— Minha mãe me disse, que quando eu era bebê, tinha momentos em que eu ficava olhando pras pessoas próximas de mim, mas não exatamente pras pessoas e sim pro entorno delas. Parecia que as roupas das pessoas me chamavam mais a atenção ao invés delas em si e das bobeiras que faziam comigo. Quando fiquei mais velho, com três anos, meu comportamento mudou um pouco: além de ficar olhando bem pras pessoas, eu também me aproximava mais de algumas e me afastava mais de outras. Era como se eu me sentisse mais à vontade com ela, ou me sentisse mal perto dela. Também tiveram momentos onde eu pedia que minha mãe, ou outra pessoa da minha família, ajudasse alguém que despois descobriam estar triste, passando por algum problema em sua vida. Aí, três anos depois, eu fui falar com a minha mãe como se soubesse que ela me escondia algo.

Nesse momento, o jovem riu um pouco. Deve ter achado engraçado uma criança de seis anos questionar a própria mãe sobre algo que nem mesmo ele sabia, mas tinha certeza que ela sim.

— Ela disse que por mais que tentasse manter o segredo e mudar de assunto, não adiantava porque eu sempre percebia o que ela fazia e que tinha algo que ela não queria me contar e a deixava intrigada e preocupada. E com um pouco da minha insistência que ela contou sobre os Diferentes, dizendo que eu era um, além de meu pai. Ela disse que enquanto ela falava eu ficava olhando pra ela como se visse algo dentro dela, como se a olhasse por dentro, vendo seus sentimentos, pensamentos, preocupações, e que toda hora tinha que interromper a história pra eu prestar atenção nela e no que ela falava.. Por fim ela disse que eu teria que estudar em uma escola estranha pra gente com poderes, a mesma que o meu pai estudou. Quando ela me contava as coisas e eu prestava atenção, não me animava tanto com aquilo tudo. Acho que a ficha não tinha caído ainda. Hoje eu gosto muito do meu poder e da E.N.D. Meus amigos são insuportáveis, principalmente a Patrícia e o Ricardo, aqueles idiotas. Brincadeira. Eles sabem que eu provoco eles assim.

Novamente o garoto riu, agora pela brincadeira que fez ao falar de seus colegas de escola e isso até tirou alguns sorrisos das pessoas na sala da entrevista. Leonardo sorriu para elas, percebendo, não só pelo sorriso, que as animou e depois voltou a falar.

— Bem, dias depois daquilo tudo, minha mãe me levou até a parada de ônibus e quando ele chegou me deu um susto, mas logo subi nele e segui pra E.N.D.