— Oi. Tudo bem? — Começou a jovem bem educada e depois ela prosseguiu com a entrevista. — Então, acho que é muito difícil alguém se lembrar das coisas quando se é muito pequeno, mas tudo o que vou falar foi meu pai que me contou. Quando eu era ainda um neném, lá na maternidade, meu pai me disse que tinham momentos onde eu brilhava. Emitia uma luz bem fraquinha, que só dava pra reparar quando estavam muito perto de mim. Poucas pessoas no hospital notaram aquilo, mas ainda achavam que podia ser alguma das lâmpadas da sala da maternidade. Meu pai mesmo, só notou isso uma vez. No dia da minha saída do hospital, meus pais foram parados no estacionamento por um homem bem vestido: com terno preto e óculos escuros. Ele pediu pra conversar com eles. Os dois estranharam aquilo, mas minha mãe entrou no carro enquanto que meu pai ficou ali parado conversando com o homem. Depois de um tempo de conversa meu pai entrou no carro e nos levou pra casa, enquanto contava de forma calma pra minha mãe sobre o que tinha conversado com aquele homem. Acho que ele não queria prejudicá-la, porque afinal tinham poucos dias após o parto. Ela devia ainda estar em recuperação, né? — a jovem perguntou de forma retórica e depois retomou a entrevista. — Bem, já em casa eles dois conversaram mais um pouco sobre aquilo tudo e só. Aí, em algum momento, meu pai foi me contando e explicando as coisas dos Diferentes e eu fui aprendendo aos poucos a controlar meu poder. Quando eu fiz seis anos, meus pais me matricularam na E.N.D e meu pai sempre me levava até o ponto em que o ônibus me pegaria. Lembro até que no primeiro dia, quando meu pai viu o ônibus aparecendo do nada, ele se assustou e quase caiu pra trás. — A jovem gargalhou ao se lembrar disso. — E tomei um susto também, mas achei aquilo engraçado. — Ela riu singelamente pela lembrança e depois retomou a fala com um sorriso no rosto. — Meu pai foi pior que eu no susto, né. Depois ele tentou disfarçar e se despediu de mim. Aí, eu entrei no ônibus, sentando no meio, mas ficando mais perto da parte frente. Aí, ele seguiu pra E.N.D.