— Ah, eu descobri meu poder de um jeito no mínimo estranho, — A jovem encerrou a frase para rir um pouco, mas logo parou e continuou. — Minha mãe me disse que eu ainda era um bebezinho e um dia ela ficou cuidando de mim o dia todo porque tava de folga do trabalho, mas meu pai não. Ela disse que nesse dia eu sumia da sala, onde tava vendo televisão, várias vezes e aparecia em outro lugar da casa misteriosamente. Isso tava deixando ela doida, fazendo-a ficar horas comigo na sala vendo tv. Uma hora ela foi na cozinha pegar algo pra comer, e aí quando se virou pra sala pra me ver, ela viu um tipo de energia surgindo e se abrindo, mostrando lá dentro as pernas dela. Óbvio que ela se assustou com o que viu, mas continuou parada, olhando aquilo, e então percebeu que eu estava entrando naquela energia. Metade do meu corpo já tinha atravessado aquela coisa. Quando minha mãe ia se mexer pra ir até mim, achando que eu estava em perigo, ela sentiu algo puxar sua calça na altura da canela. Ela olhou pra baixo e viu que era eu, bem, metade de mim pelo menos, e também a mesma energia que estava na sala, mas lá dentro dava pra ver o tapete da sala e parte da estante onde tinha a televisão. Tadinha, dei um susto nela.

A garota novamente riu do que contava. Ela parou de rir, embora sua expressão ainda fosse leve, e continuou sua história.

— Aí né, minha mãe me puxou dali do chão, assustada, e a tal energia sumiu, dos dois lugares. Ela disse que me perguntou várias coisas como: o que era aquilo, o que tava acontecendo e se era eu que fazia aquilo. Eu só respondia a ela esticando meu braço pro lugar onde tinha biscoito. Aquilo ficou na cabeça dela e então ela meio que começou a testar aquele acontecimento comigo e foi assim que ela descobriu que eu tinha uma habilidade especial. Quando eu tava mais velha, minha mãe contou pra mim o que tinha descoberto, e aí eu mesma passei a treinar em casa esse poder, achando que era a única, até que eu conheci o Dante e o Carlos e assim descobri que não estava mais sozinha. Dante me contou que eu era uma Diferente e também falou um pouco sobre o mundo dos Diferentes e a E.N.D. Pedi que ele fosse lá em casa para conversar com meus pais, contar tudo isso a eles também e me ajudasse a ser matriculada na E.N.D. Consegui e confesso que meu primeiro dia foi um pouco estranho, mas também foi legal e divertido.