Conto dos Diferentes
16 Marta
— Ah gente, faz muito tempo.
A garota ri logo depois que termina a frase. Depois fica em silêncio e percebendo que precisava contar o que era pedido, ela voltou a falar:
— Bem, minha mãe me disse que quando eu era bebezinha, não lembro quantos anos, ela me viu com um grampo de cabelo dela na mão e coloquei ele na tomada só que ao invés de eu tomar choque, nada aconteceu comigo e a energia da casa continuou. Óbvio que minha mãe correu comigo e minha irmã mais velha pro hospital pra saber se eu tava bem. O médico me examinou e disse que eu tava sim, mas minha mãe ficou estressada e insistiu em dizer que deve ter acontecido alguma coisa comigo, porque eu meti o dedo na tomada de casa e tals. O médico insistiu em dizer que eu tava bem e aí minha mãe sossegou. Na saída do hospital, um homem bem vestido parou a minha mãe e a minha irmã pra poder falar com elas. Minha mãe mandou minha irmã me segurar e esperar por ela dentro do hospital. Minha irmã nem é louca de desobedecer a minha mãe. Ia tomar uma surra ali mesmo. Aí minha irmã me disse que ficou pensando sobre a conversa dos dois, porque minha mãe parecia assustada com algumas coisas que aquele homem falou e que conversaram por quase uma hora. Depois que ele foi embora, minha mãe foi buscar minha irmã e aí voltamos pra casa. Alguns anos depois minha mãe me contou que eu era uma Diferente, que tinha um poder e tudo aquilo mais que a gente já sabe né. Eu achei o meu poder massa e até ajudava quando faltava luz lá em casa, mas todo o resto sobre os Diferentes acho chato.
A moça terminou de falar como se tivesse encerrado a entrevista, mas então ela mesma retomou a fala como se ainda houve algo a ser dito.
— E como eu fui pra E.N.D? Ah, minha mãe já tinha me dito onde pegar o ônibus. Eu só esperava por ele normal e pegava.
A garota novamente terminou a frase rindo, mas agora um pouco mais singelo que antes.
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