Conselhos Amorosos
7 CAPÍTULO VII O primeiro encontro
Notas iniciais
Boa leitura a todos
Espero que gostem
Sakura havia quase esquecido como era o primeiro dia de aula, mas a experiência logo avivou sua memória. Estava atrasada e, nervosa, corria pelo corredor examinando os números nas portas em busca da sala indicada, as mãos suadas agarrando o novo caderno espiral. Como quando começara o ginásio, esperava que o professor fosse compreensivo e que fizesse novos amigos na turma.
O mestre ainda distribuía as primeiras explicações quando ela entrou. Havia cerca de quinze pessoas na sala, muitas delas jovens, com ares de profissionais em início de carreira, e duas ou três mais velhas. Aparentemente a turma era composta basicamente por casais, o que diminuía em muito suas chances. Mas Sakura sentiu-se esperançosa ao notar o loiro alto de ombros largos na primeira fileira. Superando o constrangimento provocado pelos olhares curiosos dos colegas, venceu o ímpeto de encolher-se no fundo da sala e foi sentar-se perto do rapaz.
Então virou-se e teve vontade de sair correndo.
— Naruto Uzumaki! O que está fazendo aqui? — cochichou. Ele parecia igualmente perplexo com sua presença.
— Frequentando o curso.
— Está me seguindo, não é? Isso é espionagem!
— Eu cheguei primeiro. Foi você quem me seguiu.
— Mas eu me matriculei primeiro.
— Já pensou que podemos ter algo em comum, e por isso escolhemos o mesmo curso?
O instrutor aproximou-se para entregar alguns formulários e a conversa foi interrompida.
Sakura examinou as folhas impressas enquanto mantinha-se atenta aos movimentos de Naruto pelo canto do olho. Nunca imaginara que pudessem ter algo em comum. Na verdade, sempre pensara nele como o oposto do que era: atlético, tradicional e reservado.
Não que o fato de terem escolhido o mesmo curso significasse alguma coisa. Na verdade, não tinha nenhum interesse em fotografia natural. Apenas possuía uma excelente câmera que os pais haviam lhe dado de presente por ocasião da formatura, e gostaria de poder usá-la da melhor maneira possível.
Agora que sabia que o loiro atraente era Naruto, arrependeu-se por não ter permanecido no fundo da sala, de onde poderia ver melhor os outros participantes. Quando o professor terminou de distribuir as apostilas e diminuiu as luzes para projetar alguns slides, ela aproveitou para olhar em volta.
As perspectivas não eram muito animadoras. Como suspeitava quase todos os homens estavam acompanhados, e os poucos solitários pareciam realmente ansiosos para saírem da cama antes do amanhecer em busca da melhor luminosidade. Passar horas deitada entre arbustos, esperando pela aparição de um pica-pau, não era exatamente sua ideia de diversão.
Enquanto observava o grupo, notou a presença de uma loira muito atraente que podia despertar o interesse de Naruto. Era a típica líder de torcida, a parceira perfeita para um ex-jogador de futebol. Sem saber por que a ideia a incomodava tanto, Sakura decidiu concentrar-se nos slides.
Depois de alguns minutos conseguiu até participar da discussão sobre as fotos exibidas na tela adaptada sobre o quadro negro, e no final da aula descobriu-se ansiosa pela primeira experiência prática.
O instrutor sugeriu que usassem um rolo de filme, revelassem todos os retratos e trouxessem os melhores para serem analisados no próximo encontro. Os alunos deveriam formar grupos para realizar o trabalho.
Sakura esperou que Naruto se aproximasse da loira, mas, em vez disso, ele levantou-se e acompanhou-a para fora da sala.
— O que acha de trabalharmos juntos? — sugeriu.
— Nós dois? Esqueceu por que estamos aqui?
— Não vi ninguém interessante no grupo, e por isso decidi esquecer a matéria e aproveitar para aprender um pouco mais. Pode ser divertido.
— Tem razão quanto à falta de perspectivas. Talvez tenhamos escolhido o curso errado.
— Melhor um curso errado onde podemos adquirir conhecimentos que nos interessem do que um curso errado e aborrecido.
— Se não estou enganada, você me acusou de não demonstrar empenho na realização da nossa tarefa. — Ela riu.
— Vai fazer alguma coisa amanhã à tarde? Podemos ir ao Lago para tirarmos algumas fotos.
— Está bem — Sakura encolheu os ombros.
— Ótimo. Irei buscá-la por volta do meio-dia. Compraremos lanches no caminho e passaremos a tarde fotografando.
— Certo. Preciso comprar filme — ela comentou enquanto abria a porta do carro. — Acho que vou usar alguns rolos antes de me adaptar ao equipamento. Nunca usei muito minha câmera.
— Não se preocupe com isso. Posso ajudá-la com a câmera.
— Então sabe alguma coisa sobre fotografia?
— Nunca fiz nenhum trabalho artístico, mas sou capaz de registrar os melhores lances de um jogo de futebol.
— Eu não imaginava... — Um silêncio estranho seguiu-se ao comentário. Sakura sabia pouco a respeito de Naruto, e de repente descobriu que gostaria de saber mais. — Bem, preciso ir — disse, estranhando a direção dos próprios pensamentos. — Até amanhã.
Naruto deu um passo na direção dela, parou e retrocedeu.
— Até amanhã. — E virou-se para partir antes de ela entrar no carro.
Sakura sabia que não seria um encontro de verdade, mas estava mais nervosa e ansiosa do que estivera na época de sua formatura. Essa matéria estava prejudicando sua sanidade mental.
Ainda sentia-se apreensiva na manhã seguinte, quando começou a vestir-se. Lembrando-se de que não seria um encontro, começou pela calça jeans desbotada, uma camiseta sob a camisa de algodão e um ar de tênis. Insegura, optou por um jeans mais novo e uma camiseta melhor. Pensando bem, seria ridículo usar uma calça tão boa para arrastar-se no meio de arbustos. Havia acabado de vestir o conjunto original e colocar o boné de beisebol na cabeça quando ouviu as batidas na porta.
Naruto também vestia calça jeans e uma camiseta bastante confortável, e parecia mais atraente que nunca.
— Pronta? — ele perguntou.
— Só um segundo.
Sakura apanhou a sacola da câmera e prendeu uma pequena bolsa em torno da cintura.
Usaram a caminhonete de Naruto e pararam numa lanchonete para comprarem sanduíches. O lago era uma espécie de oásis no meio de Tóquio, e eles decidiram comer na área reservada para piqueniques. Já estavam terminando os sanduíches quando, estranhando o silêncio e o ar pensativo do parceiro, ela perguntou:
— O que houve?
— Oh, eu... Estava apenas pensando.
— Em quê?
— Nada muito importante. Só tentava lembrar um bom lugar para as nossas fotos. Um sábado de primavera não é exatamente um bom momento para se fugir da civilização num parque como este.
— Existem muitos tipos de vida selvagem — ela riu, olhando para as crianças que corriam e brincavam em volta das mesas.
— Eu sei, mas algumas delas não são exatamente fotogênicas. Imagine só, levar uma foto de um grupo de rapazes da universidade e tentar convencer a turma e os instrutores de que são uma forma de vida selvagem!
Sakura riu.
— O que sugere, então?
— Depende de você. Sente-se inclinada a um pouco de aventura?
— Você me conhece. Estou sempre pronta para a aventura.
— Conheço um lugar . É civilizado o bastante para ter uma trilha usada para caminhadas, mas quase deserto.
Se houvesse conhecido um homem na aula de fotografia e ele fizesse uma sugestão como a que acabara de ouvir, ficaria imediatamente desconfiada de suas intenções. Mas este era Naruto, e sabia que podia confiar nele.
— O que estamos esperando?
Naruto jogou o lixo do almoço na lata mais próxima e tirou a chave do automóvel do bolso.
— Tem razão, não devemos perder tempo.
Na metade do caminho Sakura decidiu que não suportava mais ouvir música country e mudou a estação do rádio.
— Ei! — ele protestou.
— Sinto muito, mas não suporto mais essa história do sujeito que chora bebendo cerveja porque o cachorro foi atropelado pelo caminhão do vizinho.
— Essa sua estação alternativa não é muito melhor. De que adianta protestar contra as injustiças sociais com uma guitarra na mão?
Pouco depois encontraram uma estação que tocava velhos clássicos do rock e decidiram aceitar um meio-termo.
Naruto abriu as janelas da caminhonete e Sakura deixou o vento morno agitar seus cabelos curtos. O que podia ser melhor que um passeio pelo campo numa tarde quente de primavera?
— O que foi? — ele perguntou, notando o sorriso estampado em seu rosto.
Então notara sua satisfação! Pelo comentário, acabava de ganhar vários pontos em sua contagem mental.
— Estou feliz — disse.
— Eu também. Na verdade, essa paisagem me faz perceber que trabalho demais.
— Lembra-se de quando era um adolescente e sonhava com esse tipo de aventura? Imagine só, poder ir para onde quisesse, quando quisesse, sem hora para voltar. Podemos passar toda a noite no campo, se quisermos. Agora, nem pensamos mais nisso. Acho que já não damos tanto valor à liberdade.
— Sabe de uma coisa? O maior desafio da vida adulta foi aprender a viver sem dar satisfações sobre o que fazia com meu tempo e meu dinheiro. Às vezes ainda me surpreendo tentando justificar tudo que faço, e nem sei a quem quero agradar.
— Quer dizer que sempre encontra razões ou desculpas para ficar fora até tarde da noite?
— Então não sou o único! — ele riu.
— Precisa relaxar mais, Uzumaki!
Virando-se, observou a postura rígida do motorista e tentou imaginá-lo relaxado. Quanto mais tempo passava com ele, mais queria saber a seu respeito. Eram tantas as máscaras a serem, retiradas antes de chegar ao verdadeiro Naruto! Na universidade, jamais pensara que ele fosse tão complexo.
Pouco depois paravam num estacionamento muito amplo cercado por árvores. Numa delas, uma placa de madeira informava que essa era uma área de recreação e um cinturão verde em torno da área urbana de Tóquio. Tudo que Sakura conseguia ver era um mar de grama, algumas árvores muito altas e um lago, um cenário bem diferente de sua idéia de recreação. Gostava de sentir o conforto de um piso bem pavimentado sob os sapatos.
Caminhando com desenvoltura pelo terreno acidentado, Naruto segurou a mão dela para ajudá-la a vencer os buracos e as raízes expostas. Quando mais desciam pela trilha aberta entre a vegetação, mais selvagem tornava-se a área. A certa altura não puderam mais ver a estrada, e Sakura sentiu-se grata pela mão firme que a guiava. Alcançaram um patamar de rochas bem perto da margem do lago.
— Aqui estamos — Naruto comentou com um suspiro satisfeito.
— O lugar é lindo — Sakura respondeu, surpreendendo-se com a beleza do cenário natural. Os raios do sol refletiam-se sobre a superfície calma da água, e as árvores inclinavam-se como se quisessem mergulhar seus galhos mais altos no lago.
Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes, e ela sentiu um laço a uni-los, algo que jamais notara antes.
Então Derek soltou sua mão e abaixou-se para preparar o equipamento.
Passaram horas fotografando, tentando aplicar toda a teoria que haviam aprendido na aula da noite anterior. Sakura estava conseguindo entender-se com a câmera e a paisagem, registrando imagens que gostaria de guardar para sempre, quando ele a interrompeu.
— Não faça nenhum movimento brusco, mas vire-se devagar e silenciosamente.
Ela seguiu as recomendações e teve de morder o lábio para conter um grito entusiasmado. Uma bela ave branca havia pousado sobre uma das rochas, a poucos metros de onde estavam. Devagar e com cautela, posicionou a câmera e bateu algumas fotos rápidas, temendo perder o pássaro. Depois utilizou o mecanismo de ajuste para melhorar a nitidez e o foco. Estava apenas começando a produzir um material mais elaborado quando a ave levantou voo. Naruto seguiu o movimento com sua máquina, fotografando depressa, mas Sakura não tinha a ambição de capturar imagens tão rápidas.
— O que era aquilo? — perguntou curiosa quando o pássaro desapareceu.
— Uma garça. Elas costumavam aparecer aos bandos na fazenda de meu pai, mas tenho a impressão de que essa era um pouco diferente. Não sei. Não sou nenhum especialista em pássaros.
— Mas é melhor do que eu. Só sei identificar aquele bichinho amarelo que vive fugindo do gato nos desenhos animados. Acha que veremos mais alguma ave interessante?
— Não sei. Mas tenho certeza de que a vida selvagem é bastante diversificada por aqui. Vê aquilo?
— O quê?
— Aquela forma alongada deslizando sobre a superfície do lago.
— Oh, sim. O que é?
— Uma cobra.
— Uma... Cobra! — Sakura gritou, agarrando o braço dele. — Acha que ela virá para cá?
— Duvido.
— De qualquer maneira, prefiro não fotografar essa coisa horrível. Detesto olhar para cobras.
— Também prefiro não ter um animal desses eternizado numa das paredes da minha casa. Venha, vamos procurar algo mais interessante para retratar — Naruto sorriu, segurando a mão dela para guiá-la.
Contornaram o lago de mãos dadas, e pararam para fotografar um esquilo subindo numa árvore, um pássaro delicado cantando num galho mais baixo e um coelho que, assustado e curioso, pôs a cabeça para fora da toca.
— Espero ter conseguido enquadrá-lo bem — Sakura comentou, notando que Naruto esperava o animal correr pelo vale para acionar sua câmera. — Por que nunca tira fotos deles quando estão quietos?
Em resposta, ele virou-se e fotografou-a.
— Satisfeita?
— Naruto!
— Foi só uma brincadeira. Na verdade, sou melhor fotografando movimento do que objetos imóveis. Aprendi o que sei na época em que cobria os jogos para o jornal do colégio, e os jogadores nunca posavam antes de chutar a bola para o gol.
— Bem, se por algum motivo abandonar a carreira de jornalista esportivo, poderá ganhar a vida fotografando aqueles anjinhos de dois anos de idade que nunca param quietos.
Naruto riu.
— Nunca pensei nisso. Acho que podemos classificar esse tipo de foto na categoria de vida selvagem?
— Certamente.
— Bem, vamos aproveitar ao máximo essa luz perfeita. Ficará ainda melhor quando o sol começar a se pôr.
— Ainda faltam algumas horas para o entardecer.
— Mas já passa do meio-dia, e isso significa que o sol está em sua trajetória descendente. Vê como as sombras tornam-se mais longas? Essa é a melhor hora para se tirar boas fotos.
— Se você diz... Mas não vou ficar aqui depois que escurecer. Quero poder ver onde estou pisando, caso encontremos nossa amiga do lago.
Naruto sorriu e segurou sua mão, guiando-a por entre as árvores. De vez em quando paravam para tirar uma ou outra foto, aproveitando os conselhos oferecidos pelo instrutor do curso quanto a um bom jogo de luzes e sombras.
De volta à margem do lago, Sakura emitiu um grito entusiasmado ao ver uma pata e seus patinhos nadando sobre a superfície tranqüila da água. Ambos tiraram várias fotografias da família.
— Como encontrou esse lugar, Naruto?
— Passo por aqui várias vezes durante a semana. Moro ao norte do lago, e a estação de rádio fica em Las Colinas, ao sul. Mas nunca havia parado para explorar a área.
— Bem, foi uma escolha perfeita. Creio que conseguimos exatamente o que procurávamos.
— Acha que já tem o suficiente?
— Usei três rolos de filme, e o professor só pediu algumas fotos.
— Nesse caso, podemos voltar à caminhonete.
Sakura hesitou. Não precisava de mais fotos, e nem tinha mais filme, mas não queria ir para casa. Estava apreciando o passeio. Naruto resolveu o dilema por ela.
— Ou prefere ir jantar?
— Seria ótimo, mas não trouxe dinheiro ou talão de cheques.
— Estou convidando. Quando convido alguém para jantar, eu pago a conta.
— Isso é um encontro? — ela provocou sorrindo.
— Se prefere chamar assim... Talvez. Podemos nos referir ao episódio em nossas colunas. Não precisamos dizer quem conhecemos no tal curso, nem que frequentamos as mesmas aulas, e podemos aproveitar para nos livrarmos do estigma de fracassados.
— Está bem, então será um encontro. Mas onde podemos ir vestidos dessa maneira?
— Conheço um restaurante mexicano com mesas do lado de fora. Nossas roupas são perfeitas para esse lugar.
— Como quiser. Afinal, é você quem está pagando. Naruto segurou a mão dela novamente e levou-a de volta à caminhonete.
O rádio estava sintonizado na mesma estação, e os Beach Boys os receberam quando ele ligou o motor. Naruto abriu as janelas e dirigiu sem pressa, afastando-se ainda mais da cidade. Sakura cantarolava com as vozes que vinham do rádio, deliciando-se com o vento morno da primavera. Não conseguia lembrar a última vez em que estivera tão feliz, e surpreendeu-se imaginando se o sentimento teria alguma ligação com o homem sentado a seu lado.
Continua
Notas finais
Como vimos Naruto e Sakura sem querer se matricularam ao mesmo curso, de fotografia, e aida por cima foram meio que obrigados a formarem uma dupla para fazer um trabalho. Naruto mostrou para Sakura como ele tem o espeirito aventureiro e Sakura como vimos tambem tem, nessa pequena aventura que ele tiveram nesse dia aproximaram eles de um jeito, que eles não esperava. Que ate a Sakura não queria que o dia acaba-se. No final Naruto convidou a Sakura para um pequeno encontro agora niguem vai pdoer chamar eles de fracassados. Mas o que sera que agurada eles nesse encontro, infelizmente não posso disse mais ocntinuem lendo que logo vcs saberam. hehehe
Abraços
Naruto
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