Notas iniciais
Tivemos mais um atraso na postagem de capítulos, mas aqui estou eu para finalmente trazê-lo até vocês. ♥ Talvez tenha surgido uma pequena dúvida por parte de vocês nos capítulos anteriores sobre os golpes dos Basiliscos, mas irei explicar rapidamente. Cada um deles controla um elemento (Hiero - Raios/ Hedi - Névoa/ Hector - Caos) e tem uma habilidade especial (Hiero - projeta campos de força/ Hedi - expele veneno/ Hector - atravessa as sombras). Os golpes elementais não possuem um nome pois eu achei que essa seria uma boa forma de expressar o incrível poder que eles têm. Espero que a dúvida tenha sido esclarecida. Tenham todos uma ótima leitura! (:

Hiero ergueu os antebraços na altura dos ombros, fechando os punhos. Baixou-os com velocidade, deixando as palmas das mãos para cima e retraindo os dedos, como se fossem garras. Duas energias douradas muito semelhantes a raios apareceram em suas mãos, faiscando e fazendo ruídos de eletricidade. No entando, seu rosto não expressava ódio, apenas calmaria.

Os Santos de Bronze recuaram um passo, sentido um lampejo de sua força.

— Comecemos então com os ataques elementais. – ele disse suavemente. – Irei demonstrar a vocês como os céus são de verdade!

O brilho se intensificou, agitando as esferas de poder, que imediatamente explodiram na direção de seu alvo. Poderosas descargas elétricas os atingiram, arremessando-os para os lados. Era como se tivessem sido fritos por dentro. A dor então, era pior do que isso.

Linus se revirou no chão, desconfortável, enquanto Heitor soltava um leve arquejo e Yerik contraía os olhos e cerrava os dentes, contendo-se.

O ar cheirava a carne queimada, embora não houvessem queimaduras de verdade. Ninguém se arriscou a levantar e tomar mais um choque, mas ao perceber que seu cabelo estava chamuscado, Athos protestou:

— Ei! Isso não foi legal!

— Hum?... Vai me enfrentar então?

— Mas é claro. Ninguém, ninguém mesmo mexe com o meu cabelo!

O ofídio soltou uma leve risada.

— Bem que eu desconfiava que você era metrossexual... Afinal, o que poderia se esperar de alguém que usa roupa íntima cor-de-rosa? – zombou.

Athos ficou confuso e começou a olhar para sua calça. Embora estivesse revestida em alguns pontos por sua armadura, uma pequena parte do tecido havia queimado, revelando uma parte de sua cueca.

— Hã?... Ah, droga! – ele se interrompeu, irritado. – Isso não se faz, cara, isso não se faz!... E pra sua informação isso não é rosa, é vermelho claro!

— Ah, sim, estava tão óbvio... Como pude não perceber a diferença de dois ou três tons? – ironizou o oponente. – Eu sou mesmo um idiota, me desculpe...

— E você ainda zomba de mim? Seu... seu... mauricinho!

— Obrigado.

— Isso não foi um elogio!

— Prove. – Hiero arqueou uma sobrancelha.

— Você quer uma prova? Pois bem... Mergulho Infernal!! (1)

Ele pegou impulso pulando em uma rocha e se atirou para cima. Ao atingir o ponto máximo inclinou-se na direção de Hiero e colocou todo seu peso nas pernas, visando atingí-lo com precisão máxima enquanto rotacionava seu corpo.

O Basilisco apenas riu, estendendo seu braço e interrompendo a rotação de Athos, segurando sua perna direita e arremessando-o para longe com indiferença e facilidade. Athos caiu de costas, arquejando e apertando os olhos.

— É isso o que acontece quando vocês tentam enfrentar um inimigo mais poderoso. – falou. – Seus esforços serão em vão e cada vez vocês sairão mais machucados... Desistam.

— Nunca! – Yerik trovejou. – Aurora Boreal!! (2)

— Isso também não vai dar certo... – advertiu ele.

Bombardeio de Leão Menor!! (3)

Heitor se juntou a ele bem a tempo. Os dois golpes se uniram, formando um só, e a energia espiralou até atingir o alvo de raspão, bem ao lado da barriga. Ele demorou para perceber que havia sido atingido, e quando viu seu próprio sangue escorrendo, sorriu.

— Nada mal... Mas vocês saíram perdendo.

— O quê...?!

Os dois cavaleiros notaram marcas de socos por todo o corpo, que somente agora começavam a aparecer.

— Quando você...?

— Você e seu amigo podem até ter me acertado, Cisne, mas isso só aconteceu porque eu os ataquei antes.

De repente, Linus pulou por cima do ofídio, golpeando-o sem ser percebida.

Vilas do Santuário...

Ulysses foi arrastado para trás com as costas no chão e abriu os olhos, vendo diante de si o Portão Principal cheio de espinhos. Ele não o atingira por muito, muito pouco.

Então, resumindo a história até aí, Hedi atacara Aristides pelas costas e Relinde ficara furioso, trocando provocações com o Basilisco. Depois todos tentaram atingí-lo e falharam miseravelmente, sendo arremessados longe. Estava sendo um verdadeiro massacre. Todos eles já estavam ofegantes nesse ponto... Ah, e tinham também os ferimentos. É, aquele veneno doía muito.

Ele só compreendeu que estava divagando quando ouviu a voz de Jhesebel ao longe, gritando de dor ao receber um contra-ataque. Levantou-se e pensou em como acabar com a raça daquele cara, que de alguma forma conseguia ser pior até mesmo que Relinde.

— Ei, olho-de-cobra, por quê não mexe com alguém do seu tamanho?! – gritou, levantando-se e correndo em sua direção.

O ofídio estava de costas, disparando veneno em Soranin, mas quando a provocação chegou aos seus ouvidos, virou-se imediatamente.

— Falou comigo, baixinho?

Hedi fez um sinal de “V” com os dedos da mão, apontando-os na direção de Ulysses.

Isso foi uma péssima ideia..., o espanhol pensou. Isso significava que o veneno estava vindo... Mas ele já estava indo em sua direção mesmo, então era a hora de tentar ferí-lo, mesmo que isso custasse boa parte de sua energia vital.

Preparou com cuidado o seu Galope do Unicórnio (4) e se atirou para frente. Agora era só ver quem seria mais rápido – embora pensasse que não seria ele.

Algo passou zunindo ao lado de seu ouvido, emitindo um forte estalo ao cortar o ar. Pensou que fosse o veneno, mas este não veio. Jhesebel havia se esticado para frente, ainda caída no chão, e usado seu chicote para conter a mão de Hedi, desviando-a para o lado, onde não havia ninguém, e assim tirando o veneno da mira de Ulysses, que pode continuar livremente seu movimento.

Ele ia conseguir. Finalmente alguém machucaria aquele cara.

***

Estava tudo indo perfeitamente bem. Ulysses já estava a um palmo de distância do Basilisco, mas de repente, após o mesmo abrir um sorriso torto, tudo ficou nublado. Aristides pensou que fosse sua vista, já que estava sem os óculos, mas estava enganada. Uma névoa estava se formando, de forma que não era possível enxergar nada ao seu redor. Não via seus amigos, não via o Portão Principal, não via o inimigo, não via nem a si mesma direito. Deu alguns passos, tossindo e abanando o ar, procurando alguém que pudesse lhe explicar o que havia acontecido, mas não encontrou nada.

— Relinde? – chamou.

— Aristides? – ele respondeu com uma voz levemente sonolenta. – É você?

— Sim. Onde você está?

Ele seguiu o som e apareceu na frente da amazona, caindo aos seus pés logo em seguida.

Ela não compreendeu muito bem no começo, mas logo ligou os fatos. Droga. A névoa é venenosa., disse a si mesma. Começou a respirar pela boca imediatamente. Talvez não funcionasse, mas era a melhor maneira de se manter consciente.

— Hum, parece que temos uma espertinha nesse grupo... – Hedi disse, vindo de algum ponto próximo. – Infelizmente você não vai ficar de pé por muito tempo.

— O que... o que você quer dizer com isso? – ela olhou ao redor, procurando por ele.

— Até agora eu vim misturando dois tipos diferentes de veneno para diminuir o efeito deles. Eu tenho cinco no total, um em cada par de dedos das mãos... Mas agora é diferente. Não irei mais fazer isso. Dessa vez irei com força total, usando um de cada vez, e você será a primeira a experimentar!

— Você quem pensa! Arquejo da Raposa! (5)

O som de seu grito foi intenso, como planejado, e foi capaz de fazer com que Hedi tapasse os ouvidos momentaneamente... Infelizmente, segundos depois ele já estava se movendo em alta velocidade, desviando das ondas sonoras que ela continuava emanando.

— Não me subestime, garota. – disse. – Eu estou muito além de um cavaleiro de Ouro. Minha velocidade é superior à velocidade da luz, e por isso esse chiado que você faz não me incomoda.

O Basilisco então estendeu sua mão na direção da amazona e, flexionando rapidamente o dedo anelar, disparou um fino jato de veneno, que a atingiu diretamente no pulso esquerdo. Imediatamente Aristides foi ao chão, sem poder fazer nada.

Tentou se levantar mas não conseguiu. Embora suas veias ardessem, não era forte como os golpes que recebera anteriormente. Era suportável e não doía tanto, mas havia um porém: seu corpo não obedecia seus comandos. Ela franziu o cenho, confusa.

— O que você fez comigo?! – perguntou.

— O veneno do dedo anelar, quando entra em contato com sua corrente sanguínea, causa paralisia. – Hedi disse, com um sorriso no rosto.

A névoa então se dissipou, revelando que os outros já haviam acordado e estavam de pé, um pouco atordoados – provavelmente por causa do Arquejo da Raposa.

— O que aconteceu? – Relinde perguntou. – Por que estou com dor de cabeça?

— Eu usei meu veneno concentrado na sua amiguinha aí. Agora ela não pode mais se mover. Está paralisada! – o ofídio respondeu e soltou uma leve risada depois.

— Mas o quê?! Aristides, isso é verdade?

Ela tentou mover a cabeça, mas não conseguiu. Estava caída com as costas para cima, olhando para o lado, onde Relinde estava. Mesmo sabendo que podia falar, não respondeu.

Ignorando o Santo de Hidra, Hedi se voltou para a amazona de Raposa e disse:

— Se você tem algo a dizer para ele, é melhor falar agora. Como Basilisco, eu sei o que você vem guardando dentro de si durante esse tempo todo... É melhor dizer antes que o veneno impossibilite que você mova os lábios também.

O coração de Aristides começou a bater mais rápido. Ela estava desnorteada. Ela deveria realmente falar aquilo, ou apenas ignorar, como havia feito até agora? Não era algo que se dissesse do nada, mas ela tinha prometido a Relinde que contaria... E agora?

— Aristides... – Relinde disse. – Do que ele está falando?

Como Relinde podia ser tão tapado? Soranin conseguira deduzir tudo com apenas um olhar – e elas não se viam há alguns anos – mas Relinde, que sempre estivera ao seu lado, nunca notara. Meiying já comentara sobre isso com ela certa vez, e até mesmo ela, que era cega, conseguia perceber.

É. Ele era um retardado mesmo.

Ela apertou os olhos e os labios e franziu o cenho, respirando fundo e expelindo o ar de uma vez só, gritando:

— Relinde, eu te amo, seu idiota!!

Monte Star Hill...

O ataque de Linus surpreendeu a todos, e isso incluía a ela mesma.

Inicialmente não pensou que daria certo, mas ela, sozinha, foi capaz de fazer alguns cortes na pele de Hiero usando as Unhas do Lynx (6), que eram feixes de cosmo em forma de “X” que avançavam na direção do adversário. Eles não eram nem graves nem superficiais, mas eram o suficiente.

Ele nem se moveu durante o golpe, que veio de trás de si. Apenas ficou parado, sem reação. Seus braços foram cortados dos dois lados, e agora o sangue escorria por eles até chegar na ponta dos dedos, pingando no chão, gota por gota.

Hiero calmamente girou os calcanhares e deu um quarto de volta, encarando-os de lado. Ele não tinha uma expressão definida no rosto. Parecia mais como alguém que havia acabado de ouvir uma piada ruim.

Em seguida fechou os olhos e sorriu, rindo suavemente.

— Um truque sujo como esse não vai funcionar contra mim. – seu tom de voz era calmo.

Novamente ele abaixou os antebraços e enrijeceu os dedos, formando esferas elétricas. Atirou-as na direção de seus oponentes, mas Yerik foi mais rápido. Concentrou seu cosmo e defendeu a si e aos amigos:

Espelho de Cristal! (7)

A barreira de cristais de gelo conseguiu refletir o golpe do ofídio. Infelizmente, Hiero não era só ataque. Ele podia criar campos de força, e foi isso o que ele fez em seguida.

Da mesma for que acontecera na entrada da casa de Libra, o golpe refletiu de volta para Yerik – por conta da esfera protetora gerada pelo ofídio –, mas dessa vez o espelho não aguentou e se partiu em mil pedaços, deixando-os desprotegidos e na mira do golpe. Todos foram atingidos e o cheiro de queimado voltou a se estender pelo local.

Hiero não se desvencilhou de sua proteção, como se já imaginasse que eles atacariam novamente.

Ainda no chão, Heitor sussurrou para Athos:

— O-o que acha d-de derrubar esse cara de uma vez por todas? – propôs.

— E-eu adoraria... – riu. – Q-qual seu plano?

— Unir o Rugido do Leão Menor (8) com a Sinfonia da Morte (9).

— Perfeito. – ele começou a se levantar. – Pode dar certo.

Apenas os dois levantaram. Linus se contorcia por conta da descarga elétrica e Yerik estava com os olhos abertos, fitando o vazio, com os cabelos arrepiados e a pele ferida. Heitor disse aos dois, sussurrando:

— Tapem os ouvidos.

Eles assentiram, desconfortáveis, mas o fizeram.

Então, os dois cavaleiros se prepararam para colocar seu plano em ação, elevando seu cosmo.

***

Enquanto eles se preparavam para atacar, Linus sussurrou para Yerik, com sangue escorrendo pelo canto da boca:

— E-ei... c-consegue cobrir o chão com uma camada fina de gelo, que se derreta rápido?

— A-acho que s-sim. Por quê?

— P-prepare-se para tomar o maior choque da sua vida.

***

Os dois garotos verificaram se os outros cobriam os ouvidos e atacaram, emitindo as ondas na maior frequência possível.

Dentro da proteção, que era levemente azulada e em forma de cúpula, Hiero se perguntava o que aqueles gritos significavam. Obviamente aquilo não iria funcionar. Seu campo de força absorvia grande parte do som, então aquilo não o incomodava... Porém, teve um ruído que ele pode ouvir muito bem. Vinha de cima de si, e era algo como vidro se partindo.

Olhou para cima e viu a estrutura se movimentar com o abalo e rachar em vários pontos. Essas rachaduras foram aumentando e se unindo até estarem todas conectadas. E então, a proteção de Hiero se partiu.

Os gritos continuaram, e dessa vez ele os ouviu em alto som. Teve de tapar os ouvidos, pois era realmente agonizante. A dor de cabeça veio instantaneamente, e ele mal conseguiu usar sua velocidade para desviar das ondas. O ataque não estava sincronizado, mas um complementava o outro. Onde a Sinfonia da Morte deixava brechas, o Rugido de Leão Menor atuava, preenchendo-as.

Ele caiu de joelhos, ainda com as mãos nos ouvidos, e os dois Santos pararam, sem fôlego para continuar.

Levantou-se abruptamente, ofegante e com os ouvidos zumbindo. O chão abaixo de si estava um pouco escorregadio, mas ele não se importou.

— Vamos acabar logo com isso. – disse levemente irritado, enquanto preparava outra vez os raios.

Linus se virou para Heitor e Athos e gritou:

— Cerrem os dentes e se joguem no chão!

— P-por quê? – o segundo perguntou, surpreso.

Ela olhou nervosamente para Hiero, que já havia disparado a eletricidade, dessa vez bem mais carregada que antes, e voltou-se novamente para os amigos:

— Apenas façam! Agora!

Eles obedeceram, um pouco incertos sobre o que esperar.

O gelo já havia derretido, e ao se abaixarem, o ataque de Hiero acabou atingindo o solo logo atrás deles, que também estava molhado. A água conduziu a eletricidade para os corpos dos Santos de Bronze e se dirigiu até Hiero, afetando-o também.

Parecia uma verdadeira tempestade. Eles podiam sentir a adrenalina circulando célula por célula e o coração pulsando ainda mais rápido. Suas gargantas ardiam e seus músculos se contraíam intensamente. Um breve coro de gritos ecoou, e depois só se ouviu o silêncio.


Vilas do Santuário...

Relinde estava em choque, com a boca um pouco aberta, espantado. Ele pode sentir seu rosto ficando quente. Dentro de si, torcia para não estar corado.

Os outros tinham as sobrancelhas arqueadas, surpresos da mesma forma. Somente Soranin sorria, e Hedi expressava indiferença. Quando Relinde voltou a si, levantou e se virou-se para Hedi, franzindo o cenho. Por dentro ele praguejava, insultando o ofídio com tudo o que lhe vinha na mente. Por fora, apenas o encarava, com uma expressão raivosa no rosto.

Todos estavam distraídos, e isso incluía o oponente, que havia virado a cara para outro lado. Para Jhesebel, não havia melhor hora para colocar seu plano em ação. Usou a Camuflagem Animal (10) e caminhou lentamente na direção do adversário, se assegurando que ele não pudesse vê-la.

Chicote Estelar! (11)— sua voz cortou o silêncio, juntamente ao estalo de seu chicote.

Hedi estava de olhos fechados, mas assim que ela atacou, ele fez o mesmo, estendendo o braço e movendo o dedo mindinho.

O veneno atingiu sua coxa direita, fazendo-a reaparecer. Ela imadiatamente caiu de cara no chão.

O chicote havia acertado a região logo abaixo do olho esquerdo de Hedi, que agora apresentava um corte, por onde sangue escapava de seu corpo. Enquanto o limpava com as costas da mão, disse:

— Esse foi o sonífero. Ela não morreu... ainda.

Em seguida ele deu uma leve gargalhada, que fez o cosmo de Relinde queimar ainda mais furioso. Concentrou toda a sua frustação em seu punho e usou suas Presas Venenosas (12), atingindo Hedi bem no peito com as garras de sua armadura, se afastando rapidamente para evitar a proximidade e o risco de ser ferido.

Olhou de relance para Jhesebel e Aristides, que já estavam incapacitadas, mas respiravam. Ouviu Hedi chamar por seu nome e se virou bem a tempo de vê-lo disparar duas rajadas de veneno simultâneas: uma do polegar e a outra do dedo médio. Preparou-se para desviar, mas Ulysses interveio, pulando e atacando com seu Galope do Unicórnio, recebendo um contra-ataque no lugar de Hidra, que atingiu seu calcanhar. Relinde estava prestes a protestar, mas Soranin o empurrou para trás e ele caiu sentado com as mãos no chão, bem a tempo de vê-la aplicar o Ave Fênix e cair por causa do impacto nas costelas. Por sorte, eles acertaram o alvo, que finalmente demonstrava certa dificuldade para se esquivar.

Ulysses começou a gritar intensamente. Seu corpo queimava por dentro, como se estivesse em chamas e consumindo a si mesmo. Tentou afastar aquilo, colocando as mãos na barriga e rolando no chão, mas não adiantou. Piorava mais e mais a cada instante, mas mesmo com toda aquela dor, foi capaz de ouvir Soranin sussurrar algumas coisas em japonês. Ela as falava como se estivesse perdida – ou louca – e não soubesse separar realidade de imaginação.

Irado era pouco para definir o que Relinde sentia naquele momento. Todos estavam aos seus pés e, por algum motivo, o haviam salvado para que lutasse com Hedi. Estava bravo com todos, sem exceção. Cerrou os punhos com o máximo de força que pode e o fitou com um olhar assassino.

Aristides não falava havia algum tempo, provavelmente ainda paralisada. Jhesebel continuava dormindo, e agora Ulysses e Soranin agonizavam, um com dor e a outra divagando.

Hedi começou a bater palmas.

— Hehehe, parece que você foi o único que restou... Sabe, vocês não são tão inúteis quanto eu achava. Se eu acabar com você agora, poderei me vingar dos outros dois Basiliscos e me tornarei o único a servir o senhor Hermes... Terminarei isso agora, então não se preocupe... Só vai doer muito.

Ulysses conseguiu sussurrar, vindo de algum lugar em meio ao desespero de seus amigos:

— D-derruba... l-logo... e-esse... c-cara...

Soranin gritou, em um momento meio lúcido, meio extasiado:

Tatakai!! (13)

Relinde não falava japonês, mas concluiu que aquilo deveria ser algo como “Mata esse cara!” ou “Acaba com ele!”. Com certeza ele o faria. E depois de surrar – e muito – a cara de Hedi, ele faria o mesmo com cada um deles, que foram idiotas ao ponto de se sacrificarem para que ele continuasse.

— Hah, veja só. – Hedi disse, olhando para seus dedos. – Já usei quatro dos meus cinco venenos: o da paralisia, o sonífero, o que proporciona um intenso calor, e o alucinógeno... Coincidentemente, só tem mais uma pessoa na minha frente. Experimente agora o meu último veneno!

Ele murmurou algo que o ofídio não pode ouvir.

— O que disse?

— Cala... essa... maldita boca!! – ele começou a se movimentar como uma cobra, seguindo com os braços o formato da constelação de Hidra. – Presas Venenosas!!

— Há! – Hedi riu. – Acha que esse Sétimo Sentido ridículo vai me deter? Não, não vai! Desista!

Ele tentou acertá-lo com o veneno, mas já era tarde demais. Relinde estava bem em sua frente, com o punho ardendo em raiva. O Basilisco teve seus pés tirados do chão e foi jogado para o alto, caindo de uma altura que na certa lhe garantiria alguns hematomas e cortes bem feios.

Ficou ali alguns segundos, contraíndo as pálpebras, mas logo virou-se e deu um soco no solo com o lado do punho, enfurecido. Se levantou e conjurou a névoa mais uma vez.

Relinde não caiu, mas ficou desnorteado. Ouviu o barulho de Hedi rosnando e tossindo sangue e abriu um sorriso sádico, assim como ele estava fazendo no começo da batalha. Agora sim ele estava feliz, ouvindo aquele desgraçado sofrer. Soltou uma gargalhada e o provocou:

— Parece que o jogo virou, não é mesmo?

Sem resposta. Ob apenas caminhou em sua direção, com uma expressão séria e severa no rosto. Relinde se surpreendeu quando ele levantou o indicador e atacou todos os seus amigos com o último veneno bem em sua frente, um por um. Ia socar a cara daquele lunático, mas sem emoção nenhuma ele fez o mesmo com ele, sem perder tempo, mirando o veneno bem em seu coração.

Ele olhou para seu próprio peito com os olhos arregalados e depois voltou-se para Hedi, que não havia alterado suas feições.

Notas finais
[Legenda:] (1) Mergulho Infernal ("Infernal Dive" em inglês): É um golpe criado por mim. Consiste em um salto relativamente alto. Quando Athos atinge o ponto mais alto, transfere todo o peso do seu corpo para os pés e caí na direção do inimigo, rodopiando em alta velocidade. (2) Aurora Boreal ("Nothern Lights" no inglês): é um golpe criado por mim. Pode ser encarado como um antecessor de algum dos golpes principais. Resfria ainda mais o ar e dispara cristais de gelo na direção do oponente. (3) Bombardeio de Leão Menor ("Lionet Bomber" no original): é um golpe retirado do anime Saint Seiya (Clássico). (4) Galope do Unicórnio (“Unicorn Gallop” no original): é um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (5) Arquejo da Raposa ("Panting of Fox" em inglês): é um golpe criado por mim. Basicamente é um grito em alta frequência, que faz com que o inimigo fique atordoado com as ondas sonoras e/ou temporariamente surdo. (6) Unhas do Lynx ("Nails of Lynx" em inglês): é um golpe criado por mim. Linus cruza os braços em forma de X com as palmas viradas para frente e os abaixa em diagonais opostas, disferindo linhas de cosmo no mesmo formato, que avançam gradativamente na direção do adversário e o atingem. (7) Espelho de Cristal ("Crystal Mirror" em inglês): é um golpe criado por mim. Yerik reúne os flocos de neve ao seu redor e eles se transformam em reluzentes cristais, aglomerando-se e tomando a forma de uma barreira protetora (um espelho). É capaz de refletir quase todo tipo de ataque, se assemelhando a Muralha de Cristar de Mu de Áries na obra Saint Seiya (Clássico). (8) Rugido de Leão Menor ("Lionet Roar" em inglês): é um golpe criado por mim. Heitor concentra seu cosmo e emite ondas sonoras que se assemelham a um rugido. (9) Sinfonia da Morte ("Death Symphony" em inglês): É um golpe criado por mim. Athos emite ondas sonoras na mesma frequência de um golfinho, afetando somente seu oponente, que fica atordoado e com dores de cabeça. (10) Camuflagem Animal ("Animal Camouflage" em inglês): é um golpe criado por mim. Jhesebel eleva seu cosmo e sua armadura muda de cor de acordo com o ambiente em que ela se apresenta, parecendo que ela está invisível. (11) Chicote Estelar ("Stellar Whip" em inglês): é um golpe criado por mim. Basicamente é uma variação do golpe original da obra Saint Seiya (Clássico) "Chicote do Camaleão" (Whip Chameleon, no original). A única diferença é que nesta versão o chicote pode se alongar até certo comprimento ou se reprimir. (12) Presas Venenosas (“Mellow Poison”, no original): É um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (13) "Tatakai" é uma palavra japonesa que na tradução livre significa "batalha", combate". Neste contexto é usada na forma "conjugada", significando "lute" ou "enfrente". ----- E então, o que acharam do desenrolar das lutas dos Santos de Bronze contra Hiero e Hedi?... O choque em Star Hill será suficiente para derrotar Hiero?... De que forma o veneno de Hedi agirá sobre Relinde?... Deixem seus palpites e teorias nos comentários e aguardem o próximo capítulo! o/ [Por favor, se você está gostando da história, não esqueça de favoritar, comentar, deixar sua opinião, acompanhar para receber as atualizações sobre a fanfic, e recomendar, para que mais fãs de CDZ encontrem a história. Estou aguardando seu review ;)]