Conto dos Diferentes
19 Patrícia
— Então, foi meio nojento quando meus pais descobriram meu poder. Eles me falaram que desde que eu era um bebê, as minhas… — Neste instante a garota se calou por um tempo, parecendo que estava envergonhada com o que iria dizer e procurava palavras melhores até que achou uma e a falou, desconfortavelmente — necessidades físicas, sempre eram muito gosmentas. Até na hora de mamar eu deixava uma baba estranha no peito da minha mãe. Meus pais acharam que eu poderia estar doente e me levaram no hospital, mas os médicos não detectaram nada. Depois de um tempo, esse problema sumiu. Ficou tudo normal nesses momentos por alguns anos, até que voltou de uma outra forma. As vezes suava, mas não era bem suor. Era um líquido meio gosmento que saía do meu corpo, como se fosse suor sabe? — Foi apenas uma pergunta retórica, sem espera por resposta. — Essa coisa aparecia no meu corpo do nada, eu acordava com a cama molhada, mas não era xixi e sim isso. Até uma vez que minha mãe penteou meu cabelo, ela falou que saiu um pouco dessa gosma em uns fios. Quando eu tinha cinco anos, meu pai levou lá em casa um homem com terno e óculos escuros. Meu pai disse que conheceu esse homem no trabalho, e que ele havia falado coisas que minha mãe também precisava saber. E foi assim que meus pais descobriram que eu era uma Diferente. Depois de toda a explicação, o homem foi embora e meus foram conversar comigo sobre as mesmas coisas. Aí um ano depois, eu já conseguia usar melhor esse meu poder, embora ainda achasse nojento, e meu pai me levou quase todos os dias pra pegar o ônibus na parada que ele apareceria pra me levar pra E.N.D. Nos primeiros dias eu não achava meu poder muito bom, mas depois, eu comecei a gostar dele e até a achar legal. É só isso.
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