Notas iniciais
Fiz este, não sei o quê (não sei como classificar a modalidade textual do que escrevi), apenas para ilustrar mais do que já está ilustrado o livro do ilustre Joe Sacco, sobre a Guerra da Bósnia Oriental. Espero que gostem!

Pânico

Putrefatos

corpos adubando

metros de asfalto (quando existem)

O sangue de esperança

faziam sopa cor de rosa

com leite recém comprado e água.

Cemitérios improvisados

Cabiam dois corpos de puberdade

No meio dos refugiado

Fazer oração é ato de solidariedade.

A humanidade derreteu-se no rosto quente de uma criança.

Que com livros nas mãos deixava de ser carcaça

Quando não morriam pelo frio, morriam afogados em sangue

Quando chovia, a terra se afundava por vontade própria, para enterrar os corpos de desconhecidos.

Uma estaca chavada no ouvido de uma criança recém-nascida, antes mesmo de ser arremessado no rio, que tantos corpos fazia flutuar ficando rubicundo.

Depois de matá-lo, arremessou a mãe junto.

Matou um velho e tocou acordeão.

Quem atravessa o rio se vê num mar de corpos.

Fogem da guerra, mas a guerra não foge deles

Melhor ter natimorto que ver seu filho com a barriga aberta, todos os órgãos para fora, te confortando pela guerra que o ferira.

Morreu.

Uma pai carrega uma criança amolecida, crendo que apenas um desmaio a empalidecera. Tarde demais.

Restos secos, um cheiro nauseabundo, uma cólera que corrói, mas te faz viver com a dor de enxergar, de saber e não de ter membros amputados, nem peitos cortados. Dói mais os quem tem olhos, a dor de ver é pior. É mais incisiva. Amarga o peite e corroí a alma. Sabe que tem de fazer algo, mas não tem força. O desânimo do descrédito faz covarde.

O vento espalha restos mortais ainda podres, nenhum inseto os querem.

Nem a chuva os deseja, nem a seca os planeja, nem a fome os apedreja com a força brutal da morte.

Pois a morte seria mais vida, a chuva mais bruma, e a seca bem-vinda.

Vem neve, pois do branco puro e gelado, sorvete de sangue se faz.

É tudo tão destruído que não se sabe o que é obra de arte Dadá ou ludismo. Não se sabe beber um copo de cóleras amargas das guerras civis.