Contanto que você me ame
5 Celine
Hoje eu acordei com muita saudade da Annie. Queria poder ligar para ela e conversar um pouco. Contar como tem sido louca as coisas. Ela iria rir da minha cara e falar "Aproveite a vida, ela é fantástica" Annie sempre vivia de bom humor, para ela não tinha tempo ruim. Há uns dois meses atrás ela estava morando comigo e agora ela partiu e nunca mais vai voltar.
Bebia um café bem forte, sequei as lágrimas e fui para o serviço.
Sentei na minha mesa e comecei a ler meus e-mails. Hoje eu tinha bastante coisa para fazer, bom, porque assim eu ocuparia minha mente.
Já se passavam das 16:00 horas quando recebi uma mensagem do Adam.
"Esse relatório precisa ser finalizado até amanhã cedo."
Olhei o e-mail que ele acabou de mandar e... DROGAAA, que gritei na minha mente. Não tem como finalizar isso daqui antes do expediente acabar.
Levantei bufando e fui até a sala dele. Entrei sem bater na porta. O dia já não estava bom e estava prestes a piorar. Ele levantou os olhos mas não pareceu surpreso.
- Sério? Você só pode estar brincando comigo.
- Entre e fecha a porta por favor. — Ele disse da forma mais serena possível. Fiz isso e arrastei a cadeira para me sentar, respirando fundo para não socar a cara dele. — Você possui alguma dúvida sobre o relatório? — Ele era muito debochado e esse olhar dele com um sorriso no rosto me fazia ficar mais irritada ainda.
- Você é muito cara de pau. Sabe que é quase impossível terminar aquilo a tempo, antes da reunião de amanhã. Por que não me mandou mais cedo?
- Olha o linguajar, eu sou seu chefe.
- Se quiser, que me mande embora. — Levantei e me dirigi em direção a porta.
- Se você estiver insatisfeita, peça as contas. — Falou retornando o que estava fazendo, escrevendo em uma folha.
Eu realmente detestava ele.
Finalizei o relatório eram 20:15, peguei minhas coisas e fui para casa.
....
Hoje estava frio, cheguei cedo, apesar de ter saído tarde ontem, mal dormi direito. Tomei bastante café para tentar aliviar o sono.
- Celine, bom dia! O Adam pediu para você ir na sala dele.
- Bom dia! Obrigada Sandra.
Levantei-me e fui até lá. Bati na porta e entrei.
- Bom dia! — Foi tudo o que eu consegui dizer. Ainda estava irritada com ele por ter me feito sair daqui tarde.
- Bom dia! Recebi o seu relatório, ficou muito bom, bem preciso.
- Obrigada. — Digo no tom mais seco possível. — Mais alguma coisa?
- Saiu daqui tarde. Poderia ter finalizado hoje de manhã.
- Não gosto de deixar as coisas para o outro dia e também não teria dado tempo de finalizar, já que a reunião é às 09h.
- Hum. — Foi tudo o que ele disse. Revirei os olhos e sai da sala.
....
- Ah, eu acho que ele é um cretino. — Digo virando mais um copo. Eu não queria ter bebido, mas já estava ali. Enfim, era uma quinta-feira à noite. E amanhã com certeza eu estaria de ressaca. — Um relatório meu. — Digo indignada. — Eu deveria ter pedido para o ChatGPT ter feito isso.
- Aí amiga. Ele parece ser um chato mesmo.
- Ah, Bia. Vou pedir para você trabalhar com ele. Eu estou farta. Estou com muita coisa para lidar.
- Ah não. Eu não quero Celi.
Caímos na risada.
- Nossa, que gatas. Eu sou a Marcos e esse é meu amigo Tony. Podemos pagar uns drinks para vocês? — Dois caras se aproximaram de nós.
- Não obrigada. — Eu disse.
- Por favor. — Insistiu Marcos.
- Olha, vocês são bonitos. Mas hoje é a noite das meninas. Então, não estamos interessadas. — A fala arrastada da Bia me fiz rir e ela começou a rir também.
- Estão afim de dançar? — Perguntou Tony.
- Não. Cara, hoje não queremos nada.
Ficamos em silêncio por um tempo até que ele apontou para a pista de dança insistindo.
- Já falei que não. — Digo empurrando-o.
- Tá bom. — Ele levantou as mãos como se estivesse se rendendo.
- Vamos pegar algo para bebermos. Caso vocês queiram algo é só..
De repente senti uma mão me puxando. Foi tão rápido. De repente ouvi barulho de um copo sendo jogado no chão. Ele ficou na frente para que os cacos de vidros que se estilhaçaram no chão não atingissem a Bia e eu.
- Vocês acham que eu não vi que vocês colocaram boa noite cinderela no copo delas?
- É o Adam? — Perguntei para a Bia.
- Está louco cara? Quem é você? — Perguntou Marcos.
- Beba então. — Disse o cara que supostamente é o Adam, oferecendo o outro copo que restou.
- Não estou afim.
- Bebe. — Insistiu, levando copo até a boca do cara.
Marcos jogou o copo no chão e empurrou o suposto Adam, que deferiu socos na cara do Marcos. Tony tentou dar um mata leão nele. Nesse momento meus olhos encontraram o dele. Era mesmo o Adam. Ele conseguiu dar uma cotovelada no Tony e deu um soco que o derrubou.
- Bia, vamos ajudar. — Eu disse. Bia assentiu com a cabeça e deu um chute no saco de Tony que estava no chão, eu consegui dar um soco no estomago dele.
Peguei uma sandália e bati nele. Depois eu não me lembro de mais nada.
Acordei com muita dor de cabeça. Olhei para os lados, não era o meu quarto. Nem sei como eu vim parar aqui.
Levantei correndo, procurei minha sandálias, só encontrei uma. Peguei meu celular, eram 09:20. Sai do quarto sem saber para onde ir. Havia um corredor. Procurei pelas escadas. Desci na ponta dos pés, eu só queria sair dali. Só espero não ter dormido com ninguém e pior ainda, não me lembrar.
Ouvi barulho de algo sendo feito na cozinha. O cheiro parecia bom. Mas eu fui em direção a saída.
- Bom dia! — Uma voz rouca soou atrás de mim.
- Bom dia! — Digo sem olhar para trás, segurando a maçaneta.
- Você está bem? Vem tomar café. — A voz era familiar. Me virei para ver quem era e arregalei os olhos ao vê-lo.
- Adam... O que está fazendo aqui?
- Estou na minha casa.
- Bom.. O que eu estou fazendo aqui?
Ele sorriu e agora eu pude reparar melhor nele. Estava sem a roupa formal do serviço, sem o terno, o cabelo meio bagunçado, parecia ter acabado de sair do banho. Vestia uma regata e uma bermuda.
Ele se aproximou de mim e me prensou na parede. Fixou o olhar no meu, se aproximou mais de mim, senti um nó na garganta, parou próximo do meu ouvido, senti o hálito quente no meu pescoço e isso me fez arrepiar.
- Você não se lembra de ontem a noite? De como nós nos divertimos? — Sussurrou. Meus olhos se arregalaram ainda mais.
- O que você quer dizer com isso? Ai meu Deus, nós dormimos juntos?
- Você costuma dormir na casa dos caras e não se lembrar de nada no dia seguinte? — Ele se aproximou do meu rosto, seus olhos rentes aos meus, sua boca estava próxima da minha
- Não. — Respondi. Seus olhos pairaram sob a minha boca. — Você está mentindo porquê não rolou nada. — Seus olhos voltaram para os meus.
- Como tem tanta certeza?
- Eu não teria me esquecido e você não parece ser o tipo de homem que dorme com uma mulher quando ela está bêbada.
- Não mesmo e nem comprometida.
Ele sorriu e se afastou. Não entendi a parte "nem comprometida", mas minha cabeça estava doendo muito para ficar conversando logo cedo pela manhã.
- Vamos tomar café. — Ele se direcionou para um cômodo do apartamento. Agora que eu percebi que era um duplex. Quem mora sozinho em um duplex? Na verdade eu nunca pensei que talvez ele possa ter uma família.
- Eu preciso ir embora. Tenho que ir trabalhar.
- Toma um café antes. — Disse ele me entregando uma xícara. — Quer um remédio? Você deve estar sentindo dor de cabeça.
- Aceito, obrigada. — Tomei o remédio e o café, que estava uma delicia. — Como eu vim parar aqui?
- Você se lembra da mini confusão que acabou rolando no Forest?
- Lembro até a parte que eu bati em um dos caras.
- Então, resumindo, vocês estavam muito bêbadas. Eu trouxe vocês. A Beatriz ainda conseguiu informar o endereço dela para que eu deixasse ela em casa. Após eu ter deixado ela lá eu tentei levar você para a sua casa, mas você não me passou o seu endereço, aí para não te deixar na rua eu te trouxe para casa.
- Obrigada por ontem, não reparamos que tinha algo na bebida.
- Mantenha sempre o seu copo na mão. Um minuto de descuido e esses vacilões se aproveitam.
- Por que você estava no Forest em uma quinta-feira?
- Por que você estava?
- Boa. — Soltei uma risada. Terminei de beber o café e peguei meu celular e minhas chaves. — Você viu minhas sandálias por aí?
- Quando eu te encontrei você só estava com um pé calçado.
- Ah, que droga. Vou chamar um uber.
- Eu te levo.
- Não precisa.
- Eu insisto.
Chegamos na frente do meu prédio.
- Obrigada, de verdade.
- De nada. Agora você me deve um favor.
- Ah, igual aquele relatório?
- Qual? Aquele que fez você ficar irritada e ir beber em plena quinta-feira?.
- Ah. — Foi o único som que saiu da minha boca.
- Do que você me chamou ontem mesmo? Cretino né? — Ele sorriu.
- Você ouviu? — Ele assentiu. — Droga. Tchau Adam.
- Tchau Celine.
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