Conselhos Amorosos
6 CAPÍTULO VI Fracasada e o Fracasado
Notas iniciais
Boa leitura
Espero que gostem
— Bom dia, Tóquio! — exclamou a voz do locutor. — Leram os jornais esta manhã? Parece que nosso intrépido par de repórteres têm outra aventura a relatar. Estou imaginando quando eles nos darão algo de realmente suculento.
Sakura parou de escovar os dentes para mudar de estação. Já era terrível ter de suportar a humilhação de sair em busca de um parceiro para cumprir uma tarefa profissional. Não queria ouvir outras pessoas discutindo sua situação, especialmente num programa de rádio.
— E então, o que acham daqueles fracassados do Journal? — perguntou o disc-mark da nova estação. — Acho que aqueles dois não conseguiriam encontrar parceiros nem que fossem atirados no meio de um bando de solteiros desesperados. Mal posso esperar para ler sobre a próxima aventura.
Sakura girou o botão do aparelho mais uma vez. A estação de música clássica devia ser uma boa opção. A sinfonia, ou o que quer que estivessem tocando, terminou numa explosão de notas musicais. Houve uma pausa prolongada e a voz bem modulada do apresentador anunciou o nome da peça, do compositor e da orquestra. Depois de mais uma pausa, ele disse:
— Espero que nossos ouvintes tenham lido as edições de segunda-feira do Journal, porque seria uma pena perder aquelas colunas tão divertido sobre como não encontrar um parceiro, apesar do esforço.
Sakura respirou fundo e desligou o rádio. Tinha medo do dia em que sua identidade fosse revelada. Até agora nem os colegas do jornal sabiam quem realizava a estranha seqüência de matérias, mas a equipe era pequena, e logo alguém acabaria deduzindo. Então seria como viver no inferno.
Mas Ino tinha razão. As pessoas estavam interessadas, e as colunas vendiam como água no deserto. Em toda a cidade, os habitantes discutiam o livro e os textos publicados semanalmente pelos jornalistas anônimos. O autor havia desafiado os repórteres para um debate num programa de televisão de grande audiência. Ino mal podia conter-se de alegria.
Mas, apesar do sucesso, Sakura sentia-se deprimida. Seu fracasso no cenário afetivo jamais a aborrecera antes, pois imaginava que, no momento certo, encontraria alguém. De repente tudo havia perdido a graça, porque até quando entregava-se às atividades que mais apreciava, tinha de manter o objetivo profissional em mente. A única coisa que ainda a satisfazia era o trabalho voluntário na cozinha comunitária.
Enquanto dirigia rumo à redação, imaginava o que Naruto estava sentindo. Era ainda mais reservado que ela, e também não obtivera nenhum resultado positivo até então.
Assim que a viu entrar, Ino correu ao seu encontro e abraçou-a.
— Você é maravilhosa! — exclamou. — Ouviu o rádio esta manhã?
Sakura forçou um sorriso e olhou em volta, temendo que algum colega estivesse observando a cena. Se não se acalmasse, Ino acabaria estragando seu disfarce.
— Infelizmente — respondeu com um sorriso. — Estão me chamando de fracassada.
— Bobagem! Estão apenas tentando aumentar a audiência com algumas piadas bobas.
— Piadas a meu respeito, e num horário em que milhares de pessoas ligam seus rádios. Quando souberem quem sou, todas essas pessoas acreditarão que sou mesmo uma fracassada. E pensarão o mesmo de Naruto.
— É claro que não. Até lá você terá relatado um encontro com um alguém encantador, e ninguém vai se lembrar da má sorte do princípio.
Sakura foi sentar-se em sua mesa, deixando a editora segui-la.
— Não é mais o princípio. Já passamos da metade do livro, lembra-se?
— Mas você só precisa de uma sugestão bem-sucedida, e pode ser a próxima.
— Veremos...
— Tudo vai dar certo, garanto. A direção pode até ter uma surpresa para você quando isso acontecer. Estão todos muito satisfeitos com o seu trabalho.
— Vão me mandar para o leste europeu?
Mas Ino já estava voltando para sua sala, e nem ouviu a pergunta. Suspirando, Sakura voltou ao livro.
Para ter um bom relacionamento, é necessário que haja algo em comum entre os parceiros. Interesses partilhados são sempre um excelente material para longas conversas e alguma coisa que pode ser feita em conjunto.
Uma forma de encontrar alguém que compartilhe dos seus interesses é tornar-se membro de um clube voltado para um hobby, por exemplo, como uma associação de colecionadores de selo ou um grupo de fãs da série "Guerra nas Estrelas". Você também pode matricular-se num curso sobre algum assunto pelo qual se interesse. Se tiver sorte, encontrará alguém com quem poderá praticar tudo o que aprendeu!
Sakura jogou o livro sobre a mesa e suspirou. O conselho não era dos mais difíceis de se seguir, e podia até ser divertido. Pelo menos não a faria sentir-se culpada. Abrindo uma gaveta do arquivo, procurou o catálogo que recebera na semana anterior sobre um programa de educação para adultos. Guardara-o com a intenção de escrever um artigo sobre o assunto, pois o programa parecia ser um ponto de encontro para pessoas solitárias.
Finalmente encontrou-o arquivado na letra S, de solteiros. O conteúdo oferecido ia de fundamentos artísticos até espiritualismo da nova era para profissionais. Folheando o catálogo, procurou algo que pudesse ser de seu interesse e que também tivesse algum potencial com relação ao sexo oposto, o que eliminava as aulas de culinária e artesanato.
Então encontrou algo que prometia ser divertido, e que oferecia uma oportunidade de usar o presente caríssimo que os pais haviam lhe dado quando concluíra o curso universitário. Determinada, telefonou para o instituto e matriculou-se.
Naruto sentou-se no lugar de sempre, tentando não chamar muita atenção no café. Embora soubesse que sua identidade ainda fosse um segredo, sentia-se perturbado quando entrava em algum lugar e notava que as pessoas falavam a seu respeito. Para piorar, não acrescentara nada de muito valioso ao romance que tentava criar desde que passara a dedicar-se a esse trabalho.
— Olá! — Sakura cumprimentou-o, arrancando-o do estado depressivo. — Precisamos conversar.
— Sim, eu sei. Sente-se.
Ela colocou a bandeja sobre a mesa e sentou-se.
— Essa história toda também está mexendo com seus nervos?
— É bom saber que não sou o único — Naruto sorriu aliviado.
— Pensei que fosse um desses casos de autopiedade crônica.
— Está aborrecido porque corre o risco de perder a aposta.
— Por quê? Ainda estamos empatados. Três encontros com a mesma pessoa foi isso que combinamos. Se está disposta a sair novamente com o contador egocêntrico...
— Não, obrigada. E mesmo que quisesse, não tenho o número do telefone dele. E nem ele tem o meu.
— Foi tão ruim assim?
— Pior. Amenizei um pouco o relato na coluna para que ele não identificasse a história. Tive medo de ser processada por calúnia.
— A verdade é sempre a melhor defesa nesse tipo de processo.
— Então seria absolvida assim que o júri o escutasse falar por mais de cinco minutos.
Os dois riram, e a melancolia de Naruto desapareceu diante do bom humor da colega. Sempre sentia-se bem na companhia de Sakura, desde que não pensasse em lingerie. Empurrando o pensamento para o fundo da mente, perguntou:
— E então, que tipo de tortura teremos de suportar dessa vez?
— Acho que essa etapa será divertida. Vamos nos matricular num curso sobre algo que nos interesse.
— Sakura chan, não tenho tempo para isso. Já trabalho em dois empregos, e...
— Não precisa voltar à universidade. Normalmente esses programas de educação para adultos oferecem duas ou três reuniões, às vezes uma. Tenho certeza de que vai encontrar um assunto que o agrade. — Abandonando a salada temporariamente, ela abriu a mochila e apanhou o catálogo que encontrara no arquivo da redação, entregando-o ao companheiro.
— Dê uma olhada nisso e escolha alguma coisa. Pode ficar com o panfleto. Já me matriculei num dos cursos.
Naruto consultou o índice. A instituição oferecia cursos que prometiam ajudá-lo a reorganizar a própria vida, encontrar um emprego melhor e estabelecer relacionamentos mais satisfatórios. O tipo de proposta que parecia boa demais para ser levada a sério. Resignado, deixou o material de lado para examiná-lo mais tarde e apoiaram os cotovelos sobre a mesa, os olhos fixos em Sakura.
O que ela estaria sentindo sobre o que faziam? Sempre pensara nela como uma garota animada, dessas que vão a festas todas as noites e têm muitos amigos. Nesse caso, a tarefa imposta por Ino não representaria uma grande alteração em sua rotina. Agora que a via com mais frequência, imaginava se não teria formado um estereótipo sem, conhecê-la de fato.
— O que acha desse trabalho? — perguntou.
— Degradante. Detesto saber que toda a cidade está discutindo minha vida social.
— E quanto às coisas que fazemos? Apreciaria essas atividades, se não tivesse de escrever sobre elas?
— Não são as coisas que fazemos que me incomode, mas o fato de mantermos sempre em mente nosso objetivo. Não teria me dedicado a essas atividades por livre e espontânea vontade, mas algumas foram muito úteis. Com exceção do passeio no armazém e a visita à loja de material esportivo, é claro. E você?
— Não gosto de ir a casas noturnas. E também odiei a experiência na loja de lingerie.
Sakura riu.
— Tenho tentado imaginá-lo escolhendo calcinhas. Deve ter sido engraçado.
— Acho que sim. — Naruto sorriu encabulado. — Um dia terá de me explicar para que sirvam algumas daquelas coisas. Fiquei curioso.
— Na próxima vez em que receber um catálogo de promoção da Hana House, falaremos sobre cada peça em particular. Assim não terá de voltar à loja.
— Graças a Deus! Quando cheguei em casa, fiquei meia hora em baixo do chuveiro para me livrar daquele perfume adocicado.
Sakura riu novamente.
— Parece que não está gostando desse trabalho. Nunca pensou que pode aprender muito, agora que saiu de sua área de atuação?
— Não seria tão ruim, se eu estivesse produzindo alguma coisa. Mas me sinto perdendo tempo com essas matérias. Devia ter escolhido outro parceiro.
Ela inclinou-se sobre a mesa e tocou a mão dele.
— Você é o parceiro perfeito. Somos casos difíceis no terreno afetivo, entende? Se essas coisas fossem fáceis para nós, não precisaríamos do livro, e não teríamos sobre o que escrever.
Naruto baixou os olhos para a mão sobre a sua e encarou-a. Sakura sustentou o olhar e ofereceu um sorriso. A mesa parecia ter encolhido, aproximando-os. Tinha consciência da pele macia e suave em contato com a sua e, ignorando o efeito devastador provocado pelo gesto casual, ela sorriu mais uma vez, afagou seus dedos e voltou à salada.
— De qualquer maneira, estamos quase chegando ao final do livro — comentou. — Então poderemos esquecer tudo isso e retomar nossas vidas. Mal posso esperar para sair e dançar sem ter de pensar num novo evento social a cada final de semana. E você também poderá divertir-se como antes. A propósito, o que faz quando está sozinho num final de semana?
— Normalmente estou ocupado nos finais de semana. O Tóquio F.C joga todos os domingos, durante meio ano, e faço questão de assistir a todas as partidas. Nos outros seis meses tenho de me concentrar nas coisas que deixei de fazer ao longo da temporada de futebol.
Esperava que isso a satisfizesse. Gostava de Sakura, e nas últimas semanas haviam se tornado amigos de verdade, mas ainda não sentia-se preparado para revelar tudo sobre si mesmo. A última coisa que queria era fornecer mais munição para seus costumeiros ataques de provocação.
— Entendo. Quer dizer que vocês, jornalistas esportivos, também têm de trabalhar de vez em quando? Pobrezinho! Deve ser horrível trocar um final de semana tranquilo por viagens em jatos fretados, hotéis de luxo e partidas de futebol entre os melhores times do país.
— Podemos trocar de lugar. Eu irei a todos os espetáculos que estrearem sem pagar ingresso, e você passará todos os seus finais de semana sozinha em cidades estranhas.
— Parece divertido, mas... — Sakura consultou o relógio e assustou-se. — Meu Deus, preciso voltar à redação. Ainda tenho de redigir o perfil de cada uma daquelas personalidades excitantes — comentou com sarcasmo, levantando-se em seguida.
Naruto a viu sair e percebeu que de repente relaxava. Por um momento tentou compreender o significado da mudança de disposição, mas em seguida encolheu os ombros e abriu o catálogo que ela deixara. Precisava encontrar um curso interessante que se resumisse a duas ou três aulas. A seção sobre música oferecia um punhado de seminários breves, mas não suportaria passar uma tarde de domingo ouvindo música do período Barroco executada por um órgão. Os cursos sobre psicologia popular pareciam interessantes, mas as pessoas que se reuniriam para discutir assuntos como relacionamentos saudáveis e conflitos entre gerações não seriam exatamente modelos de equilíbrio, e de loucura já estava farto.
Estava interessado em algo como dicas práticas para se vender um livro, mas deixaria para pensar nisso quando terminasse de escrever o romance. De repente uma ilustração chamou sua atenção. Era um pássaro alçando voo, a silhueta recortada contra o céu. A foto ilustrava o resumo do curso sobre fotografia natural. Seriam apenas duas aulas, nas noites de sexta-feira e em semanas alternadas. No primeiro encontro os participantes discutiriam técnicas. Depois tentariam usar o que aprendessem para então, no segundo encontro, exibirem o material e discutirem os resultados.
Não se tratava de um compromisso muito longo, e Naruto aprendera muito sobre fotografia durante o tempo em que trabalhara no jornal do colégio. Tornara-se especialista em retratar atletas em movimento. Seria interessante tentar capturar a vida selvagem em ação. O curso começaria na próxima sexta, c ainda havia tempo para matricular-se. Sorrindo, decidiu acreditar no pressentimento que o invadia quanto a essa nova tática. Dessa vez a sorte estaria a seu lado.
Notas finais
Como vimos Sakura e Naruto ja estão ficando famosos , so não o tipo de fama que alguem gostaria de ter, ser fracassado no amor acho que é uma fama que niguem gostaria muito.
Agora lhe restam uma outra esperança esse tal curso que irão fazer, a Sakura e seu curso ainda eh uma misterioa mais de Naruto ja revelei que sera de fotografia vamso ver se ele encontra uam gata ´la para ele hehehe.
Mais uma vez obrigado pela ajuda.
Beijos para a meninas abraços para os rapzes
Naruto
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