Contos Macabros
1 Luzes na Neblina.
Minha casa fica no subúrbio de uma pequena cidade do nordeste. Lá não é seco, na verdade chove bastante, principalmente de dia. Várias enchentes acontecem, geralmente de 3 em 3 anos, mas são besteiras.
Naquele dia estava uma garoa, realmente. Eu estava no sofá brincando com meu celular novo, meu pai o havia comprado em uma promoção.
Eu nem pensava em sair de casa, não pela chuva, mas sim por causa da preguiça. Eu pude escutar os passos duros de minha mãe passando pela sala e chegando até meu quarto. Ela abriu m pouco a porta e eu pude ouvir o rangido. Virei um pouco à cabeça e vi que ela estava sorrindo.
- Filha, eu e seu pai temos que resolver algo no banco, em outra cidade, quer ficar na casa de sua tia?
Eu engoli em seco. Minha tia Rose era legal, mas sua casa ficava no fim do mundo, perto da autoestrada.
- Tudo bem. – Eu respondi, guardando meu celular no bolso.
Minha mãe e meu pai me conduziram até o carro e eu pude ver uma neblina se formando na rua. Eu coloquei o cinto e pude escutar o relaxante barulho do motor ligando. Demoraram uns 10 minutos para chegarmos à casa da tia Rose. Ela já estava na porta, me esperando com um sorriso. Mamãe ligou para ela, era óbvio.
Eu pulei do carro e a abracei, com certeza teria um belo bolo de chocolate me esperando em cima da mesa, eu já estava com água na oca.
O carro de meu pai partiu pela estrada e nós entramos em casa. Realmente havia um bolo me esperando em cima da mesa, depois de comer um pedaço fui assistir televisão, mas ela não pegava.
- Tia... – eu a chamei e ela veio rapidamente, estava com uma bolsa e um casaco.
- O que foi Lucy?
- A televisão não quer ligar.
- Ah, é por que acabou de faltar energia, querida.
Bom, era horrível ficar sem luz, mas eu tinha meu celular pelo menos.
- sim, tenho de ir ao supermercado, consegue ficar sozinha?
Eu resmunguei mentalmente, eu já era grandinha, nem precisava ter perguntado.
- Claro, tia Rose.
Ela bateu a porta e eu escutei o barulho de sua picape ligando. Acomodei-me no sofá e liguei meu celular, mas a bateria tinha descarregado. Droga tinha deixado meu carregador em casa.
Andando sem rumo pela casa da tia Rose eu achei uma estante cheinha de livros.
Peguei o primeiro que vi e acomodei-me ainda mais no sofá e abri o livro. Era de histórias de terror, tudo bem, pois eu adorava desse tipo.
Escutei um barulho do lado de fora e espiei pela janela. Estava chovendo forte, além de uma neblina que tomava parte da autoestrada. Já haviam acontecido muitos acidentes e eu estava com medo. A neblina tomava também conta de todo o jardim de minha tia, dando um ar sinistro ao lugar. A chuva batendo nas vidraças das janelas me relaxava, mas o medo era maior.
Procurei-me acalmar e fui até a cozinha tomar um copo de água.
Um raio caiu lá fora, eu tinha muito medo de raios.
Olho no relógio e são cinco da tarde. Está ficando muito escuro e resolvo acender algumas velas na sala. Que droga aconteceu com a tia Rose que não chega?
Escuto um barulho muito alto que logo reconhece ser a sirene de alguma ambulância. É eu estava certa, a neblina provocou algum acidente. Quem será
Mais um estrondo lá fora, mas não parece um raio, é algo diferente, como algo caindo.
Vou para a janela e espio. Há uma fumaça vermelha cobrindo todo o quintal, com certeza não é uma neblina.
Agora eu realmente me assustei, tenho de ver o que é isso. Pego um guarda-chuva e abro a porta para sair. A chuva ainda não cessou e nem enfraqueceu. Vou em direção a fumaça.
Minhas pernas estão paralisadas de medo, eu não sei o que foi isso. Escuto um grunhido alto e quase caio. O estranho ruído vem de dentro da fumaça, com certeza.
- quem está aí? – Eu pergunto, tremendo.
O grunhido agora foi mais alto, tento correr, porém minhas pernas estão paralisadas. Sinto um hálito metálico e vejo que algo está saindo da fumaça.
Seguro um grito de pavor, onde está a tia Rose?
Agora a criatura saiu por completo e soltou um grito de horror. Em minha frente está um monstro, de verdade. Ele é alto e tem apenas um olho, seus dedos tem garras e seu corpo não tem pelos. A criatura me fita e eu não paro de gritar, caio de joelhos de tanto pavor. Acho que vou desmaiar.
- Quem é você?
A criatura responde em um grunhido e sorri para mim, sua boca contém dentes extremamente afiados e sua língua é sebosa.
Seja o que for aquilo, veio junto com os raios.
A bateria de meu celular voltou um pouco e ele toca. Meu celular foi programado para atender automaticamente.
- Alô? Lucy? – É a voz de minha mãe. – Sua tia Rose acabou de sofrer um acidente na autoestrada e...
A bateria do celular acaba novamente enquanto o monstro vem em minha direção silenciosamente.
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