Consequências

3 Uma discussão reveladora


Choi Young Do chegou uma hora depois com as malas dela. Jogou-as no meio da sala e, com passos firmes foi em direção a cozinha procurar por ela, já imaginando que ela poderia estar aprontando alguma coisa na sua casa. Encontrou-a sentada à mesa comendo um pouco de cereal com leite, ela olhava fixamente para um vaso de flores que estava sobre a mesa.

–Ei!

–Choi Young Do! Você conseguiu? — colocou as mãos rapidamente sobre as mesas e se levantou apreensiva.

–Você não sabe o quão difícil foi conseguir pegar as suas malas.

–Quer dizer que você conseguiu? — sentou-se novamente aliviada.

–O que eu acabei de dizer? Ah, sinceramente... eu ainda não entendo o que está acontecendo. Mas eu estou curioso para descobrir quem você é, de onde você veio e o que você está fazendo aqui.

–Você fala como se eu fosse perigosa. Eu não sou perigosa.

–Eu vou descobrir se você é ou não! Qual era a sua relação com o Kim Tan?

–A gente era e é amigo. Apenas isso.

–Entendi — disse desconfiado. — Acho que devemos dar uma festa para comemorar o fato de você estar morando aqui...

–Não! — gritou ela. — Por favor, ninguém pode saber que eu estou morando aqui.

–Ah, é mesmo. E por quê?

–Porque meu pai pode tentar te destruir se souber que eu estou aqui. Por isso você pode manter segredo disso para mim, não pode? E também, você não vai querer esse tipo de escândalo para você, não é? Você quer que todos saibam da nossa proposta?

–Você é muito estranha! Mas enquanto você morar aqui, quem dita as regras sou eu! Então, por que não tira aquelas porcarias da minha sala e arrume-as no quarto de hóspedes.

Ela estranhou a forma de agir dele. Era completamente diferente dos garotos que já havia conhecido. Ele tinha um tom de voz firme e a tratava de uma forma que nunca havia sido tratada antes. Ao mesmo tempo em que ele parecia se importar, ele se tornava distante.

Ela simplesmente se levantou novamente da cadeira e foi em direção a sala organizar suas malas, que estavam jogadas no chão. Ela foi em direção ao quarto e ele já estava lá a esperando. A casa era bem grande, mas naquele momento não havia nenhum empregado, além dos seguranças dele, que estavam lavando os carros e mantendo a casa segura. Assim que chegou ao quarto, ela jogou suas coisas no chão e jogou-se sobre a cama.

–À partir de hoje esse será o seu quarto. Lembre-se de acordar sempre mais cedo para me preparar o café da manhã e levar na cama para mim. Quero que você cuide de organizar o meu uniforme e de fazer a minha lição de casa. Na escola, nós não nos conhecemos e nem sequer nos falamos, nós não vamos com a cara um do outro, entendeu? Aproveite o tempo que estiver aqui! — ele estava sorrindo torto, provavelmente estava gostando muito da situação.

–Obrigada!

Ele caminhou em direção a porta, quando deu meia volta e disse sorrindo:

–Só quero que você não se esqueça de uma coisa.

–O que é?

–Eu não sou bonzinho como o seu amigo Kim Tan.

No dia seguinte, Kim Tan estava muito preocupado com o sumiço de Taila. Ele soube que ela quase havia sido atropelada e subiu na moto de um desconhecido. Estava muito preocupado, pois não poderia imaginar o que aconteceu a ela em seguida. Ela havia deixado sua bolsa cair no meio da rua, quando a moto parou a sua frente sem perceber e nem sequer puderam rastrear seu celular para descobrir onde ela estava.

–Calma, Kim Tan — confortou Eun Sang. — Vai ficar tudo bem.

–Eu não sei se isso é possível. É a Taila, ela tem o dom de se meter com pessoas perigosas.

–Realmente a atitude dela foi irresponsável, mas... o que levou ela a fazer isso?

–É complicado. O pai da Taila é perigoso. E será ela quem vai assumir a empresa, então para ele, ela deve estar pronta para isso e... — hesitou — eles não se dão bem por isso.

–Eles são como você e o seu pai...?

–Um pouco, mas... meu pai sabe o que a palavra limite significa, mesmo que não pareça.

–Ah — ela respirou fundo de disse observando as nuvens — por que vocês ricos são assim?

–Assim?

–Esses dramas de garotos ricos. Mas eu percebi que vocês dois são bem próximos.

–Somos como irmãos. Eu a considero minha irmã mais nova que eu sempre quero proteger. A Taila passamos um ano juntos nos Estados Unidos, até o pai dela levá-la pra onde eu nunca consegui encontrar — ele respirou fundo e passou a mão levemente no cabelo dela. — Quando eu vi você chorando na rua eu me lembrei que já havia visto aquela cena uma vez. Uma garota sofrendo e que só eu poderia salvar.

–Por isso você foi atrás de mim?

–Sim. Eu só não imaginava que você ia me conquistar dessa forma.

Ela sorriu e passou seus braços em volta do pescoço dele e puxou seu rosto para perto do dela e disse:

–E você nunca mais vai se livrar de mim, Kim Tan — eles aproximaram cada vez mais seus lábios, até que eles colaram-se um no outro.

Taila e Choi Young Do estava indo naquela direção, pois acreditavam que ninguém poderia estar ali àquela hora da manhã. Assim que viu aquela cena, Taila congelou. Sentiu que seu coração iria explodir, ela havia visto Kim Tan beijando várias mulheres, mas nunca uma mulher que ele amava. Por mais que doesse, no fundo ela sentia que ele estava feliz, e isso a poderia fazer feliz também.

Choi Young Do também parou ao lado dela. Aquela cena também não era a sua preferida, mas ao contrário dela, ele não demonstrava sentir nada.

–Está doendo? — perguntou ele de repente, assustando-a. Depois ela deu uma leve gargalhada, como se ele estivesse debochando dela.

–Um pouco, mas logo vai passar.

–E o que você vai fazer?

–Sorrir e ir em direção a eles. Te vejo em casa, completo estranho!

Ela correu em direção a eles, como havia dito. Os dois deixaram seus carinhos para trás naquele mesmo instante. Ela abraçou Kim Tan e logo em seguida, também abraçou Chan Eun Sang.

–Taila! — disse ele, ofegante. — Você está bem? Aconteceu alguma coisa?

–Eu estou bem!

–Eu soube que você quase foi atropelada de novo. Eu pensei que o pior poderia ter acontecido.

–Mas não aconteceu.

–E aonde você está morando?

–É segredo! Se eu te contar meu pai pode descobrir aonde eu estou.

–Ah! Por que você é tão teimosa e sempre faz coisas assim? Lembra que no mundo também há pessoas que querem você bem.

–Você quer dizer, você e a minha irmã.

–Taila, você está bem mesmo? — perguntou Eun Sang também preocupada.

–Estou! Não se preocupem comigo. Voltem ao que estavam fazendo. Vocês estavam muito bonitinhos. Eu vou para a sala agora!

–Taila! — chamou Kim Tan com a voz rouca. E disse com um olhar fixo a ela, como se estivesse tendo um pressentimento.

–O que é?

–Por favor, toma cuidado com as decisões que você está tomando. Se você fugir de mim, eu não vou poder cumprir a minha promessa e te proteger das coisas ruins.

–Não se preocupe. Você é o meu melhor amigo, mas... acho que eu já estou grandinha. E, a nossa promessa já foi quebrada há muito tempo.

Taila caminhava pelo colégio. E foi em direção a sala do terceiro ano, era ali que ela deveria estar estudando. Mas por causa de sua desistência do colégio, quando estava nos Estados Unidos, acabou perdendo um ano inteiro. E estava fazendo o segundo ano novamente.

No fundo, ela queria estar novamente na sala de Kim Tan. Passar seu tempo livre com ele e continuar tentando conquistá-lo, mas ela sabia que era inútil. E que estava na hora de seguir seu caminho. Era por isso que ela estava fugindo de seu pai, pela primeira vez ela queria saber o que era uma pessoa tomar suas próprias decisões. Ter orgulho de se considerar independente e saber cuidar de si mesmo.

–Bom dia! — disse Chan Young, acordando-a de seu devaneio.

–Bom dia! — respondeu ela, com a voz baixa.

–Você está bem? Aconteceu algo ruim com você?

–Estou bem. Por que algo ruim aconteceria?

–O Kim Tan estava desesperado atrás de você, ele ligou para todo mundo da escola.

–Sério? Por que ele fez isso?

–Ele disse que você brigou com o pai e desapareceu na garupa da moto de um desconhecido. Acho que ele teve bons motivos — ela respirou fundo e ele continuou sem graça: — Ah, a diretora me mandou avisar que quer falar com você.

–Comigo?

–Sim!

–Mas por quê?

–Eu não sei.

Ela foi até a sala da diretora não sabia o que havia feito de errado, mas pretendia se defender do que houvesse pela frente. Bateu à porta e uma voz mandou que entrasse e se acomodasse. Assim que ela abriu a porta, avistou a professora e um homem de costas sentado. Ela entrou cautelosa e assim que o homem se virou, ela ficou em pânico.

–Taila! — abraçou-a preocupado. — Eu estava tão preocupado com você.

Ela permaneceu parada. Não sabia o que estava acontecendo, mas ela se lembrava que aquele abraço só havia sido dado nos momentos mais ruins de sua vida. Mas ainda assim, aquela era a reação que sempre queria ter de seu pai.

–Não aconteceu nada de errado com você.

–Ficamos sabendo do acontecido — começou a diretora enquanto organizava vários papéis. — Você preocupou-se mais em vir para o colégio do que ligar para o seu pai.

–Me desculpe! — disse formalmente e curvou-se para o pai, que ainda estava se derramando em lágrimas.

–Eu espero mesmo que você seja mais uma boa aluna que carregará o nome do colégio Jeguk no histórico.

–Obrigada. Hã, será que podemos conversar lá fora...? — disse para o pai, que se despediu curvando-se diante da diretora. Ela saiu da sala com passos firmes e com a cabeça erguida. — O que você quer aqui? — falou em português.

–Vim te ver — disse ele com a voz firme limpando as suas falsas lágrimas que caíram há pouco. — Quero saber com que tipo de gente você está se envolvendo dessa vez.

–Você não vai nem me perguntar se algo aconteceu?

–Você fugiu de mim porque quis. Eu nunca disse que ia te fazer mal algum. Eu só disse que ia ter uma conversa séria com você. E eu não passei anos te treinando para você não saber pelo menos se defender de um carinha qualquer.

–Por que eu preciso disso? Para assumir a empresa eu não preciso simplesmente saber administração?

–Taila, já tivemos essa conversa — estressou-se — Você quer mesmo se casar? Quer ter que dividir tudo no seu divórcio, como aconteceu com a nossa construtora e com o grupo Jeguk? Não, eu quero que você pare de ser fraca. Você é como um gatinho assustado.

–Para de destruir a minha vida e a minha liberdade por isso — gritou nervosa. — Eu não sou como você. Eu não quero deixar de amar o Kim Tan e não quero perder a minha família.

–Família? Você chama isso de família? A família Monteiro não passa de uma farsa. Sabe com o que você tem que se preocupar? Em derrubar aqueles que vão pisar em você.

–Eu já disse que não quero isso. Por favor, me deixa em paz. Ou pelo menos me dá um tempo, por favor. Você me disse que o teste tinha acabado.

–Está bem, eu darei o seu tempo! Mas assim que terminar o tempo, eu vou te fazer se tornar a pessoa mais importante desse mundo.

–Pai, por favor. Chega!

–Não! Eu não vou descansar até que você seja fria o suficiente para pensar somente na nossa empresa. Você diz que o amor é importante porque você nasceu rica, graças a mim, que me humilhei muito para chegar aonde eu cheguei. E você ainda é a minha única filha. A única filha que eu me importo e que será como eu. Uma pessoa de sucesso.

–Por quê?

–Porque esse é o seu destino filha! — sorriu tocando o rosto dela. Ele olhava fixo para ela e sorria constantemente, como se houvesse uma necessidade de sorrir e com um suspiro, ele disse: — Eu ainda vou poder me orgulhar de ser seu pai.

Notas finais
Bom gente, espero que vocês tenham gostado do novo capitulo e que estejam aqui para o próximo. Acredito que vocês devem estar cada vez mais empolgados para saber o que vem para frente e quem é esse povo que está passeando por Heirs. Vejo vocês no capitulo 4.