Conto I - Unforgettable Wars

23 Restaurações e Profecias: O Sangue da Vida!


Notas iniciais
Boa noite! Finalizando nossa jornada na casa de Áries, hoje teremos alguns avisos de Pema sobre as doze casas e o início da subida para Touro, onde o próximo guardião os espera! Aproveitando que não tenho muito o que escrever hoje, vou colocar as famosas fichas aqui nas notas iniciais (mais uma vez encontrei erros e atualizei). Boa leitura! Soranin Hayato Divindade: Atena Classificação: Amazona de Bronze Constelação: Fênix Particularidades da Armadura: Se regenera a partir do pó; Penas removíveis Gênero: Feminino Idade: 13 anos Significado do nome: “Pessoa-Céu” Aniversário: 20 de Agosto Signo zoadical: Leão Altura: 1.67 Peso: 50kg Tipo sanguíneo: B+ Local de nascimento: Japão Local de treinamento: Atenas, Grécia Mestre: Alceu de Ofiúco - com o auxílio de Kareen de Cão Maior Discípulo(s): Nenhum Cor, textura e tamanho dos cabelos: Ruivos, enrolados, na altura dos ombros Cor dos olhos: Azul claro Máscara: Não utiliza, embora a possua Parentesco: Irmã mais nova de Sui, segunda filha de Kazuki e Tatsuo Hayato Personalidade: Bondosa, calma, ingênua, paciente Habilidades especiais: Lágrimas com fator curativo Objeto de valor sentimental: Colar em forma de coração (pais) Sui Hayato Divindade: Atena Classificação: Amazona de Bronze Constelação: Andrômeda Particularidades da Armadura: Correntes para defesa e ataque Gênero: Feminino Idade: 15 anos Significado do nome: “Única em seu gênero” Aniversário: 03 de Março Signo zoadical: Peixes Altura: 1.74 Peso: 55kg Tipo sanguíneo: O- Local de nascimento: Japão Local de treinamento: Atenas, Grécia Mestre: Alceu de Ofiúco - com o auxílio de Kareen de Cão Maior Discípulo(s): Nenhum Cor, textura e tamanho dos cabelos: Loiros, lisos, na altura da cintura Cor dos olhos: Verde Máscara: Não utiliza, embora a possua Parentesco: Irmã mais velha de Soranin, primeira filha de Kazuki e Tatsuo Hayato Personalidade: Séria, temperamental, focada, inteligente Habilidades especiais: Sangue venenoso Objeto de valor sentimental: Não apresentado até o momento Ulysses Garrido Divindade: Atena Classificação: Cavaleiro de Bronze Constelação: Unicórnio Particularidades da Armadura: Nenhuma Gênero: Masculino Idade: 14 anos Significado do nome: “O irritado” Aniversário: 07 de Janeiro Signo zoadical: Capricórnio Altura: 1.84 Peso: 68kg Tipo sanguíneo: O- Local de nascimento: Espanha Local de treinamento: Polônia Mestre: Nenhum Discípulo(s): Nenhum Cor, textura e tamanho dos cabelos: Beges, espetados, curtos Cor dos olhos: Vermelho escuro Parentesco: Nenhum Personalidade: Reservado, impaciente, brincalhão, solitário Habilidades especiais: Não apresentadas até o momento Objeto de valor sentimental: Não apresentado até o momento Yerik Zanghief Divindade: Atena Classificação: Cavaleiro de Bronze Constelação: Cisne Particularidades da Armadura: Nenhuma Gênero: Masculino Idade: 14 anos Significado do nome: “O apontado por Deus” Aniversário: 01 de fevereiro Signo zoadical: Aquário Altura: 1.77 Peso: 66kg Tipo sanguíneo: B+ Local de nascimento: Rússia Local de treinamento: Rússia Mestre: ***** de Aquário Discípulo(s): Nenhum Cor, textura e tamanho dos cabelos: Loiros, lisos, curtos Cor dos olhos: Azul claro Parentesco: Nenhum Personalidade: Inteligente, quieto, divertido, amigável Habilidades especiais: Não apresentadas até o momento Objeto de valor sentimental: Não apresentado até o momento Heitor Reyes Divindade: Atena Classificação: Cavaleiro de Bronze Constelação: Leão Menor Particularidades da Armadura: Nenhuma Gênero: Masculino Idade: 16 anos Significado do nome: “Mantenedor da vitória” Aniversário: 29 de Abril Signo zoadical: Touro Altura: 1.88 Peso: 73kg Tipo sanguíneo: AB- Local de nascimento: México Local de treinamento: México Mestre: Nenhum Discípulo(s): Nenhum Cor, textura e tamanho dos cabelos: Castanhos, arrepiados, curtos Cor dos olhos: Verde escuro Parentesco: Nenhum Personalidade: Brincalhão, protetor, nobre, competitivo Habilidades especiais: Não apresentadas até o momento Objeto de valor sentimental: Não apresentado até o momento Kirsi O'Hara Divindade: Atena Classificação: Amazona de Bronze Constelação: Lobo Particularidades da Armadura: Nenhuma Gênero: Feminino Idade: 14 anos Significado do nome: “Geada” Aniversário: 27 de outubro Signo zoadical: Escorpião Altura: 1.55 Peso: 48kg Tipo sanguíneo: AB+ Local de nascimento: Finlândia Local de treinamento: Alasca Discípulo(s): Nenhum Mestre: ***** de Escorpião Cor, textura e tamanho dos cabelos: Castanhos, lisos, na altura da cintura Cor dos olhos: Castanho Máscara: Sim Parentesco: Nenhum Personalidade: Teimosa, engraçada, carismática, otimista Habilidades especiais: Restauração memorial Objeto de valor sentimental: Não apresentado até o momento Pema Yarlung Divindade: Atena Classificação: Amazona de Ouro Constelação: Áries Gênero: Feminino Idade: 20 anos Significado do nome: “Lótus” Aniversário: 04 de Abril Signo zoadical: Áries Altura: 1.73 Peso: 67kg Tipo sanguíneo: A+ Local de nascimento: Tibete Local de treinamento: Jamiel Mestre: **** de Áries Discípulo(s): Rimo de Cinzel Cor, textura e tamanho dos cabelos: Prateados, lisos com algumas tranças, muito longos Cor dos olhos: Cinza Máscara: Não Parentesco: Meia-irmã de ****** de ****** Personalidade: Calma, pacífica, responsável, bondosa Habilidades especiais: Telecinese, Teletransporte, Prehensilia, Restauração de Armaduras Objeto de valor sentimental: Nenhum Rimo Khang Divindade: Atena Classificação: Cavaleiro de Bronze Constelação: Cinzel Gênero: Masculino Idade: 10 anos Significado do nome: “Pintura” Aniversário: 31 de Março Signo zoadical: Áries Altura: 1.50 Peso: 38kg Tipo sanguíneo: B- Local de nascimento: Tibete Local de treinamento: Jamiel Mestre: Pema de Áries Discípulo(s): Nenhum Cor, textura e tamanho dos cabelos: Cor-de-areia, lisos, curtos Cor dos olhos: Azul celeste Parentesco: Filho de **** Personalidade: Hiperativo, animado, alegre, dedicado Habilidades especiais: Telecinese, Teletransporte, Restauração de Armaduras Objeto de valor sentimental: Brinco dourado (família)

— Pema! Você está bem?

Rimo tentou ir em sua direção mas tropeçou no próprio pé e caiu – por sorte, sem se machucar.

A amazona dourada se levantou e levou uma das mãos até a cabeça, meio zonza.

— Muito bem, conseguiram me atingir. Seus planos foram bem engenhosos, parabéns.

Pema tossiu e cambaleou, mas Heitor a segurou antes de ceder.

— Obrigada, cavalheiro.

— Mas não é "cavaleiro"? – o Santo de Cisne sussurrou.

Pema franziu a testa, como se tentasse compreender suas palavras. Notando isso, Kirsi deu uma cotovelada na barriga de Yerik e então interveio:

— O que meu amigo aqui está tentando dizer é que você disse que assim que te atingíssemos, poderíamos passar.

— Ainda não podem deixar esta casa. – disse ao conseguir ficar de pé novamente.

— Como assim?! – eles protestaram.

— Rimo, avaliação. – pediu ela.

Rimo correu na direção dos Santos, dando algumas voltas ao redor de cada um, e se desviou, voltando para o lado de Pema, que o aguardava.

— Andrômeda: 35%; Cisne: 47%; Fênix: 42%; Leão Menor: 18%; Lobo: 14%; Unicórnio: 31%.

— Hum, então ainda tem conserto. – a dourada concluiu.

— Espera ai, o que tudo isso significa? – perguntou Soranin.

— É a porcentagem de danos que cada uma das armaduras tem neste exato momento.

— Ou seja...? – questionou Sui.

— Precisam entregá-las pra mim.

— Opa, opa, opa, calma aí. – Ulysses a interrompeu. – Quer dizer que só poderemos passar se te entregarmos nossas armaduras?

— Mas é claro. – respondeu a mulher. – Precisam me entregar para que eu possa restaurá-las.

— Restaurar? Elas parecem boas pra mim. – Heitor comentou enquanto olhava para os amigos. – Quer dizer... Bem... Mais ou menos.

— A questão é que, além dos danos aparentes, existem inúmeras fissuras nelas. Elas não podem ser vistas a olho nu, mas eu posso vê-las claramente. Lemurianos tem esse dom natural. – retrucou Rimo.

— Ah, certo... Mas creio que não tenhamos dinheiro, Pema. – disse Kirsi.

— Não é necessário dinheiro, apenas sangue.

— Sangue?! – todos disseram juntos.

— Vocês sempre fazem isso? – perguntou a lemuriana.

— Isso o quê? – a frase foi dita em uníssono.

— Deixa pra lá... Bem, as armaduras danificadas necessitam de sangue para serem restauradas... E também um pouco de pó de estrelas, mas isso eu já tenho. Fiquem tranquilos, não preciso nem de 10%, já que nenhuma ultrapassou a metade.

Ela se voltou para Yerik e acrescentou:

— Foi por pouco.

— Er... Então se não fizermos isso não passamos, certo? – Yerik procurou ter certeza.

— Certo! – respondeu Rimo, batendo continência.

— Vamos começar... Retirem-as e deixem-nas na forma original. – Pema esfregou as mãos e virou-se para o discípulo. – Vá até Jamiel e traga os instrumentos celestes, sim?

— Agora mesmo, mestra! – ele sorriu e saiu da casa de Áries.

Alguns segundos depois ele voltou, carregando ferramentas douradas. Logo elas foram envoltas pelos cabelos prateados de Pema e ela os trouxe perto de si.

— O-onde você achou isso? – Ulysses ficou surpreso.

— Fui até nosso palácio em Jamiel e voltei usando a telecinese. Legal, né?

O Santo de Unicórnio se calou, espantado, e retirou a armadura – assim como todos os outros.

— Se posicionem lado a lado para que eu possa começar e explicar melhor, por favor... Er, Rimo, pegue suas ferramentas também, sei que gosta de trabalhar com detalhes.

— Já estão na mão! Ou no ar, no caso. – ele riu e duas peças pertencentes à armadura de Cinzel apareceram ao seu lado, flutuando.

— Pois bem, como eu disse, as armaduras precisam de um pouco de sangue para serem restauradas. Basta abrirem um corte e deixar que ele escorra sobre elas, entendido?

— Sim! – todos disseram.

— Então vamos com calma, um por um. Você primeiro Leão Menor, já que está mais perto de mim.

— Tudo bem, mas como posso fazer isso e não perder mais sangue que o necessário?

— Posso? – ela apontou para o braço do cavaleiro.

— Ah, sim, claro. – ele o estendeu em sua direção.

Pema usou seus cabelos e fez um pequeno corte em seu pulso, deixando assim o sangue fluir. Algum tempo depois, a amazona pegou ataduras e as enrolou no braço dele.

— Já está bom. Rimo, assuma aqui para mim, por favor... E não esqueça do pó de estrelas.

Ele foi na direção de Heitor imediatamente, que ficou fascinado com a habilidade que o pequeno garoto tinha com as mãos. Ele realmente era alguém hiperativo, pois fez tudo muito rápido.

— Pronto mestra, a base está pronta!

— Agradeço. Agora é a minha vez! – ela estalou os dedos e se sentou pacientemente, virada para a armadura.

Usando sua telecinese – e seu cabelo – ela restaurou completamente a armadura em poucos minutos. Ficou nova em folha e mais brilhante do que nunca.

— Uau... Ela está linda!

— Espere, eu ainda não terminei. – a dourada advertiu. – Agora vem o toque final.

Um pote azulado veio em sua direção e, com a maior calma do mundo, ela pegou um punhado do que ele continha e jogou sobre sua obra de arte, que brilhou intensamente até se apagar e voltar ao estado normal.

— Agora sim, está mais bonita e mais resistente, prontinha para subir as doze casas! Apenas deixe-a parada para não forçar... Restauração é igual pintura, tem que "deixar secar" – Pema deu um sorriso para Heitor.

— Entendido, senhorita Pema... E agora, o que eu faço?

— Aguarde seus amigos. Prometo que isso não vai demorar.

Ele assentiu e a viu trabalhar cada vez mais rápido com o auxilio de seu ajudante, o que o fez sentir uma imensa vontade de desenhar. Pensou que o Santuário ficaria ainda mais bonito se os lemurianos ainda estivessem vivos e pudessem "decorar" o lugar. Era uma pena. Eles deveriam ter sido um povo fantástico.

Logo já era a vez de Soranin. Ela estendeu seu pulso, mas obteve uma negação como resposta.

— Você não precisa disso, querida. – Pema disse.

— Não? Como assim?

— Ah, então você não sabia? Sua armadura se restaura sozinha. Quer ver?

Ela apanhou um pouco de cinzas do chão e coou em suas mãos.

— Basta uma pouco de cinzas para ela renascer, como uma verdadeira Fênix!

Áries as jogou sobre a armadura, que instantaneamente entrou em combustão, assustando sua portadora. Depois que o fogo se dissipou, ela se restaurou. Todos ficaram admirados e os olhos de Soranin faiscaram por um instante.

— Uau, que incrível!

— Muito bem, agora a última armadura. – ela se aproximou de Sui.

— Er... Pema, eu creio que não possa fazer isso...

— Ah sim, a primeira filha de Tatsuo... Ouvi muitas histórias sobre seu pai. Ele foi um homem muito justo, com certeza. – Pema percebeu que começou a devanear e voltou à realidade. – Mas enfim, alguém precisa doar por você então.

— Eu me candidato! – disse Soranin prontamente. — Não precisei restaurar a minha dessa maneira, então meio que é uma obrigação.

— Não irmã, não precisa fazer isso!

— Eu preciso sim... Você prometeu, Sui. – lembrou.

— Certo, certo, você venceu.

— Então vamos lá, vocês não tem tempo a perder! – Pema as encorajou.

Assim que terminou a armadura da Andrômeda, foi checar as outras — que já estavam prontas para serem usadas. Ela então ia devolvê-las para seus donos, mas Rimo antecipou-se, puxando sua capa branca.

— Espere, mestra! Deixe eu dar o toque final, por favor!

Aqueles olhos grandes e pidões eram impossíveis de se ignorar. Pema riu e cedeu.

— Tudo bem, mas só dessa vez, hein?

— Ok! Obrigado, Pema! Não vai se arrepender! Eu prometo!

Ele pegou suas ferramentas e entalhou símbolos nas costas de todas elas, de acordo com a constelação a que pertenciam.

— Pronto! Espero que gostem!

— Rimo, esse lobo ficou maravilhoso! – comentou Kirsi.

— Adorei esse Leão! Parabéns, cara! – disse Heitor.

Todos concordaram, dizendo o mesmo de seus esculpimentos enquanto colocavam suas armaduras.

— Uau! Eu me sinto... mais forte! – comentou Ulysses.

— Isso é incrível! – concordou Sui.

— Meu cosmo está transbordando! – Heitor ficou maravilhado.

— Então, vamos pessoal, já perdemos tempo demais – disse Yerik, por fim.

Ele correram na direção da porta, mas foram barrados por Pema.

— Ainda não.

— Mas... Por quê? – Soranin perguntou.

— Ainda há algumas coisas que eu preciso explicar a vocês... Coisas que os ajudarão a passar pelos desafios.

— Tipo...? – questionou Andrômeda.

— Hum, vejamos... Basicamente, é impossível se teleportar pelas doze casas, então, nada de truques. Como viram, Rimo teve de sair da casa de Áries para chegar até Jamiel... Er... Não tentem contornar as casas. Além de desonroso, isso é impossível, pois o cosmo de Atena impede que vocês o façam. Isso pode trazer consequências sérias... Ah, e vocês não podem voltar para a casa anterior depois que saírem dela... – ela fez uma pausa considerável. – Ah, e tem também o Sétimo Sentido!

Eles ficaram surpresos. Não sabiam da existência de nada acima do sexto sentido, comum a todos os humanos. Quando Pema explicou, eles ficaram indignados. Como poderiam não saber daquilo? Por quê ninguém havia dito antes?

— Basicamente, quando um Cavaleiro atinge a velocidade da luz, desperta o Sétimo Sentido. Todos os Santos de Ouro têm. A maioria o desperta junto ao cosmo, por isso já temos mais ou menos uma noção de quem está apto à patente de Ouro e quem não está... Nunca contaram nada a vocês para evitar brigas. É complicado explicar, mas houveram várias disputas em que Santos tentavam alcançá-lo e acabavam morrendo, então não se fala disso. Apenas quem o desperta sabe, e essa pessoa é imediatamente encaminhada para o Papa.

— Então... Ao lutarmos com os dourados, podemos despertá-lo? – Heitor quis confirmar.

— Acho que têm quarenta por cento de chances, então... é, talvez. – ela deu de ombros.

— Hum, tá legal... Agora podemos ir? – Ulysses estava mais agitado que Rimo.

— Tem só mais uma coisinha... Precisam passar pelo meu discípulo antes. Ele é um Santo de Bronze e, assim como vocês, tem um dom... Conte para eles, Rimo.

Todos se voltaram para ele, esperando a explicação.

— É verdade, eu posso ver o futuro! – vangloriou-se. – Bem, não exatamente... Só vale para algumas horas ou dias, nada além disso... Mas eu tenho o dom da profecia! Quando toco em alguém e conecto meu cosmo ao dessa pessoa, sou capaz de recitar uma história em forma de poema, algo que vai se realizar um dia... Eu sei, parece coisa de louco, mas funciona!

— É isso aí, e agora vocês precisam ouvi-las. Mas já lhes adianto que elas não terão um significado imediato... Faremos na mesma ordem da restauração. Estão preparados?

— Sim! – disseram.

Cinzel fechou seus olhos, se concentrou, e caminhou até Heitor. Ele colocou as mãos em seus ombros, levantou a cabeça, e abriu seus olhos, que ficaram iluminados com um brilho dourado ofuscante.

Ele fitou o moreno de olhos verdes que estava em sua frente e se preparou. Heitor sentiu um choque de energia percorrer seu corpo, e então Rimo começou:

— "O pequeno leão faz um sacrifício pela amizade

Sem imaginar o que está por vir

Isso resultará na quebra de uma irmandade

E um velho sentimento voltará a surgir

Quinze pontos interromperão seu caminho por uma nobre causa

Um merecimento que não conseguiu alcançar

E embora pense que finalmente fará uma pausa

Em uma nova luta irá parar."

Seus olhos voltaram a cor natural, deixando aquele brilho sombrio de lado. Leão Menor o olhava fixamente, espantado por uma criança conseguir fazer algo tão assustador.

— Uau... Isso foi interessante! – Rimo comentou.

— Hum... obrigado?

Ele se encaminhou para onde Kirsi estava e tudo se repetiu. O brilho, o choque, a profecia.

— "Uma loba sem alcateia

Tem a alma voltada à justiça

Do que irá acontecer ela já tem uma ideia

E pelos companheiros se sacrificará sem cobiça

Um anjo ou um demônio acabará com sua incerteza

E nenhuma dúvida ou problema poderá detê-la

Em determinado momento ela verá dentro de si a beleza

E vislumbrará novamente sua estrela."

A amazona estremeceu da cabeça aos pés, como se o chão desaparecesse sem nenhum motivo. O abalo foi tamanho que ela caiu para trás, mas Yerik a segurou.

— Você está bem? – ele perguntou, preocupado.

— Estou. Foi só uma tontura passageira... – tentou disfarçar.

— Kirsi... – chamou Rimo, com o tom de voz tristonho.

— Sim? – ela se equilibrou novamente nos dois pés.

— Sua orelha... Tem uma marca atrás dela, não é? – perguntou, sussurrando.

Ela levou uma das mãos até a parte de trás da orelha, tateando. Ela nunca vira, mas sabia que havia uma marca em forma de coração ali – uma longa história.

— Ah... – disse, um pouco sem graça. – N-não é nada demais...

— Eu também tenho uma. – ele sussurrou e mostrou o pulso. Lá uma marca idêntica, porém mais escura, se destacava. – Sei o que significa.

Kirsi ficou em silêncio, assustada. Nunca conhecera alguém que também possuísse essa "assinatura" em seu corpo.

— Eu... Eu sinto muito por tudo isso... – ele fitou o chão, envergonhado.

Ela respirou fundo, olhou em seus olhos e beijou sua testa.

— Não se preocupe, criança. Eu ficarei bem.

Ela agradeceu por usar uma máscara naquele momento, pois seus olhos deveriam estar transbordando. Além dela ninguém notou que Rimo derramou uma lágrima enquanto ia ao encontro de Yerik.

Cisne não imaginou que o olhar de uma criança pudesse ser tão intimidador – mas crianças não tinham olhos dourados, o que o fez lembrar que aquela não era uma situação normal.

— "O cisne solitário caminha pelo gelo

Pois na guerra seus sentimentos irão se perder

E passará a ver tudo com mais zelo

Assim seu confronto com a maga enfim não irá temer

Ele perdeu um amor

E também uma parte de si

Mas aprenderá a conviver com a dor

E compreenderá o real motivo pelo qual sorri."

Ele ouviu atentamente as palavras mas não viu muito significado.

— Você vai ficar bem, confie em mim. – Cinzel disse. – Apenas não desista de seus objetivos.

Ele não compreendeu. Sempre fora alguém alegre e engraçado. Quando seu sobrinho morreu ele realmente ficou triste, mas superou o acontecido – não por completo, claro, mas o suficiente para seguir em frente. Apenas evitou pensar no assunto para não causar transtornos.

Rimo foi até Ulysses e então recitou:

— "Um intruso caminha lado a lado

Com um grupo do qual não faz parte

Ele se sente solitário pois foi abandonado

Sem compreender a verdadeira arte

De um labirinto terá que sair

E a espada sagrada quebrar

Embora sua culpa ele não queira admitir

Para ao lado de seus amigos deve retornar."

Unicórnio entendeu boa parte do que lhe foi dito, mas mesmo assim ficou na dúvida. Aquela história de ser deixado de lado não era novidade, mas de qual arte ele estava falando? E quanto ao labirinto e a espada?... E que papo de não admitir sua culpa foi aquele?

— Logo você vai entender. – disse Rimo.

— Se você diz. – ele deu de ombros.

Quando Rimo chegou até Soranin, ela hesitou. E se ele contasse a todos sobre Hades?... Isso seria horrível.

No final das contas, ele não o fez. Apenas disse:

— "A fênix enjaulada vai se libertar

Mas com a vitória vem o almejo

De no tempo poder voltar

Para enfim realizar seu desejo

Por um acaso do destino

O garoto perdido finalmente aparecerá

Na forma de um ser divino

E ao seu lado ela lutará."

A amazona não entendeu absolutamente nada, então apenas agradeceu.

— Estranho, não consegui visualizar muita coisa... – ele sussurrou. – Mas mesmo assim, fique tranquila.

— Certo... O-obrigada... – ela tentou não parecer aflita.

Rimo então se virou para Sui e encarou a rosa em seus cabelos por um breve instante. Ele então anunciou:

— "A rosa cheia de veneno cumprirá sua missão

Para honrar uma promessa

Feita à uma pessoa de bom coração

Que partirá sem pressa

A princesa acorrentada tem seu objetivo alcançado

E parte em uma jornada sem volta

Caminhos opostos são o resultado

Pois ela já não sente mais a revolta."

Instantaneamente, Sui pensou em Calisto. A promessa seria a que ela havia feito a ele? Mas e a parte sobre partir sem pressa?

— Uma dica. – disse o garoto. – Guarde seu cosmo para o final.

— Ok... – respondeu, tentando expressar indiferença.

Depois de um breve silêncio, Pema agradeceu:

— Obrigada, Rimo. Você foi de grande ajuda... Sei como isso te deixa cansado, então pode subir e descansar se quiser.

— Fico agradecido, mestra, mas prefiro ficar aqui por enquanto.

Ele sentou ao lado da amazona de Ouro, que voltou a falar:

— Santos de Bronze, espero que tenham ouvido com muita atenção as palavras de meu aprendiz, pois elas serão imprescindíveis... De qualquer maneira, a próxima casa é guardada por Abati de Touro, um guerreiro muito nobre e poderoso. Para evitar um confronto desnecessário, três de vocês devem ir na frente e outros devem segui-los após alguns minutos. Tudo bem para vocês?

— Tudo. – todos concordaram.

— Então, Rimo, quem deve ir primeiro? – perguntou.

— Bem, acho que o último que teve a armadura restaurada, por que não seria justo ficar esperando mais tempo ainda – ele fitou Sui – junto com a armadura menos danificada – em seguida olhou para Kirsi – e o mais velho, que no caso, eu não sei quem é... É um fator aleatório.

— Hum, certo... Então, a última a participar da restauração foi Sui de Andrômeda... A armadura menos danificada foi a de Lobo, ou seja, Kirsi também vai seguir... E o mais velho, bem... Qual a idade de vocês?

— Quinze. – disse Sui.

— Treze. – Soranin a acompanhou.

— Catorze. – comentou Yerik, logo em seguida.

— Dezesseis. – Heitor deu de ombros.

— Catorze. – disse Kirsi.

Todos olharam para Ulysses.

— O que foi? – ele perguntou.

— Qual a sua idade? – Fênix e Andrômeda perguntaram.

— Eu tenho catorze também. – ele revirou os olhos, meio abalado por ninguém se recordar.

— Certo, então Heitor de Leão Menor deve ir com vocês duas. Os outros esperam mais alguns minutos e depois podem sair... Boa sorte cavaleiros e amazonas!

Heitor e Kirsi se despediram de Yerik enquanto Sui fazia o mesmo com Soranin. Ninguém pareceu se importar com Ulysses, o que o fez ficar ainda mais receoso em relação a essa etapa.

Então ele percebeu que Kirsi o encarava, sussurrando enfim "Não desista". Ele se sentiu um pouco melhor, mas não quis demonstrar e por isso preferiu desviar o olhar.

Rimo deu um tchau e gritou para Heitor:

— Não esquece do meu sorvete, hein!

— Prometo que não vou! – o outro riu.

Os três agradeceram Pema e Rimo e partiram na direção da casa de Touro, deixando os outros para trás. As escadas pareciam maiores que as anteriores, mas de tão alta que a casa era, dava claramente para ver o seu topo. Kirsi ainda estava meio chateada por deixar Yerik, mas no fundo aliviada. Algo a fazia não querer que ele os acompanhasse naquele momento.

***

Os versos da profecia ainda rondavam a mente de Sui. Ela tentava compreender o real significado de tudo aquilo, mas a adrenalina falava mais alto, impedindo que ela se concentrasse.

***

Heitor estava um pouco melhor, mas quando olhou para o Relógio de Fogo percebeu que a chama de Áries já havia se apagado e lembrou do brilho dourado dos olhos de Rimo. Certamente aquilo ainda o atormentaria por um bom tempo.

Ainda na casa de Áries, Cisne soltou um longo suspiro. Ele agora estava sozinho e sem ninguém para conversar, então preferiu o silêncio.

Rimo percebeu o que se passava e sentiu um calafrio. A atmosfera estava se esfriando por causa de Yerik. Ou era o sentimento de saber que o futuro não seria sutil com ele?... Provavelmente os dois.

— Ei, Yerik! – chamou.

— Sim?

— Quer ouvir uma piada?

Pema interveio antes que alguém pudesse dizer algo. Já haviam se passado cinco minutos e eles precisavam ir.

Todos agradeceram e se foram. Pema ficou sozinha com Rimo, os observando se afastar cada vez mais, pensando em tudo que eles teriam de fazer para passar pelas doze casas.

Subitamente, um pensamento veio em sua cabeça, e ela se surpreendeu com a inteligência do aprendiz.

— Rimo! Então ela sabe? E ela vai...? – ela hesitou.

Ele assentiu. Seus olhos cheios de lágrimas recém-formadas fitaram Pema, que se ajoelhou e o abraçou.

— Você é um bom menino, Rimo... Espero que tenha tomado a decisão certa... – ela fez uma pausa. – Não... Eu sei que você tomou.

— O...bri...ga...do P-Pema... – ele soluçou de volta.

— Me faça um favor, sim? Vá até Rozan e fale com a anciã sobre isso. Confirme essa história antes que se torne realidade, por favor.

— C-claro, já estou indo... – ele enxugou os olhos. – V-você vai ficar bem?

— Sim, eu vou. Tente não se esforçar demais... Se não conseguir usar totalmente sua telecinese eu posso te ajudar.

— P-por favor.

Eles se encaminharam para fora da casa de Áries, se concentraram, e Rimo desapareceu.

Pema passou as mãos pelo rosto. Simplesmente não acreditava no que estava acontecendo. A brisa soprava levemente, nem muito fria nem muito quente, e embora o sol já tivesse se posto, o céu estava um pouco claro.

Isso fez com que a amazona decidisse se sentar na escadaria para refletir sobre tudo o que havia presenciado. Ela não compreendia como não havia pensado naquelas coisas antes. Uma das profecias de Rimo em particular rondava sua mente, e ela entendia perfeitamente o significado disso tudo.

E então, como se rezasse para que tudo não passasse de um sonho, olhou para cima em busca de uma resposta.

Notas finais
[Para a alegria de vocês, não tem legenda dessa vez (rs)!] As armaduras foram restauradas e Rimo previu como seria o caminho que eles trilhariam dali em diante. Agora, divididos em dois grupos, como eles irão prosseguir? De quem Pema e Rimo estariam falando, afinal de contas? Será que Abati de Touro é realmente tão forte como a amazona dourada sugeriu? Descobriremos semana que vem! Fiquem ligados! Quem gostou, por favor, favorite, comente, acompanhe e/ou recomende. Ajude-nos a melhorar a história com seu review! [P.S.: Mais uma notinha básica: as armaduras das amazonas NÃO são vulgares como a maioria das fanarts. No caso das de Ouro, elas revestem TODO o corpo, e não apenas algumas partes do mesmo. As de Prata seguem o mesmo, mas não protegem tanto quanto as de Ouro (idem para as de Bronze, comparando-as com as de Prata). Eu mudei todo o esquema de armaduras (ou seja, redesenhei todas), e dentro de algum tempo estarei publicando-as em nossa página do facebook (que vai voltar à ativa quando meu computador colaborar)... No entanto, nenhuma constelação foi trocada de patente (coisa que no Omega acontece com a de Águia, por exemplo). Isso poderia confundir muito, então decidi deixar dessa forma.]