Notas iniciais
Boa noite, pessoinhas! Seguimos hoje para a casa de Touro, onde o cavaleiro Abati aguarda nossos guerreiros. O que será que vai acontecer?

Eles já deveriam ter perdido muito tempo naquelas escadas. Parecia ter se passado horas, mas o relógio os tranquilizava em parte, mostrando que a chama de Touro estava pela metade.

Talvez fosse só sua imaginação, mas tudo estava tão silencioso que Heitor jurava que podia ouvir o crepitar do fogo ecoando Santuário a dentro.

— Isso nunca vai terminar? Eu estou com fome! – resmungou.

— Agora não, Heitor. – Kirsi o interrompeu, embora também estivesse faminta. – Veja! Chegamos!

A casa de Touro prostrava-se na frente deles. Uma estrutura grandiosa como aquela com certeza abrigava um cavaleiro de mesmo nível – e Pema os alertara para terem cuidado.

A amazona de Lobo e o cavaleiro de Leão Menor se anteciparam, mas perceberam que Sui não os seguia.

— Você não vem? – a finlandesa perguntou.

— Vou esperar minha irmã, se não se importarem. – respondeu com um olhar distante.

— Tudo bem então... Vamos, Kirsi! – disse Heitor.

A amazona fitou Andrômeda antes de entrar na casa por um breve instante e se despediu enquanto adentrava na escuridão, desaparecendo junto ao amigo.

Logo já não era mais possível ver por onde haviam entrado. Estavam tão concentrados em seus pensamentos, olhando para trás e vendo a silhueta de Sui ficar cada vez menor, que nem notaram quando acabaram se chocando contra alguma coisa fria e metálica.

O barulho resultante foi sutil, como uma moeda caíndo, mas os assustou.

— Boa noite, jovens. – disse uma voz masculina.

Heitor e Kirsi olharam para frente mas tudo que viram foi um brilho dourado. Ergueram suas cabeças, acompanhando o obstáculo, e deram de cara com um Santo de Ouro – e ele era mais alto do que haviam imaginado.

— V-você é Abati de Touro, certo? – Heitor perguntou.

— Sim, sou eu. – sorriu, fechando levemente os olhos esverdeados, que eram um pouco mais claros que os de Heitor. – E vocês, quem são?

— Eu sou Kirsi de Lobo, senhor Abati... Este é meu amigo, Heitor de Leão Menor.

— Pois bem, senhor Heitor e senhorita Kirsi... Um de vocês deve deixar essa casa imediatamente. O outro deve me enfrentar enquanto os próximos Santos não chegam.

Os dois se entreolharam. Aquilo estava fácil demais para ser verdade, mas como Pema dissera, Abati era um guerreiro muito nobre, logo não permitiria que dois Santos duelassem ao mesmo tempo enquanto os outros ainda estavam subindo as escadas.

— Certo, eu fico. Kirsi você pode seguir para Gêmeos.

— O quê? Não! Nem pensar. – protestou. – Não vou te deixar sozinho, Heitor!

— Nós já perdemos muito tempo na casa de Áries, precisamos nos adiantar... Por favor Kirsi, vá em frente.

— Heitor, eu...

— Fique tranquila, jovem... – interveio Abati, colocando a mão em um dos ombros de Heitor. – Ele vai ficar bem.

— T-tudo bem, eu vou. – concordou, relutante.

— Nos veremos em breve, eu prometo. – o amigo tentou tranquilizá-la.

— Então saiba que eu vou te cobrar! – caçoou, piscando e tentando passar um tom sério em sua voz.

Kirsi agradeceu Abati por lhe dar esta chance e seguiu para a casa de Gêmeos. Sua mente estava inundada de pensamentos – entre eles o de que tinha amigos maravilhosos e nunca poderia se esquecer disso, jurando fazer de tudo pra protege-los até o fim. Não queria deixar Heitor para trás, mas também não podia esquecer seus objetivos. Correu ainda mais rápido do que antes, subindo dois degraus por vez.

***

— E então, como vai ser? – o Santo de Bronze perguntou.

— Uma luta justa. Eu contra você até que os próximos cavaleiros cheguem até esta casa... Depois decidirei como prosseguir. – ele fez uma pausa e continuou. — Pode começar se quiser.

— Ok... Então se prepare! Patada Selvagem!! (1)

Heitor atacou com a mesma seriedade que tivera na luta com Aristides, mas acabou por transpassar o corpo de Abati – que parecia nem ter se movido.

— O quê?! – exclamou.

— Precisa ser mais ágil do que isso se quiser me vencer, jovem... – ele ajeitou os curtos cabelos loiros e arrepiados e cruzou os braços. – Grande Chifre!! (2)

Ele recebeu o ataque em cheio, sem ter tempo nem para pensar em desviar. Francamente, ele nem sequer havia pensado que era possível atacar daquela forma. Quando se deu conta, já estava de costas em uma das paredes, sangrando pelo canto da boca.

— Você é... muito forte! – tossiu.

— É uma questão de ponto de vista. – deu de ombros. – A força nem sempre é a virtude que determina o melhor guerreiro.

A íris de Abati parecia brilhar intensamente, mas para a sorte de Heitor, não chegava a ser igual a de Rimo. Aquele brilho era terrível e conseguia ser mais dourado que os cabelos do Santo de Touro.

— Hum... – murmurou enquanto se reerguia. – O mesmo golpe não funciona duas vezes contra o mesmo oponente, certo?

O dourado confirmou com um aceno.

— Então devo investir no meu... Rugido de Leão Menor!! (3)

As ondas sonoras de Heitor já eram altas e eficazes normalmente, mas dentro de um recinto vazio, feito de mármore, ficaram ainda mais poderosas. Pensou que surtiria efeito, mas foi justamente ao contrário. Mais uma vez, Abati não se moveu nem um milímetro.

— Como isso é possível?!

— Apenas precisei desviar de suas ondas. – revelou enquanto cruzava novamente seus braços. – Grande Chifre!!

Heitor foi atingido novamente, mas junto com o impacto – e o sangue, agora vindo de sua testa – uma ideia veio em sua mente.

Por quê o oponente cruzava os braços sempre que atacava? Seria uma espécie de preparação para obter mais força ou apenas uma forma de irritá-lo, demonstrando despreocupação?

Não. Aquilo realmente não era por acaso.

Esse deveria ser o seu ponto fraco. Somente era preciso descobrir como interromper o golpe e ele então o derrotaria sem maiores problemas.

— Eu não vou desistir! – brandiu, convicto, enquanto corria em sua direção.

Seu adversário cruzou os braços – como ele previu – e por uma mínima fração de segundo, Heitor estreitou os olhos e viu uma oportunidade. Percebeu que Abati descruzava os braços em certo momento para aplicar o golpe e somente depois retornava à posição adotada anteriormente. Ele fazia isso tão rápido que era quase impossível de se notar.

Era nesse momento que ele ficava indefeso e Heitor estava livre para contra-atacar.

Bombardeio de Leão Menor!! (4)

Desprotegido, Abati foi jogado para longe. Obviamente a força de Heitor não era o suficiente para derrubá-lo, mas isso rendeu uma boa experiência.

O dourado deu um mortal e caiu em pé, sem danos significativos. Em seguida parabenizou-o:

— Parabéns, jovem, você conseguiu achar minha fraqueza em poucos minutos! É um verdadeiro Santo de Atena!

— Obrigado. – Heitor se sentiu um pouco acanhado. – Não vejo uma forma de agradecimento que esteja ao seu nível, Abati.

— Ora essa, não é necessário. – ele fez uma pausa. – Oh, veja, seus amigos chegaram!

Heitor olhou para trás, mas não viu ninguém. Quando estava prestes a questionar as palavras que seu adversário dissera, uma voz familiar o chamou:

— Heitor!

Era Yerik, que entrava junto com Ulysses, Sui e Soranin.

— Yerik, você chegou!

— Onde está Kirsi?

— Abati permitiu que um de nós dois seguisse adiante e eu pedi para que ela fosse. – explicou.

— Ela tentou ficar aqui com você, não foi?

— Sim.

Os dois riram. Aquilo era a cara da amazona de Lobo.

O guardião interveio e pediu que eles se apresentassem, dizendo que como Heitor descobrira uma brecha em sua defesa, poderia escolher outro Santo para seguir em frente, ou ele mesmo poderia ir, se preferisse. Assim que ele – ou o escolhido – saísse, os demais cumpririam um desafio, e quando terminassem poderiam ir embora.

— Hum, certo... Então eu escolho o Yerik para prosseguir.

— M-mas Heitor... – ele franziu o cenho, tentando compreender. – Por quê você mesmo não vai?

— Amizade acima de tudo. Pode ir.

— Obrigado! – Cisne agradeceu. – Quando precisar de mim é só pedir!

— Acertamos isso depois... Ah, se encontrar com Kirsi diga que eu já estou chegando!

— Pode deixar! Até daqui a pouco!

E assim ele se foi, imaginado onde Kirsi estava e o que ela estaria enfrentando naquele momento.

Se sentia triste por deixar seu amigo para trás, mas eles não podiam gastar tanto tempo assim. Ele confiava e conhecia Heitor. Ele com certeza daria um jeito de alcançá-los logo mais. Sorriu e encarou as escadas em sua frente.

Assim que o cavaleiro de Cisne se foi, Abati encarou Heitor.

— Por quê o deixou ir, assim como a amazona com quem chegou junto?

— Eles são meu amigos. Não quero que fiquem aqui mais tempo que o necessário.

— E quanto a você? – questionou. – Prefere ficar a ser livre?

— Minha liberdade não depende do meu desafio, mas sim de que quem eu ame esteja a salvo.

Abati tentou encontrar uma forma de conter sua admiração. Aquele garoto realmente era confiante e tinha certeza absoluta quanto ao que sentia por seus companheiros. Sentiu pena daquele que ousasse lutar a sério com ele. Certamente era do tipo que se levantava repetidas vezes, sem nunca desistir.

— Entendo... – disfarçou. – Então, vejamos... Há dois cavaleiros e duas amazonas aqui... Hum, obviamente quatro é um número par, o que significa que meu desafio vai funcionar... Esperem aqui.

Ele foi até um canto e pegou um elmo dourado com dois chifres. Estava claro que fazia parte da armadura de Touro.

— Como podem ver, jovens, tenho aqui uma das partes de minha armadura dourada, na qual de cada lado prostra-se um chifre. Vocês terão a tarefa de quebrá-los sem serem atacados por mim, o que eu garanto, não será fácil. É meio que uma tradição entre os cavaleiros de Touro fazer isso quando não podemos ou queremos lutar com tudo contra alguém. A força é nossa principal arma, e contê-la é mais difícil do que parece. Se continuar, ficarei esgotado em minutos, e na pior das hipóteses vocês estarão em risco se eu não conseguir controlar... Assim testamos a capacidade do oponente para ver até onde ele pode chegar, e como devem saber, ouro é muito resistente... Heitor já descobriu o segredo do Grande Chifre, então não usarei essa técnica novamente... Enfim, dois de vocês se concentrarão no esquerdo e os outros dois no direito, mas não seria justo colocar os homens de um lado e as mulheres do outro, então façamos da seguinte maneira: Fênix e Leão Menor ficam com o direito e Unicórnio e Andrômeda com o esquerdo. – ele fez uma pausa para garantir que todos acompanharam seu raciocínio. – De acordo?

— Sim! – todos disseram.

— Então vamos lá. Podem começar!

Sui e Ulysses foram os primeiros a atacar, mas falharam, pois o ataque de Abati – o qual ele não identificou – os acertou antes mesmo de que seus golpes chegassem até ele. Ambos caíram sentados no chão, machucando as pernas consideravelmente.

Uma cratera se abriu bem no meio da sala principal. Admirado e olhando para o buraco bem em frente aos seus pés, Ulysses questionou:

— C-como esse cosmo consegue ficar disfarçado dessa forma? É extraordinário!

— Concordo com você. – disse Sui.

Em seguida, Soranin e Heitor tentaram a sorte. Embora tivessem um longo alcance, não conseguiram quebrar o chifre. Ao contrário dos amigos, que foram repelidos, eles passaram direto, indo de encontro à parede.

— Vamos jovens, vocês conseguem! – Abati os incentivou com um tom desafiador. – Provem que são dignos de passarem daqui!

— Ok... Soranin, eu tenho um plano. Poderia colaborar comigo?

— Mas é claro! – sorriu.

Heitor sussurrou algumas palavras inaudíveis para os outros em seu ouvido e ela pareceu entender. Sui e Ulysses estavam se reerguendo, mas não tinham ideia de como prosseguir, então limitaram-se a analisar o dourado.

Logo a primeira dupla estava pronta novamente.

Ave Fênix! (5)

Bombardeio de Leão Menor!

Os dois golpes se juntaram em um só, complementando-se e atingindo o chifre da direta, fazendo com que ele se partisse em alguns pedaços e tilintasse ao ir ao chão. A expressão de Abati mudou de desaprovação para um sorriso orgulhoso.

— Ótimo! Era disso que eu estava falando! – disse. – Podem passar!

— Obrigada, Abati, você é muito gentil! – Soranin agradeceu.

— Agradeço a oportunidade! Fico te devendo uma! – Heitor a acompanhou.

— A senhorita também é muito gentil, Soranin. – ele retribuiu. – E Heitor... Quem fica devendo uma sou eu.

— Pelo quê?

— Por me lembrar que a amizade está acima de tudo. – piscou. – Você tem um grande futuro pela frente!

Ele riu, um pouco lisonjeado, e saiu junto com Soranin, que se despedia da irmã, rumando as escadas que levavam até Gêmeos.

***

— Ulysses, o que acha de usar seu Galope do Unicórnio enquanto eu uso a Onda Relâmpago? Será impossível escapar.

— Hum, é uma boa ideia... – ele concordou.

Abati interrompeu o raciocínio dos dois:

— E então, vão se juntar aos seus amigos ou ficar aqui, esperando?

— Agora?

— Agora!

Onda Relâmpago! (6)

Galope do Unicórnio! (7)

A combinação foi perfeita, pois o chifre caiu na mesma hora, inteiro. Finalmente após umas três ou quatro tentativas, eles podiam passar.

— É isso aí! Podem ir, jovens!

— Valeu, Abati!

— Não por isso, Sui.

— Foi uma batalha bem interessante, admito. – disse o Santo de Bronze, admirado.

— Hahaha, é verdade Ulysses. Foi mesmo... Mas não percam tempo falando comigo, vão atrás deles!

— Sim! – eles disseram

***

Abati os observou subindo as escadas até perdê-los de vista e começou a lembrar do que Heitor dissera sobre amizade. Ele era muito parecido com seu já falecido mestre nesse ponto, mas tinha algo a mais... Aquela determinação superava até mesmo a dele.

De repente, algo interrompeu seus pensamentos. Alguém estava falando com ele pelo cosmo.

— Abati? – disse uma voz feminina.

— Pema? É você?

— Sim. Pode vir até a minha casa, por favor?

— Claro, mas...

— Venha rápido. Precisamos conversar.

Abati retirou seu elmo e o examinou em suas mãos, girando-o.

— Ok, estou a caminho. Sabe, eu estava mesmo precisando te visitar... – riu.

Notas finais
[Legenda:] (1) Patada Selvagem (“Wild Kick” em inglês): é um golpe criado por mim. É uma forma alternativa do Bombardeio de Leão Menor, mais direta, porém menos efetiva por conta de sua área restrita. (2) Grande Chifre ("Great Horn" no original): é um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (3) Rugido de Leão Menor ("Lionet Roar" em inglês): é um golpe criado por mim. Heitor concentra seu cosmo e emite ondas sonoras que se assemelham a um rugido. (4) Bombardeio de Leão Menor ("Lionet Bomber" no original): é um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (5) Ave Fênix ("Hoyoku Ten Sho" no original): É um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (6) Onda Relâmpago ("Thunder Wave" no original): É um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (7) Galope do Unicórnio (“Unicorn Gallop” no original): é um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). —---- [Nova(s) ficha(s):] Abati Cavalcantti Divindade: Atena Classificação: Cavaleiro de Ouro Constelação: Touro Gênero: Masculino Idade: 26 anos Significado do nome: “Cabelos dourados, loiro” Aniversário: 10 de Maio Signo zoadical: Touro Altura: 2.03 Peso: 98kg Tipo sanguíneo: O+ Local de nascimento: Brasil Local de treinamento: Brasil Mestre: **** de Touro Discípulo(s): Diana Angnel Cor, textura e tamanho dos cabelos: Loiros, lisos, arrepiados Cor dos olhos: Verde Parentesco: Nenhum Personalidade: Honrado, sensato, nobre, gentil Habilidades especiais: Telecinese básica, força intensa Objeto de valor sentimental: Nenhum —---- Abati foi derrotado e Pema logo o contatou. Ela desconfia que há algo a mais nas profecias de seu discípulo. Será que ela está certa em temer o resultado disso? No próximo capítulo, o cavaleiro dourado de Gêmeos aparece, revelando uma história dolorosa e um desfecho um tanto quanto inesperado! Não percam! [Quem está curtindo a história, por favor, não esqueça de favoritar, comentar, acompanhar e/ou recomendar. Aos que acham que falta algo, envie um comentário com suas dicas (:]