Conto I - Unforgettable Wars
19 Incríveis Poderes: Inteligência vs. Veneno!
Notas iniciais

— Então, basicamente é isso... – Linus continuou de onde havia parado a história. – Vocês, Alceu e Kibou são mais importantes que um prêmio idiota.
— Mas você tem certeza disso? – perguntou Soranin.
— Tenho, e sei que Kirsi também tem. Apenas ainda não compreendi por que ela continua seguindo em frente... Deve ter algo por trás de tudo isso.
— Se é isso que quer, respeitamos sua decisão. – disse Sui.
***
Enquanto isso, Kirsi ia ao lugar que seus amigos estavam. Porém, quando lá chegou não viu ninguém. Estranhou e parou para pensar por um momento. Então algo a atingiu nas costas, fazendo-a cair no chão.
— Kirsi!! Parabéns, você venceu!! Agora estaremos todos juntos na final!!
— Argh!! Heitor, que ideia foi essa?! – questionou, quando percebeu que ele estava sentado em cima de suas costas.
— Só estou comemorando sua vitória!
— Certo, certo, tudo bem... Mas saia de cima de mim, sim?
— Opa, foi mal... É a ansiedade!
Ele estendeu a mão para ajudá-la.
— É, estou vendo... – ela se sentou, aceitando a mão.
— Não tão rápido! – gritou Yerik, enquanto pegava impulso e corria na direção deles.
— Mas o quê...?! Yerik, não!! – Kirsi gritou.
Cisne pulou em cima dos dois sem pensar duas vezes, fazendo-os cair novamente.
— Pensaram que poderiam dar uma festinha e não me convidar? Assim eu fico magoado, poxa! – ele fingiu um ressentimento.
— Ok, desculpa... Mas vamos ao que interessa: a Kirsi venceu e estamos os três na final!!
— Aquilo não foi uma vitória! Foi um empate! – corrigiu ela.
— Foi uma vitória, sim senhora! Admita! – exigiu Heitor, sarcasticamente.
— Não, não foi!
— Não me faça fazer cócegas em você até admitir, Kirsi!
— Não, não, não, não, não! – ela tentou fugir, mas não conseguiu se mover. – Hahahaha! Para, Heitor! Para!!
— Cisne, o que está fazendo parado aí? Venha me ajudar! – pediu ele.
— Claro! Hahaha! É pra já!
— Hahahahaha, v-vocês pa-parecem d-duas cri-crianças! – gargalhou. – Hahahahahaha! Parem!!
— Só quando você admitir que venceu! – exclamou Leão Menor.
— T-tá bom, t-tá bom... – sua gargalhada continuou, até a garota conseguir tomar fôlego para dizer uma frase completa. – Hahaha, eu venci, eu venci!
— Melhor assim, humpf. – Yerik disse.
— P-por Zeus, me deixem respirar um pouco!
— Respirar é para os fracos! – Heitor a abraçou com força, e Yerik o acompanhou.
— Argh!! Vocês estão... quebrando os meus ossos! – a Santa ouviu seu corpo estralar e protestou.
— Bobagem!
— Então é assim, é? – ela questionou.
— É! – as vozes dos dois soaram em uníssono.
— Tudo bem... Tentem me pegar de novo então!
Ela deu um giro e se libertou do abraço dos dois, correndo para longe em seguida.
— Volte aqui! – ordenou Yerik.
— Vem fazer! Hahaha!
Kirsi passou correndo ao lado de Relinde, que falava com Aristides e Meiying. Ele não se importou muito, mas logo percebeu que Yerik estava se aproximando com velocidade e teve uma ideia.
— Vejam isto... – disse para as amazonas, esperando Cisne chegar perto o bastante para por o seu plano em ação.
Relinde esticou sua perna, com a intenção de fazer o cavaleiro tropeçar, e aguardou sua chegada.
— Relinde, você não pode fazer isso! – protestou Meiying quando percebeu o que o amigo iria fazer.
— Quieta! Olhe e aprenda. – retrucou, sorrindo.
Yerik chegou como um raio. Heitor vinha logo atrás, mas um pouco afastado. Sem perceber o pé de Relinde, já que seu foco era Kirsi, que estava adiante, tropeçou na perna de Hidra, sendo lançado direto para cima da amazona de Lobo com o impulso adquirido.
Os dois foram ao chão imediatamente. Rolaram algumas vezes e subitamente pararam, retomando o controle. Compreenderam que estavam bem de frente para o outro, pois Yerik parou bem em cima de Kirsi, com as mãos apoiadas no chão. Seus olhares se encontraram e eles perceberam que seus rostos estavam muito próximos, quase colados. Podiam inclusive sentir a respiração ofegante um do outro.
A vergonha tomou conta dos dois, embora não demonstrassem nenhuma reação, e aumentou ainda mais quando mesmo sem desviar o olhar um do outro, se deram conta de que todos os Santos estavam olhando. Ambos já estavam corados, mas a sensação apenas aumentou. Logo se ouviu Athos reclamando:
— Por quê isso nunca acontece comigo?
Jhesebel e Ulysses deram uma cotovelada em cada braço de Athos e ele logo protestou:
— Ei!
— Cala a boca, Athos! – eles sussurraram ao mesmo tempo.
Ninguém disse nada. Cisne e Lobo voltaram à realidade, e então ele disse, em um tom baixo:
— Er... me desculpe... – falou calmamente. – Eu estava... distraído.
— T-tudo bem... A-a culpa foi minha.
Ele se levantou, estendendo a mão para ajudá-la a fazer o mesmo. Kirsi hesitou por um instante, mas aceitou. O clima não era nada agradável. Se ela não usasse uma máscara, as coisas seriam ainda piores.
Relinde apenas observava, e quando percebeu que estava sendo encarado de perto por Meiying e Aristides, se pronunciou:
— Que foi? Eles precisavam de um "empurrãozinho".
— Relinde, você nem sabe se eles realmente...
— Me poupe, Aristides. – ele interrompeu. – Está muito na cara.
Kirsi e Yerik se encararam novamente, vermelhos de vergonha e sem saber onde enfiar a cara. Antes que pudessem dizer qualquer coisa, o Grande Mestre chamou Athos e Sui para a próxima luta.
— Er... Ok então, né... – Sui piscou, como se voltasse a si. – Chegou a minha vez. Até logo, irmã.
— Boa sorte!
— Valeu, Linus!
— Até logo... Vença essa por mim Sui!
— Não, Soranin... Eu vou vencer por nós. – sorriu.
Jhesebel e Ulysses não se manifestaram, então Athos o fez:
— Ei, ninguém vai me desejar sorte?
— Não. – os dois disseram em uníssono.
— Eu nem queria mesmo.
— Haha, tô te zoando, cara... Tente ganhar.
— É... Sonhar é de graça... – Jhesebel se juntou a ele.
— Hahaha. Muito engraçado. – devolveu com ironia. – O chifrudinho e chatonilda trabalhando em equipe... Até escorreu uma lágrima aqui.
— Peixe idiota.
— Vai e não volta, Athos.
— Cuidado com o que diz, chifrudinho.
Ele se virou e começou a andar, parando na frente da área em que estava com Sui. Fez um gesto com a mão – como quem quisesse dizer "Por aqui, senhorita" – mas ela o ignorou.
***
Enquanto eles caminhavam em direção à arena central, Yerik e Kirsi tentavam encontrar palavras para se desculparem um com o outro. Aristides e Meiying tentavam convencer Relinde de que aquilo não havia sido uma boa ideia, e eles poderiam deixar de serem amigos por causa daquela brincadeira de mau gosto.
Percebendo a situação, Heitor interveio, abraçando os dois e fingindo que não havia visto nada.
— Nossa, vocês correm rápido, hein... – ofegou. – Ué, por quê essas caras? O que eu perdi?
— N-nada... D-deixa pra lá... – responderam juntos, corando mais ainda.
— Menos mal... Agora vamos ao que interessa: comemorar enquanto assistimos à última luta! Estão comigo? – perguntou.
Yerik e Kirsi se entreolharam. Talvez Heitor realmente não tivesse visto o que aconteceu, mas pouco importava. Eles estavam unidos e nada iria desfazer essa amizade.
— Estamos! – a amazona respondeu.
— É agora ou nunca!
Heitor estendeu sua mão, esperando uma respostados dois.
— Pela nossa amizade! – gritou.
— Pelos nosso sonhos! – Kirsi o acompanhou, colocando sua mão sobre a dele.
— Por todos que amamos! – Yerik completou.
Sem hesitar, as ergueram com sorrisos no rosto e muita determinação no olhar.
A luta logo foi autorizada e todos a assistiam atentamente. Sui não demonstrava preocupação – e muito menos Athos.
— Vou pegar leve com você, Golfinho... Será algo rápido.
Ele não respondeu, apenas levantou uma sobrancelha e se sentou, para a surpresa de todos.
— O que está fazendo? Levante e lute como um homem!
— Primeiro as damas. — insistiu.
— Pff, certo... Se é o que quer, que seja: Corrente de Andrômeda!! (1)
A corrente foi direto para Athos, mas ele apenas fez um movimento com a cabeça e se desviou.
— Como você...?
— Tente de novo, querida.
— Pare de me chamar assim! Saiba que não vou desistir!
— Tsc, tsc... Por que alguém tão bonita tem que ser tão violenta?
— Isso é um duelo. Um contra um... Lutar é o que temos que fazer, caso não tenha entendido ainda.
— E acha que a força é a melhor maneira de se vencer uma batalha? – perguntou calmamente.
— Mostre-me a sua força e então eu julgarei o que é melhor!
— Como quiser... – Athos se levantou, suspirando. – Mergulho Infernal! (2)
Ele pulou por cima de Andrômeda, esperando atingir o ápice da altura para começar a girar seu corpo rapidamente como um tornado, e seguir caindo em sua direção.
— Defesa Circular!! (3)
A corrente defensiva se envolveu pelo corpo de Sui, formando uma barreira protetora aparentemente impenetrável e em constante movimento. Era sua única chance de se defender do ataque de Athos, que vinha à toda velocidade em sua direção.
— Noventa e três. Oitenta e seis. Setenta e oito. Sessenta e um. Cinquenta e quatro. Quarenta e cinco...
— O que ele está fazendo? Prevendo os próximos números da loteria? – perguntou Relinde.
— É claro que não! Da onde você tirou isso? – questionou Meiying.
— É verdade, você tem razão. Não existem números maiores que cinquenta e nove no jogo. – admitiu o Santo.
Meiying colocou uma das mãos no rosto e resolveu que era melhor não contrariar.
Athos continuou contando enquanto caia na direção de Sui.
— Trinta e nove. Vinte e dois. Dezessete... Agora!
E, quando todos imaginavam que a defesa da amazona ia funcionar, ela falhou. Athos conseguiu achar uma brecha em sua barreira e criou inúmeras fissuras em sua corrente defensiva, fazendo com que ela ameaçasse quebrar a qualquer instante e uma onda de choque percorresse os cavaleiros e amazonas, que ficavam a cada minuto mais pasmos.
Sui foi jogada para trás. Por sorte, estava intacta.
— Como? – ela perguntou, sem acreditar.
— Sua defesa tem um único ponto fraco. Uma abertura se forma nela, desaparecendo e reaparecendo a cada determinados segundos.
— Argh, certo... Pode ter inutilizado a minha defesa, mas ainda tenho meu ataque! – começou a dizer. – E como não custa tentar de novo, prepare-se para sentir a fúria da Corrente de Andrômeda!!
Com o punho cerrado, Athos parou a corrente a alguns centímetros de seu rosto.
— O quê?!!
Todos ficaram imóveis, aquilo realmente era algo inesperado. Athos não tinha nenhuma dificuldade em se defender, e usava apenas técnicas básicas.
— I-impossível... Jhesebel, isso é normal?! – questionou Ulysses.
— N-não. C-com certeza, não... E ele está... sério? Isso é possível?!
Golfinho então segurou com firmeza a corrente triangular e a puxou, mas Sui resistiu e se libertou. Ela estava confusa, assim como todos os outros, porém Athos não parecia se importar muito.
Andrômeda tentou novamente inúmeras vezes, mas falhou em todas. O oponente não atacava, apenas se defendia. Era estranho, não havia motivos para isso, então a amazona recorreu a um ataque diferente.
— Já que a corrente comum não faz efeito em você, experimente isso: Onda Relâmpago!! (4)
Athos deu uma risadinha e encarou a corrente de frente, correndo em sua direção. Como esperado da Onda Relâmpago, ela se desviou em zigue-zague, buscando uma forma de atacá-lo por trás.
Como se pudesse prever os movimentos da adversária, o cavaleiro continuou correndo na direção de Andrômeda, e pouco antes de ser atingido pela corrente deu uma pirueta no ar, passando por cima de Sui. A corrente acabou atingindo a própria dona, fazendo-a recuar e cair para trás.
Ninguém acreditou no que aconteceu. Nenhuma palavra foi dita.
— Ele... não foi eletrocutado pela corrente...
Quase sem forças para levantar, a amazona tentava compreender a situação. Sua armadura estava rachada em vários pontos, e como a corrente defensiva ameaçava se partir a qualquer momento, ela não podia mais se defender. Sua armadura não resistiria a mais alguns ataques como aquele.
— E agora, queridinha? Sabe o que é mais vantajoso numa batalha?
Sui ficou nervosa e se levantou, mas não disse absolutamente nada.
— Certo, já que sua mente não é tão aberta assim eu vou lhe dizer a verdade. – riu. – Você protege Atena, certo? Ela é a deusa que representa a...? – ele esperou uma resposta.
— Sabedoria... – ela sussurrou para si mesma, baixinho.
— Isso mesmo. A inteligência vence a força, sempre. E é por isso que eu sei que não está lutando a sério.
— O quê?! Como ousa...!
— Você sabe do que estou falando. – ele a interrompeu. – Há um motivo para não elevar seu cosmo totalmente e, embora eu o desconheça, sei que é a real finalidade de estar aqui. Você mesma disse isso.
Ela ficou imóvel enquanto os outros Santos apenas se agitavam.
— Zeus... Athos sempre foi assim, inteligente? – Soranin perguntou, virando-se para Ulysses.
— Admito que estou tão surpreso quanto você.
— Hum... Creio que também não saiba sobre a marca dele então? – falou Linus.
— Marca?! – Unicórnio e Jhesebel perguntaram, atônitos.
— Exatamente. Vocês podem não ter reparado, mas eu vejo claramente algo na parte de trás de seu pescoço. E se assemelha muito a um golfinho.
— Como assim?! – eles questionaram.
Linus de fato estava certa. Athos exibia um golfinho em estilo tribal bem próximo à sua nuca, e seu cabelo preto e rebelde o camuflava perfeitamente. Podia tanto ser uma marca quanto uma tatuagem. Por estar encobrindo-a, ninguém a havia notado até então, mas Ulysses e Jhesebel estavam certos de que aquilo não estava ali antes.
— Pff, tanto faz... Não irei entregar essa luta de bandeja para você de qualquer modo! – falou Sui.
— E eu em algum momento lhe pedi isso, lindinha?
— Não, mas pediu que eu mostrasse minha força, e é exatamente o que irei fazer agora! Venha até mim, Nebulosa de Andrômeda!! (5)
Sua corrente se espalhou pelo chão, reproduzindo o formato da nebulosa de sua constelação.
— Como pode ver, esta é a nebulosa de Andrômeda. O mínimo movimento que você fizer vai desencadear um ataque com intensa voltagem sobre seu corpo... Ou seja, é basicamente impossível transpassá-la... Quero ver conseguir me atingir agora que tenho o ataque e defesa perfeitos!
— Tentador, cara amazona... Mas vou rejeitar sua oferta. – Athos disse enquanto voltava a se sentar no chão.
— Está desistindo?
— Não. Estou apenas me concentrando.
Ele então fechou os olhos, voltando a abri-los não muito tempo depois e se levantando novamente.
— Achei o ponto fraco de sua técnica.
— O quê?! Minha técnica não tem um ponto fraco! Não importa por onde você ataque, ela vai me defender!
— Vamos ver então.
Athos deu um passo atrás do outro e a corrente não se moveu em momento algum. Ele apenas hesitou quando estava prestes a pisar dentro de um dos anéis formados por ela, mas seguiu em frente sem problemas, chegando cada vez mais perto de Sui.
— Impossível!! – Soranin era a única que se arriscava a falar.
Até mesmo Sui não acreditava no que via. A cada passo ele estava mais próximo e sua corrente não respondia. Era algo inimaginável de se presenciar.
Por fim, ele parou bem em sua frente, fazendo a Santa recuar um pouco.
— Oi. – disse.
— Como você...?
— Eu não sou seu inimigo. Sua própria corrente reconhece isso, e por esse motivo não me atacou.
— Mas você é meu adversário... Isso não está certo!
— Não sou seu adversário, só quero que prove sua força.
— Você quer que eu... Não! Não vou fazer isso!
— Entendo. Então você não me deixa escolha... – ele disse enquanto voltava por onde tinha vindo.
— O que vai fazer?
— Infelizmente terei que atacar... – a corrente começou a se mover inquietamente enquanto ele se afastava. – Desculpe por isso, mas você não facilitou nada... Sinfonia da Morte!! (6)
Golfinho começou a reproduzir uma série de ruídos agudos – iguais aos que os golfinhos fazem para se comunicar – que se dissiparam por ondas sonoras até chegar aos ouvidos de Sui, que parecia ser a única a ouvir aquilo.
— Argh! Que barulho horrível!! – ela tapou os ouvidos.
— Sua corrente não reage a ataques indiretos. Você sabe o que tem que fazer para me vencer, então faça! – dizia ele, entre um agudo e outro.
— Não... de jeito nenhum...
— Está com medo de me machucar? Francamente, isso combina com sua personalidade tanto quanto quanto a sua armadura rosa.
— Não adianta!
— Então serei obrigado a aumentar a frequência.
As ondas se intensificaram cada vez mais, expondo Sui ao seu limite. Ela não sabia o que fazer, e mesmo odiando o atrevimento de Athos, não poderia fazer aquilo com ele... Mas não havia alternativa, ela estava sendo obrigada.
— Saiam de perto dela! Agora!! – gritou Soranin.
— Por quê?!
— Apenas obedeça!! Saia logo daí, Linus!!
Todos rapidamente foram para o fundo da Arena sem entender nada, mas o caso parecia sério.
— Corrente Nebulosa!! (7)— gritou Andrômeda.
— Agora sim... – sussurrou Athos para si mesmo, contemplando o poder da garota.
— Já que não pode mais se mover, desista da batalha. É inútil continuar!
— Jamais. Acha mesmo que estou paralisado? – ele começou a mover o braço esquerdo, provocando-a.
— Não! Pare!! Se fizer isto você vai-... – ela se deteve ao perceber a real intenção de Athos.
— Demorou para perceber, não? – caçoou ele.
— Isso é... Isso é suicídio! – Sui gritou.
— Então considere que estou disposto a morrer. – Athos rebateu, enquanto erguia seu punho.
O ataque de Andrômeda explodiu com o movimento do oponente, dando origem à Tempestade Nebulosa (8), um golpe que se intensifica de acordo com o cosmo do cavaleiro que a comanda, tornando-a infinitamente poderosa.
— Droga, eu não consigo controlar a tempestade!
— Então não a controle! Deixe que flua constantemente!
— Mas se eu fizer isso você pode acabar...
— Conheço os riscos. – interrompeu o Santo. – Vá em frente e mostre seu real poder ou eu o farei!
Ele não obteve resposta então se viu obrigado a usar a Sinfonia da Morte novamente, com uma frequência altíssima.
Sui atonitamente olhou para a irmã, que tentava proteger os outros Santos. Como sempre, Soranin sorriu.
— Maldito, não me deixa escolha... Tempestade Nebulosa!!
Jatos de ar atingiram Athos diretamente, fazendo-o ser levantado no ar a uma incrível altura. Sui não percebeu, mas havia um corte em seu próprio rosto, e consequentemente seu sangue escorria por ali. Com seu cosmo se elevando cada vez mais, aquilo representava um enorme perigo para todos que estavam ao seu redor. Eles iam descobrir a verdade e corriam perigo de vida.
O veneno começou a se espalhar pelo ar, e Athos sentia seu efeito. Começou a ficar zonzo, com dificuldades para respirar, sua visão se embaçou e ele não se movia. Seu objetivo estava quase completo. Só faltava ele sobreviver.
— O Athos vai...
— Nem termine esse frase, Ulysses! – Jhesebel interveio.
Unicórnio tentou não demonstrar, mas se sentiu enciumado naquele momento.
— Sua irmã sabe o que está fazendo?! – perguntou Aristides, em veio ao vento.
— Sinceramente? Não faço a mínima ideia!
— Ora essa, deixem eles se matarem! Isso está cada vez mais divertido! – Relinde se pronunciou. – Agora só falta mais sangue!
— Mais sangue?! – Soranin demonstrou preocupação.
— Pff, aquele golpe fez com que ele se machucasse bastante... E a sua irmãzinha também não me parece lá muito bem com esse ferimento no rosto.
— Ferimento?!
— Pare de repetir tudo o que eu falo! Por acaso é surda?!
Ela não respondeu.
***
Na cabeça de Sui, mil coisas se passavam, e embora ela não quisesse recorrer a este ataque, fora necessário. Ela precisava vencer.
Foi então que Athos despencou para o chão. O barulho foi agonizante e estava claro que pelo menos algum osso ele havia fraturado. A tempestade continuava e ele não se movia. Talvez pelo veneno, talvez pela queda – ou talvez pelos dois.
— Sui, pare! Vai matá-lo!! – gritou a irmã mais nova.
Mas ela não ouviu e continuou intensificando seu cosmo. O veneno agora circulava junto ao ar da tempestade, indo direto para Athos – que estava a beira da morte.
Seus sentidos já o haviam abandonado quase completamente, mas de repente ele fechou os olhos e visualizou a situação em que se encontrava – ao menos isso ele podia fazer – buscando uma maneira de concluir seu plano. Alguns segundos depois ele os abriu, ainda sem enxergar, ouvir, falar, se mover ou respirar. Ele finalmente entendeu o único modo de sair inteiro dessa. Era hora de agir.
Sui preparava o golpe final concentrando seu cosmo ao máximo, sem saber do ferimento que adquirira, mas quando foi dispará-lo, se deteve.
— Mas... o que aconteceu? – questionou Heitor.
— O cosmo de Sui se dissipou! Ela parou do nada? – perguntou Kirsi.
— Ele ainda não se moveu, continua de cara no chão! Linus, está vendo algo?
— Não vejo nada de estranho, Meiying... Alguma ideia, Soranin?
— Droga. Pior que não.
— Estão preocupados por quê? – Relinde interrompeu.
— Como?!
— Ainda não perceberam? Todos os Santos de Bronze têm um dom. Você tem suas lágrimas, por exemplo... Seja lá qual for o dom dele, provavelmente ele o usou agora... Essa luta foi só uma enrolação, um ganho de tempo para que ele pudesse realizar o que quer que tivesse em mente.
— Uau... O Athos é tão inteligente assim? — Ulysses parecia surpreso,
— Isso explica a maior parte, mas e quanto ao resto? – Jhesebel não levou o comentário do amigo a sério.
— Não sei, não sou vidente.
— Aff, mas é só um chato sair de cena que entra outro?
— Cuidado com suas palavras!
— Esperem... Parem vocês dois! Eles voltaram! – observou Aristides, enquanto apartava a discussão.
Na arena, Sui ajudava Athos a se levantar, apoiando-o no ombro. Ele continuava um pouco inconsciente e ambos iam até os médicos, deixando o ringue ao mesmo tempo.
— Então... Quem venceu? – perguntou Yerik.
— É esperar pra ver, pois parece que até o Papa tem suas dúvidas... – Aristides apontou para o altar improvisado, onde o Grande Mestre conversava com os Santos de Prata.
***
Poucos minutos se passaram, e então Athos surgiu. Ele estava com um braço enfaixado e caminhava na direção de Ulysses e Jhesebel, que o encaravam com espanto. Ao perceber a reação dos amigos, perguntou:
— Por quê estão me olhando assim? Meu cabelo está desarrumado?
Os dois respiraram fundo e o abraçaram.
— O que aconteceu com vocês dois? Ei, está me sufocando, chifrudinho!
— É bom ter o velho Athos de volta. – a amazona estava aliviada.
— Seu idiota, o que houve no final da luta? – perguntou Unicórnio.
— Não sei do que está falando, vocês viram tudo o que aconteceu do começo ao fim.
— Athos, você estava no chão e ela ia disferir um golpe, mas o interrompeu. Depois disso vocês ficaram parados sem fazer nada por alguns segundos.
Ele o encarou por um instante, fazendo uma careta.
— Hahahaha, pare de inventar coisas, chifrudinho!
Ulysses então trocou um olhar desconfiado com Jhesebel. Nenhum dos dois entendeu nada. Será que Sui realmente havia parado de repente?
Antes que alguém pudesse dizer algo, ela chegou. A armadura estava danificada, mas a amazona não apresentava danos físicos reais. Seus ferimentos estavam cuidados e não sangravam mais.
— Mana, você está bem!
— Sim... estou... – o olhar da Santa estava distante.
— Aconteceu alguma coisa?
— Você viu o que aconteceu...
— Vi, mas não entendi o porquê de ter parado seu ataque. Você ficou lá, parada... Parecia em transe!
— Sério?
— Não aconteceu mais nada. Depois vocês caminharam na direção dos médicos.
Ela ficou em silêncio.
— Sui, o que aconteceu? — Linus perguntou.
— Na verdade eu...
Ela foi interrompida por Mirtaka de Perseu, que voltava a falar:
— Jovens Santos, – todos começaram a se virar para ela – prestem atenção por favor... Digamos que esse último combate foi um tanto quanto... inesperado... Mas a decisão final já saiu. Aparentemente o Grande Mestre reparou em um detalhe que quase todos deixaram passar despercebido, e por este motivo, declaramos Sui de Andrômeda como a vencedora do último combate!
— Irmã! Você venceu! Parabéns, agora estamos juntas!
— É, realmente parece que eu venci.
Ela olhou então para Athos, que soltava um longo suspiro de contentamento. Embora ele tivesse feito a coisa certa, deveria estar triste por dentro. Sui se sentia a pior pessoa do mundo e desejava poder fazer algo por ele, mas infelizmente não era possível. O destino daquele cavaleiro era tão incerto quanto o dela.
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