— Isso é muito chato, mas tudo bem, eu falo.

O garoto começou se mostrando estar em desagrado com aquela entrevista, mas de fato prosseguiu com ela, ainda um tanto quanto desanimado.

— Eu sempre vivi com toda a minha família tranquilamente, mas minha mãe me disse, que quando eu era bebê, eu causei uma preocupação do caramba lá pra casa. Quando eu tinha um ano de idade, eu comecei a ficar verde! — Aqui o jovem riu discretamente, provavelmente pela lembrança da história sendo contada a ele. — E meus familiares ficaram preocupados, sem saber o que fazer. Acharam que podia ser algum tipo de doença que eu tava tendo, e que só piorava a caminho do hospital porque mais áreas da minha pele ficavam verdes. Quando a gente entrou no hospital, minha pele começou a voltar a cor normal, e isso também assustou meus pais, que não desistiram em chamar um médico pra me examinar. Acabou que o médico disse que eu não tinha nada, pelo contrário, minha saúde era a melhor dentro os outros bebês que ele vira naquele dia. Meus pais então foram convencidos e voltaram comigo pra casa, passando a notícia pro restante da família. Mais tarde, naquele mesmo dia, meu tio veio me ver no berço e além de estar verde eu tinha uma folhinha nascendo na minha testa…

Nesse momento o garoto dá uma gargalhada que demora um pouco pra passar, mas quando passa, ele retoma o conto:

— Deve ter sido uma cena bem engraçada, o espanto deles e novamente o desespero pra me levar ao hospital. De novo, eu parei de ficar verde dentro do hospital, mas ainda tinha uma folhinha na minha cabeça e muitos lá dentro viram aquilo né e pronto, virei atração. O hospital ficou cheio de gente. Todos rodeando meus parentes enquanto eu tava no colo da minha mãe. No meio daquele povo todo, antes mesmo do médico me ver, apareceu um homem com terno preto e óculos escuros que pediu pra conversar com meus familiares em particular e quando eles aceitaram, alguns parentes meus distraíram o povo enquanto meus pais deram a volta no hospital, indo até o estacionamento e lá mesmo eles conversaram. Depois daquilo, meus pais e familiares voltaram pra casa e só. Alguns anos depois, meus pais vieram me falar sobre eu ser um Diferente e do meu poder. No começo, eu achei meu poder meio chato, mas depois eu aprendi a usar melhor e aí achei ele massa. Ah e sobre a ida pra E.N.D, meus pais me falaram onde eu pegaria e ônibus e que poderia ir lá sozinho. Se alguém aparecesse, eu só poderia usar meu poder pra me esconder. Aí o ônibus apareceu e eu peguei ele. Nunca precisei usar meu poder pra me esconder antes de pegar o ônibus.