Notas iniciais
Ola pessoal
Espero que gostem
Boa leitorua a todos

Sakura podia sentir todos os olhos voltados em sua direção enquanto lia as colunas do bo­letim interno sob o título Nossos Amantes Misteriosos. Ao lado do texto havia uma folha com as apostas de todos os membros da equipe sobre quem seriam os tais amantes, e seu nome aparecia em várias previsões. Naruto nem fazia parte da lista, o que já era motivo de alívio. Ninguém chegara perto da ver­dade. Não queria nem pensar na reação dos colegas quando sua identidade fosse revelada.

Sabia que não dera pistas sobre o que acontecera na noite sábado em sua coluna, mas ainda não havia lido o texto de Naruto, e por isso não sabia se ele deixara escapar alguma coisa. Enquanto lia, arrepios de prazer e apreensão percorriam seu corpo. Odiava ler tanto nas entrelinhas, mas era quase como se a noite houvesse representado algo muito especial para ele, também.

Tentando comportar-se de maneira casual, afastou-se do quadro de avisos e foi sentar-se em sua mesa, aliviada ao constatar que, ao contrário da sensação paranóica que tivera até então, ninguém prestava a menor atenção ao que fazia. E mesmo assim sentia-se apreensiva.

Quando começara esse projeto, não tivera nenhuma intenção de formar um relacionamento profundo e duradouro. A única coisa que havia desejado era cumprir a tarefa sem expor-se ao ridículo. E quando fizera a aposta com Naruto passara a desejar apenas o sucesso necessário para vencer. A última coisa que esperava era envolver-se com o parceiro, ou saber que despertara nele uma paixão.

Por outro lado, tudo isso devia ser apenas conseqüência de sua timidez natural. Para Naruto, era mais fácil desenvolver uma ligação com ela, uma velha amiga, do que com uma mulher que não conhecia de fato. Era apenas o alvo mais confortável. E o sábado havia sido tão perfeito, tão cheio de emoções positivas, que qualquer casal teria terminado a noite da mesma maneira. O que não queria dizer que o episódio tivesse algum significado especial. Conhecia Naruto o bastante para saber que ele cumpriria a promessa de telefonar, e por isso decidiu providenciar a infor­mação quanto à próxima etapa da tarefa que dividiam. Com um suspiro, abriu a mochila onde levava o livro e abriu-o no capítulo que tratariam essa semana.

Inicialmente, esportes e romance não parecem formar a com­binação ideal, mas pense bem nisso. Corações acelerados, corpos suados e emoções à flor da pele, um conjunto que faz do romance um efeito colateral absolutamente natural.

Se você pratica algum esporte, escolha um lugar onde poderá encontrar muita gente e comece a jogar! Não é necessário ser um profissional. Na verdade, às vezes é melhor comportar-se como um novato, porque os mais experientes estão sempre dis­postos a oferecer conselhos e ensinar alguns truques, especial­mente para alguém que consideram atraente.

Participar de equipes (mistas, é claro!), é sempre uma boa forma de conhecer pessoas. A união natural de um time torna ainda mais fácil estabelecer um laço romântico.

Se os esportes estão além de sua habilidade, eventos especí­ficos serão excelentes substitutos. Nesse tipo de encontro também haverá a camaradagem entre os participantes e a intensidade emocional que torna todos mais atraentes.

— Acho que vou morrer de rir — Sakura resmungou para si mesma. A exuberância do autor estava começando a irritá-la, e também achava a atitude de grande caçador quase ofensiva. Mais que nunca, ansiava pela conclusão do trabalho.

Mas agora tinha de escolher um esporte. Era a pessoa menos atlética que conhecia, a menos que se considerasse a dança uma atividade esportiva. Não tinha interesse nem pelas grandes dis­putas divulgadas pela tevê, e considerava o esporte profissional uma desculpa para que homens crescidos se comportassem como crianças e recebessem somas obscenas por isso. Havia assistido alguns jogos de futebol no ginásio e na faculdade, mas seu en­volvimento no mundo esportivo parava por aí.

Não sabia nem por onde começar. Se tentasse participar expor-se-ia ao ridículo, e se preferisse a posição de espectadora conseguiria apenas expor sua ignorância.

O telefone tocou e ela teve de empurrar uma pilha de pan­fletos que ainda não pudera ler antes de atendê-lo.

Toquio Journal,Sakura Haruno falando.

— Sakura ? — uma voz sexy e profunda soou do outro lado da linha. — Desculpe, devo ter discado o número errado. Estou procurando a Chapeleira Maluca.

A voz era desconhecida, mas o apelido... Tinha de ser Naruto. Apesar da ansiedade que comprimia seu estômago, ela decidiu participar da brincadeira.

— Lamento, mas não há nenhuma Chapeleira Maluca aqui. Meu cabelo amanheceu de bom humor, e por isso decidi es­quecer os chapéus temporariamente.

— Nesse caso, vamos esquecer essa conversa inútil. Preciso ver algo tão especial pessoalmente. Estarei aí assim que puder.

— Você já me viu sem chapéu, lembra-se? — ela disse, falando em voz baixa e olhando em volta para ver se alguém prestava atenção à conversa.

— Tem razão. Se não estou enganado, você até tem cabelo.

— Sim, eu tenho, e você deve fazer parte da lista de espécies em extinção.

— Por quê?

— Disse que telefonaria, e telefonou.

— Só porque você tem algo que me interessa.

— Ah, vamos lá! Não pode ser tão inocente. Quantas vezes um homem cumpre a promessa de telefonar para uma mulher?

— Eu sempre cumpro o que prometo.

— Então você é mesmo especial — Sakura sorriu. — Estou feliz por ter ligado.

— Você tem algo que eu quero, como já disse antes.

— É mesmo? O que pode ser?

— Nossa próxima missão.

— Sabe o que dizem sobre trabalhar muito e divertir-se pouco? Mas acho que vai gostar dessa etapa. É sua especiali­dade. Aposto que pode conseguir um encontro sem ter de re­correr a alguém que já conhece.

— Vamos, fale de uma vez! O suspense está me matando!

— Esportes.

— Esportes são românticos?

— Corações disparados, corpos suados e emoções à flor da pele. É o que diz o autor.

— Não sei se romance é a palavra certa para isso. O que o livro sugere?

— Oh, é simples. Devemos nos envolver numa atividade esportiva e conhecer pessoas.

— Tem razão, é muito simples. Na verdade, já havia aceito o pedido de um amigo para substituí-lo no time de beisebol enquanto ele está de férias. Se quiser, pode participar, também. Eles sempre precisam de mulheres nos times mistos e amadores.

Estaria tentando providenciar para que ela fosse a pessoa escolhida novamente? Sakura preferia não correr riscos.

— Obrigada, mas prefiro não participar de nada que envolva objetos esféricos voando em minha direção. Tenho certeza de que encontrarei algo diferente.

— Como quiser. Mas tenho a sensação de que dessa vez sairei na frente. Talvez até vença a aposta.

— Veremos. Mal posso esperar para ler sua próxima coluna. E esperava que não houvesse mais nenhuma insinuação romântica lançada em sua direção. Gostava de Naruto, e sabia que ele seria um excelente marido para alguém de muita sorte, mas também sabia que não era essa mulher. O corpo atlético e a natureza simples e cordial a atraíam, mas jamais poderiam superar a falta de interesses em comum. Sim, haviam tirado fotos da natureza, mas não queria passar o resto da vida ras­tejando no mato com uma câmera pendurada no pescoço.

— Já revelou suas fotos? — ele perguntou. — Se quiser, podemos escolher as melhores juntos.

— Voltaremos a falar sobre isso quando eu for buscar o material. Não sei se quero expor meu trabalho em público.

— Entendo. — Sakura pensou ter ouvido uma nota de de­sapontamento na voz dele, mas devia ser apenas sua imagi­nação. — Bem, tenho de voltar ao trabalho. Avise-me se quiser comparar as fotos.

— Está bem.

Quando desligou, sentia-se um pouco culpada. Naruto devia ter redigido a coluna de maneira a dar a impressão de que vivera um encontro importante, não só uma explosão hormonal entre amigos, como de fato acontecera. Não esperava nada além do que haviam vivido, e nem tentava promover outro en­contro. Estava apenas sendo gentil, como sempre, e essa era uma das razões pelas quais gostava tanto dele. Agora que desistira de provocá-la sobre sua ambição de tornar-se correspondente in­ternacional, era ainda mais agradável. E se pudesse deixar de chamá-la de Chapeleira Maluca, então ficaria realmente feliz.

Mas... se era tão perfeito, por que estava apavorada com a possibilidade dele a querer? Ou, pior ainda, dela o querer? Preferia nem pensar nisso, pelo menos por enquanto.

Abandonando as preocupações com a vida pessoal, concen­trou-se na matéria sobre o concerto da próxima noite. Havia entrevistado alguns membros da banda por telefone, e agora só precisava preencher os espaços em branco para formar um texto coerente.

"Estamos felizes por termos chegado a essa cidade, seja ela qual for; tentamos diversificar nosso trabalho nesse novo álbum..."

O Brasil parecia uma opção cada vez mais atraente, embora um pouco perigosa.

Naruto balançou o bastão de um lado para o outro e flexionou os músculos. Beisebol nunca havia sido seu esporte favorito, mas era relativamente seguro para alguém com o joelho lesado, desde que tomasse alguns cuidados. Participar do campeonato do bairro, como fazia agora, não exigia nenhum conhecimento especial.

Alguns jogadores aqueciam-se jogando a bola e rebatendo com seus bastões, e Naruto reconheceu a integrante que ocupava a primeira base. O nome dela era Hinata, se não estava enga­nado. Era atlética e graciosa, e vê-la arremessando a bola era como apreciar uma poesia em movimento. Ela era eficiente e elegante ao mesmo tempo.

Mas não sabia se Hinata era solteira, e não podia certificar-se, porque a luva de camurça escondia sua mão esquerda. E o mais provável era que houvesse tirado todas as jóias antes de vestir o uniforme. Melhor tomar cuidado. Teria o autor do livro pensado na possibilidade de uma luva esportiva esconder uma aliança de casamento? Naruto não acreditava nisso. Pelo que havia lido, o escritor em questão nunca aventurara-se no mundo dos esportes.

O período de aquecimento terminou, e era hora de dar início à partida. O time de Naruto começaria rebatendo. Sentado no banco, esperando sua vez de entrar em ação, foi agradavelmente surpreendido quando Hinata acomodou-se a seu lado.

— Você é novo integrante, não? — ela perguntou.

— Sim, sou. Estou substituindo Sasuke durante suas férias.

— Ótimo. Espero que saiba o que está fazendo.

Não era um comentário exatamente simpático. A medida em que sua vez de rebater aproximava-se, torcia para não expor-se ao ridículo com uma jogada desastrosa.

Finalmente o momento de pisar a base aproximou-se, e Naruto balançou o bastão para manter-se aquecido, tentando li­vrar-se da tensão que poderia prejudicá-lo.

O arremessador não teve muita sorte. Na verdade, era tão amador que nem conseguiu alcançar a base, tal a falta de força de seus arremessos. Os dois erros consecutivos do adver­sário o ajudaram a relaxar, e na terceira tentativa Naruto acer­tou a bola com força suficiente para mandá-la do outro lado do campo. Jogando o bastão no chão, correu para a segunda base empurrado pelos gritos eufóricos do time.

Hinata era a próxima rebatedora, e Sakura foi sentar-se no banco para vê-la em ação. Quando mais uma bola foi arremes­sada longe o bastante para que ela mudasse de base, todos voltaram a gritar com entusiasmo renovado. Pouco depois ela retornava ao banco para dar lugar a um novo colega de equipe.

— Parabéns! Você foi muito bem! — Naruto elogiou-a.

— Você também foi bem.

— Só isso?

— O jogo ainda não acabou.

Cerca de meia hora mais tarde todos reuniram-se no banco para celebrar a vitória sobre o time adversário. Sorridente, Hinata aproximou-se para cumprimentá-lo.

— Boa partida. Tem alguma idéia a respeito da comemoração?

— Acho que todos irão comer pizza — Naruto respondeu, sen­tindo-se tolo. Era evidente que ela conhecia os planos dos colegas de beisebol. — A menos que tenha alguma idéia melhor...

— Não estou com disposição para ir comer pizza.

— Não? — Francamente, preferia acompanhar os outros na celebração da vitória, mas estava ali para conhecer alguém e reunir o material necessário para a próxima coluna.

— Prefiro um hambúrguer.

Que diabo de jogo era esse, afinal?

— Nesse caso, gostaria de companhia para comer um ham­búrguer? — Naruto ofereceu.

— Adoraria.

Algumas horas mais tarde, Naruto lamentou não ter ido co­mer pizza. Estavam numa dessas lanchonetes onde o freguês monta o próprio sanduíche, um bar da moda que Sakura chan cer­tamente teria desprezado. E esse era o problema. Não conse­guia fazer nada sem pensar nela.

Pela centésima vez, tentou concentrar-se em Hinata e em seu patético relato sobre o passado de atleta universitária.

— Se fosse homem, estaria ganhando muito dinheiro, mas não existe mercado para uma jogadora de vôlei. Isto é, a menos que quisesse disputar um circuito de praia no qual todas as garotas usavam biquínis... Bem, preferi arrumar um emprego de verdade.

— Não sei se tem idéia do que é o mercado, Hinata. Fui um grande astro na universidade, e não estou ganhando milhões, como disse.

— Foi um astro de verdade, ou mais um jogador ambicioso que não conseguiu alçar voo?

— Fui zagueiro da Universidade de Tóquio.

— Uau! E o que aconteceu?

— Sofri uma grave lesão no joelho.

— Ah, mas teria ficado rico e famoso, não fosse esse feri­mento. É o que estou tentando dizer. Não é justo.

— Se quer saber a verdade, a lesão foi a melhor coisa que podia ter me acontecido.

— Isso é absurdo!

— Não, não é. Quando me afastei do futebol, fui forçado a perseguir outros interesses que mudaram minha vida para melhor.

Ela não parecia entender. De acordo com sua visão de mun­do, a disputa esportiva era tudo que importava. Naruto nem se deu ao trabalho de mencionar sua novela. Hinata não a com­preenderia, a menos que a história contasse algo sobre um astro do futebol cujos sonhos haviam sido destruídos por um joelho lesionado. Ficaria surpresa se soubesse que a palavra futebol não aparecia uma única vez no livro.

— Bem, a verdade — ela prosseguiu, como se a conversa não houvesse sofrido um desvio —, é que essa liga de beisebol foi a salvação da minha sanidade. Vivo trancada num escritório de segunda a sexta-feira, das nove às cinco, mas depois do expediente posso ser eu mesma.

— Já pensou na idéia de treinar uma equipe?

— Treinar? Onde?

— Existem ligas infantis em todos os bairros da cidade. Pode servir como uma espécie de exemplo para as crianças enquanto ensina a elas as regras do jogo.

— Não. Gosto da excitação de estar em campo, jogando. Se não houvessem ido ao restaurante no carro dele, Naruto já teria inventado uma boa desculpa para partir. Infelizmente era cavalheiro demais para deixar uma dama sozinha num local público. Era uma pena. Hinata tinha seus encantos, e possuía um interesse em comum com ele, algo que já havia ocupado o centro de sua vida, mas, quanto ao resto, eram como habitantes de planetas distintos. Jamais haveria a menor pos­sibilidade de entendimento entre eles.

Enquanto Hinata comia e falava sem parar, Naruto ia redi­gindo mentalmente sua próxima coluna.

Finalmente ela terminou o hambúrguer com fritas e pude­ram partir.

— Repetiremos a façanha no sábado à noite, não? — ela perguntou quando entraram na caminhonete.

Naruto afirmou com a cabeça, embora tivesse esperança de que Sasuke abreviasse as férias e voltasse antes da data prevista. O livro ensinava tudo que um homem precisava saber sobre como conhecer mulheres. Mas não ensinava como se livrar delas.

Na tarde de quinta-feira, Naruto deu os últimos retoques na história sobre o novo assistente técnico de um certo time e enviou-a para a redação via modem. Depois espreguiçou-se na cadeira, ten­tando alongar os músculos. Fazia exercícios físicos com regulari­dade, mas o jogo de beisebol da noite anterior o deixara dolorido.

O relógio sobre a mesa do quarto onde montara um escritório domiciliar marcava pouco mais de três horas, e Sakura devia estar no jornal. Sabia que as tardes de quinta eram terríveis, pois todos os prazos estavam esgotando-se, mas seria uma conversa rápida.

— Sakura chan? Sou eu, Derek. Já decidiu se vai exibir alguma de suas fotos em público? — perguntou, indo direto ao assunto para não perder tempo.

— Fotos? Oh, sim, do final de semana passado. Não ficaram tão ruins, acho.

— Que tal jantarmos juntos esta noite? Assim poderemos examinar o material, trocar críticas e sugestões antes de levá-las à próxima aula.

Houve uma longa pausa do outro lado da linha.

— Desculpe, mas já tenho planos para esta noite.

De que tipo de planos estaria falando? Não podia perguntar sem parecer intrometido.

— Talvez amanhã, antes da aula? Depois iremos juntos para o curso, e assim não terá de usar seu carro.

— Tenho uma idéia melhor. Por que não comemos alguma coisa aqui em casa, examinamos as fotos e depois vamos juntos para o curso?

Naruto não havia percebido a tensão na voz dela até notar a mudança de tom.

— Sakura chan, está acontecendo alguma coisa? Você parece nervosa.

— Estou bem. É só o prazo...

Sabia que ele estava mentindo, mas era inútil tentar pro­longar a conversa.

— Então vou deixá-la trabalhar. Até amanhã. Ah, já esco­lheu um esporte?

— Estou tentando. Até amanhã, Naruto.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa ela já havia desligado.

Naruto devolveu o fone ao gancho e ficou olhando para o aparelho com ar intrigado. Tinha a impressão de que o prazo para a entrega dos artigos era a última coisa que Sakura tinha em mente, e sabia que tinha grande responsabilidade por seu estado de ânimo. Aquele beijo havia sido um engano. Sim, ela apreciara no momento, mas devia estar arrependida. O beijo abalara a estabilidade do relacionamento, justo quando conse­guiam solidificá-lo. Agora os limites estavam confusos e já não sabia mais o que sentia por ela. Mas tinha certeza de que precisava vê-la novamente, e depressa, e de que teriam de ter uma boa conversa para esclarecer a situação.

Sakura ajeitou as almofadas sobre o sofá e olhou em volta. De repente o apartamento parecia ainda mais pequeno e sombrio, e envergonhava-se do que via. Uma mulher de vinte e cinco anos já devia ter construído um lar de verdade, em vez de viver como se acampasse esperando por súbitas modificações em sua vida. Seguia a mesma rotina há anos! Não sabia nem o que esperava.

O intervalo comercial chegou ao fim e ela aumentou o volume do rádio para ouvir a voz de Naruto.

— Muito bem, voltamos com o programa Conversas Espor­tivas. Hoje recebemos aqui no estúdio o jovem Kohamaru Sarutobi, astro do campeonato colegial de Futebol. Konohamaru, você ainda está iniciando o ensino médio, mas várias equipes profissionais fizeram propostas impressionantes para contratá-lo. E o que sabemos é que sua resposta é sempre a mesma: quer ir para a universidade. Como consegue resistir à tentação?

Sakura havia ligado o aparelho na esperança de encontrar alguma coisa sobre a qual pudessem conversar mais tarde. Até o sábado anterior isso nunca a preocupara, mas agora não sabia que direção tomaria a conversa, e preferia mantê-la bem longe de qualquer análise do relacionamento entre eles.

Também tinha de admitir uma certa dose de curiosidade sobre o que Naruto fazia. Havia lido alguns de seus artigos no jornal, na esperança de descobrir mais coisas sobre ele. Com certeza havia muitos aspectos da vida dele que ainda não sabia.

De certa forma esperava certificar-se de que não existia nada em comum entre eles e nenhuma razão para estar inte­ressada, mas o programa a cativara de imediato.

O jogador adolescente terminou de falar sobre seus objetivos de vida e como incluíam a universidade.

— Mas não poderia realizar quase todas essas coisas sem ter de ir para a faculdade antes? — Naruto perguntou. — Afinal, estaria ganhando muito dinheiro.

— E se eu sofrer uma lesão grave no primeiro jogo e tiver de desistir da carreira? Se for para a universidade antes, terei uma bolsa de estudos para me tornar alguém e ter uma segunda profissão. Sei o que aconteceu com você, e hoje vejo o que é capaz de fazer por ter concluído um curso universitário.

— Konohamaru, gostaria que todos os futuros atletas pudessem ouvi-lo. Nossa mente é o bem mais valioso que possuímos, qualquer que seja nossa escolha profissional. Espero que a liga profissional seja sensata o bastante para esperar por você, porque não terão apenas um atleta completo, mas um homem íntegro e muito bem preparado para a vida. Voltaremos com outros assuntos depois dos comerciais.

Sakura permaneceu onde estava, surpresa com o que acabara de ouvir. Jamais imaginara que um programa esportivo pu­desse oferecer conselhos tão sensatos. Ou seria Naruto?

Quando o programa terminou, ela finalmente voltou à lim­peza e do apartamento, mais apressada que nunca. Em meia hora seu parceiro estaria chegando, o que significava que teria de contentar-se com uma arrumação rápida.

Havia terminado de dar uma aparência decente ao lugar e vestir uma calça justa com camiseta longa e larga quando ouviu as batidas na porta.

Naruto trazia o jantar numa sacola de papel com o logotipo de uma famosa lanchonete. Era a primeira vez que o via desde a noite de sábado, e havia quase esquecido como era atraente. Com muito esforço, conseguiu conter o ímpeto de beijá-lo e, em vez disso, convidou-o a entrar.

— Trouxe sanduíches — Naruto comentou, deixando a sacola sobre a mesa da cozinha. — Se não quiser o seu, deixe-o para mais tarde.

— Oh, não, estava mesmo com fome — Sakura respondeu, sem revelar que havia deixado de comer para ouvir ao programa de rádio e preparar o apartamento para recebê-lo. — Obrigada por ter pensado em mim. Foi muita gentileza sua. O que escolheu?

— Peito de peru, alface, tomate e ovo no pão integral. E trouxe refrigerantes, também.

— Como soube que esse era meu sanduíche preferido?

— Digamos que sou um bom observador. Já almoçamos jun­tos algumas vezes quando saímos da redação no mesmo horário, e notei que sempre pede a mesma coisa.

— É impressionante! — ela exclamou, mordendo o sanduíche e mastigando devagar, usando o lanche como uma desculpa para não ter de responder. Se Naruto não parasse de ser tão gentil, acabaria agarrando-o e nunca mais o soltaria. Só não sabia se essa era uma boa idéia? Agora eram bons amigos, depois de anos de provocações. Por que não aproveitar um pouco, antes de tentar dar o próximo passo? — Falando em coisas impressionantes, ouvi seu programa de rádio hoje à tarde.

— É mesmo? Não sabia que apreciava programas esportivos.

— Normalmente detesto. Estava apenas procurando uma estação quando ouvi sua voz e decidi prestar atenção. Fiquei impressionada.

— Tem razão, Konohamaru é um garoto especial. Estou pensando em redigir um artigo sobre ele e vender para alguma revista de circulação nacional. O rapaz é um modelo para essa nova geração de esportistas!

— Não estava me referindo a Konohamaru, mas a você. Soube localizá-lo, reconhecer suas qualidades e revelá-las durante o programa. Sempre conduz as entrevistas da mesma maneira?

— Minha inspiração nem sempre é tão grande, mas procuro mostrar as pessoas que existem por trás dos uniformes. E possível tomar conhecimento da colocação de todas as equipes no campeo­nato em qualquer emissora, mas acho que consegui algo diferente.

— Realmente o subestimei — Sakura confessou, mordendo mais um pedaço do sanduíche para não ter de falar durante alguns instantes. Já havia falado demais. Se continuasse assim, acabaria enlouquecendo e se atirando nos braços dele.

Pensando bem, enlouqueceria de fato se passasse muito mais tempo perto de Naruto.

Terminaram de comer em silêncio, e em seguida ela levan­tou-se e foi buscar as fotos antes que a conversa recomeçasse.

— Acho que fiz um bom trabalho — disse. — Pelo menos não sinto vergonha de mostrá-las em público.

Naruto inclinou-se sobre seu ombro para ver a primeira fo­tografia. Sakura sentiu o calor do corpo forte e atlético e teve de lutar contra o desejo de beijá-lo novamente. Já era terrível ter passado a gostar dele, em vez de considerá-lo irritante, mas essa poderosa atração física era o pior de todos os castigos. E ainda teriam de pôr em prática o último capítulo do livro antes de concluírem o trabalho que executavam em parceria.

— Gosto dessa com a família de patos — Naruto opinou.

— O quê? Oh, sim, essa é uma das minhas favoritas. Po­demos ver as suas?

Naruto retirou um envelope do bolso e exibiu seu trabalho, surpreendendo-a com a perfeição de cada imagem. Como al­guém podia captar o movimento com tanta nitidez?

— A do coelho é incrível! — Sakura elogiou elogiou. — Ele parece pronto para fugir da foto.

— Também gosto dela. Acho que nenhum de nós será ridi­cularizado esta noite. Falando nisso, é melhor nos apressarmos.

Quando entraram na caminhonete, Sakura descobriu que o rádio continuava sintonizado na estação que ela escolhera. Teria sido assim desde o último sábado, ou ele estava apenas tentando agradá-la? Esperava que não tocassem nenhuma canção român­tica, ou acabaria derretendo como uma bola de sorvete ao sol.

Felizmente estavam realizando um especial de clássicos do rock, e a maioria das melodias era eletrizante, nada que a fizesse ter ideias malucas envolvendo Naruto. Só teria de en­frentar, esta noite, depois escolheria uma atividade esportiva e encontraria alguém especial e encantador capaz de fazê-la esquecer o colega. Sairiam juntos algumas vezes, ela venceria a aposta. Então Naruto teria de limpar seu apartamento e cuidar de todas as tarefas domésticas durante uma semana.

Oh, não! Não podia vencer! E nem perder. Qualquer que fosse o desfecho da situação, ainda teria de conviver com ele durante uma semana.

Continua

Notas finais
Ola pessoal
Muito obrigado pelo carinho estou me sentindo um paulo coelho kkkkkkkkkkk
Como vimos hj na fic Naruto é um bom apresentador de radio, deu otimos conselhos a Konohamaru. Sakura ficou surpresa com a habilidade do loiro, definitiamente ele não pe o idiota que ela pensava que ele fosse no coemço da fic. Tambem vimos a proxima lição do livro, praticvar um espeorte para conhcer alguem Narto, foi subtitur Sasuke no beisebol e Sakura pro em quanto aidna não escolheu, no beisebol Naruto conheceu Hinata mais memso com tods os encatos da Hina ele não parou de pensar na nossaa rosada a Sakura. Pleo jeito não tera outro jeito de não junta-los de uam vez eles so pensa um no outro kkkkkk.
Obrigado a todos navamente
Beijos
Naruto