— Então, minha mãe me disse que eu era uma criança gritalhona e meio sem juízo. Aí um dia, quando eu tinha quatro anos, meu avô percebeu que eu comecei a ter uma febre que não passava por nada. Que as vezes ela até aumentava e diminuía. Lógico que me levaram pro hospital e tal. Lá os médicos fizeram tudo pra baixar minha febre: colocaram toalha gelada na minha testa, me deram remédio, enfim, fizeram as coisas lá. A febre passou de repente, e nem foi aos poucos, ela simplesmente parou. Os médicos acharam aquilo estranho, mas meus pais e meu vô não. Eles só queriam me levar de volta pra casa e relaxarem. Tadinhos, dei um baita susto neles! — A jovem disse isso abaixando o tom da voz e o olhar, mostrando que havia ficado cabisbaixa.

Do nada a garota se animou e retomou a história:

— Ah, mas tudo bem. Passou já. — Um risinho descontraído para quebrar o clima e então ela voltou — Aí alguns dias depois, aquela febre voltou só que ela só aumentava. Meus pais ficaram loucos e enquanto um tentava cuidar de mim o outro tentava acalmar meu vô, que parecia mais preocupado que eles, de repente eu comecei a pegar fogo. Minha mãe não lembra quem foi, mas alguém correu pra jogar água em mim, enquanto meu pai me agarrou com um cobertor da cama. Óbvio que aquele fogo apagou, e eu ainda fiquei toda ensopada. — Agora ela revirou os olhos com um sorriso no rosto e retomou a fala — Quando tiraram o cobertor de cima de mim eu tava chorando, mas não tinha nenhuma queimadura no corpo e minha febre tinha passado. Acho que eu chorava de susto com o que aconteceu, né. Bem, de novo estavam me levando pro hospital pra verem o que tinha acontecido comigo, se eu tava machucada, se aconteceria de novo e etc. Lá, na fila de espera pro atendimento, um homem de terno preto e óculos escuros veio falar com meus pais. Eles me deixaram com meu vô enquanto se afastaram pra conversar. Parece que depois que eu voltei pra casa e da minha mãe falar com meu vô, eles vieram junto do meu pai, falar comigo sobre o mundo dos Diferentes e dizer que eu era um e que tinha um poder e tal. Enquanto eu fiquei toda feliz com a notícia, meus pais ficaram preocupados. Aí com o passar dos dias, meu vô e eu entendíamos mais sobre meu poder, enquanto ele aparecia do nada, e aí, mais de um ano depois, eu consegui controlar um pouco o fogo. E quando completei seis anos, minha mãe me falou sobre a E.N.D e que eu tinha que pegar o ônibus pra ir estudar lá. Ela pediu pro meu vô ficar me levando até o local onde o ônibus me pegaria e acabou.