Notas iniciais
Boa noite, pessoal! Voltamos com um novo capítulo da fanfic, um que eu particularmente gostei muito de escrever. Ao mesmo tempo que o desfecho da batalha entre Athos e Aquiles ocorre definitivamente, revelaremos um pouco mais sobre o passado do cavaleiro, e quais circunstâncias o levaram até o Santuário. Boa leitura a todos!

A luta finalmente tinha acabado. Athos estava livre, mas seu corpo pesava e aquele gosto amargo do sangue havia voltado a incomodá-lo.

Depois do choque entre ataques – que ele pensava ter acabado com um empate – ambos os oponentes foram jogados longe, ficando inconscientes por alguns minutos a fio. Aquiles acordara e, já recuperado de seu surto – mas ainda assim, ressentido com o ocorrido – voltou sua glória para o estado de cetro e da parte superior do mesmo, que era mais larga, retirou um frasco, do qual bebeu o líquido contido em seu interior. Suas asas começaram a esbranquiçar, mas ainda haviam manchas. Não dirigira uma só palavra para o cavaleiro, mas Athos sabia que por dentro ele o agradecia. Se seu cosmo não tivesse purificado parte das penas com seu poder, teria sido tarde demais.

Aquiles não podia demonstrar compaixão agora, por isso deixou Athos para trás e voltou aos céus.

Aquelas manchas negras haviam deixado o Santo com a pulga atrás da orelha. Como aquilo poderia ser algo ruim? Talvez Apolo não gostasse que seus subordinados tivessem sentimentos por pura falta de paciência para tolerar emoções, já que eram um traço de humanidade, coisa que ele odiava, mas mesmo os mais nobres guerreiros carregavam algo dentro de si. Algo que os faz sorrir e chorar, algo que os faz continuar lutando dia após dia. Aquiles possuía isso, o cavaleiro sabia, mas por causa de Apolo ele os reprimira para se tornar imortal.

Algo começou a brilhar no céu, ofuscando sua visão por um instante. Estreitou os olhos para focalizar e percebeu que uma única estrela reluzia em meio ao entardecer, bem acima dele. Era a primeira estrela a surgir, e isso o fez refletir por um instante.

O que raios ele estava esperando? Seu corpo continuava formigando, mas ele não podia se dar ao luxo de continuar ali, parado, olhando para o céu. Mesmo que seus machucados fossem graves e ele estivesse com algumas hemorragias, não ia ficar apenas observando as nuvens. Precisava voltar e encontrar seus amigos.

Rolou para o lado e colocou as mãos no chão, tentando se levantar como se estivesse fazendo uma flexão. Tossiu um pouco de sangue e ergueu-se. Imediatamente sentiu uma forte vertigem e tudo ficou escuro. Seu fluxo sanguíneo havia se alterado rápido demais por ele ter se levantado tão abruptamente, causando tontura e perda de equilíbrio, mas isso não o afligiu. Ele tinha um objetivo em mente, e não importava o que acontecesse, iria cumprí-lo. Olhou para onde se reunira com os amigos antes de batalhar e sorriu. Era para lá que ele ia.

Deu o primeiro passo, cambaleando, e assim seguiu, aos poucos, sem se preocupar com o sangue que pingava e a dor que sentia.

Jhesebel e Ulysses haviam voltado para o lugar onde se reuniram pela última vez. A garota já estava nervosa antes, mas agora havia piorado. Andava de um lado para o outro, aflita, pensando em Athos e Linus.

— Já chega. – disse para Ulysses, socando o tronco da solitária árvore que estava atrás de si, bem no topo do morro onde se encontravam. – Se eles não chegarem logo, eu mesma vou buscá-los.

— Jhesebel, não! Chegamos faz só cinco minutos! – ele protestou, segurando-a pelo braço. – Eles disseram que iriam voltar, e vão. Não confia neles? Pare de bancar a mamãezinha e deixe-os tomar suas próprias decisões e cumprir suas promessas! O que acha que eles diriam se você fosse até eles e os buscasse pela mão?

Ela suspirou ao perceber que estava errada.

— Você tem razão, me desculpe... É que eu estou muito preocupada.

— Eu também estou, você sabe. Aquelas palavras da reunião ainda estão me perturbando... Tem certeza que você está bem?

Ela não respondeu. Apenas arqueou as sobrancelhas e arregalou levemente os olhos, olhando para a colina a sua frente. Suas mãos tremeram por alguns segundos, mas Ulysses não reparou.

— Ei, não me deixe falando sozinho!

Sem desviar seu olhar, ela segurou no queixo do cavaleiro e virou sua cabeça para que ele fitasse o mesmo ponto que ela.

Ele arquejou, surpreso. Athos caminhava no topo da colina, cabisbaixo e vacilante, como um bêbado. Ele não pareceu os ter notado.

— Athos!! – ambos gritaram.

Ele tentou erguer a cabeça para encará-los, mas fraquejou e acabou caindo, rolando colina abaixo, sem forças para parar.

Eles voltaram a gritar o nome do amigo e foram ao seu encontro, tentando segurá-lo para que não se machucasse ainda mais, porém só o alcançaram quando o mesmo já havia chegado a parte plana que separava as duas irregularidades, parando enfim.

— Oh, meu Zeus! Athos, você está bem? – Unicórnio perguntou.

Sem resposta.

— Ulysses, o que está fazendo aí parado? Lembra do que os dourados disseram sobre a profecia? Se Athos está nesse estado, Linus também deve estar! Vá atrás dela!

— Sim, é verdade! – ele respondeu, correndo para onde Linus havia partido. – Não se preocupe conosco, cuide dele, ok?!

Eu é que deveria estar dizendo isso... ela pensou. Mas que droga! Que sentimento de impotência é esse?

O Santo levantou-se para tossir e gaguejou:

— J-Jhesebel? O-onde está Ulysses? E-e Linus?

— Ele foi buscá-la. – ela fez uma pausa. – M-mas não pense nisso agora. Apenas repouse. Você vai ficar bem.

Ele a encarou, confuso.

— N-nós estamos no mesmo lugar d-de antes?

— Mais ou menos. Estamos abaixo da colina da árvore. Agora, fique em silêncio. Não se esforce para falar.

Ele franziu o cenho e se ergueu de novo, fato que a assustou.

— O que você pensa que está fazendo?! Você precisa ficar parado, seu idiota!

— E-eu preciso voltar lá pra cima. – respondeu, apontando para a árvore.

— P-por quê?!

Ele não disse nada, apenas começou a andar.

Jhesebel se sentiu mal por dentro, mas evitava pensamentos profundos. Apenas disse, enquanto o apoiava em um dos ombros:

— Você é muito idiota. Deixe-me ao menos te ajudar então.

Ele forçou um sorriso e aos poucos subiram a colina.

— Prontinho. Agora que já está aqui, deite e espere a ajuda, Senhor teimosia!

Athos caiu de joelhos, sem aguentar seu próprio peso, e ela o ajudou a se deitar, ajoelhando-se ao seu lado, mais preocupada do que nunca. Ele apertou os olhos – não por causa da dor, mas por saber que ela estava certa em dizer que ele era teimoso. Nunca conseguia fazer nada sozinho, mesmo em uma situação como essa. Quando percebeu como era idiota, murmurou algo que a amazona não pode entender.

— O que disse? – ela perguntou.

— D-droga... Eu sou muito estúpido mesmo...

— Do que você está falando, Athos?

— E-eu sou um inútil... Apenas um pequeno e insignificante grão de areia.

Jhesebel suspirou, compreendendo que ele estava muito abalado com tudo aquilo.

Normalmente teria gritado com ele, mas dessa vez ela sabia o que deveria fazer. Olhou para o chão ao seu redor e pegou uma pedra qualquer.

— Isso pode até ser verdade, mas veja só. – disse, mostrando-lhe a pedra. – Vários grãos de areia, juntos, formam uma pedra. A pedra é forte e resistente. Aguenta qualquer coisa, assim como você.

Athos estendeu o braço e pegou a pedra da mão da amazona, analisando-a com os dedos. Sua expressão não era a descontraída de sempre. Ele parecia ter envelhecido uns cinco anos depois daquela luta. Estava esgotado e sem humor – o que era deveras preocupante.

— S-sabe, essa pedra pode até parecer dura, mas isso é só sua aparência. A-a pedra fez dessa rigidez sua fortaleza para parecer durona, mas ela só parece ser assim por fora... P-por dentro ela é muito mais frágil do que você pode imaginar.

Ele apertou-a com força em seu punho, quebrando-a.

Logo, continuou:

— A-até a mais rígida pedra tem sentimentos... S-sentimentos que a fazem duvidar de si mesma. A p-pedra sofre como todas as outras coisas no mundo, vivas ou não, e uma hora sente que não vale mais a pena se esconder sobre essa couraça protetora.

Athos fez ainda mais força, apertando-a intensamente até sangue começar a escorrer de sua mão.

— T-toda pedra, por dentro, é diferente do que é por fora. – continuou.

O cavaleiro de Golfinho esticou seu braço para o alto e Jhesebel acompanhou o movimento com os olhos. Ele abriu a mão e uma borboleta azul apareceu, batendo suas asas, livrando-se de alguns dos grãos de areia e do sangue que estavam sobre si, e alçou voo na direção do céu, agora um pouco mais estrelado, mas ainda no mesmo tom suave do crepúsculo.

Quantas pessoas importantes ele já tinha perdido até agora? Se tornara um Santo para proteger as pessoas, mas mesmo assim elas continuavam partindo... Será que isso realmente era justo?

Lembrou-se de Kirsi, sua primeira amiga de verdade no Santuário. Ela adorava suas mágicas, e também sabia fazer algumas... Naqueles tempos, onde não haviam tantas preocupações, eles riam o tempo todo, se divertiam mesmo em meio as lutas, e nunca desistiam de seus sonhos. Quando será que tudo mudou?

Kirsi se sacrificara para lutar contra Hector no submundo sem hesitar. Com sua morte, parecia que algo dentro dele também havia morrido, mas ele seguira adiante, lutando contra inimigos poderosos e vendo cada vez mais pessoas morrer ao seu redor.

Sui também se foi acreditando naquilo que julgava ser certo. Será que Soranin se sentia da mesma forma que ele?

Provavelmente não. O amor de irmãs certamente é diferente daquilo que ele sentia. Não sabia se chegara a amar a amazona de Lobo quando eram crianças ou se aquilo era um sentimento comum a todos da mesma idade, mas sentia uma consideração fora do comum, que apenas as crianças têm, tendo um carinho extremo pelo próximo e nunca desistindo dele.

Por algum motivo, durante sua trajetória, ele se esquecera desse sentimento.

A maior diferença entre crianças e adultos é que os primeiros nunca guardam mágoas e sentimentos ruins. Crianças se perdoam com facilidade e nunca se esquecem de seus amigos. Em alguns sentidos, são até mais sábias que os adultos, que guardam rancor por muito tempo e consomem a si mesmos com o peso na consciência.

Heh. Ele era uma criança até hoje – e planejava continuar assim.

Fitou o céu e sorriu, ainda com a mão esticada. A borboleta espiralava calmamente acima deles, batendo suas asas suavemente e deixando um mínimo rastro de poeira brilhante, carregada com pequenas partículas de cosmo, enquanto voava.

A todos que passaram pela minha vida, obrigado por tudo... Esse é o meu último truque, e a minha última mágica. Dentro de pouco tempo irei me juntar a vocês, que esse tempo todo estiveram observando os meus passos das estrelas.

Ao terminar o pensamento, subitamente teve um flashback, relembrando uma cena antes adormecida em sua memória.

Athos estava sentado em sua cama, brincando com aviões, como toda criança faz. Já se passavam alguns anos desde que começara a morar com o tio, e os dois ficaram muito amigos rapidamente. Neste dia em especial, iriam viajar para a Europa. As malas já estavam feitas e ambos partiriam dentro de algum tempo.

O tio entrou no quarto carregando as bagagens com uma mão e ajeitando os cabelos pretos levemente grisalhos com a outra, sorrindo com sinceridade ao vê-lo.

— Ei, Athos, vamos nessa. Esqueceu alguma coisa?

Ele correspondeu o sorriso, que era idêntico ao dele.

— Não, senhor capitão! – disse, correndo e pegando sua malinha de um famoso super herói, que usava cueca por cima da calça. Dentro dela haviam mais doces e brinquedos do que roupas.

— Então, tudo bem. Rumo ao aeroporto!

Ambos desceram as escadas e entraram no táxi, rindo.

Cerca de uma hora depois, entraram no avião. Era a primeira viajem de Athos para fora do Canadá, e ele estava realmente muito ansioso.

— Cinto! – lembrou o tio, colocando-o.

— Cinto! – ele concordou, fazendo o mesmo.

Athos pensara inicialmente que seria algo divertido, mas depois das instruções falando sobre máscaras que cairiam em caso de turbulência, começou a sentir uma pontada de desconforto. Automaticamente fechou os olhos para tentar aliviar o medo. Ao perceber, o tio perguntou:

— Ei, campeão. Está com medo?

Ele abriu um dos olhos e voltou a fechá-los, assentindo. O adulto sorriu.

— Tudo bem, vou te ensinar um truque... É uma de minhas mágicas. Sempre dá certo.

A criança o fitou, interessado.

— Muito bem, vamos lá. É bem simples, primeiro você tem que fechar os olhos... Acha que consegue fazer isso?

Ele o fez e assentiu.

— Certo... Agora, diga as palavras mágicas.

Sem resposta.

— Ah, qual é! Eu sei que você sabe quais são elas.

Ele riu, dizendo:

— Abracadabra, simsalabim!

No mesmo instante o tio segurou em sua mão, apertando levemente, e o avião decolou.

— Sentiu esse frio na barriga?

— Sim.

— Pois então abra os olhos e olhe pela janela.

Athos os abriu bem devagar, obedecendo. Virou-se para a janela e viu a cidade ficando cada vez menor abaixo de si. Ficou maravilhado com a vista e a possibilidade de estar voando junto das nuvens. O tio sorria ao seu lado, orgulhoso.

— Viu só, não foi tão difícil assim.

— Obrigado. – ele o abraçou.

— Não precisa agradecer, querido.

Algumas horas depois, ambos já estavam dormindo. A viajem era longa e cansativa, mas eles se sentiam mais contentes do que nunca. Só tinham a si mesmos, mas isso era mais do que suficiente.

Quando chegaram na Áustria já era noite no horário local. Pegaram as bagagens e bateram uma continência, como soldados, rindo ainda mais. Desembarcaram e quando se afastaram do avião, preparando-se para ir na direção do aeroporto, houve uma explosão. Viraram-se, contemplando o veículo o qual acabaram de descer se transformar numa gigante bola de fogo. As pessoas corriam, apavoradas, tropeçando umas nas outras, sem se importar com o que quer que estivesse em sua frente. Ambos ficaram ali parados, sem ter o que fazer. Retornaram à realidade quando viram que um homem loiro se arrastava pelo chão na direção deles, saindo das chamas. O adulto piscou fortemente os olhos castanhos, caindo em si.

— Athos, vá para o aeroporto. – disse e entregou-lhe as bagagens.

— Mas tio, eu...!

Ele o fitou intensamente, com um olhar bondoso e ao mesmo tempo determinado.

— Athos, vá para o aeroporto. – ele tornou a repetir. – Agora.

Com os olhos cheios d'água ele começou a fazê-lo, mas se deteve alguns metros depois, virando-se para observar a cena. Seu tio ajudava o homem loiro a se levantar, apoiando-o no ombro. Ao longe, Athos ouviu o homem dizer que ele deveria deixá-lo ali e se proteger, mas o tio negou o pedido e continuou o carregando. Atrás deles, outro homem saiu das chamas, porém este caminhava tranquilamente, como se elas sequer o incomodassem. Ele portava uma armadura com tons de vermelho e, por um instante, Athos pensou ter visto asas em suas costas. Eles se viraram, assustados com tal presença, e o ferido tornou a pedir que ele se afastasse e o deixasse para trás, mas de novo ele recusou. O homem com asas disse algo que Athos não conseguiu identificar e esticou o braço, apontando uma espada negra na direção deles. Imediatamente, o ferido arregalou os olhos e empurrou seu salvador para o lado. Ambos rolaram, por pouco não sendo atingidos por um feixe de luz muito potente e veloz, que parecia ter partido da espada negra. Novamente o homem ameaçador disse alguma coisa e cortou o ar, liberando outro feixe. Porém, dessa vez, o loiro não pode fazer nada, pois o tio de Athos fora mais rápido, entrando em sua frente e recebendo aquele golpe estranho em seu lugar. O grito de pesar do homem ferido quando o sentiu cair em seus braços foi claro, parecendo ecoar por toda a pista de pouso mesmo com todo o caos.

Athos sentiu lágrimas escorrendo de seu rosto e largou as malas imediatamente, correndo na direção deles.

— Tio! – berrou, ignorando o medo do homem com asas. – Tio Peter!!

Somente então o ferido notou sua presença.

— Uma criança? – sussurrou.

— Tio Peter!! – Athos ajoelhou-se ao seu lado, chorando ainda mais. – Tio, por favor, fale comigo!!

O loiro voltou-se para aquele com a armadura, com uma expressão furiosa no rosto.

— Oh, que tragédia! – o outro caçoou da situação, se aproximando mais um pouco e sorrindo.

O loiro começou a se levantar para confrontá-lo, mas parou assim que percebeu a postura do garotinho ao seu lado. Ele estava com os punhos fechados e tremia, derramando inúmeras lágrimas. Suas sobrancelhas estavam franzidas e seus dentes cerrados, dando uma expressão raivosa ao seu rosto. Ao redor de si, uma energia azul piscina começava a se manifestar.

— Isso é... um cosmo?! – o homem ferido sobressaltou-se, mantendo o mesmo tom baixo e suave de antes.

— Isso... Isso não vai ficar assim! – Athos gritou.

— Ah, é mesmo? – questionou o guerreiro que saiu das chamas, se divertindo com a cena. – O que você vai fazer a respeito?

Ah!!

Ele gritou e sua energia se intensificou um pouco mais. Subitamente, as chamas pararam de crepitar e o vento de soprar. As pessoas pareciam ter virado estátuas, pois já não corriam. Estavam paradas no meio do movimento, como se a cena tivesse sido congelada. O homem de cabelos pretos também não se movia, mas aquele sorriso ainda estava cravado profundamente em seu rosto.

No pescoço de Athos, a imagem de um golfinho surgiu. Ela oscilava, ficando ora mais clara, ora mais escura.

— Uma tatua-... Não... Uma marca? – sussurrou o outro homem, que de algum modo podia se mover livremente. – Quem diabos é essa criança?

Athos não deu atenção a ele, apenas continuou olhando fixamente para sua frente, de costas.

— Ei, garoto... – ele chamou. – Quem é você?

— Meu nome é Athos. – respondeu, virando-se.

O tio tossiu.

— Tio Peter! – Athos voltou para perto do parente. – Tio Peter, você está bem?!

— S-sim... – disse, com sangue escorrendo da boca. – E-e você, como está?

Ele chorou ainda mais.

— E-eu... eu... eu estou bem.

— Q-que bom, campeão...

— T-tio...

— A-Athos... p-pode me... prometer uma coisa?

— C-claro. O que quiser.

— S-seja forte... U-use sua força para... p-proteger aqueles que são... i-importantes pra v-você... N-nunca desista dos... s-seus sonhos... T-tenha sempre amor em seu... c-coração... – ele fez uma pausa. – E-eu... E-eu estou com você... S-sempre estarei...

Ele sorriu e expirou o ar de seus pulmões, mas não tornou a puxá-lo de volta.

— T-tio, p-por favor, não vá! – Athos se inclinou sobre ele, agarrando seu pescoço. – Tio!... Tio!!

Alguns segundos depois, tudo escureceu.

Quando recobrou a consciência, o garoto estava enrolado em um cobertor e sentado em uma das cadeiras do aeroporto. Olhou ao redor, desesperado. Viu pessoas chorando e se abraçando, assim como vários policiais correndo pelo local. Ao perceber o que havia acontecido, se encolheu, abraçando os joelhos. Estava tão inerte em seus pensamentos que nem reparou quando se aproximaram dele.

— Ei, você está bem? – o adulto de cabelos loiros perguntou e lhe estendeu um copo. – Tome. Comprei um chocolate quente pra você.

Ele hesitou momentaneamente, mas ao compreender que era o mesmo homem de antes, aceitou. Por outro lado, não respondeu à pergunta, apenas continuou olhando ao seu redor, como se procurasse por algo.

— Seu nome é Athos, não é?

Ele assentiu.

— Bem, Athos, não precisa se preocupar. Aquele homem não vai aparecer de novo.

Ele encarou o copo, sem expressão. Alguns segundos de silêncio depois, perguntou:

— O que... O que aconteceu?

— Um amigo apareceu e o levou para longe. Eu peguei você no colo e trouxe para cá.

— Quem era ele?

— É difícil de explicar... Mas garanto que não era uma boa pessoa.

— Entendi... E quem é você?

— Também é difícil de explicar. – ele riu. – Mas acho que teremos bastante tempo para conversar sobre isso depois... Pode me dizer como fez aquilo com as pessoas ontem?

— “É difícil de explicar”... – ele forçou um sorriso.

O outro correspondeu.

— Entendo perfeitamente.

Mais um pouco de silêncio.

— Você... tem pra onde ir?

— Não.

— Sabe que se ficar aqui os policiais vão te levar embora, não é?

— Sim.

— Você quer isso?

— Não.

— Então... gostaria de vir comigo?

Ele o fitou, desconfiado.

— Estou indo para um lugar bem legal e bonito, tem várias crianças da sua idade por lá... Eu irei te proteger durante o caminho para que nada te aconteça, não tem por que ter medo.

— E-eu... eu quero ficar forte.

O loiro suspirou, compreendendo.

— Assim como você, eu não tinha pra onde ir quando menor. Um homem muito bondoso me encontrou e me levou pra lá... Sabe, lá é um lugar em que você pode ficar forte rapidinho. Eu, por exemplo, sou muito forte. – ele sorriu, tentando encorajá-lo.

— Mas mesmo assim aquele homem machucou você.

— Ora essa, existem vários tipos de pessoas fortes, e ele é um desses tipos... Só que nós somos muito diferentes, sabe por quê?

— Porque ele é mais forte que você?

— Não. É porque a força dele vem do ódio e a minha da vontade de querer proteger as pessoas. O ódio só causa destruição, tanto dos outros quanto de si mesmo, mas o amor tem o poder de superar barreiras. Ele não te deixa perder as esperanças, é um dos sentimentos mais nobres que existem.

— Mas eu não sei se sou capaz de fazer isso... Quer dizer, eu quero muito, mas não sei se consigo.

— Mas é claro que consegue! Você não teve uma sensação diferente ontem, quando tentou enfrentar aquele cara?

— Tive sim.

— Aquilo é a prova da sua força, e quanto mais você treinar, mais forte ficará... Você é especial, Athos, eu posso sentir isso só de olhar para você.

— É verdade?

— Sim!... E então, o que me diz? Quer vir comigo e cumprir a promessa que fez ao seu tio Peter? – ele estendeu-lhe a mão.

— Sim, eu quero! – ele a aceitou.

— Tem certeza? Ficar forte pode doer um pouco.

— Eu não ligo, só quero proteger quem é importante pra mim.

— Tudo bem, então. – o rapaz de olhos verdes sorriu, pegando as bagagens. – Vamos nessa!

— Ei, você ainda não me disse o seu nome.

— Jonathan, mas pode me chamar de Johnny.

— Certo, Johnny. Vamos ficar fortes!

Ambos partiram na direção da saída de mãos dadas, sorrindo.

O flashback terminou com um sobressalto, e seus dedos se retesaram levemente. Seu braço ficou mais pesado, caíndo por sobre seu corpo. Os cintilantes olhos castanhos estavam fechados e o cabelo preto levemente grudado na testa por causa do suor. Sua marca de nascença agora parecia mais apagada, assim como a cor de sua pele. Em seus lábios levemente corados restava um sincero sorriso, a esperança de um dia conseguir proteger os amigos até o fim.

Notas finais
[Nova(s) Ficha(s):] Peter Matthew Divindade: Nenhuma Classificação: Nenhuma Constelação: Nenhuma Gênero: Masculino Idade: 24 anos (quando morreu) Significado do nome: “Pedra”, “Rochedo” Aniversário: 07 de Julho Signo zoadical: Câncer Altura: 1.82 Peso: 73kg Tipo sanguíneo: B+ Local de nascimento: Canadá Local de treinamento: Nenhum Mestre: Nenhum Discípulo(s): Nenhum Cor, textura e tamanho dos cabelos: Pretos, lisos, espetados Cor dos olhos: Castanhos Parentesco: Tio de Athos de Golfinho Personalidade: Divertido, acolhedor, dedicado, bondoso Habilidades especiais: Nenhuma Objeto de valor sentimental: Nenhum Jonathan Lewis Divindade: Atena Classificação: Não apresentada até o momento Constelação: Não apresentada até o momento Gênero: Masculino Idade: 17 anos (na época do encontro com Athos) Significado do nome: “Dado por Deus”, “Amizade inabalável” Aniversário: 31 de Julho Signo zoadical: Leão Altura: 1.76 Peso: 71kg Tipo sanguíneo: AB- Local de nascimento: Nova Zelândia Local de treinamento: Caribe Mestre: Não apresentado até o momento Discípulo(s): Não apresntado até o momento Cor, textura e tamanho dos cabelos: Loiros, lisos, curtos Cor dos olhos: Verdes claro Parentesco: Nenhum Personalidade: Confiante, alegre, determinado, companheiro Habilidades especiais: Nenhuma Objeto de valor sentimental: Nenhum —---- Finalmente, a luta de Aquiles e Athos tem um fim, com apenas um vencedor. Após alguns lapsos de memórias e o cumprimento de algumas promessas, uma morte ocorre. Como isso afetará os demais personagens? Continue acompanhando, e não perca: no próximo capítulo, o fim da luta de Linus de Lince e Édipo de Urano! [Por favor, se você está gostando da história, não esqueça de favoritar, comentar, deixar sua opinião, acompanhar para receber as atualizações sobre a fanfic, e recomendar, para que mais fãs de CDZ encontrem a história. Estou aguardando seu review ;)]