Conto dos Diferentes
5 Cíntia
— Posso começar?
Após a confirmação da pergunta, a jovem iniciou a entrevista.
— Pelo o que percebi, descobri meu poder bem tarde. Antes disso eu tive uma vida normal, igual aos Comuns, mas isso só até meus quinze anos. Um dia, eu estava com meus pais no super mercado, quando me separei deles pra ver uma coisa em um dos corredores. Quando voltei pra onde tinha me separado deles, ambos tinham sumido. Não me preocupei e fui procurá-los. Eu fiquei um tempo andando pelo mercado, caçando eles, mas não os encontrei. Comecei a pensar que eu podia ter sido esquecida lá, mas não me desesperei. Fui procurar por aquelas pessoas que ficam fazendo anúncios de produtos baratos, sabe? E quando encontrei o homem que falava dessas promoções, eu toquei nele para chamá-lo e pedir que chamasse pelos meus pais no microfone. O homem aceitou meu pedido gentilmente, mas aparentemente se esqueceu de como mexer no microfone: ele parecia nem saber direito como aquele instrumento funcionava. Vendo ele todo confuso, tentando entender como o aparelho que ele estava usando agora pouco funcionava, eu desisti dele e voltei a procurar meus pais. Pouco tempo de uma nova busca, finalmente os encontrei e os abracei, falando que tinha perdido eles de vista e tal. Aí eu não me desgrudei mais dos meus pais, eles terminaram as compras e então fomos pra casa. No dia seguinte, um homem de terno preto e óculos escuros bateu na nossa porta, dizendo que tinha que falar com meus pais sobre mim. Meus pais me chamaram pra participar da conversa e nos reunimos na sala junto com aquele estranho bem arrumado. E foi aí que eu fiquei sabendo sobre os Diferentes e que eu era uma também. Eu até achei daora ser uma Diferente e ter poder, mas também achei chato que meu poder só faz os outros Diferentes ficarem sem poder. — A garota parecia cabisbaixa ao falar aquilo, mas depois mudou seu humor e continuou a falar. — Bem a conversa continuou, mas indo pra outros assuntos como eu ter que manter meus poderes ocultos e também ter que sair da minha escola pra ir pra uma nova. Lógico que detestei aquilo. — Nesse momento ela pareceu ficar brava. — Fiquei reclamando na hora, mas meus pais pediram pra eu me acalmar e que depois a gente conversava melhor sobre aquilo. E de fato, depois que o homem de terno foi embora, minha família se reuniu, chamando até meu irmão no quarto para conversar melhor sobre aquilo, e aí eu pude entender melhor a necessidade da troca de escola. — Agora Cíntia parecia mais calma. — Aí depois de toda essa parte burocrática ter sido feita, eu fui esperar o ônibus no lugar que falaram que ele me buscaria pra então ir até a E.N.D.
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