O jovem se sentou na cadeira, mas não falou de imediato. Precisou dos olhares das pessoas na sala para que ele se sentisse pressionado e resolvesse falar, mas ainda assim ele começou de forma estressada.

— Ah eu era muito pequeno, não me lembro direito, mas meus pais me falaram que eu sempre gostei de brincar no chão, na terra. Um dia eles me levaram na praia e me deixaram brincando na areia. Depois de poucos segundos, meu pai me viu criando um castelo de areia sem precisar mexer muito na areia. Na mesma hora ele chamou minha mãe pra mostrar pra ela que também viu. Aquilo agradou tanto eles, que nem sequer foram pra água. Meu pai pegou o guarda-sol e prendeu perto de mim, fazendo questão de me pôr na sombra e brincar comigo na areia pra estimular meu uso do poder. Ao longo dos anos, meus pais foram me contando sobre os Diferentes, que eles também eram Diferentes, me mostrando os poderes deles e sobre a ida pra E.N.D. Quando eu tava com seis anos, falei pros meus pais que não precisavam vir comigo até o ponto do ônibus, bastariam me dizer onde pegar ele que eu iria lá sozinho. Eles aceitaram, mas me lembraram que eu não poderia usar meu poder fora de casa e da escola por nada e eu obedeci. Aí, pelas referências que meus pais me deram, eu cheguei no lugar e me assustei, bicho. O ônibus apareceu do nada lá. Aquilo me deu um susto, mas mesmo assim eu peguei ele e fui pra E.N.D.

O jovem terminou de falar, menos estressado que antes, e questionou as pessoas do local:

— Posso ir já?

Quando recebeu uma resposta positiva de alguém da sala, ele se levantou da cadeira e foi embora.