Nunca me ocorreu repensar o pensamento que antes já me havia ocorrido. A vida não dá tempo, o tempo não dá a vida, o tempo não dá à vida. Desculpe-me se enrolei, mas eu fiz um nó. Passei por cima e de cima puxei o lacinho, entende?

Não?

Deixe-me fazer o favor mínimo de explicar meu pensamento que mais parece uma barafunda, ou no mais da instância, uma verdadeira veneta – no bom sentido de pureza.

E da substância inexistente, do “Sim” como diria Clarice, porém, acho que a existência veio de um simples nó. Ninguém sabia como amarrar sapato, bastou um sopro de veneta – inteligência – “Voilá": Um nó. Nó é uma palavra tão imunda de pureza que passa a ser pura de imundices. Usa-se para dizer que está atado e usa-se para dizer que a desordem tomou conta do ser. No mais, quem seria o desertor desta verdade?

Eu. Eu sou, fujo de tudo, até de mim mesma, por isso escrevo, mas isso não me faz melhor pessoa, faz-me menos bicho – sei algo de palavras, Fabiano, se é que me entende, sabe; eu sei de palavra. –, e por isso acho felicidade na fuga. Pois bem, até agora enrolei e de nada me deteve iniciar a contar a verdade sobre o nó. Falo depois da fuga.

Assim como o “sim” era a mais pura iniciativa para a criação da vida, elas se ataram, ou seja, um nó! Claro que falo de nó, um nó nada mais é que o início da vida. Agora se me permitem, quantas vezes ataram seus sapatos?

Milhares de vezes; acho que nem importâncias dão ao “nó de borboleta”, ou a “toca do coelho”, “nó de escoteiro”, “nó de marinheiro”... Voltando ao sapato: não há razão alguma para atarmos se vamos desatar para descalça-los, e atá-los para calçarmos, desatarmos o cansaço e atarmos à rotina, desatarmos o travesseiro.

Que ata é essa? Repete a sílaba e nada quer dizer ao mesmo tempo: essa ata é política: amarramos nossos burros no pasto verde e eles morrem de tanto que as cordas os serram o pescoço no ato de atar e desatar. Ata, desata, ata, desata, anda, desanda, manda, desmanda.

No seio da vida isso mata, pois cansa, para que nascer se vamos morrer? Deixe o nascimento de lado, ou seja, calce o sapato atado, desate seu burro para nunca mais atá-lo no pasto errado. Que mula idiota é essa? Idiota de política, não me venha com o pejorativismo (meu primeiro neologismo*.* , vem da palavra pejorativo), ou hei de atar-lhe um nó de morte bem dado em sua boca, leitor.

Notas finais
Para maior compreensão a palavra idiota no sentido Grego de pessoa desinteressada em política* ! Espero que gostem! :) XoXo