Contos Românticos
5 You know when you're ready - part one
Notas iniciais
Luciano — Jacob Elordi
Melissa — Bianca Andrade
Não sei quando começou, se foi no nosso beijo na festa dos jogos das faculdades de medicina, se foi quando senti aquela faísca que não senti por com mais nenhuma mulher ou se foi pelo fato dela não me deixar fazer mais nada além de um beijo, talvez eu tenha um ego sensível. Eu só sei que não conseguia parar de pensar nela.
Ficamos na festa de despedida, a faculdade dela tinha ganhado, ela tinha ganhado na natação. Ela pulava e dançava sem se preocupar com os outros, eu fiquei hipnotizado ali. Seu corpo mexendo com o ritmo da música, seus cabelos longos e pretos balançando de acordo com seus movimentos, até que ela fez um coque, seu sorriso, eu me perguntei o que ela estava fazendo na outra faculdade e não na minha.
Ela aceitou ficar comigo, nada mais. Nesse tipo de evento, estudantes com seus hormônios e estresses por causa dos jogos liberava passando a noite uns com os outros, sim, desse jeito que você está pensando. Mas ela não, quando ofereci irmos a um lugar menos barulhento, ela se assustou e começou a falar repetidamente que tinha que ir. Não insisti, eu sou um cara que respeita as mulheres, se ela diz não, é não.
Porém, duas semanas depois, estou aqui, parado na entrada da faculdade dela. Ela de alguma maneira descobriu meu telefone e eu descobri que seu nome era Melissa, ela me chamou para conversa, eu poderia ter recusado, poderia ter mandado ela ir catar coquinho, mas eu estava intrigado e ela não saia da minha cabeça desde nosso beijo, queria saber o que ela queria. Então estava aqui.
Melissa tinha mandado mensagem dizendo que sua aula estava acabando e me encontraria em frente ao auditório principal. Demorei para achar esse auditório e entendi porque seria lá quando achei, era afastado do prédio de aulas e tinha um belo jardim de flores a sua frente.
Um pontinho dentro de mim se animou, talvez ela queria fazer uma parte dois da festa. Logo balancei a cabeça em negação, com vergonha de mim mesmo. Para de pensar besteira Luciano. Assim que eu me sentei em um banco ela chegou, me fazendo levantar. Sem maquiagem, de cabelo amarrado e um moletom folgado eu ainda queria beijá-la. Ela sorriu, falou pra eu me sentar e sentou-se na minha frente.
— Oi. — Nos cumprimentamos com um beijo no rosto. Percebi que ela estava nervosa, ansiosa para falar a verdade. Ela bufou logo depois de falar.
— Vou ser bem direta com você. — Meu corpo congelou de tensão, o que poderia ser? Ela continuou. — Não sei porque diabos estou fazendo isso, mas uma coisa que aprendi nessa vida é seguir meu coração. Então… — Melissa respirou fundo. — Eu te recusei naquela festa porque eu fiquei nervosa…
Prendi a risada por causa de sua seriedade, era aquilo o assunto? Eu relaxei, estava prestes a falar quando ela continuou.
— ...fiquei nervosa, porque...porque eu sou...virgem, eu sou virgem. E eu não queria perder minha virgindade ali, rola muita putaria.
Fiquei tenso, a vontade de rir foi substituída por confusão. Deveria estar explícito na minha cara, porque quando ela me olhou, já foi se explicando.
— Eu realmente não sei porque estou fazendo isso, me explicando pra você. Sério, eu nunca fiz isso, mas eu estava sentindo que deveria e, como eu te falei, eu aprendi a escutar meu coração.
— O que achou que eu iria fazer com você? te forçar a transar comigo? — Foi a primeira pergunta que me veio na cabeça.
— Não, não, não é isso. Não achei ou acho que iria me forçar a nada. Foi só nervosismo na hora. — Ela abaixou a voz. — Me desculpa se te ofendi com isso.
Passei a mão no cabelo, tentando entender tudo. A maioria das meninas com que fiquei caiam aos meus pés, faziam tudo que pedisse, fiquei desconfiado com a recusa tão nervosa de Melissa, mas nunca imaginei que uma conversa como essa aconteceria.
— Não me ofendeu, eu...eu só tô confuso.
— Apesar de ter te chamado, eu também estou. Nunca me senti assim, tô até tremendo, olha. — Notei que ambas as mãos dela estava no casaco, quando ela tirou eu vi seu tremor constante.
Olhei nos olhos de Melissa, ela pedia compreensão em seu olhar e que eu não saísse correndo rindo dela. Seu olhar era um livro aberto, tinha experiência em ler olhares de garotas. Bufei, tentando acalmar meus pensamentos.
— O que quer fazer?
— Tá perguntando pra mim? — Ela sorriu tímida, o sorriso mais lindo que já vi em toda minha vida. Confirmei.
— Quer começar do zero? — Perguntei sem pensar, esta pergunta pode significar um monte de coisas seu babaca, basicamente esta pedindo ela em namoro.
— Você quer começar do zero? — Ela perguntou com a voz trêmula, falando devagar, para não gaguejar.
— Não sei. — Eu ri, nervoso.
Ficamos em por um tempo, tentando não nos olhar. Quando ela olhou para as flores no jardim eu a olhei. Melissa estava pensativa, suas mãos voltaram para o casaco. Em me sentia nadando para mais fundo de um grande morro de papel, ao mesmo tempo que queria sair, queria entrar mais no fundo.
— Vamos fazer assim. Vamos marcar outra conversa, daqui um tempo. você pensa, eu penso e ai veremos se ainda dá pra começar do zero. — Era uma boa ideia, eu precisava entrar na em um consenso comigo mesmo e parar de querer ficar e fugir ao mesmo tempo.
— Pode ser. — Respondi.
Marcamos nosso novo encontro para daqui duas semanas, um tempo relativamente longo para eu poder pensar no que tinha acabado de acontecer. Quando o assunto acabou perguntei sobre a faculdade, como ela funcionava, como era o prédio. Melissa acabou me dando um tour por todo o campus de medicina e eu desejei que o prédio fosse maior.
No decorrer dos dias eu tentava entender Melissa, o porquê dela fazer o que fez. Perguntei para amigas e até para a minha irmã.
— Se ela foi honesta dessa maneira com você, é porque na festa não foi um simples beijo. — Ela respondeu.
Os dias passavam e eu me sentia mais decidido em começar de novo com Melissa, droga, até começar a namorar se ela quisesse. Meu coração batia mais rápido com o aproximar da data de nosso encontro.
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Eu estava morrendo de fome, mas não conseguia comer o sanduíche na minha frente. Eu odiava ser ansiosa. Luciano confirmou comigo um dia antes e hoje ele disse que atrasaria um pouco por causa de um caso que surgiu e ele queria acompanhar. Eu entendia, nós somos estudantes de medicina, qualquer oportunidade de aprender algo novo e inusitado a gente tá dentro.
Tentava não olhar pra trás e ver Raquel atrás de mim, observando. Ela ainda achava que Luciano iria me atacar ou me sequestrar, sem falar que me chamava de idiota por ter feito o que fiz. Não conseguia me defender, nem eu entendia muito bem o que fiz. Dentro de mim, eu acho que só não queria perder uma chance com ele, quando que um cara alto, musculoso, sorriso galã iria querer ficar comigo? Só nos jogos mesmo. Sem falar no sentimento que rolou quando nos beijamos, tinha me esquecido de tudo ao meu redor, só tinha eu e ele e fogos de artifício. Espero que ele tenha sentido também.
Melissa, toda boba apaixonada.
Comecei a rir de mim mesma, finalmente mexendo no sanduíche quando alguém senta na minha frente.
Soltei o sanduíche imediatamente.
— Demorei? — Ele sorria mostrando todos os dentes, me segurei para não me derreter toda. Fiz não com a cabeça.
— Acabei de chegar. — Sorri de cabeça baixa agradecendo a Deus pelo meu sanduiche ser natural e frio, para ele não perceber quanto tempo estava ali.
Ele pediu um sanduíche também, enquanto perguntava para ele sobre o caso inusitado. Ele me contava empolgado, parecendo uma criança que vai ao parque pela primeira vez, eu relaxei, conseguindo comer — meu estômago agradecia — quando a comida dele chegou, ele deu um baita mordida e falou depois de engolir.
— Apesar de ser incrível, não estamos aqui para falar do meu caso. — Corrigi minha postura, que já estava toda torta. Pigarriei.
— Não. — Falei de cabeça baixa.
— Melissa, olha pra mim. — Pensei que ele não tinha notado que eu estava tentando evitar contato visual, para ele não perceber que eu estava tendo uma queda por ele. Mas, obedeci.
Seus olhos castanhos encontraram o meus e a sensação de estarmos sozinhos voltou, tudo ao redor ficou embaçado. Estavam preparando os fogos, ele sorriu, soltou o sanduíche e procurou minhas mãos. Entrelaçando-as. Da mesma maneira que nossa diferença de altura era enorme, minha mão ficou coberta pela a dele.
— Eu talvez tenha entendido suas razões para me dizer o que disse…- O interormpi.– Que bom, então me explica? — Eu ri, ficando mais nervosa. Meu cérebro parecia entrar em pane, o que estava acontecendo??
Ele riu e eu quase me derreti na cadeira com a beleza de seu sorriso.
—...Eu disse talvez. — Ele riu e continuou. — Não consegui parar de pensar em você e na sua conversa desde que sai da faculdade naquele dia… — Meu coração acelerou, eu não conseguia dormir por causa dele e, quando conseguia, Luciano invadia meus sonhos com seus sorrisos e olhar, quase reprovei um prova por causa dele. — ...eu ainda quero começar do zero, você ainda quer?
— Quero. — Respondi sem ao menos pensar nas possibilidades. Ele sorriu e se aproximou para me beijar,
Os fogos foram acesos e explodiram ao simples toque de nossos lábios. Ficamos um tempo ali, seu hálito era frio com gosto do sanduíche e eu só esperava que o meu estava tão bom quanto o dele.
Quando nos sentamos, ele mudou de lugar, sentando do meu lado e voltou a me beijar. Agora suas mãos estavam em meu pescoço enquanto eu acariciava seu braço musculoso com as minhas. Sua língua brincava com a minha em harmonia e eu só parei de escutar os fogos ao fundo quando Raquel gritou.
— AE AMIGA! PEGA ELE!
Parei de beijá-lo imediatamente e encostei minha cabeça em seu ombro, rindo envergonhada.
— A gente tinha plateia? — Ele perguntou sem ar.
— Desculpa, ela pensa que você vai me sequestrar. — Falei ainda rindo em seu ombro. Nossas olhares se encontraram e ele riu malicioso.
— Talvez ela esteja certa.
Sai desengonçada com ele me puxando, joguei um beijo para Raquel e deixei meu sanduíche com mais da metade intacta.
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