Conto dos Diferentes
14 Maria
— Minha mãe me disse, que quando eu era novinha, eu não falava muito porque vivia chupando dedo. — A jovem deu uma risadinha ao se lembrar disso. — Coisa de criança, né. Aí, um bom tempo depois, quando eu tirei o dedo da boca, ele tava enorme, como se tivesse inchado sabe? Vai ver até era por isso mesmo. Minha mãe viu meu dedo daquele jeito e disse que ficou toda preocupada, me dando bronca, como se eu tivesse deixado o dedo daquele jeito de tanto chupar. Depois disso, ela sempre me batia quando me via com o dedo na boca e enquanto eu chorava por ter apanhado, a área onde tinha apanhado também inchava. Aquilo deixou minha mãe intrigada e então ela foi pro hospital pra tentar resolver esse problema. O médico me analisou e rapidinho eu voltei pra casa com o resultado de que eu não tinha nada. Minha mãe me disse que uns dias depois eu fiquei enorme. Tipo, eu tinha uns cinco anos, mas fiquei do tamanho de alguém com dez. Minha mãe de novo foi comigo lá no hospital, mas antes mesmo de entrar lá, eu voltei ao meu tamanho normal. Mas isso não fez minha mãe desistir. Enquanto ela estava resolvendo as coisas lá na recepção, vi que um homem se aproximou dela e começou a conversar com ela. Voltamos pra casa com ele, e minha mãe ficou conversando com ele enquanto eu brincava no quarto. Quase uma hora depois, o homem foi embora e minha mãe contou o bagulho dos Diferentes e tals. Na época eu não entendia muito bem né. Mal sabia usar aquele poder.
Ela deu um riso singelo e envergonhado, terminando de falar até que se lembrou de mais.
— Ah e como eu fui pra E.N.D? Bem, um ano depois, minha mãe me disse onde eu tinha que ir pra esperar o ônibus e se alguém aparecesse e tentasse algo comigo era só eu crescer minha mão e bater na pessoa. O bom é que nada nunca aconteceu. No primeiro dia eu vi o ônibus aparecendo do nada, achei aquilo daora, subi nele e fui sentar quase no fundão. Fiquei lá até chegar na E.N.D.
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