Conto dos Diferentes
4 Carolina
— Ah, eu tinha cinco anos e era um pouco bagunceira quando mais nova. — Ela riu, envergonhadamente ao dizer aquilo de si. — Um dia eu tava no meu quarto, de castigo, e fiquei olhando pra janela, vendo o quintal e umas árvores que tinham na rua. Eu pensei que poderia estar lá fora brincando e aí, de raiva, eu virei a cabeça pra parar de olhar lá pra fora e do nada veio uma ventania que entrou pelo meu quarto e passou direto pela cômoda que tinha lá, derrubando um vaso da minha mãe que tava em cima. Meus pais vieram correndo ver o era aquele barulho e viram o vaso caído no chão. Me perguntaram se fui eu que derrubei. Eu disse que tinha sido o vento. Minha mãe ficou duvidosa, mas meu pai acreditou em mim, dizendo que poderia ser já que a janela tava aberta. Depois eles saíram do meu quarto e eu fiquei meio confusa com o que tinha acontecido. Achei que poderia ter sido eu quem realmente derrubou o vaso, então, tentei fazer ventar de novo, mas agora lá na árvore da rua. Fiquei olhando pra ela com força, mas nada acontecia. Só quando me irritei que aí veio um vento forte que fez várias folhas da árvore saírem voando. Eu fiquei toda animada e corri pra fora do quarto pra contar o que tinha feito pros meus pais, que primeiro me deram uma bronca falando que eu ainda tava de castigo e que não podia sair do quarto, mas eu logo falei o que queria: disse que conseguia fazer ventar. — A jovem riu nesse ponto ao se lembrar do que disse na época. — Eles se olharam e acreditaram em mim, pedindo pra mostrar a eles o que eu tinha feito. Voltei pro meu quarto puxando meu pai pela mão, subi na minha cama, olhei de novo pra fora, mas desta vez só consegui mexer umas folhas que estavam no chão. Meus pais novamente se olharam e depois sentaram na cama e conversaram comigo sobre a história dos Diferentes, me contando que eu também era uma. Eu fiquei um pouco confusa, mas meus pais me mostraram que eles também tinham poderes e aí eu achei aquilo massa. Pedi pra eles me ensinarem, mas eles falaram que não saberiam já que cada um tem um poder diferente e que aprenderam a controlá-los na escola que eles estudaram e foi aí que me contaram sobre a E.N.D, falando que eu também iria estudar lá ano que vem. Eu fiquei super feliz e tentei usar meu poder outras vezes dentro de casa, mas claro que apanhava e ficava de castigo quando quebrava algo em casa. — A garota agora só sorriu. — Aí, um ano depois, meu pai me levou até o lugar onde o ônibus da E.N.D me buscaria e aí quando finalmente o ônibus chegou, a gente se despediu e eu subi nele.
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