— Eu era um garotinho quando descobriram meu poder. Meus pais me contaram que eu sempre quis ter um irmãozinho e de repente apareceu um segundo de mim. Eu e meu clone brincávamos juntos, até que minha mãe me gritou da sala e nós dois respondemos. Isso assustou a mamãe, fazendo ela vir correndo pro quarto e foi aí que ela viu nós dois. Ela ficou tão espantada que ficou parada na porta do quarto olhando pra gente, até que chamou o meu pai. Ele veio todo calmo até ela e ele também se assustou com o que viu. Eles se olharam e então cada um deles veio até um de nós e disse que precisavam nos levar até o hospital porque podíamos estar doentes. A gente concordou e fomos direto, sem trocar de roupa nem nada. Lá no hospital, lembro que algumas pessoas perguntavam se meus pais tinham tido gêmeos e tinham vestido nós dois com as mesmas roupas. Ai, ai...

Neste momento, o jovem parou de contar sua história para rir do momento. Aparentemente ele achava engraçado essa confusão causada sem querer, por ele mesmo, mas não tanto, pois durou poucos segundos e logo o garoto voltou ao relatório.

— Quando o médico me examinou e ao meu clone, falou que não tínhamos nada e foi aí que meus pais disseram a ele que a gente um só e que havíamos virado dois. Minha mãe disse que o médico olhou pra ela e meu pai como se eles é que deveriam estar sendo examinados ali. Depois, ele recomendou que todos nós voltássemos pra casa, mas que meus pais descansassem um pouco porque podiam estar estressados. E foi isso o que eles fizeram, voltamos pra casa, mas meus pais não descansaram nada. Eu e meu clone corremos pro quarto pra voltar a brincar, enquanto meus pais foram pra sala, pra conversar, até que a campainha tocou. Eu e meu clone corremos pra ver quem era e vimos um homem de terno e óculos escuros entrando. Não lembro também de quase nada ali, então minha mãe contou depois que aquele homem trabalhava pro governo e que eu era um Diferente. Aí ela e meu pai me explicaram sobre meu poder, esse mundo secreto dos Diferentes e aí meu clone sumiu. Talvez eu tenha feito ele sumir, novamente usando meu poder sem saber. Acho que uma ou duas semanas depois, eu fui pegar o ônibus na parada onde ele apareceria, e meu pai sempre me acompanhou nesses dias até eu ter idade pra ir sozinho.