Conselhos Amorosos

4 CAPÍTULO IV Debates e Paroquia, Em Busca do Amor


Notas iniciais
Espero que gostem do capitulo
Boa lietura a todos

Muitas pessoas querem algo além do meramente super­ficial quando buscam um parceiro. Elas desejam ter algo em comum, de forma que permaneçam interessantes uma para a outra durante toda a vida. As vezes é possível encontrar alguém assim num cenário social, mas a probabilidade será maior se você fizer acontecer. E você pode fazer acontecer desenvolvendo atividades que considera interessantes. Então, automaticamente, terá algo em comum com as pessoas que conhecer nesses contextos.

Para estabelecer um relacionamento baseado em valo­res comuns, você pode ingressar numa organização política ou num grupo religioso. As pessoas que conhe­cerá estarão envolvidas numa causa que vai além de suas rotinas diárias.

Essa tática parecia mais promissora do que as outras que havia tentado até então, Sakura decidiu, folheando o jornal em busca do calendário de reuniões dos grupos comunitários da cidade. Talvez agora pudesse ter uma conversa decente com um homem. E mesmo que não en­contrasse alguém interessante, pretendia envolver-se de fato no trabalho da agremiação escolhida. Agora tinha um bom motivo para fazer sua parte.

— O que nossos pombinhos solitários farão essa semana?

Sakura pulou ao ouvir a voz de Ino. Assustada, guardou o jornal concorrente e virou-se para a editora, que já havia se acomodado sobre sua mesa.

— Estamos no terceiro capítulo. Vamos procurar grupos po­líticos ou religiosos.

— Até agora tem sido maravilhoso, não?

— Bem, se acha que passar uma noite de sábado ouvindo um sujeito falar sobre balanços e folha de pagamento é ma­ravilhoso... sim.

— Não me refiro às suas atividades, mas ao sucesso do projeto. As pessoas estão lendo as colunas, querida. Ouviu o programa da rádio Star Rock esta manhã? Eles passaram o tempo todo falando sobre esse trabalho.

Sakura não via nada de excitante nisso. O fato de estarem comentando suas colunas significava que mais estranhos sa­beriam sobre suas patéticas tentativas de criar uma vida social para si mesma. Por enquanto ainda era uma redatora anônima, mas eventualmente sua identidade seria revelada. Talvez de­vesse procurar um emprego no Brasil e realizar o sonho de ser correspondente internacional.

Ino bateu em seu ombro.

— Mantenha esse padrão de qualidade, querida. Boa sorte! — E desceu da mesa para voltar à sua sala. — Ah, a propósito, esse Naruto é mesmo um encanto, não? Estou surpresa por não ter mulheres se jogando aos seus pés.

Naruto escolheu esse momento para entrar na redação. Es­tava tão apressado que colidiu com Ino, mas parecia estar distraído demais para ter prestado atenção ao que ela dizia. Rápido, segurou a editora antes que ela pudesse cair, descul­pou-se e seguiu sua trajetória até a mesa de Sakura.

— Sakura chan posso usar seu terminal? — perguntou sem cum­primentá-la. — Estamos sem energia elétrica no meu bairro, e a companhia afirma que só poderá efetuar o reparo nos fios dentro de duas horas. Tenho uma história e tanto para redigir, e já estarei na estação de rádio quando a energia for restaurada. Alguém já está usando o terminal do departamento de esportes.

Sakura pensou em provocá-lo com uma piada qualquer, mas notou as olheiras escuras e a tensão nos movimentos do colega e desistiu da idéia.

— É claro — disse, levantando-se imediatamente. — Pode usar o computador. Não tenho nada de urgente para redigir no momento.

Naruto sentou-se, pôs os óculos e retirou uma folha dobrada do bolso da camisa. No instante seguinte digitava furiosamente. Sakura o via trabalhar, os pensamentos concentrados no co­mentário que Ino fizera pouco antes. O homem era mesmo encantador, mais ainda agora, por alguma estranha razão. Os óculos emprestavam um certo ar intelectual ao rosto bronzeado, e as lentes realçavam o azul brilhante dos olhos.

Por que ainda era solteiro? E como conseguira chegar a essa etapa do projeto sem conhecer uma única mulher, se até ela já tivera um encontro? Então lembrou-se de como ele com­portara-se nas duas casas noturnas que haviam visitado juntos. Apesar da confiança natural, Naruto era tímido. O ex-herói do futebol que passava algumas horas por dia apresentando um programa de rádio sobre esportes era tão envergonhado, que não conseguia convidar ninguém para sair.

Sakura sorriu. Talvez devesse começar a organizar as tarefas que ele teria de desempenhar em sua casa. Seria o castigo perfeito por todos os comentários debochados que tivera de escutar desde que o conhecera. Mas a timidez também o tornava mais atraente, acrescentando um toque de vulnerabilidade à personalidade imponente.

Ainda estava sorrindo quando ele terminou de digitar, gra­vou o artigo na memória do sistema e tirou os óculos.

— Muito obrigado, Sakura chan. Você me salvou. Às vezes existem alguns obstáculos para quem trabalha em locais isolados.

— Pode usar o computador quando quiser, desde que eu não esteja trabalhando nele. Já decidiu qual será sua tentativa para a próxima coluna?

— A igreja, acho. Na pior das hipóteses, farei minha mãe feliz. Ela vive me censurando por ter abandonado a religião, mas ainda não tive tempo para encontrar uma congregação que me satisfaça e que fique perto de casa.

— Nesse caso, eu fico com a organização política. Vou tentar me engajar num trabalho voltado para os sem-teto.

— Boa ideia. Mas, por favor, não me deixe vê-la no noticiário da tevê sendo presa por participar de protestos ilegais — ele riu. — Bem, agora tenho de correr para a estação de rádio. Até mais tarde, Chapeleira Maluca. — Ao passar por ela, Naruto levantou-lhe a aba do chapéu e beijou-a na testa. — Obrigado mais uma vez — disse a caminho da porta.

Sakura esperava que Ino não estivesse olhando, o que era pouco provável, já que a editora fazia questão de acompa­nhar tudo que acontecia na redação. Respirando fundo, man­teve a compostura e tentou esconder a reação intensa ao cum­primento casual. Segundos depois estava novamente sentada diante do computador, mas não conseguia concentrar-se no trabalho. Afinal, qual era o problema? Tinha de lembrar que o objetivo da tarefa era encontrar alguém interessante, não desenvolver uma paixão adolescente por um homem a quem fora imune durante cinco anos. Havia sido apenas um beijo de gratidão. Por que comportava-se como se ele houvesse feito uma declaração de amor eterno? Determinada, concentrou-se no trabalho e tentou não pensar em como os olhos azuis de Naruto haviam brilhando pouco antes de beijá-la.

Naruto sentou-se no fundo da igreja, tentando não ser notado. Chegara alguns minutos atrasado para o estudo bíblico das quartas-feiras, mas já havia percebido que a congregação era moderna e nada tradicional, composta basicamente por profis­sionais jovens e solitários que saíam dos escritórios da região.

As pessoas ainda cantavam hinos, e ele não reconheceu o que estava sendo entoado, talvez por estarem usando guitarras elétricas, baterias e sintetizadores em vez do órgão a que ha­bituara-se em sua cidade natal.

Enquanto tentava identificar a melodia, olhou em volta e notou várias mulheres jovens, algumas sozinhas. Se estivesse atento aos seus movimentos, teria sentado perto de uma delas. Mas esta noite queria apenas conhecer o lugar e estudar seu potencial, na manhã de domingo tentaria conhecer alguém.

O pregador começou o sermão e Naruto deixou os olhos va­garem mais uma vez. Havia uma jovem bastante atraente do outro lado do corredor, duas fileiras à frente dele. Provavel­mente não a teria notado numa rua movimentada, mas aqui ela o intrigava, talvez pelo fato de sua presença indicar que partilhavam de valores comuns.

A voz do ministro penetrou em seus pensamentos, provo­cando um intenso sentimento de culpa. Não podia pensar em valores comuns se a jovem estava ali por causa de suas crenças, enquanto ele só queria conhecer alguém. Devia ser apenas resultado dos discursos dos pais sobre a importância da fé e do respeito à religião, mas tinha a impressão paranoica de que Deus o atingiria com seus raios justiceiros por ter entrado em Sua casa movido por intenções impróprias. Se continuasse frequentando esta igreja e acabasse desenvolvendo um relacio­namento afetivo, ótimo. Mas não convidaria alguém para sair só para ter o que escrever.

O serviço chegou ao fim e ele saiu esperando não ter de falar com ninguém, mas alguns membros da congregação pa­raram para cumprimentá-lo e dar as boas-vindas. Foi com gran­de alívio que Naruto entrou na caminhonete sem ter de encarar nenhuma das jovens que vira pouco antes. Se voltasse, queria ao menos poder contar com uma consciência tranquila.

Tinha certeza de que essa relutância em aproximar-se das mulheres da igreja não estava relacionada ao fato de Sakura Haruno ter se tornado mais atraente do que na época de fa­culdade. Não podia estar fazendo comparações.

Mas nenhuma mulher da congregação usava chapéu.

Sakura chegou cedo ao centro comunitário, quando a sala ainda estava sendo preparada para a reunião. Ajudou a arru­mar as cadeiras em círculo e aproveitou para conhecer alguns membros do grupo, mas infelizmente eram todos casados.

Havia escolhido esta organização no jornal porque a falta de moradia era um problema que realmente a perturbava. Não tinha ideia do que faria se algum dia perdesse sua casa, e por isso não suportava pensar em todas as pessoas que vagavam pelas ruas sem ter para onde ir.

Assim que terminaram de arrumar a sala, ela sentou-se perto do centro do círculo e observou as pessoas que iam chegando para o encontro. Mais uma razão para ter escolhido esse grupo era o fato de estarem apenas começando. Assim teria chance de participar das atividades desde o início. Notou um ou dois homens atraentes e teve certeza de que, se estavam nesse tipo de reunião, não podiam ser superficiais, egoístas ou frívolos.

Um dos rapazes sentou-se algumas cadeiras à sua esquerda. Sakura olhou na direção dele e sorriu, cruzando as pernas de maneira discreta, porém insinuante. O desconhecido retribuiu o sorriso, mas não deu nenhuma indicação de que pretendia mudar de lugar. Bem, talvez pudessem conversar depois do encontro.

Então a reunião começou. Os organizadores fizeram uma rápida apresentação das regras e alguns participantes fizeram sugestões a respeito da melhor maneira de conduzirem os es­forços do grupo. Logo todos debatiam se seria melhor iniciar uma ação política ou concentrar-se nos problemas locais. O homem que Sakura notara pouco antes levantou-se para falar.

— Já temos cozinhas comunitárias e abrigos. Precisamos fazer o governo perceber que é responsável e pressioná-lo em busca de atitudes concretas.

Vários integrantes o aplaudiram.

De repente Sakura esqueceu os motivos que a levaram até ali e sentiu-se inflamada. Como repórter, tivera muitas oportunidades de ver a população responsabilizando o governo por tudo, quando o poder de realizar mudanças estava nas mãos dos cidadãos.

Olhando para o homem que acabara de falar, levantou-se e disse:

— Uma atuação política não vai tornar mais fácil a vida dos que estão com fome e sem ter onde morar. Sim, temos abrigos e cozinhas comunitárias que oferecem sopa aos desafortunados, mas acha que isso é o bastante para suprir todas as necessidades? Prefiro ter certeza de que estou ajudando um semelhante a mar­char até o centro de Tóquio e aparecer no noticiário da tevê.

Um coro de aplausos ainda mais alto que o anterior coroou seu breve discurso. Ao sentar-se, Sakura sentiu a adrenalina invadindo suas veias. Não fazia nada parecido desde os debates universitários.

O homem encarou-a com ar hostil e ela lembrou porque estava ali. Lá se vai uma possibilidade, pensou. Mas com essa atitude, tinha certeza de que um encontro com o sujeito seria apenas uma repetição da experiência que tivera com Sai. Dessa vez o monólogo seria sobre ativismo político em vez de contabilidade.

A reunião prosseguiu e o grupo finalmente decidiu dar apoio a um dos muitos abrigos locais, oferecendo doações e trabalho voluntário enquanto formavam um comitê político para levar o problema aos governos estadual e federal. Sakura deixou o centro comunitário sentindo-se animada e renovada, e só per­cebeu que não fizera nenhum esforço para aproximar-se dos homens presentes quando já estava entrando no carro. Melhor assim. Duvidava que os correligionários a aplaudissem se sou­bessem que estava ali para conseguir um encontro.

Poderia conhecer alguém durante a realização do trabalho voluntário, mas não pretendia transformar essa possibilidade em seu objetivo principal. Seria egoísta e baixo demais.

Talvez Naruto tivesse mais sorte, apesar daquele discurso sobre sua formação religiosa. Se olhasse bem enquanto esti­vesse na igreja, poderia encontrar uma mulher séria com quem talvez até se casasse. Juntos teriam lindos bebês loiros de olhos azuis. E o que sentia não era ciúme, mas desânimo por­que, caso isso acontecesse, teria de cuidar de suas tarefas do­mésticas durante uma semana.

Quando chegou em casa Sakura encontrou a luz da secretária eletrônica piscando.

— Sakura chan, é Naruto. Acho melhor reconhecer o fracasso. Não quero saber se o conselho é bom ou ruim, útil ou ridículo. Recuso-me a frequentar a igreja só para conhecer mulheres. Se isso é necessário para se estabelecer um relacionamento afetivo, então desisto.

Sorrindo, ela discou o número que havia decorado recentemente.

— Então concorda comigo? — Sakura disparou, ao ouvir a voz dele do outro lado. Parecia distraído e distante, mas pelo menos sabia que não estava interrompendo nada. — Também me senti muito mal no centro comunitário. Todas aquelas pes­soas estavam ali lutando por uma causa nobre, enquanto eu esperava conhecer um homem!

— Quer dizer que nem tentou?

— Não, mas me ofereci para servir como voluntária na co­zinha comunitária. Quem sabe? Talvez conheça alguém numa dessas noites de quarta-feira, quando estarei trabalhando com o grupo. Mas acho melhor não incentivarmos esse tipo de com­portamento em nossas colunas.

— Tem razão. É claro que gostaria de ver as igrejas e os centros comunitários cheios, mas prefiro que as pessoas sejam movidas por razões nobres. Meu Deus, nunca pensei que pu­desse me sentir tão mal!

— Não? Pois espere só até nossas identidades serem reve­ladas e toda a cidade descobrir que somos incapazes de con­seguir um encontro decente.

— Minha esperança é que o departamento de esportes me transfira para a Patagônia antes disso.

— Mal posso esperar para ler sua próxima coluna.

— Também estou ansioso pela sua. Até amanhã, Chapeleira Maluca.

Sakura:

Peço a todos os leitores que tenham um mínimo de decência: não se juntem a uma organização política ou religiosa só para conhecer alguém. Se essas coisas interessam a você, ótimo, vá em frente e aproveite. Quem sabe poderá conhecer alguém. Mas se decidir ir, reflita sobre seus motivos antes de passar pela porta, ou vai sentir-se fútil e degradado.

Há muito a ganhar com esse tipo de atividade, e tenho certeza de que, com o tempo, um envolvimento conjunto e cons­ciente poderá servir de base para um maravilhoso relaciona­mento. Por causa da pressão dessa matéria, não tenho tempo para deixar isso acontecer. Ofereci-me para realizar trabalho voluntário, e se alguma coisa acontecer nesses próximos meses, prometo compartilhar minha experiência com vocês.

Mas, por favor, não pensem nisso como mais uma boa ma­neira de conhecer pessoas. Os membros dessas organizações estão lá porque acreditam nos objetivos do grupo, e não têm tempo a perder com quem só os procurou por não ter encontrado um parceiro nos bares da cidade.

Naruto:

Recado à minha mãe: não estou dizendo que as pessoas não devem ir à igreja. Só estou dizendo que elas não devem ir por razões erradas. Como, por exemplo, conhecer gente do sexo oposto. Também não estou dizendo que a igreja não é um bom lugar para se conhecer alguém e começar um relacionamento sólido. De fato, esse é o melhor lugar para se conhecer um parceiro e estabelecer uma ligação profunda e séria baseada em valores comuns.

Mas se você só está lá para conhecer pessoas, se a mensagem não significa nada para você, então não haverá nenhum valor comum, e você será apenas um impostor. Não estou afirmando que um relâmpago o atingirá se insistir nisso, mas tenho certeza de que os resultados não serão os que espera. Se a mensagem tem algum significado para você, o único sentimento que terá será o de culpa por ter procurado uma igreja por razões impróprias.

Não desistirei de ir à igreja. Só não quero engrossar as fileiras dos impostores. Posso até conhecer uma boa mulher e desenvolver um relacionamento, ou não. Mas, se acontecer, prometo que vocês saberão.

Continua

Notas finais
Ola pessoal obrigado a todos que leem a fic espero que estejam gostando da historia de Sakura e Naruto em sua perseguição ao seus pares perfeitos.
Sakura e Naruto estam tentando de tudo que jeito para desecalhar ate na igreja e debate politicos foram mais pelo jeito não deu certo, acho que vou deixar esse dosi solteiros eles são problemticos demais como shikamaru diria kkkkk.
Mais uma vez obrigado
Abraços
Naruto