Conselhos Amorosos
11 CAPÍTULO XI Sera que é amor?
Notas iniciais
Espero que gostem
Boa leitura a todos.
O joelho lesionado! Preocupada, Sakura desceu a arquibancada aos saltos, venceu a muralha formada pelos integrantes do time que, curiosos, reuniam-se em torno de Naruto, e ajoelhou-se ao lado dele.
— Há algum médico por aqui?
Todos encolheram os ombros e voltaram às suas posições.
— Naruto, é melhor sairmos daqui, ou eles vão passar por cima de você.
Pálido, os dentes apertados num esforço para suportar a dor, ele ofereceu um sorriso pálido.
— Acha que pode andar?
— Depende de você. Sente-se capaz de servir de muleta?
— Vamos ter de tentar.
Sakura abaixou-se e deixou-o passar um braço sobre seus ombros. Depois levantou-se, sustentando o peso de ambos, e praticamente o arrastou para fora do campo sob uma chuva de aplausos. O jogo já havia recomeçado quando Naruto sentou-se no banco próximo aos vestiários.
— Precisa de um médico?
— Não. Isso acontece com freqüência, sempre que sobrecarrego o joelho. Por isso tive de desistir do futebol. Pelo jeito, parece que vou ter de riscar o beisebol da minha lista, também. Só preciso de uma boa bolsa de gelo e algumas horas de repouso, e amanhã acordarei bem.
— Então vou levá-lo para casa.
— Sakura, sua oferta é muita generosa, mas jamais conseguirei entrar no seu corolla 79 com um joelho inutilizado.
— Teremos de ir na sua caminhonete. Vim de bicicleta esta noite, e perderíamos muito tempo se eu tivesse de voltar para casa a fim de apanhar o carro.
— Quer dirigir minha caminhonete? — ele perguntou assustado. — Ah, eu não sei...
— Naruto, sei que seu automóvel é quase sagrado, mas duvido que consiga voltar para casa andando.
— Tem razão. Estou sendo tolo e irracional. Obrigado por me ajudar.
A platéia aplaudiu e assobiou e os dois viraram-se para o campo. A rebatedora do time havia acabado de marcar mais um ponto e, ao sair da área de jogo, lançou um olhar furioso na direção de Sakura.
— O que foi isso? — perguntou. Naruto suspirou.
— Ela deve estar pensando que faço jogo duplo, se é que me entende.
— Sim, entendo, mas... por que ela pensaria tal coisa?
— Bem, levei-a para jantar depois da última partida.
— Oh, sinto muito! — Sakurs lamentou, lembrando porque estavam ali. — Não devia ter vindo. Agora arruinei sua chance de conseguir um novo encontro.
— Não tinha nenhuma intenção de sair com ela outra vez. O alívio que a invadiu era assustador.
— Não?
— Não agüentaria passar outra noite ouvindo suas proezas esportivas. Além do mais, odeio mulheres que batem no meu traseiro, e ela tem essa mania horrível de comportar-se como se fossemos íntimos.
— Preciso me lembrar disso. Pronto para ir?
— Podemos tentar — Naruto respondeu.
Naruto repetiu os movimentos com que o retirara do campo. Depois de acomodá-lo na caminhonete, voltou ao local onde acorrentara a bicicleta e resgatou-a, colocando-a na carroceria do automóvel.
— Muito bem, vamos ver se consigo dominar esse monstro — disse, sentando-se diante do volante e ajustando o banco para o seu tamanho. Ao notar o olhar apavorado de Naruto, ela sorriu com ar divertido. — Estou brincando. É claro que posso dirigir uma caminhonete novinha como esta. Afinal, consigo manejar um câmbio duro e um volante com uma folga do tamanho da minha mão esquerda.
— A transmissão é automática.
— Eu já havia notado. Devia comprar um carro comum, Naruto. Esse tipo de transmissão é para impossibilitados.
— Falaremos sobre isso mais tarde, está bem?
— Como quiser. E não se preocupe. Já dirigi caminhonetes antes. Muito bem, para onde vamos?
— Sabe onde fica Kajima?
— Em algum lugar perto dos limites da cidade. Normalmente não me afasto muito do centro.
— Pegue a auto-estrada e siga para o norte. Eu avisarei quando for hora de mudar de direção.
Sakura pisou no acelerador sem demonstrar a preocupação que sentia. Há muito tempo não dirigia numa estrada, porque seu carro jamais alcançaria a velocidade mínima exigida, mas não diria isso a Naruto. Ele já estava pálido de dor e tensão, e não precisa piorar seu estado.
Ao entrar na pista estadual, Sakura agradeceu à sorte pelo trânsito leve de sábado à noite.
— Muito bem, e agora? — perguntou.
— Para oeste . — Naruto respondeu sem abrir os olhos, como se a dor houvesse aumentado muito nos últimos minutos.
— Vamos chegar mais depressa do que imagina. Tente manter a calma, está bem? — A situação a deixava bastante nervosa. Não estava habituada a ter pessoas dependendo dela, mas saía-se bem. Pelo menos por enquanto. Ao ver a saída indicada por ele,, Sakura subiu a rampa de acesso. — E agora?
— Pegue a terceira à direita e siga para o norte.
— Está bem. Como estou indo?
— O quê?
— A caminhonete. Acha que estou dirigindo bem?
— Sim, melhor do que eu esperava.
— É diferente ver tudo daqui de cima, mas acho que poderia me acostumar com isso. Só espero que não more no terceiro andar de um prédio sem elevador.
— Vivo no nível da rua — ele respondeu com um sorriso apagado.
— Melhor assim, porque não poderia carregá-lo. E agora, para onde devo ir?
Naruto orientou-a até chegarem ao prédio de apartamentos. Sakura estacionou a caminhonete, desligou o motor é saiu para ajudá-lo a descer do automóvel.
— Muito bem, e agora? — perguntou depois de acomodá-lo no sofá da sala.
— Só preciso de gelo, alguns travesseiros e duas aspirinas. Sakura encontrou o quarto e apanhou os travesseiros sobre a cama. Depois foi ao banheiro, onde localizou o analgésico e uma toalha felpuda. Enquanto recolhia os objetos que ele solicitara, aproveitava para dar uma olhada no apartamento. A mobília não tinha nada de especial, mas havia algo de pitoresco no lugar. Livros. Muitos livros. As paredes da sala de estar e do quarto estavam cobertas de prateleiras cheias deles, desde os mais populares até os mais raros. O homem a quem um dia chamara de feixe de músculos sem cérebro não só tinha o hábito de ler, como construía uma biblioteca própria.
Ao voltar à sala, encontrou-o deitado no sofá com os olhos fechados.
— Tem certeza de que aspirina será suficiente?
— Sim.
Com cuidado, Sakurs ajeitou os travesseiros sob o joelho dolorido.
— Sente-se melhor assim?
— Muito melhor. Obrigado.
Deixando o frasco de remédio sobre a mesa de centro, dirigiu-se à cozinha para apanhar o gelo.
— Onde posso encontrar um saco plástico? — perguntou.
— Olhe no gabinete da pia.
Escolhendo uma grande sacola de supermercado, encheu-a com pedras de gelo e fechou-a com um nó apertado. Depois envolveu-a na toalha felpuda e encheu um copo com água. Na sala, entregou o copo a Naruto para colocar o gelo sobre o joelho ferido. Ele encolheu-se ao sentir o primeiro impacto, depois suspirou, abriu o vidro de remédio e serviu-se de dois comprimidos, que engoliu com metade da água.
— Tem certeza de que não precisa de um médico?
— Tenho. Obrigado por tudo que está fazendo, Sakura chan. Não seria o que teria feito sem você. Afinal, o que estava fazendo no campo de beisebol?
— Seguindo o conselho do livro sobre participar de um evento esportivo como espectadora. Já havia tentado outra coisa sem muito sucesso, e então me lembrei do que disse sobre os rapazes do time e...
— Oh, não! Estraguei suas chances tirando-a de lá antes que pudesse conhecer alguém. Sinto muito, Sakura.
— Não faz mal. Acho que não teria tido muita sorte. Se você não teve paciência para suportar uma companheira de time, imagine o que eu sentiria ouvindo o mesmo tipo de conversa.
— Duvido que pudesse enfrentar os primeiros cinco minutos — ele riu. — Disse que já havia tentado alguma coisa? O quê?
— Patinação no gelo.
— Patinação... Que tipo de homem esperava conhecer num lugar assim? Um desses mocinhos bonitos e irresponsáveis sem nada para fazer muito dinheiro para gastar?
— Naruto, preconceito é algo terrível. E as pistas de gelo estão sempre cheias de jogadores de hóquei, como o que conheci há algumas horas.
— Pensei tê-la ouvido dizer que havia fracassado.
— Não. Só disse que havia tentado sem muito sucesso. Na verdade, passamos a tarde inteira juntos.
— O que aconteceu?
— Preciso melhorar minha técnica de flerte. Ele nem percebeu que devia me convidar para tomar um café depois de todo aquele exercício, e eu só pensei em convidá-lo quando já havíamos nos despedido.
— Entendo. Bem, lamento que seu final de semana tenha sido um fracasso.
— Fale por você. Não sou eu quem está deitada no sofá com o joelho inchado.
Naruto suspirou.
— Somos uma dupla e tanto, não? Passamos semanas tentando conhecer alguém e hoje, sábado à noite, não temos nada para fazer. — Depois de olhar para o teto por alguns instantes, ele apoiou-se sobre um cotovelo e encarou-a. — O que acha de fazermos alguma coisa?
— O que poderíamos fazer? Não vai conseguir sair desse jeito.
— Há muito o que fazer dentro de casa. Podemos pedir pizza e assistir a um filme. Tenho dezenas de dvds que ainda não consegui ver.
Não podia ir embora e deixá-lo nessas condições, e também não queria ficar sentada olhando para as paredes.
— Está bem — concordou, encolhendo os ombros com ar casual. — Mas... podemos considerar a situação como um encontro?
— Não, se você não quiser.
Sakura desviou os olhos dele, pois não saberia o que dizer se ele perguntasse o que queria.
— Vou pedir nossa pizza — decidiu. — Onde fica o telefone?
— Na cozinha. E deixei um punhado de cupons da pizzaria sobre a geladeira.
— Tem alguma preferência quanto ao sabor?
— Qualquer um desde, que seja com muito queijo. Sakura fez o pedido e voltou à sala.
— Que tal escolher um filme? — Naruto sugeriu, apontando para a fileira de dvds numa das prateleiras.
Essa seria a pior parte. Tinha certeza de que encontraria toda a seqüência de Homem Aranha, Matrix e outras pérolas do gênero. Mas, novamente, Naruto a surpreendeu. Em vez de filmes de ação e aventura, a prateleira exibia uma coleção primorosa de obras adaptadas da literatura britânica, e ela escolheu um título conhecido, embora ainda não houvesse tido nenhum contato com o enredo. O único problema era que esses filmes normalmente davam margem a conversas profundas, e estava começando a acreditar que isso podia ser um engano, especialmente se ainda nem sabia que rumo preferia dar ao relacionamento. Já estavam próximos demais de um encontro para que pudesse relaxar.
Sakura suspirou. Mantivera uma ligação superficial com Naruto durante tanto tempo, que conhecê-lo de verdade em apenas alguns dias era assustador. Mas só teve de olhar para ele para decidir correr todos os riscos. Como conseguiria resistir a um homem tão atraente? E agora descobria que era inteligente, também.
— Vai continuar destruindo todos os estereótipos que sempre criei sobre você?
— Não sei. De que estereótipos está falando?
— Tem certeza de que quer ouvir?
— Só se quiser falar.
— Bem, costumava pensar que fazia parte do jornal da faculdade porque era famoso no mundo dos esportes, e seria bom poder contar com seu nome no editorial. Nunca li seus artigos. E depois, quando foi trabalhar no Journal, continuei pensando a mesma coisa.
— E quando passou a ler o meu trabalho?
— Depois que começamos a escrever essas colunas. E passei a ler suas matérias sobre esportes, também.
— E o que achou?
— Você é um bom redator. Tem talento. Nem sei por que demorei tanto para conhecer seu trabalho. Acho que não gosto de me ver obrigada a mudar de idéia, e me divertia encontrando motivos para provocá-lo.
— Pelo menos reconhecia minha existência. O pessoal da redação deve pensar a mesma coisa a meu respeito, mas ninguém fala comigo.
A campainha arruinou o clima de confidencias e, levantando-se de um salto, Sakura foi buscar a pizza. Deixando a caixa sobre a mesa de centro, foi até a cozinha e encontrou pratos, guardanapos, copos e um refrigerante na geladeira.
Naruto esperou que ela acomodasse todos os utensílios ao lado da caixa de pizza e sugeriu que começassem a assistir o filme.
Minutos mais tarde comiam pizza enquanto acompanhavam o enredo profundo e comovente. Sakura sentara-se no chão, com as costas apoiadas no sofá, e Naruto permaneceu onde estava, mantendo a bolsa de gelo sobre o joelho. Aos poucos ela deixou-se envolver pela história, apesar de todas as distrações oferecidas pelo ambiente.
Então Naruto inclinou-se para servir-se de outro pedaço de pizza e, sem querer, esbarrou o braço em seu ombro. Sakura pulou como se houvesse levado um choque.
— Deixe-me servi-lo — sugeriu, tentando descobrir por que o coração batia tão depressa. Estava assustada, decidiu, entregando o prato sem encará-lo. Em seguida serviu-se de mais um pedaço e tentou concentrar-se novamente no filme.
Mas dessa vez não foi tão fácil. Estavam muito próximos um do outro, tanto que podia sentir o calor do corpo atlético em suas costas e ouvir a respiração suave. E o enredo do filme, apesar de todas as sutilezas britânicas, era carregado de uma tensão sexual que só colaborava para deixá-la ainda mais nervosa. Quando Naruto terminou de comer e deixou o prato sobre a mesa, tocou novamente em seu ombro espalhando mais uma onda de pequenos choques elétricos que percorreram sua pele. Podia jurar que ele estava fazendo de propósito.
Pois bem, também sabia jogar. Deslizando o corpo até estar reclinada contra o sofá, deixou a cabeça repousar sobre a perna dele. Naruto tocou seus cabelos e começou a afagá-los com movimentos lentos, deliberados. Estava mesmo fazendo de propósito!
E agora? A situação podia tornar-se bem interessante, mas não sabia o que queria que acontecesse. Imóvel, deixou que ele acariciasse seus cabelos e teve de conter um arrepio quando ele estendeu as carícias até os ombros, passando pela nuca. Se queria enlouquecê-la, não podia ter escolhido técnica melhor.
Depois de alguns minutos Sakura decidiu que não podia mais suportar e, inebriada, virou-se para pedir a ele que parasse, mas nesse exato momento ele segurou seu queixo e encarou-a. Havia um brilho intenso em seus olhos, algo que nunca vira antes, uma mistura de desejo e pavor que era, ao mesmo tempo, excitante e assustadora. Sabia o que aconteceria em seguida. Não era inevitável. Podia impedir, se quisesse, mas... não queria...
Foi um beijo poderoso e ardente que a envolveu numa teia de encanto. Naruto movia as mãos por suas costas lentamente e, preocupada com seu joelho, Sakura ergueu o corpo para tornar-se mais acessível.
— Naruto? — sussurrou assim que os lábios afastaram-se alguns milímetros. — O filme...
— Já conheço a história — ele respondeu ofegante, antes de beijá-la novamente.
Naruto não conseguia acreditar na intensidade do fogo que a incendiava, mas não queria parar. Agarrando-se à camisa dele, aproximou-se como se temesse vê-lo desaparecer numa nuvem de fumaça. Quando se deu conta já estava deitada sobre as almofadas macias do sofá, sentindo o peso do corpo másculo e atlético sobre o seu. E foi impossível conter o suspiro. Naruto respondeu com um gemido.
Mas não foi um gemido de prazer. Interrompendo o beijo bruscamente, ele a soltou para levar as mãos ao joelho, resmungando alguma coisa incompreensível.
— Oh, meu Deus! — Sakura assustou-se, ajudando-o a retomar a posição anterior e colocando a bolsa de gelo sobre a área dolorida. — Você está bem?
— Não, mas vou melhorar. Desculpe, eu... acho que não foi uma boa idéia.
— A idéia foi ótima — ela respondeu sem encará-lo. — O momento é que não foi muito oportuno. Talvez seja melhor descansar um pouco.
— Sim, tem razão.
Sakura sentou-se novamente no chão, perto do sofá, mas não soltou a mão dele. Depois do que acabara de acontecer, era inútil fingir que estava atenta ao filme, mas olhar para a tela da tevê era uma boa desculpa para ficar quieta e deixar a mente vagar. Não acreditaria no que havia acabado de viver, se o coração não estivesse disparado e os lábios não ardessem com o calor dos beijos. E que beijos...
— Sakura, quero que saiba que não planejei nada disso. Não sei o que aconteceu.
— Não precisa desculpar-se. Aconteceu, e foi maravilhoso. Só há um problema.
— Qual?
— Vamos ter de considerar essa situação como um encontro. Afinal, nos encontramos no campo de beisebol, jantamos e assistimos a um filme, nos beijamos e... bem, a seqüência natural para esse tipo de ocorrência é um namoro.
— E jamais nos livraríamos das gozações na redação.
— Então, como escreveremos a respeito disso?
— Temos mesmo de relacionar o que vivemos ao trabalho, ou somos só nós dois? Pensei em escrever apenas sobre as outras pessoas que conhecemos.
— Tem razão. O que está acontecendo aqui só interessa a nós. Isto é... o que está acontecendo, Naruto?
— Não sei ao certo, mas está acontecendo há muito tempo. Só não tínhamos consciência disso.
— Talvez. — Ficaram em silêncio por alguns minutos, ignorando o filme. — Naruto, acabei de pensar em algo.
— O quê? — ele perguntou, tocando sua nuca numa carícia delicada.
Ela ficou quieta, tentando não estremecer sob a intensidade das sensações provocadas pelo contato. Este não era um bom momento para recomeçarem.
— Acabei de perceber que não tenho um meio de voltar para casa. Duvido que possa pedalar até lá e...
— E também não seria uma boa idéia passar a noite aqui.
— Provavelmente não. — Se passasse muito mais tempo perto dele, não sabia o que poderia acontecer, e ainda não estava preparada para isso.
— Por que não usa a caminhonete e volta amanhã cedo? Até lá, acho que serei capaz de levá-la de volta.
— Está disposto a deixar sua caminhonete comigo?
— Por que não? Confio em você. Não gosto muito de saber que minha jóia vai passar a noite numa vizinhança como a sua, mas sei que é capaz de dirigir muito bem.
— Nesse caso, acho que vou para casa — ela decidiu, levantando-se de um salto. — Tem certeza de que vai ficar bem? Precisa de mais alguma coisa?
— Não, obrigado. Estou acostumado a cuidar de tudo sozinho, e essas coisas acontecem com mais freqüência do que pode imaginar. Amanhã ainda estarei mancando, mas voltarei ao normal na segunda-feira.
— Bem, telefone se precisar de mim.
— Está bem. As chaves estão sobre a mesa. Não esqueça de separar as que não pertencem à caminhonete.
Sakura sorriu e beijou-o na testa.
— Até amanhã.
— Até amanhã. Obrigado por ter me ajudado.
— Fico feliz por ter estado lá quando você precisou.
A noite era fresca, mas ela abriu a janela da caminhonete e dirigiu sentindo o vento no rosto, esperando poder aplacar as chamas que os beijos de Naruto haviam conseguido acender em seu corpo. Não planejara nada disso quando o escolhera para ser seu parceiro nessa tarefa. Não imaginava que ele seria seu eleito nessa louca procura por um romance. Gostaria de saber sua opinião sobre o que acontecia entre eles, mas não estava preparada para encarar o assunto. Além do mais, ainda tinham de tratar do último capítulo do livro.
Sakura estacionou numa vaga bem na frente do prédio e certificou-se de ter fechado portas e janelas. Naruto jamais a perdoaria se a caminhonete fosse roubada enquanto estava sob sua responsabilidade. Uma vez no apartamento, soube que tentar dormir seria inútil. Normalmente dançava até sentir-se exausta quando estava inquieta como agora, mas não sentia a menor vontade de dançar. Talvez pudesse ler um pouco, até o sono chegar. Mas as palavras dançavam diante de seus olhos num emaranhado sem sentido. Suspirando, Sakura apanhou um caderno e uma caneta e começou a escrever.
Sakura:
Como é inútil tentar encontrar alguém compatível numa casa noturna especializada em música que você não aprecia, também é inviável encontrar uma pessoa especial num evento esportivo, se você não é do tipo atlético.
Não sou uma pessoa esportiva. Gosto de dizer que prefiro não fazer nada que envolva um objeto esférico voando em minha direção. Não assisto os jogos transmitidos pela televisão, e só aprecio as disputas de patinação artística nas Olimpíadas de Inverno.
Decidi que patinar no gelo é uma atividade esportiva, ou não faria parte dos jogos olímpicos. Assim, fui ao shopping numa tarde de sábado para ver o que podia encontrar. A pista estava lotada, com alguns patinadores bastante habilidosos, outros como eu que mal conseguiam manter-se em pé, e um punhado de garotos que pareciam ter nascido com lâminas em lugar dos pés. Uma dessas crianças me empurrou para os braços do Sr. Maravilhoso.
Ele era justamente o que eu procurava: alto, encantador e gentil. Ajudou-me a dar as primeiras voltas na pista e me apoiou enquanto eu tentava reencontrar meu equilíbrio Passamos a tarde toda juntos, e depois, quando saímos da pista... não aconteceu nada!
Um amigo meu, fluente em metáforas esportivas, disse que eu caí antes de chegar à primeira base, seja lá qual for o significado disso. O que sei é que o Sr. Maravilhoso não deve ter lido o roteiro onde o rapaz convida a mocinha para um café e um pedaço de bolo de queijo depois de patinarem juntos, e eu não fui rápida o bastante para sugerir o convite.
Moral da história: é possível encontrarmos pessoas compatíveis e interessantes em qualquer lugar, e agarrar-se a estereótipos pode deixá-lo cego para alguém que é perfeito para você. O segredo é manter-se aberto às possibilidades e estar sempre preparado para agarrá-las. Não deixe o Sr. Maravilhoso desaparecer no final de um corredor de lojas com seus patins pendurados no ombro. Pensando bem, talvez não tenha chegado meu momento.
Naruto:
Sou uma pessoa muito esportiva, e por isso pensei que esse conselho seria perfeito para mim, muito mais fácil do que encontrar alguém num concerto, por exemplo. E estava certo. Na primeira noite em que participei do jogo de um time de beisebol do bairro, conheci a rebatedora. Nós ganhamos, e comemoramos a vitória jantando juntos.
Foi então que percebi meu engano. O fato de uma mulher ser capaz de recitar todas as regras do futebol ou reconhecer um impedimento não significa que eu e ela tenhamos algo em comum, embora eu também possa fazer tais coisas. Minha personalidade é mais complexa que isso. O esporte pode sustentar uma conversa por duas, três horas, mas deve haver algo mais para sustentar uma relação.
Acho que ainda estou procurando uma mulher que saiba reconhecer um impedimento e discutir Shakespeare, mas enquanto não a encontro, prefiro ficar com a que conheça Shakespeare.
E para aqueles que me chamam de fracassado por ainda não ter conseguido um encontro, saibam que fui eu quem desistiu dessa mulher. Achei melhor avisá-los.
Continua.
Notas finais
Obrigado a todos pelos reviews tão carinhos muito obrigado mesmo promeor to que vou responder tods mais rapido possivel.
Estamos quase no final da fanfic sera que eles rião se acerta de vez?
Obrigado por lerem e pelo carinhos
Abraços
Naruto
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