Conselhos Amorosos

3 CAPÍTULO III: Lição 2 e 3, supermecado e cãozinho!


Notas iniciais
Espero que gostem
Boa Leitura a Todos

Não subestime o valor das atividades diárias para conhecer alguém interessante. Elas oferecem um am­biente não ameaçador no qual as pessoas relaxam o suficiente para serem elas mesmas, e como todos têm de fazer compras e ir à lavandeira, haverá um bom número de indivíduos a serem analisados. Tente visitar o armazém na sexta-feira ou no sábado à noite. Mulheres tomem nota: esses são os períodos nos quais os homens solteiros fazem suas compras, e você pode geralmente apostar que são sozinhos, ou não estariam num supermercado numa noite de sábado. Os finais de tarde nos dias úteis são bons momentos para encontrar profissionais, homens e mulheres que param a caminho de casa para abastecer suas geladeiras. Um mercado numa vizinhança exclusiva é uma boa escolha, mas evite os bairros mais afastados onde não existem edifícios residenciais, porque lá você só encon­trará famílias. Procure por um estabelecimento com um bar ou uma delicatessen e uma boa seleção de importados ou pratos prontos.

Sakura abandonou o livro e olhou para o relógio. Quase cinco da tarde. Podia experimentar essa sugestão. Já era quinta-feira, e precisava reunir material para a coluna de segunda. As primeiras matérias, publicadas no início da semana, haviam sido um sucesso. Os leitores telefonaram e escreveram para o jornal expressando interesse pelo assunto. Só esperava ter algo para contar na próxima edição.

Depois de guardar o livro na mochila, fechou as gavetas e levantou-se.

— Saindo mais cedo, Sakura? — Jiraya perguntou da mesa ao lado. Seu rosto exibia os sinais da tensão provocada pela associação entre um prazo iminente e um artigo por es­crever, o que justificava o tom invejoso.

— Não. Vou fazer uma matéria — ela respondeu a caminho da porta. E era trabalho, apesar do que os outros repórteres podiam pensar.

O mercado diversificado a caminho de sua casa era uma boa opção. Raramente comprava lá, porque seu orçamento não permitia extravagâncias, mas dessa vez incluiria os gastos no relatório de despesas.

O Corolla 1979 destoava dos outros veículos que ocupavam o estacionamento da loja. Havia um Jaguar à esquerda e uma Mercedes à direita.

— Ora, trata-se de um carro de colecionador — ela disse aos automóveis antes de dirigir-se à entrada. Ajeitando a aba do chapéu de veludo preto, aproximou-se da porta automática e esperou que elas se abrissem com um som metálico.

Não era um estabelecimento muito grande, mas nunca havia estado em outro mercado com um segundo pavimento de onde se podia ver a padaria e a sessão de verduras e legumes. Le­vando uma cesta de metal, dirigiu-se ao balcão das frutas. Sakura arregalou os olhos ao ver os preços exorbitantes cobra­dos pelo local. Estava habituada a comprar no mercado dos fazendeiros, que funcionava nas manhãs de sábado perto de sua casa, onde podia encontrar mercadorias frescas e uma va­riedade muito maior do que a oferecida pelo luxuoso armazém. Erguendo uma sobrancelha, apalpou duas ou três pêras. Quem compraria uma fruta de tão má qualidade, e por esse valor?

Intrigada com alguns produtos que não conseguia identificar, pegou uma espécie de bulbo de cor clara e examinou-a. De acordo com o rótulo preso à prateleira, tratava-se de uma jicama. O que era uma jicama, e o que se fazia com ela?

— O que é uma jicama, e como podemos comê-la? — per­guntou uma voz ao seu lado.

Tentando não demonstrar o susto provocado pela repetição dos próprios pensamentos, virou-se e viu um homem moreno que, curioso, estudava o produto exótico. Esse podia ser um bom sinal.

— Estava me perguntando a mesma coisa — Sakura respondeu.

— Oh! — ele exclamou desapontado. — Pensei que pudesse esclarecer minha dúvida, já que está com essa... essa coisa estranha na mão. Posso?

Ao entregar o vegetal, ela notou a ausência de uma aliança e decidiu ter encontrado o primeiro candidato digno de atenção. Enquanto o desconhecido estudava a jicama, Sakura aproveitou para examiná-lo. Era bonito, embora não fosse o tipo capaz de tirar o fôlego das mulheres, e atraente com seu estilo sóbrio e clássico. Os cabelos negros eram curtos e bem penteados, e os olhos por trás dos óculos de aros de metal eram azuis. A estatura e o peso eram medianos, e ele usava terno azul com camisa branca e gravata vermelha. Não era exatamente o que procurava num parceiro verdadeiro e permanente, mas servia aos propósitos atuais.

Finalmente ele encolheu os ombros e devolveu a jicama à prateleira.

— Acho que vou me contentar com algumas batatas, alface, tomates, maçãs e cenouras — disse.

— Às vezes sinto-me ousada e atrevida o bastante para comprar um papaia — Sakura sorriu.

Não era uma conversa brilhante, mas servia para começar. O desconhecido retribuiu o sorriso e foi examinar as maçãs, suspirando desanimado ao parar diante da prateleira.

— Onde estão às boas e velhas maças de antigamente? Virando-se para a seleção oferecida, ela notou que cada tipo da fruta era rotulado com um nome pomposo e um preço ainda mais requintado. Como não conhecia nenhuma variedade de maçã além da convencional, colhida nas árvores das fazendas cm todo o mundo, interpretou o comentário como um bom sinal. Um verdadeiro esnobe teria sabido que tipo escolher para im­pressionar os amigos.

— Acho que as frutas convencionais estão no final do corredor disse. — E em seguida eles oferecem laranjas que não precisam de seus passaportes para serem retiradas da loja.

Ele sorriu novamente e, como se a houvesse esquecido, de­dicou-se à escolha das frutas. Sakura esperou mais alguns instantes e, para justificar a demora, apanhou um maço de es­pinafre e colocou-o na cesta. O preço era razoável, e a escolha era saudável. O silêncio prolongou-se por mais algum tempo e ela achou que era hora de desistir.

Resignada, dirigiu-se às outras seções do mercado, ignorando o corredor dos derivados de leite, onde só havia um punhado de mães com seus bebês. No fundo da loja encontrou o balcão de frutos do mar e aproximou-se de um tanque cheio de lagostas. Que diabos era isso, afinal? Um supermercado, ou uma loja de animais de estimação? Os animais arrastavam-se pelo fundo do tanque com movimentos lentos, lembrando insetos gigantescos.

— Alguma vez teve vontade de levar uma dessas para casa e conservá-la na banheira?

Então ele voltara!

— Estava pensando que se parecem com escorpiões — Sakura respondeu, lutando contra o sorriso triunfante que ameaçava traí-la. — Não sei se algum dia serei capaz de comer lagosta novamente.

— Também prefiro não ser apresentado ao alimento antes de comê-lo. Falando em apresentações, meu nome é Sai Meruda (inventei um sobrenome para ele) — ele disse, estendendo a mão e sorrindo.

— Sou Sakura Haruno, mas todos me chamam de Sah.

— Isso estava ficando melhor do que esperava. — Entrara no mercado com a intenção de escolher alguém e acabara sendo escolhida! Mal podia esperar para contar a Naruto.

— Está procurando algo especial? — Sai perguntou.

— Não. Apenas fazendo compras de rotina. Prefiro examinar as prateleiras e levar aquilo que estiver melhor.

— Não está interessada em visitar a delicatessen, ou a padaria?

— A padaria é uma boa ideia.

— Importa-se se eu for com você?

— De jeito nenhum.

Enquanto caminhavam pelos corredores muito claros, Sakura tentava decidir qual seria o próximo passo. Sentia-se como um cachorro que depois de anos correndo atrás de automóveis conseguia alcançar um deles e não sabia o que fazer.

— Costuma fazer compras sempre aqui?

— Não ela respondeu grata por não ter de tomar a iniciativa. — Normalmente vou ao mercado dos fazendeiros, ou ao armazém mais próximo de casa, mas acabei de sair do trabalho e decidi parar para simplificar as coisas.

— Onde você trabalha?

Sakura refletiu antes de responder, temendo revelar mais do que desejava. Se soubesse que estava prestes a tornar-se assunto de uma coluna de jornal, Sai certamente diria adeus e partiria sem olhar para trás.

— No centro da cidade — disse.

— É mesmo? Eu também.

Estavam chegando à padaria, e como havia manifestado um interesse especial pela seção, Sakura decidiu que seria prudente comprar alguma coisa. Distraída, pegou um pão de forma in­tegral e jogou-o dentro da cesta.

— Bem, isso é tudo de que preciso para o jantar — disse. Sai olhou para o pão e o maço de espinafre e ergueu a sobrancelha, mas não fez nenhum comentário.

— Nesse caso, foi um prazer conhecê-la, Sakura. Dando o caso por encerrado, ela virou-se na direção do caixa censurando-se por ter precipitado o momento da despedida, mas voltou a ter esperanças quando ele a chamou.

— Sei que isso vai parecer estúpido e atrevido, e quero que saiba que não tenho o hábito de flertar no supermercado, mas... gostaria de jantar comigo no sábado?

Sakura piscou. Talvez aquele livro idiota tivesse alguma uti­lidade, afinal. Jamais imaginara que uma das sugestões pu­desse surtir efeito, e no entanto...

A voz da consciência, plantada por sua mãe ao longo de toda uma vida, preveniu-a contra os perigos de sair com es­tranhos. Como costumava fazer, ela a ignorou. Sai Meruda não parecia ser um assassino em série.

— Sim, eu gostaria muito — respondeu.

— Ótimo. Podemos nos encontrar em algum lugar. Que tal o Lamen Grill?

O restaurante era simples, e oferecia toda a segurança de que necessitava para encontrar um estranho.

— Excelente escolha.

— Às sete?

— Certo, sábado às sete. Estarei lá. — Mal podia esperar para chegar em casa e telefonar para Naruto. A menos que ele houvesse estado muito ocupado, era a primeira a conseguir um encontro.

Sempre que sair de casa você estará aumentando as chances de conhecer alguém. Isso inclui não só as compras domésticas, mas também as idas ao correio, à tinturaria e ao posto de gasolina.

Você também pode aproveitar para exercitar-se. Passear com o cachorro, patinar ou andar de bicicleta, especialmente em bairros habitados por gente solteira, é uma boa maneira de ver outras pessoas preocupadas com a manutenção da boa forma física. (Em outras palavras, corpos bem feitos!) Essa não é uma tática de aproximação imediata. Talvez leve algum tempo para você tornar-se conhecido dos corredores que seguem horários similares aos seus. Comece com um sorriso quando passar, mais tarde ofereça um aceno, e eventualmente pode descobrir-se cor­rendo com alguém.

Mas, se quer uma tática mais rápida, experimente levar o cachorro. As mulheres são sempre atraídas por animais peque­nos e dóceis, enquanto os homens impressionam-se com os cães de grande porte. Se você já viu o filme 101 Dálmatas, deve saber o que um cachorro pode fazer por sua vida amorosa, especialmente se tiver uma coleira bem longa.

Sadie enquadrava-se na categoria dos pequenos e dóceis, mas Naruto temia que as mulheres rissem ao vê-lo arrastá-la pela calçada. As pernas curtas da cadela moviam-se o mais depressa possível, e mesmo assim tinha a impressão de estar quase arrastando-se para acompanhá-lo. Gostaria de ter se­guido a própria intuição e ido ao armazém, em vez de levar para passear o único animal que conseguira emprestado.

Mesmo assim, estava atraindo uma certa dose de atenção. Todos que passavam viravam-se para ver o estranho par. Al­gumas mulheres atraentes passaram correndo e sorriram ao ouvirem os latidos agudos de Sadie, mas nenhuma delas parou ou olhou para Naruto. Não tinha importância, todas elas davam a impressão de cuidar mais dos corpos que dos cérebros.

A certa altura do passeio, ele passou por uma casa onde uma criança pequena brincava no gramado enquanto os pais trabalhavam nos canteiros de flores. A menina viu Sadie e gritou com entusiasmo, correndo até a calçada para brincar com a cadela. Naruto parou e deixou-a afagar a cabeça do ani­mal, que abanou a cauda para demonstrar sua gratidão.

Naruto viu as duas criaturas e sorriu. Como o livro prometera, estava chamando a atenção do sexo oposto. E o autor não havia especificado que idade teriam essas mulheres, portanto... Se tivesse sorte, uma dessas belezas estonteantes passaria cor­rendo, veria como era carinhoso com as crianças e ficaria real­mente impressionada.

Mas esse não era seu dia de sorte. Ninguém notava sua presença.

— Vamos, Sadie — ele disse, puxando a coleira ao notarque a menina perdera o interesse. — Vou levá-la para casa e depois irei ao armazém. Sakura aprovou essa tática.

O recado que encontrara na secretária eletrônica algumas noites antes o deixara desesperado o bastante para experimentar a su­gestão sobre o cachorro. Não podia permitir que Sakura chan o vencesse.

— E agora estou conversando com uma cadela. Talvez Sakura chan tenha razão sobre eu precisar de uma vida social.

Sadie latiu para um carro que passava pela rua, e Naruto não teve certeza se ela concordava com sua opinião.

Sakura saiu do Corolla torcendo para que Sai não a estivesse observando. Não havia como executar a manobra com elegância. Ajeitando a saia, notou com alguma surpresa que as mãos tremiam.

— Pois bem, admito que estou nervosa — resmungou para si mesma. — Não costumo fazer esse tipo de coisa.

Só então percebeu o que estava fazendo. Aceitara jantar com um homem que conhecera num supermercado, alguém que nunca vira antes. Podia até ouvir os comentários da mãe.

— Ele pode ser um maníaco, um assassino pervertido que escolhe suas vítimas nos locais mais inusitados!

Sakura decidiu não contar nada à mãe, pois assim não teria de ouvir um sermão.

Como se já não bastasse a apreensão provocada pela situa­ção, passara uma hora hesitando diante do armário, sem saber o que vestir. Sai parecia ser o tipo conservador, e por isso optara pelo traje mais sóbrio que possuía, uma saia preta e longa de tricô, camiseta branca sob uma jaqueta de brocado e uma boina de crochê. Ele provavelmente desmaiaria ao vê-la, ou fingiria jamais tê-la visto.

Erguendo os ombros e forçando-se a caminhar com ar con­fiante, torceu para que a noite não terminasse em desastre.

Sai esperava por ela no interior do restaurante, bem perto da porta. Sua roupa era conservadora o bastante para fazê-la parecer uma dessas modelos de estilistas de vanguarda, mas ainda era bonito e atraente em seu uniforme de executivo em hora de lazer.

— Você veio! — Sai exclamou.

— Não esperava que eu viesse?

— Não, eu... bem, percebi que tudo isso era loucura assim que saí do supermercado. Ainda não consigo acreditar que convidei alguém para sair poucos minutos depois de perguntar seu nome. Sakura riu, tentando ocultar a tensão.

— Sim, é um pouco estranho, mas as pessoas que me co­nhecem não esperam atitudes convencionais.

O garçom levou-os a uma mesa e Sai segurou a cadeira para que ela sentasse.

Mais um bom sinal.

Examinar o cardápio e escolher os pratos foi uma boa maneira de respirarem e relaxarem antes de começarem uma conversa casual. Pela primeira vez na vida, Sakura não sabia o que dizer. Como se pode conversar com um completo desconhecido?

Ora, você é uma repórter! Entreviste-o!

— E então, o que vai escolher? — perguntou, preferindo um território neutro.

— Estou indeciso entre as costelas e o peixe.

Comer costelas num primeiro encontro era sinal de coragem. Normalmente tentava evitar qualquer coisa que pudesse sujar seu queixo ou respingar molho em sua roupa, o que excluía pizza e quase todas as massas.

— Acho que vou pedir sopa e salada. — ainda corria o risco de ficar com um pedaço de alface entre os dentes, mas as outras opções do menu possuíam calorias suficientes para fazê-la sentir-se culpada durante uma semana.

— Não é uma dessas naturalistas malucas, é? Não parece precisar perder peso.

Sakura decidiu encarar o comentário como um elogio.

— Não sou nenhuma fanática, mas prefiro eliminar a gor­dura da minha dieta.

— Oh, então devíamos ter ido a outro lugar!

— Não, não! A sopa e a salada daqui são ótimas, e teria pedido a mesma coisa em qualquer outro restaurante.

Sai voltou a sorrir e ela percebeu que teria de esforçar-se para mantê-lo relaxado e confiante. Só não sabia se valia a pena tentar.

O garçom anotou os pedidos e Sakura decidiu que era hora de começar a reportagem.

— O que faz para viver, Sai?

— Sou contador. Nada muito excitante.

Concordava com ele, mas acabaria com qualquer possibili­dade de conversa se expressasse seus pensamentos.

— Deve haver algo de interessante nessa atividade, ou não a teria escolhido como carreira.

— Sempre gostei de lidar com números. São fascinantes. Trinta segundos mais tarde já estava arrependida por tê-lo encorajado a falar sobre o trabalho, mas era tarde demais para interrompê-lo, e por isso teve de ouvir resignada enquanto ele justificava sua paixão pelos números.

— Aprendi a contar antes de ser alfabetizado — ele começou, descrevendo como costumava contar diariamente o dinheiro que guardava no cofre em forma de porquinho. Já estava che­gando ao hábito de calcular os juros da poupança que abrira aos doze anos de idade quando o garçom trouxe a comida.

Sakurs esperava aproveitar a interrupção para mudar de assunto, mas não teve tempo nem para abrir a boca antes dele prosseguir.

— Aquela conta no banco era meu grande orgulho. Todas as noites, antes de ir dormir, calculava os juros que havia acumulado naquele dia e quanto teria dentro de um determi­nado período de tempo.

Com um suspiro, ela decidiu concentrar-se no prato e limitar-se a sorrir e afirmar com a cabeça de vez em quando, só para de­monstrar alguma delicadeza. Esperava que Naruto estivesse tendo mais sorte que ela. Por outro lado... Oh, não, teria de contar a ele sobre o encontro desta noite! Podia imaginar a que tipo de tortura ele a submeteria quando soubesse de tudo.

Depois de devolver a cadela aos proprietários, Naruto mudou de roupa e foi ao armazém Konoha. O lugar era limpo, oferecia mercadorias de boa qualidade e preços razoáveis, e ficava num bairro voltado para os solteiros, o que o enquadrava na descrição do livro. Não sabia o que encontraria lá numa sexta-feira à noite, mas teria mesmo de comer no dia seguinte, o que tornava a tentativa válida.

A loja não estava cheia. A seção de aluguel de fitas de vídeo havia sido praticamente esvaziada pelos consumidores de final de tarde, o que o fez pensar que essa seria uma boa opção, quando conseguisse sair do trabalho a tempo de fazer parte do grupo. Talvez pudesse até oferecer a idéia ao autor do livro, para ser acrescentada em futuras edições revisadas.

Vagando pelos corredores, viu uma mulher parada diante da geladeira de sorvetes e hesitou. Ela parecia disposta a co­meter um excesso qualquer, mas seus olhos brilhavam tanto enquanto examinava as opções oferecidas que ele decidiu seguir em frente. Jamais se colocaria entre uma mulher e um pote de sorvete de chocolate.

A seção de frutas, verduras e legumes abrigava a melhor seleção de mulheres que havia visto até então. Infelizmente, uma delas empurrava um carrinho de bebê, outra discutia a qualidade das laranjas com o acompanhante, e uma terceira conversava com a amiga sobre o jantar que pretendia preparar para o noivo esta noite.

A quarta mulher, justamente a amiga, era jovem e atraente, e franzia a testa para as uvas como se pudesse alterar o preço através da intensidade do olhar. Decidido, Naruto aproximou-se e apanhou um cacho.

— Espero que estejam melhores no próximo verão — disse. Ela encarou-o como se estivesse diante de um ser de outro planeta.

— O quê? Ah, sim! As uvas! Estão ótimas — e colocou dois cachos na cesta de metal que carregava, afastando-se sem olhar para trás.

Se continuasse nesse mesmo ritmo, logo estaria tentando descobrir como Sakura costumava lavar e passar sua roupa. Levando um litro de leite e um pacote de bolo, Naruto voltou para casa disposto a redigir a coluna que teria de apresentar para a edição de segunda-feira.

Mais uma vez censurou-se por ter sugerido a aposta.

Forçando-se a ser generoso, disse a si mesmo que esperava que a parceira tivesse mais sorte com seu encontro.

Isso estava indo muito mal. Sai continuava falando sobre as delícias da contabilidade, e Sakura ainda não conseguira dizer nada. Olhando pelo lado positivo, pelo menos não tivera de revelar que era repórter. Talvez ele não se reconhecesse na coluna da próxima semana.

Mas isso não queria dizer que estava divertindo-se. Supor­tara um longo discurso sobre as vantagens de se usar um sistema informatizado para elaborar balanços e folhas de pa­gamento, e se o garçom não trouxesse logo a conta, não seria responsável por seus atos.

— Já chega de falar sobre trabalho — interrompeu. — O que faz para divertir-se?

— Ah, assisto televisão e leio revistas especializadas no mer­cado financeiro.

Sakura suspirou. De onde havia tirado a idéia de que podiam ter algo em comum? Ah, sim, os dois precisavam comer. Ele parecera encantador no supermercado, mas nos primeiros cinco minutos de conversa percebera que o sujeito era egocêntrico, aborrecido e sem graça.

Felizmente o garçom trouxe a conta. Tim calculou uma gor­jeta de exatos quinze por cento do total e deixou o dinheiro sobre a mesa. Depois acompanhou-a até o estacionamento, onde parou com ar constrangido. Sakura esperava que ele não su­gerisse qualquer outro passeio, mas, caso o fizesse, tinha pelo menos uma dúzia de desculpas pontas.

— Foi uma noite bastante agradável, Sakura — disse, es­tendendo a mão para despedir-se. — Talvez possamos nos ver novamente algum dia. Eu telefono.

— Sim, faça isso — ela respondeu, partindo antes que ele lembrasse que não tinha seu número.

Sakura dirigiu depressa, os olhos fixos no retrovisor, e só relaxou quando teve certeza de que não era seguida. Não temia nada parecido com um assalto ou um ataque, mas não suportava a ideia de ouvir mais sobre contabilidade. E pelo ar animado de Sai ele só havia revelado a primeira página de seu curriculum.

Em casa, tirou os sapatos e a boina e estendeu-se no sofá. Perdera uma noite de sábado, uma preciosa noite de lazer e alegria. Por mais que odiasse admitir, se divertira muito mais quando saíra para dançar com Naruto, embora não houvesse encontrado nada muito interessante à pesquisa. Pelo menos ele era capaz de falar sobre algo além de trabalho, e a deixava falar, também. E era muito mais bonito, embora às vezes também fosse insuportável.

Num impulso, pegou o telefone e discou o número que en­controu na agenda profissional que costumava levar na bolsa.

Ele atendeu no segundo toque.

— Naruto? Sou eu.

— Sakura chan? — A voz tinha uma qualidade distante, distraída, o que a fez pensar que podia estar interrompendo alguma coisa.

— Responda rápido. Como está seu final de semana?

— Vazio.

Uma onda de alívio a invadiu. Não havia interrompido nada. Ainda permaneciam empatados e ele estava sozinho. Por que pensava nisso agora?

— E o seu? — Naruto devolveu.

— Nem queira saber. Ele é contador, e fez questão de contar tudo a respeito de seu trabalho. Com detalhes.

— Sinto muito.

— Mentira! Está feliz por eu não ter saído na sua frente.

— Quer dizer que não pretende voltar a vê-lo?

— Nunca mais! Isto é, a menos que tenha de sofrer uma cirurgia e precise de um anestésico seguro.

Ele riu.

— Bem, podemos tentar novamente na semana que vem. Qual será o próximo passo?

Sakura apanhou o livro no chão, ao lado do sofá, e abriu-o.

— Ei, essa é boa! Devemos nos envolver numa causa política ou numa organização religiosa.

— Bem, pelo menos teremos uma boa oportunidade de conversar.

— Espero que sim. Outra noite como a de hoje, e juro que desistirei da carreira de jornalista.

Sakura:

Já estive em muitos supermercados e armazéns ao longo de toda minha vida. Quando era criança gostava de passear no carrinho, e ficava feliz quando minha mãe comprava meu cereal matinal favorito. Se não conseguia os biscoitos, tentava convencê-la a levá-los fazendo uma cena na loja. Depois, já no ginásio, eu me oferecia para ir fazer compras porque todos os meus amigos trabalhavam no mercado do bairro.

Nunca estive num armazém pensando em encontrar homens. De certa forma, essa sugestão surtiu efeito, porque encontrei alguém. Conversamos rapidamente na seção de frutas e ver­duras, e quando chegamos à padaria ele já estava me convi­dando para sair.

Encontrar um homem na seção de frutas e verduras não limita muito a população base. Todos nós precisamos comer, e a necessidade de sustento era tudo que esse cavalheiro e eu tínhamos em comum, conforme descobrimos ao longo do nosso primeiro e único jantar. Isso não significa que você não poderá encontrar o Sr. Certo no corredor de congelados, mas acho que é pouco provável.

Compre sua comida no supermercado, mas não espere uma prateleira repleta de homens especiais.

Naruto:

Devo dizer que essa sugestão sobre levar um cachorro para passear a fim de atrair as mulheres funcionou. Mas se você é muito exigente com relação à idade dessas mulheres, é melhor tentar outra coisa.

Sadie, a cadela que tomei emprestada por um dia, é uma adorável e minúscula criatura, e todas as mulheres a notaram. Infelizmente, a única que se aproximou tinha cerca de dois anos de idade, e só estava interessada no animal. Foi como se eu nem existisse.

Homens, esqueçam o que o livro diz sobre cães pequenos e dóceis. Encontre um que combine com sua imagem, mesmo que ele seja imenso e assustador. Assim, pelo menos sairá da experiência com seu autorrespeito intacto.

Também tentei a ideia do armazém. Não faça essa tentativa numa noite de sexta-feira, e nem pense em colocar-se entre uma mulher e a geladeira de sorvetes. Sugiro que passem pela locadora de vídeos depois do expediente, ou talvez no início da tarde de sábado. O movimento é sempre muito grande. Pare na frente da seção que considera mais interessante e peça sugestões aos outros clientes. Se não obtiver resultados com as outras técnicas, tentarei essa e depois contarei como me saí.

Continua

Notas finais
Obrigado a todos por lerem a acompanharem a fic .
Espero que tenham gostado do capitulo de hj. a Sakura teve um encontro digamos meio contabelista como Sai kkkkkkkk.
Sei que Sai combinaria mais com um pintor ou cartonista, mas para o encontro ser chato não imaginei profição melhor para ele que contabelista, claro que poderia usar outro persoangem como Neji ou Shino mais acho que eles não tem a ver muito com Sakura dai botei o sai mesmo. E como vimos Sakura não vai querer reve-lo tão cedo kkkkk.
E Naruto tentou usar um cachorrinho para atrair as mulheres eu se fosse ele usaria um bebe, atrairia mais olhares femininos hehehehe. Mas como a minha fic eh baseda no livro que eu teho mesmo não pode usar o bebe tive que usar o cacho mesmo. Alias o Naruto atraiu sim uma mulher so que se ele quizer uam coisa com ela vai te que esperar no minimo mais 16 anos kkkkkk. Por que lá no japão é crime se envolver com menores de idade, então é muito tempo para ele esperar acho eu kkkk.
Agora no proximo capitulo qual sra a aventura da chapeleira maluca e do loiro sem cerebro?
Obrigado a todos que leram novemente
Abraços Naruto
P.S. Se alguem souber como add co autor na fic por favor me diga? Por que não sei se problema com o meu perfil aqui no nya ou eu não to sabend oadd direito, boto o nome ao onde esta escrito co auto mas smepre parece nome inexistente. Se alguem souber agradeço se poder me dizer.