonhei com o chuveiro. Contudo, ela estava tomando banho e eu estava do lado de fora. Mary estava de costas e eu a toquei, com a cortina entre os corpos, porém, logo entrei no chuveiro com ela. Ela riu, jogou água na minha cara, eu ri também, meu coração transbordava uma felicidade que nunca senti. Seu olhar mudou, ficou maliciosa, seu corpo nu se aproximou do meu e eu a entrelacei entre meus braços.
— Finalmente.
Nossos lábios se tocaram, sem cortinas para atrapalhar.
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