Conto dos Diferentes
18 Michele
— Ah, quando eu era mais nova era bem bagunceira, brincava com outras crianças e tudo mais. Um dia, quando a minha irmã mais velha tava penteando meu cabelo, ela usou força demais e acabou me machucando. Eu reclamei na hora né, mas depois disso, aconteceram mais algumas vezes, até que na quarta vez eu já tava morrendo de raiva. Aí virei rápido pra bater nela. Obviamente que não machucaram ela, já que eu era bem menor, só que ela mesmo assim segurou minhas mãos pra eu parar. Ainda assim ela continuou apanhando, mas não das minhas mãos e sim da escova que ela usava pra pentear meu cabelo, que agora estava presa nele. Era como se o meu cabelo estivesse segurando a escova pra bater na minha irmã por ela ter me machucado. Depois de alguns segundos eu me acalmei e aí a escova caiu no chão e meu cabelo voltou ao normal. Minha irmã saiu correndo do meu quarto com a cara vermelha e eu nem liguei muito. Agachei, peguei a escova no chão e eu mesma continuei penteando meu cabelo.
A jovem parecia estar gostando de contar esse acontecimento, pois enquanto falava, dava para notar um sorriso esboçado em seu rosto.
— Depois, tanto a minha irmã quanto meus pais, vieram até meu quarto. Minha mãe me fez pedir desculpas a minha irmã e eu não queria, mas como minha mãe mandou eu obedeci né. Depois, minha mãe disse pra minha irmã que ela e o papai precisavam conversar comigo sobre algumas coisas e pediu pra ela ir pra sala ver tv. Minha irmã saiu do quarto me provocando e irritando, dizendo que eu ficaria de castigo por aquilo. Acabou que ela estava enganada.
Nesse momento, a garota eleva um pouco as sobrancelhas e faz um sorriso disfarçado, quase como se gostasse de saber que a irmã estava errada e então a jovem voltou a relatar:
— Minha mãe sentou na cama comigo enquanto meu pai fechava a porta, e depois se aproximou também da cama. Os dois então me contaram sobre os Diferentes. Disseram toda a história que todos sabem sobre e também me disseram que eu era uma deles. Que provavelmente o que tinha acontecido ali no quarto, tinha sido eu usando meu poder e eles me pediram pra detalhar melhor o que tinha acontecido e eu contei e até mostrei pra eles, mas nada do cabelo se mexer como antes. Eu fiquei preocupada, achando que eles não acreditariam em mim, mas não foi assim. Eles acreditaram em mim e disseram que talvez eu só precisasse praticar mais o uso do meu poder, e que por isso, me matriculariam na E.N.D. Eu na hora não entendi e aí que eles me falaram mais sobre a escola. No dia seguinte estava eu e meu pai, lá no ponto de ônibus, esperando o tal ônibus invisível pra ir pra uma escola nova.
Fale com o autor