Conto dos Diferentes
9 Jeferson
— Ah, é pra contar de como eu descobri meu poder e como fui pra E.N.D?
O jovem perguntou para as pessoas do local e quando as mesmas acenaram com a cabeça dizendo que sim, ele pôs-se a falar:
— Então, eu não lembro, mas meus pais me contaram essa história e eu sempre gosto de ouvir. Eu era um pouco novo, seis anos, quando eu tava comendo e aí, do nada, a colher ficou presa na minha boca. Ela não saía por nada nesse mundo. Todo mundo na casa ficou preocupado, incluindo eu, que mesmo abrindo a boca e puxando, não conseguia tirar a colher da boca. Meus pais me levaram correndo pro hospital, mas no caminho a colher soltou e eu logo cuspi ela pra fora da boca. Meus pais perceberam aquilo, mas não desistiram. Já tavam na metade do caminho mesmo. Lá no médico eles falaram tudo e aí os médicos examinaram minha boca e não acharam nada, me mandando de volta pra casa. No dia seguinte, em casa, eu tinha acabado de almoçar, mas pedi pra minha mãe mais. Ela não quis me dar e aí eu fiquei insistindo que queria e ela dizendo que não, até que de repente todos os garfos, facas e colheres da casa começaram a tremer e ir pra cima da minha mãe, como se quisessem grudar nela. Eu e ela ficamos assustados e logo depois tudo parou de se mexer. Foi aí que eu pensei que podia tá fazendo aquilo e quando ia tentar de novo mexer algum talher, a nossa campainha toca. Meu pai atende a porta e era um homem de terno e óculos escuros. Ele pediu pra entrar, meu pai deixou, e aí meus pais o levaram até a sala pra conversarem, enquanto eu e meu irmão procurávamos uma sobremesa na geladeira pra comer. A distração mal começou e minha mãe ouviu a gente mexendo na geladeira, e com raiva, mandou a gente sair da cozinha e ir pro quarto. A gente nem é besta de desobedecer. Fomos correndo. Depois de muito tempo meus pais subiram lá no quarto e falaram comigo e meu irmão que eu era um Diferente. Ué. Que coisa é essa de ser Diferente, vocês me perguntam?
O jovem realmente perguntou aquilo para os presentes na sala, pois se calou e olhou para todos como se esperasse uma resposta, mas não demorou muito para que ele mesmo retomasse a fala, não esperando mais que alguém dali dissesse algo.
— Foi muito maneiro quando meus pais me disseram que eu tinha um poder. Também falaram outras coisas, mas aí foi chato mesmo. Aí, poucos dias depois, eu fui esperar o ônibus, e só depois que eu já tava dentro dele que vi que ele ficaria parando pra pegar outros passageiros, mas tudo bem porque conheci gente nova. E assim fui pra E.N.D.
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